Skate sem limites no filme Bauru ltda

Com produção e protagonismo 100% bauruenses, a Casa do Hip Hop recebeu a estreia do vídeo que retrata a cena local do skate

Texto por Lucas Mendes

A estreia do filme Bauru ltda, se depender do público que acompanhou sua exibição, foi um sucesso. Mais de 50 pessoas, na sua maioria skatistas da cidade, acompanharam a sessão, que rolou na Casa do Hip Hop na tarde desse sábado (13).

 

 

Bauru ltda é um vídeo de skate feito somente na cidade de Bauru. Nas filmagens participaram mais de 40 skatistas locais e alguns convidados, envolvidos num processo de produção que durou 3 anos, de forma independente.

“A gente começou a filmar em 2014, mas a ideia veio depois, e na hora que eu vi que tinha um material que já dava pra fazer alguma coisa, aí eu já lancei a ideia pros moleque”, diz Fabrício Ferreira, o diretor do vídeo.

A sessão de estreia movimentou a cena na tarde de sábado, e vários skatistas colaram na Casa, lotando a sala onde rolou a exibição e deixando gente acompanhando o filme do lado de fora.

E não poderia ter sido melhor a escolha do local. “Eu tive opção de escolher o teatro municipal”, revela o diretor. “Mas eu achei aqui mais legal, porque é undergound né. Lá no teatro eu não ficaria tão à vontade, não ia ter palavrão, gritaria. Não tem porque fazer lá, mesmo que aqui seja pra 50 pessoas”, admite.

Nas paredes do corredor da Estação Ferroviária ficaram expostas algumas fotos feitas durante as filmagens, que contaram com os cliques do próprio Fabrício e do fotógrafo Cristiano Cunha.

Produtor audiovisual e fotógrafo, o sul-mato- grossense Fabrício é skatista há 10 anos, desde que chegou a Bauru, com 16 anos de idade. Ele já está na cidade sem limites há 10 anos e explica que a ideia foi mostrar um pouco do cotidiano e das vivências dos skatistas de rua daqui. Sobre o nome, “Bauru ltda”, ele explica: “significa Bauru limitada, porque já que Bauru é a cidade sem limites, o que a gente tem que fazer é andar em todos os picos e limitar ela”.

É um retrato 100% bauruense. “A hora que eu fui ver, só tinha imagem de dentro, só imagem daqui de Bauru”, diz Fabrício. “Então a gente já tinha um tema, e quando já tem isso é legal, é show de bola, porque aí você pode expressar sua arte do jeito que quiser, você já tem um tema em cima dela”, explica.

Nessa missão, depois de 3 anos filmando e acompanhando o dia-a- dia, segundo Fabrício o que mais se destaca é a “união monstra” da galera, apesar dos inevitáveis problemas. “Olha o tanto de cara que a gente conseguiu filmar”, conta ele. “Toda a vez que a gente ia gravar colava uma galera, e colava polícia. Teve muita treta, teve muito tombo feio, cara desmaiando. E eu tenho tudo essas imagens, só que eu não coloquei porque minha intenção era fazer um vídeo alto astral, pras pessoas darem risada e mostrar o lado bom de andar na rua”, completa ele, que garante:

“Skate é rua e nunca vai parar”.

Confira abaixo o teaser do Bauru Ltda Skate vídeo:

Teaser Bauru ltda skate video

salve galera como alguns já sabem dia 13/05 estaremos lançando o Bauru ltda skate video, as 16:00hs na casa do hip hop (estação ferroviária ), com entrada franca e a noite as 23:00hs vai ter a festa de lançamento no Jack pub music Bauru, com o show da banda Bauruense Legalê e Projeto SOMV, valor pra entrar é 10 reais até 00:00! (proibida a entrada de menores de 18 anos)segue o link do vento da casa do hip hop (estação ferroviária)https://www.facebook.com/events/1843514129306256/segue o link do evento da festa de lançamento (Jack Music Pub ) https://www.facebook.com/events/1677740332528512/?ti=cl

Publicado por Bauru ltda. em Segunda, 8 de maio de 2017

 

Mais informações podem ser encontradas na página do filme:

https://www.facebook.com/Baurultda/

Os DVDs com o filme estão sendo vendidos pelo próprio diretor.

