Pesando na ideia: AlemdaRima tocando em casa e tirando onda

alemdarimaAbertura cultural da V Semana do Hip Hop trouxe artistas de peso e pratas da casa

Por Lucas Mendes
Fotos: Lucas Rodrigues

De tudo um pouco e um pouco de tudo. Quem colou no Parque Vitória Régia nesse domingo pôde aproveitar boa parte do melhor do rap nacional. O rolê foi o terceiro dia de atividades da V Semana Municipal do Hip Hop, considerado a abertura cultural do evento. Com artistas da cidade e convidados de fora, as atrações se estenderam até o final da noite, com as pedradas de Rapadura, Inquérito e Thaíde.

No começo da tarde, quem tomou conta do palco foi muita mina zica com rimas pesadas contra o machismo e as opressões da mulher, seguidas logo depois pelo show do AlemdaRima, grupo formado por Henrique Thomas e Allisson Ferreira. A dupla é da Casa, e eles já desenvolvem um trabalho com o Hip Hop há muito tempo. No show, eles foram acompanhados pelo DJ Ding, deejay residente da Casa do Hip Hop de Bauru.

“Pra nós aqui é tocar em casa, mano, e tirar uma onda. Aqui é tocar à vontade, nem dá pra sentir a pressão de tocar no palco do Vitória, pra nós é bem tranquilo, já não é a primeira vez, então é gostoso porque é um lugar que marca a cidade, que o pessoal se encontra aqui, e pra gente é mó daora de fazer parte”. É o que diz Henrique, logo depois da apresentação no palco do Vitória Régia.

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O grupo já há cinco anos vem propagando seu trabalho com o Hip Hop bauruense, a partir da formação que essa cultura possibilita. A presença nas edições anteriores da Semana também foi fundamental, como destaca Allisson. “Pra nós é uma satisfação imensa. A gente participou já da segunda edição em diante, e pra nós é muito louco ver tudo isso acontecendo, ver todo mundo que trampou o ano inteiro e o tanto de público que a gente alcançou… e esse é só o terceiro dia da Semana”.

Nova e Velha Escola. Apesar de recente, o trabalho da dupla já causou muito barulho. Prova disso é a sua participação garantida nas edições da Semana, além de terem dado o “pontapé inicial” nesta quinta edição do evento, abrindo as atividades lá na Estação Ferroviária, na última sexta-feira.

“Isso tudo é da gente, mas é também porque já tinha gente mais velha aqui, uma velha escola em Bauru estruturada e aberta para o novo”, reconhece Henrique. “Então a gente chegou e eles falaram ‘vem, vamo fazer assim’, e não teve café-com-leite, a gente chegou já brincando sério”, completa.

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Além das rimas e do trabalho em cima do palco, os caras participam da própria organização dos eventos. Como relembra Henrique, “todas as Semanas a gente tava envolvido com a produção, não só com o palco. O palco na verdade é só o fim do negócio”, diz ele. “A gente tá participando, vai na reunião. Tem projeto que só a gente desenvolveu na Semana, a gente que faz. Pra nós a Semana foi quem amadureceu a gente, porque a gente não teve tempo de brincar, foi chegar e fazer de verdade”, emenda.

Hip Hop de casa nova. Com a recente inauguração da Casa da Cultura Hip Hop, em agosto, novas oportunidades surgiram pra população bauruense e para a transmissão do legado da cultura Hip Hop. “Abrange um novo pessoal né?”, diz Allisson. “Tem muita gente que tem preconceito com o Hip Hop, por ele ser da rua, mas é tão influente na cidade que não tem como a pessoa falar mais nada”, completa.

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Pra ele, a oportunidade de um local próprio vai desenvolver melhor a cultura. “Essas oficinas vão chamar mais um público pra esse local, e só tem a ganhar a Casa do Hip Hop de Bauru. Porque o que a gente quer é construir mais e mais e deixar o bagulho o maior possível”, finaliza ele.

“A Semana ainda vai mexer com muita gente, ainda vai ter muita emoção, muita coisa louca. Ainda tá no começo e já foram coisas maravilhosas. Tá muito legal e a gente espera que seja um sucesso, tem muita gente trampando empenhada em fazer com carinho, fazer bem feito, quem tá vindo agora, não vai deixar de vir no próximo, quem não veio vai ouvir falar e vai querer vir. Então só tende a alcançar mais, ainda tá no começo e já tá desse jeito”, prevê Henrique.

AlemdaRima, muito além do show


Por Mariana Lacava
Fotos: Lucas Rodrigues e Felipe Amaral

AlemdaRima, DJ Ding e DJ Shinpa abrem a V Semana do Hip Hop com muito rap nacional de qualidade, mostrando a forma que o interior paulista tem e o quão influente é a música que sai da nossa cidade.

