Hip Hop não Para! Começou a VI Semana do Hip Hop de Bauru

A noite do primeiro dia de atividades foi marcada por intervenções, literatura Marginal, o público e, claro, muito Hip Hop.

Por Mariana de Moraes e Felipe de Sousa
Fotos: Bianca Moreira, Cadu Oliveira

 

No inicio da noite deste sábado iniciaram-se as atividades de abertura da Semana do Hip-Hop.

Marcada pela presença do público que interagiu a todo o momento, a noite começou com o lançamento do livro Hip Hop Cultura de Rua, escrito pelo MC Who Kasseone. No palco, o escritor mostrou um pouco da importância do movimento, com uma intervenção repleta de emoção e de palavras contagiantes. Em entrevista, o artista mostra a sua opinião sobre o evento. ”Em linhas gerais a cidade está de parabéns, aqui se faz o hip-hop de verdade, eu acho que o Brasil inteiro deve reconhecer o trabalho que vocês fazem aqui, é lindo tudo isso, eu sou apreciador desse trabalho, e grato pela oportunidade.”

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Logo em seguida, MC Tiely Queen assumiu o palco, com rimas pesadas e repletas de ativismo. Em uma passagem marcante, o MC, ator, e cineasta de São Paulo, também coordenador do Projeto HIP HOP MULHER, empolgou a todos na Estação.

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Uma das últimas atrações da noite, em sua quarta passagem pela Semana do Hip Hop, a Parada Poética com Renan Inquérito, animou a todos. Renan declamou suas poesias dos livros #PoucasPalavras e Poesia Pra Encher a Laje, lançado esse ano, e algumas improvisadas. O público não ficou de fora, no momento que o microfone ficou aberto, pessoas declamaram os seus versos, rimas, e poesias contagiando cada vez mais a todos. O MC e escritor, disse a importância da literatura marginal, “é importante porque é uma literatura que bate no peito e fala que é marginal(…) é outra conotação de marginal, que diz: eu sou marginal porque eu quero e tenho orgulho, sou marginal no que eu escrevo, marginal por não querer fazer parte desse sistema literário, faço questão de ser marginal. É um posicionamento político, acima de tudo, e não tem como negar que tem uma enorme relação com o Hip Hop.”

O MC ainda falou sobre a importância da politização do jovem que está inserido no movimento hip hop, dizendo que os jovens são a esperança para dar continuidade à luta que estamos buscando para erguer cada vez mais a bandeira do hip hop: “o jovem é o combustível de qualquer movimento, seja estudantil, social, racial, tá ligado, o jovem tem energia, tem o brilho no olho, ele tem a sede de mudança e não foi contaminado pelos tombos como nós já fomos. Ele não tá calejado, ainda! Ele é necessário para fazer a roda girar.”

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Sobre o evento e a sua evolução, Inquérito, que já participa desde 2014 disse: “Eu acho daora que todo ano tem gente nova, mas também tem o núcleo duro, que é a base mesmo que tá desde o primeiro. E eu acho isso necessário, essas pessoas, elas vão passando o bastão, mas é necessário que elas fiquem e abracem, recebam quem tá chegando, formem quem tá chegando. Para que esse que hoje é formado amanhã  vire um formador também. Então, não são escolas, são gerações. É de sangue pra sangue, geração. Escola é divisão.(…) Esse é um evento lindo, é um evento que não fica só restrito para a música, abrange várias esferas e devia ter um evento desse em cada cidade do Brasil, independente do partido que ganhar, tem que entender que isso é legítimo. É legítimo ter uma Semana do Hip Hop em uma cidade como Bauru, assim como é ter em outras cidades. O que não pode é ter semana do Hip Hop só quando um prefeito de esquerda ganhar. Isso faz da gente refém.”

O ápice da noite foi a tão esperada Batalha de MC’s, os rimadores se enfrentaram pela glória e pelo prêmio ao melhor da noite, um troféu e uma tatuagem. No confronto, cada MC tinha 40 segundo para improvisar, a final tão esperada entre Estrofe MC e Mael MC foi marcada pelo talento do mais puro improviso, a vitória ficou com Mael MC após um terceiro round.
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A semana do Hip Hop continua hoje (06) com apresentação de grupos Rap, no parque vitória Régia. Acompanhe a programação completa na pagina Semana Do Hip Hop Bauru.