Cursinho pré-vestibular gratuito da Casa do Hip Hop segue com inscrições abertas

Educação de Jovens e Adultos (EJA) também oferece vagas

 

Continuam abertas até dia 20/02 as inscrições para o  Cursinho Popular Acesso Hip Hop, curso pré-vestibular gratuito oferecido pela Casa do Hip Hop de Bauru. Ao todo são 30 vagas para quem já concluiu o Ensino Médio ou está cursando o terceiro ano em Escola Pública.

 

Para se inscrever o estudante deve cumprir com alguns requisitos, como ter renda familiar de até 3 salários mínimos e pagar a taxa de inscrição, no valor de R$ 10,00 (dez reais). Também deve ser preenchido um formulário, disponível através do link (http://bit.ly/2jLFfHF).

 

A verba arrecadada com a taxa de inscrição servirá para custear o material didático a ser utilizado pelos alunos. O pagamento pode ser feito via depósito bancário ou pessoalmente, toda quinta-feira, das 10h às 20h, na Casa do Hip Hop Bauru, localizada no primeiro andar da Antiga Estação Ferroviária (Praça Machado de Mello, s/nª, centro). Para o depósito os dados são: Banco do Brasil / Agência: 0037-x / Conta corrente: 390636-1 / Instituto Acesso Popular de Educação, Cultura e Política.

 

Após feito o depósito, o comprovante de pagamento deve ser enviado para o e-mail do cursinho: cursinhoacessohiphop@gmail.com, constando o nome completo e RG do interessado na vaga.

 

As aulas terão início no dia 06 de março e ocorrerão no período noturno, das 19h às 22h, de segunda a sexta-feira, na própria casa do hip Hop. Todos os professores são voluntários, e ministram as disciplinas de redação, matemática, física, biologia, português, história, química, sociologia, filosofia, geografia.

 

Importante ferramenta de inclusão social, o cursinho da Casa do Hip Hop funciona desde setembro de 2015. Atendendo os estudantes egressos de escolas públicas de Bauru, as aulas buscam dar uma oportunidade alternativa dos cursinhos já existentes, buscando favorecer o acesso de estudantes da educação pública nas universidades do país. Além disso, a  didática se difere dos cursinho tradicionais, ao passar uma visão que permite a leitura crítica e política do mundo.

 

Também oferecido pela Casa do Hip Hop, as aulas do EJA – Educação de Jovens e Adultos oferece vagas de 06/02 até o dia 24/02. As inscrições e as aulas são gratuitas, e os interessados devem comparecer na Biblioteca Municipal (Av. Nações Unidas, 8-9) durante o horário de funcionamento para efetuar a inscrição.

 

São 4 dias de aula por semana – segunda, terça, quinta e sexta, com início dia 06/03, no período das 19h às 21h30. A idade mínima para participação é de 15 anos. O curso  é destinado a jovens e adultos que queiram aprender a ler, escrever, realizar cálculos básicos, além de ter acompanhamento com psicólogos e assistentes sociais.

Ano de luta, anos de Hip Hop

2016 foi ano de transformações, mudanças e crescimento da cultura. E a Casa do Hip-Hop respirou (e transpirou) cultura esse tempo todo.

Por Lucas Mendes e Felipe Sousa
Fotos do Acervo Casa do Hip Hop Bauru


O primeiro de muitos: esse é o sentimento que fica na cabeça sobre o ano de 2016. A Casa do Hip Hop de Bauru completou 1 ano de atividades, ocupando os espaços e mostrando a força e articulação que o interior possui pra impulsionar e fortalecer a cultura e a cena local. 
Vale lembrar que foi nesse último mês de setembro que comemoramos 1 ano de presença no prédio da Estação Ferroviária, lá no centrão da cidade. Com apoio da Secretaria de Cultura, a Casa do Hip Hop foi o primeiro coletivo a ocupar as salas da 1º andar da Estação – que tinha ficado abandonada por mais de 20 anos.

Quem entra lá hoje já nota rápido a transformação do lugar. Diversos grupos estão utilizando o espaço – tem aulas da Divisão de Ensino às Artes da Secretaria de Cultura, Academia Bauruense de Letras, teatro, dança.. fazendo dali uma importante incubadora e fomentadora de cultura e efervescência artística.