DJ Ding, residente da Casa do Hip Hop de Bauru e um dos produtores culturais essenciais na cidade permanceu ao lado de DJ Shinpa, atual vice-campeão do DMC Brasil, um dos maiores campeonatos de DJ do mundo. Ambos prestigiaram a abertura da Semana do Hip Hop 2015 lá na Estação, tocando muitos clássicos e inovações autorais. 

O grupo AlemdaRima conta com os integrantes Henrique Thomas e Allisson Ferreira, que há cinco anos desenvolve trabalhos em Bauru por meio da cultura Hip Hop na cidade. Ainda muito jovens, acreditam que todo esse processo evolutivo no movimento social cultural se deu por conta da formação e da militância que as edições anteriores da Semana do Hip Hop proporcionaram através de oficinas, debates e worskshops.

Henrique e Alisson começaram no Hip Hop por causa do amor e da habilidade com a musicalidade negra e as rimas. Sobre a Semana do Hip Hop, Henrique destaca que o festival deve um papel crucial na sua formação. “A gente aprendeu a ser militante, aprendemos sobre o que é a cultura de verdade, em suas raízes. Acompanhamos as outras edições desde o começo, brigamos pra virar lei, aprendemos como fazer, estávamos todos juntos brigando por isso. Participamos da construção da Semana desde as primeiras, de forma mais completa e nisso fomos nos desenvolvendo também como artistas, como grupo. As semanas do Hip Hop de Bauru são, pra nós, um grande marco em nossa carreira e em nossas vidas”, afirma.

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Allisson. Além da Rima.

Allisson complementa dizendo que aprendeu a trabalhar em conjunto e que isso o ajudou muito crescimento do grupo e pessoal. “Na nossa carreira a maior influência da Semana é o aprendizado, a experiência com palco, com produção de show essas paradas, bastidores…”

Formação. A Semana do Hip Hop de Bauru é um projeto que vem crescendo muito conforme os anos e nesta quinta edição apresenta uma forte programação de formação e militância por meio da cultura Hip Hop. Sobre a distância da capital e como isso influenciaria a produção musical, Henrique acredita que as influencias são positivas. “Não que influencie muito o conteúdo, mas acho que a distância é outro universo né, o interior é outro universo perto das grandes capitais. Por mais que a gente seja parecido não é a mesma coisa, então acaba que a gente desenvolve uma outra forma de fazer a parada, uma forma que realmente aborde nosso público daqui, que é diferente do público de lá.”

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“Num evento como a Semana, a gente agrega pessoas que não conheciam o movimento com pessoas que já conhecem, as pessoas que gostam e tem interesse, sabe? A gente mostra pra elas que existem pessoas que trabalham e que lutam pra desenvolver a cena”, afirma Henrique. A cena local é muito importante para a formação não só de público, mas principalmente de militantes e de jovens críticos, artistas, produtores. “Nossa cidade tem Hip Hop de qualidade, tem graffiti, tem DJ, tem MC e tem b.boy pra caramba”, afirma.

Realização pessoal. O show do AlemdaRima foi muito esperado pelo público e pelos jovens do grupo, por conta de todo o envolvimento desde a construção das primeiras Semanas até se apresentar no palco, hoje, cinco anos depois. Allisson pontua ainda que essa edição, por ser a maior até hoje, proporcionou pra eles um grande aprendizado e evolução pessoal e profissional.  “Foi ‘sem palavras’ abrir o palco dessa semana, como o próprio nome do nosso novo disco diz, ‘Abrindo a trilha’, conseguimos chegar com músicas novas e foi muito emocionante ver as pessoas cantando nossa música, foi um bagulho emocionante, ver que o Hip Hop esta realmente chegando a diversos pontos da cidade e não só da nossa cidade…”, sonha.

Vinão, convidado pelo Além da Rima
Vinão, convidado pelo Além da Rima

Hoje a missão foi “dar o primeiro toque na bola em final de copa do mundo”, segundo Henrique. “A questão de ter o maior ou menor palco, ou maior público, não é importante pra nós, não tem isso. A gente quer ajudar a construir e desenvolver a cena do nosso jeito, mas o nosso foco é o nosso pessoal, nosso público que é a nossa família. Foi muito emocionante e muito gratificante toda essa energia e movimento bonito que rolou hoje aqui… Nossa, é uma honra tremenda pra nós”.

Esse primeiro dia da V Semana do Hip Hop foi mesmo recheada de muito rap nacional com as apresentações dos grupos Renegados Mc’s e AlemdaRima, levando a galera ao máximo da emoção com muita música e energia do bem. A exposição de Graffiti “Quem é quem” também trouxe muita cultura aos nossos olhos, reunindo 10 artistas locais e regionais.

Renegados MCs
Renegados MCs

A batalha de MC levou ainda mais emoção para o público, fechando as atividades do primeiro dia da Semana do Hip Hop Bauru 2015.