Batalha da Panelinha edição Semana do Hip Hop 2015

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Batalha da Panelinha edição especial da V Semana do Hip Hop lota estação ferroviária e leva o público ao delírio

Por Keytyane Medeiros
Fotos: Fernando Martins, Conrado Dacax e Mariana Lacava

12 de novembro é um segundo aniversário para muitos militantes da cultura Hip Hop. A data marca, em 2015, os 42 anos do movimento social, quando Afrikaa Bambaataa e Kool Hurc fundaram a Zulu Nation, primeira ONG (Organização Não-Governamental), no bairro do Bronx. Com o objetivo de difundir os ideais do movimento recém-nascido, a Zulu Nation se tornou a principal referência mundial do Hip Hop nas décadas seguintes. Por meio de palestras sobre história afro-americana, matemática, ciências e economia, a ONG instrumentalizava jovens dos bairros nova iorquinos sobre seus direitos e artes dos quatro elementos.

Dessa maneira, com o passar dos anos, a data remete ao aniversário da cultura e motiva celebrações no mundo inteiro. Em Bauru, a comemoração aconteceu na Estação Ferroviária com muita formação e batalha. Com o workshop “Nos tempos da São Bento”, Marcelinho Back Spin, da primeira geração de b.boys do país trouxe informação, história e conhecimento à Estação Ferroviária.

Workshop "Nos Tempos da São Bento"
Workshop “Nos Tempos da São Bento”

 Logo em seguida, outro elemento e ritual bastante importante da nossa cultura também estava presente. Com aproximadamente dois meses de existência, a Batalha da Panelinha foi uma batalha de sangue na quinta-feira. Nada de origem animal ou humana, mas o choque de ideias foi inevitável. Ali, na batalha, uma geração bastante jovem, de 17 a 19 anos participavam da batalha, que com três rounds, começou devagar até chegar numa crescente com vozes e dizeres estridentes e nocauteadores.

A Batalha, uma realização da Casa do Hip Hop de Bauru ainda que recente, é muito comentada na cidade porque é um dos poucos espaços onde os rimadores podem desfrutar de infraestrutura básica para improvisar. Os beats, originais da cidade, comandam a levada e o freestyle dos MCs que se desenrolam para fazer das rimas as melhores possíveis, mesmo que de vez em quando, saiam uns frangos do galinheiro.12236662_1072463352798809_982033960_o

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Canela, Timbá e David MC

Nesta quinta-feira, 12 de novembro, o primeiro round empatou entre Jotav e Mael MC, o segundo foi vencido por Dentão, que batalhou contra Neguim e David MC levou o terceiro round em cima das rimas de Rabelo MC. No fim das eliminatórias, com a estação cheia de espectadores ansiosos para saber quem seria o grande vencedor e o ganhador do primeiro troféu Batalha da Panelinha, David MC e Pão, da Zona Leste, fizeram o confronto final. Com muita ginga, canja e algumas penas esvoaçadas de dois grandes rimadores disputando espaço e palavras numa panela fervilhando rap e freestyle, a panela começa a exceder seu limite com as rimas de David MC. O rapper e b.boy, que está lançando CD novo na praça, “Eu Faço Rap”, levou a melhor da noite e fechou a tampa desse longo dia de comemorações e manifestações da cultura Hip Hop.

David MC leva o prêmio Batalha da Panelinha
David MC leva o prêmio Batalha da Panelinha

Ernesto Hip-Hop: 2ª Semana Municipal do Hip Hop

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II Semana Municipal do Hip-hop invade o Geisel no feriado

Texto e Fotos: Higor Boconcelo para o blog e-Colab*

1“Em pleno feriado, meio dia, o cara me passa com essa música no último?”, reclama Gu, quando, como de costume, um carro qualquer corta a Alziro Zarur com o som “estourando”. Não que ele tivesse muita coisa contra Demi Lovato, mas aquele definitivamente não era dia para a música pop no Geisel, já que a II Semana Municipal de Hip-Hop tomava o bairro como palco para as atividades de seu quarto dia de programação.