 

Pra comemorar esse aniversário de 1 ano, a Casa do Hip Hop realizou a festa com atrações conhecidas da cidade, da região e do cenário na nacional do Rap. Os grupos Ment Blindada, Renegados Mc’s, Betim Mc e Dentão da Rima representaram Bauru, enquanto o grupo Revolução LDE veio de Marília. Síntese e família Matrero colou pra fechar o evento. O Mc De São José dos Campos  conversou com a gente, relatando a importância de se ter um espaço como a Casa de Cultura Hip Hop e também mostrou seu ponto de vista sobre o cenário do Rap hoje. A entrevista exclusiva você confere aqui.

Renegados Mc’s foram uns dos grupos que representaram a Bauru
Síntese e Família Matrero foram umas das atrações no Aniversário da Casa Do Hip Hop

Eventos importantes realizados pelo Ponto de Cultura Acesso Hip Hop, como Rap Hour, Estação Hip Hop e o Projeto Ensaio marcaram presença, trazendo artistas locais em apresentações nos quatro cantos da cidade, ou na própria Estação Ferroviária – prédio que abriga a Casa H2, que atua como parceira na realização.Bairros como Núcleo Gasparini, Mary Dota, entre outros, receberam bem as atividades, que contam também com apoio da Secretaria Municipal de Cultura.

A Batalha da Panelinha foram uns dos eventos que se consagrou esse ano
A batalha acontece toda quarta-feira.

 

Atividades, rolês, encontros

Balada Samba Rock, foi um sucesso em seu primeiro ano de realização

Dentro do que é feito pela Casa H2 existem atividades de formação, discussão e também espaço pra rolês e eventos da cultura. Umas das atrações que mais o público curtiu nesse ano foi  a clássica Batalha da Panelinha, realizada toda quarta-feira com os mc’s da cidade e região. Também um sucesso de público é a Balada Samba Rock, que teve 3 edições.

Movimento social rico, orgânico e criativo, o Hip Hop sempre se reinventa e incorpora novas discussões através de suas expressões. Seja nas rimas, batidas, latas de spray ou passos do breaking, as lutas e enfrentamentos diários são politizados por meio do conhecimento.E nesse campo a Casa H2 marcou sua presença com a realização de debates, rodas de conversa e saraus sobre os diferentes temas de relevância na sociedade.

Nessa missão foi que recebemos o II Fórum Regional de Mulheres no Hip Hop, projeto de realização da Frente Nacional de Mulheres no Hip Hop, contemplado pelo Proac-SP. A Frente Feminina de Hip Hop de Bauru integra esse coletivo nacional e foi parceira local para a realização do evento.

Com uma programação voltada à visibilidade das artistas da região, os fóruns têm como principal objetivo criar um espaço de acolhimento através de apresentações artísticas, workshops, rodas de conversa e oficinas para as mulheres. Os Fóruns Regionais são encontros prévios para o Fórum Nacional de Mulheres no Hip Hop, que acontece anualmente em São Paulo, e este ano contou também com a presença das integrantes da Frente Feminina de Hip Hop de Bauru.

Momentos envolvendo filmes e debates também marcaram presença por aqui nesse ano. O Cine Pixote proporcionou a exibição de filmes de conteúdo e fora do circuito comercial, sempre com uma temática política pra engatar um debate.

 

Em meio a todas as frentes de atuação da Casa do Hip Hop de Bauru também se destaca a presença do Cursinho Popular Pré-Vestibular “Acesso Hip Hop”, uma importante iniciativa de educação pra juventude que não tem como pagar aquele cursinho particular.Oferecendo aulas que trazem discussão política ao mesmo tempo em que prepara os manos e minas pro vestibular, o Cursinho busca  colocar cada vez mais gente da periferia nas universidades, ocupando um lugar que também é nosso por direito. Esse ano rolou uma Festa Julina pra auxiliar na manutenção do projeto educacional do Cursinho. Teve bingo, quadrilha, correio elegante e discotecagem.