E não para por aí! Hoje ainda tem Encontro de Graffiti no Viaduto da Nações Unidas,  Cortejo Hip Hop,  II Fórum Nacional de Hip Hop de Bauru e o Desfile de moda urbana “Favela Fashion Zic”.

Confira a programação completa no nosso site >> http://bit.ly/1MafXg3

III Semana Municipal de Hip Hop de Bauru: evento entra no calendário oficial da cidade

Terceira edição conta com nomes como GOG, Thaíde, Sombra e Projota

por Revista Rap Nacional*

Já consagrada como um dos maiores eventos culturais de Bauru, a Semana Municipal de Hip Hop chega à sua terceira edição mais forte que nunca. De 9 a 17 de novembro, o festival vai ocupar diversas áreas da cidade com shows de rap, exposições de graffiti, batalhas de breaking, sessões de cinema, oficinas, debates e ações educacionais.

É a primeira vez em que a Semana acontece como parte integrante do Calendário Oficial de Eventos da cidade, instituída pela Lei 6358, de 24 de maio de 2013. O reconhecimento do poder público trouxe novas dimensões ao festival, que este ano conta com quatro nomes de peso do rap nacional em sua programação. Thaíde, GOG, Sombra e Projota são shows confirmados, respectivamente, para os dias 9, 10, 16 e 17.

A agenda de shows inclui também artistas e grupos que fazem sucesso no cenário local do movimento. A escalação de bauruenses para a Semana conta com AlemDaRima, DJ Ding, D’Bronx, JotaF, BetinMC, Abanka, Dois1Dois, Thigor MC, Ment Blindada, Bandidos em Harmonia, Tiago Vurto, D’Quebra, Dom Black, RapNobre MC e Coruja BC1, menino prodígio que vem conquistando reconhecimento no circuito nacional desde o ano passado.

 

Palco “Interior tem voz”. Buscando valorizar a rica produção do Hip Hop além dos holofotes das grandes cidades, o festival realiza no feriado do dia 15 uma sequência de shows trazidos de diferentes cidades do interior paulista. Ao longo de toda a tarde, a praça pública do Parque Santa Edwiges recebe apresentações de Veneno H2 (Franca), Ramonstro (Barretos), Lheo Zotto (Ribeirão Preto), Sintonia Sonora (Barra Bonita), Daniel Garnet e Pqnoh (Piracicaba), Revolução LDE (Marília) e Prodígios (Jaú).

Lugar de mulher é no palco. Tendo entre seus organizadores a Frente Feminina de Hip Hop da cidade, a Semana não poderia deixar de ter atrações que representassem a força das mulheres no movimento. Duas MCs têm presença confirmada no evento: a são-carlense Sara Donato, que canta no Sambódromo no dia 10, e a paulistana Tábata Alves, escalada para o encerramento no Parque Vitória Régia, no dia 17. Além delas, a b.girl Aline Afrobreak vem da capital para ministrar uma oficina de breaking para meninas no dia 14, no Centro Cultural.

Hip Hop no currículo. Consciente do papel do Hip Hop como ferramenta de formação, a Semana tem como uma das suas principais características a realização de atividades educativas e conscientizadoras. Serão oficinas, debates e outras ações, com o objetivo de incentivar a reflexão e circular informação entre o público do evento.

Seis dos nove dias de festival contam com oficinas, dedicadas a oferecer informações básicas a quem gostaria de atuar em diversas vertentes do movimento. Haverá aulas gratuitas sobre produção de vídeos, graffiti, breaking e criação de beats. Já os debates e as rodas de bate-papo abordarão temas que vão da discriminação de camadas sociais desfavorecidas à presença da mulher no Hip Hop.

Henrique Tomas no Combo 5 Elementos

Além disso, a terceira edição da Semana tem como novidade a realização dos chamados “Combos dos Cinco Elementos” em escolas públicas de Bauru, levando bate-papos e apresentações aos alunos. Ao todo, oito escolas receberão os Combos, que acontecem nos dias 11, 12, 13 e 14.

 

Construção colaborativa. A 3ª Semana Municipal de Hip Hop é uma realização do Ponto de Cultura Acesso Hip Hop e da Prefeitura Municipal, em parceria com Frente Feminina de Hip Hop de Bauru, CurtaBauru, Casa Fora do Eixo Bauru, Wise Madness, Frente de Hip Hop do Interior Paulista, Rede Nacional das Casas de Hip Hop, Bauru Breakers Crew, Oficina Cultural Glauco Pinto de Moraes e Secretaria de Estado da Cultura. A iniciativa conta com o apoio de Caritas Diocesana, Conselho Regional de Psicologia, Rádio Unesp FM e Madiba Shop e Projeto Colorindo o Interior.

 

Flyer da III Semana Municipal de Hip Hop de Bauru
Flyer da III Semana Municipal de Hip Hop de Bauru

 

*publicado originalmente em 7/11/2013