Du é um dos grafiteiros escalados para exercer sua arte no muro da biblioteca ramal do bairro. Já estava fazendo seu trabalho havia quase meia hora quando o carro passou, o distraindo. Enquanto isso, o outro artista responsável pela grafitagem continuava a manejar a tinta spray.

Paulistano, Sergio Oliveira atua na arte há mais de sete anos. Ambos experientes, porém jovens, estavam trabalhando em uma nova “cara” para a biblioteca, atividade que fazia parte da programação do evento.

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Graffiti de Sérgio Oliveira

E ainda bem que o fazia. A obra não estava nem metade pronta e já arrancava elogios dos moradores que cruzavam por lá. “Isso nem parecia uma biblioteca! Olha como uma pinturinha já muda tudo”, comentou uma senhora do outro lado da rua. Não houve sequer uma criança que passasse em frente ao ramal sem voltar sua atenção para os jovens que grafitavam. Poucas horas depois, as palavras Biblioteca Ramal já ganhavam seus retoques finais pelos sprays de Sergio, e a obra de Du também estava quase pronta.

Mas se essa rapidez podia ser aplicada ao grafite dos garotos, certamente não era o caso para o que logo ia começar a rolar a poucos metros dali, no Bosque da Comunidade do Geisel. Lá, “o baguio ia estourar a tarde inteira”. Com o grafite já finalizado, ambos foram convidados pela organização à pintar um largo muro do bosque. Se estivessem pensando que seu trabalho estava chegando ao fim, certamente estariam se enganando.

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A selva tomada

Um palco, duas caixas de som e uma lona por cima formavam uma espécie de tenda, onde iriam subir vários MC’s durante a tarde. O Projeto Ensaio no Bosque estava marcado para começar às 15h, e se dependesse de público, poderia começar até antes.

Em meio às árvores do local havia todo o tipo de morador para prestigiar o evento. Crianças, famílias com seus cães, jovens e a dupla de grafiteiros, que já reiniciava sua arte nos muros da selva urbana.

O primeiro a mandar as rimas e as batidas foi o MC Vurto, abrindo a tarde de apresentações. A quadra de basquete onde o palco estava montado logo começou a ser preenchida de gente, vinda ora do próprio bosque (diga-se de passagem, grande), ora das próprias ruas do bairro.

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Em cima de um tapete quadriculado, os adeptos do breaking não paravam de rodar. Meia dúzia jogavam basquete na outra metade livre da quadra. As cabeças reagindo de maneira positiva às rimas que se propagavam.

Era assim com cada MC que subia naquele palco para executar suas próprias rimas. O rap independente mostrava naquela tarde a sua força – a maioria do público conhecia as letras compostas pelos artistas que, há alguns minutos atrás, também estavam curtindo outro MC rimar.

Seguiu rimando o MC Thigor, dando lugar depois para Betim. Após, foi a vez do RapNobre emendar rimas que protestavam contra a futilidade presente nas músicas comerciais e nos costumes da sociedade em geral.

Já conhecido do público, Coruja BC1 subiu ao palco junto do parceiro Dom Black e da dupla Além da Rima, em duas apresentações que mexeram com a galera presente. Ao fim da tarde, subia ao palco mais uma vez para rimar suas composições.

Mais de nove atrações mandaram suas rimas, beats e pensamentos para o público presente no bosque. Os rappers saldaram seus parceiros que vieram os assistir de vários bairros de Bauru, como também de outras cidades. A família do rap comemorou estar reunida novamente, e além disso, a realização da Semana pela prefeitura. Abrir espaço para uma festa de rap independente mostra que os artistas não estão trabalhando em vão, e mesmo que o preconceito ainda exista, os MCs continuam fazendo sua voz subir mais alto que ele. Tão alto que até Geisel deve ter ouvido.

* publicado originalmente em 19/11/2012