Oficinas e aprendizado

Ao longo de todo ano também demos seguimento à disseminação da cultura Hip Hop através de seus elementos. As oficinas atraem um pessoal diverso e movimentam o espaço da Casa H2.Graffiti, Rap, DJ e Breaking oferecem essa vivência pra quem quiser conhecer mais da cultura. Elas são abertas e totalmente gratuitas. Também rola oficina de Freestep e Krump, além de Kickboxing, Dança do ventre, Kizomba, samba de gafieira, pandeiro e capoeira.

 

Dança do Ventre em Apresentação
A oficina de Capoeira em apresentação na Casa Do Hip Hop
As oficinas de KickBoxing são realizadas as quartas e sextas feiras

Aqui o destaque é para as oficinas profissionalizantes, oferecendo um meio de emancipação ou complemento de renda: unhas artísticas, design de sobrancelhas e maquiagem. Quem quiser saber mais ou participar é só chegar lá na Casa do Hip Hop e acompanhar os trabalhos.

No começo de dezembro também aconteceu uma oficina de escrita criativa, organizado pela Biblioteca Móvel Quinto Elemento, coletivo que compõe a Casa. A atividade contou com patrocínio do Programa de Estímulo à Cultura. O poeta Ni Brisant colou pra mediar a atividade, que buscou oferecer uma vivência e um despertar para a literatura e a poesia.

Ni Brisant na oficina de Escrita Criativa, realizada com apoio da Biblioteca Quinto Elemento
A oficina de Escrita Criativa foi uns dos destaque do mês de dezembro

Semana do Hip Hop

Novembro foi o mês que a cidade mais uma vez respirou o hip hop e seus elementos. A sexta edição da  Semana Municiapl do Hip-hop foi realizada pela Secretaria Municipal de Cultura e o Ponto de Cultura  Acesso Hip Hop. A Casa do Hip Hop sediou grande parte da programação e o espaço recebeu shows de grupos da cidade e da região, como Marília, Barretos, São Paulo,  e até de outros estados, como Minas Gerais e Rio Grande do Sul, todos bem representados.

Maestro do Caos diretamente de Barretos, representando Barretos

A Estação também recebeu  as finais do breaking, Krump e All Style  e grandes representantes como Casper Back Spin, Mister Jeff, Hatkilla, tudo no comando dos toca disco com dj Basin e Niko.

Ainda rolou a Marcha do Orgulho Crespo, a segunda edição do “Favela fashion zick”, com estilo e representatividade em um desfile de moda, e o tradicional Sarau do Viaduto, realizado pela Biblioteca Móvel Quinto Elemento.Ao todo foram dez dias de programação da Semana do Hip Hop, considerado o maior evento público de Hip Hop da América Latina.

O Tradicional Sarau do viaduto foi realizada esse ano na casa do Hip Hop
Favela fashion zick, representativadade e moda na Semana do Hip Hop

Expectativas

Recentemente a Casa do Hip Hop foi contemplada pelo Programa de Ação Cultural (Proac), do governo estadual. O concurso contou com 127 projetos inscritos, e a Casa foi selecionada em 1º lugar. Os projetos concorreram a prêmios de R$ 40 mil cada e que serão executados a partir de 2017.Esse é um edital próprio para a cultura Hip Hop, e veio como um incentivo pra manter nossa cultura viva e atuante. A Casa vai poder formar e impulsionar a cena Hip Hop e a essência da cultura nos trabalhos de formação.A verba será destinada para a manutenção das atividades da Casa, como as oficinas, e servirá para remuneração de gestores e oficineiros, garantindo a continuidade e aprimoramento de todo o projeto.

 

Casa do Hip Hop recebe oficina inédita na cidade

Trabalho gratuito de escrita criativa com o tema “Habite-se: Palavra é pátria” é iniciativa da Biblioteca Móvel Quinto Elemento

Texto e fotos por Lucas Mendes

Reforçando a ideia de que a poesia pertence ao cotidiano e são faz sentido se for viva, pulsante e acompanhando a vida das pessoas, a Casa do Hip Hop recebeu no último sábado (03/12), uma oficina de escrita criativa. “Habite-se: Palavra é pátria” foi o tema do trabalho de fomento e incentivo à criação literária e poética, inédito na cidade.

A realização foi da Biblioteca Móvel Quinto Elemento, coletivo que compõe a Casa H2. A atividade é apoiada pela Secretaria de Cultura de Bauru, e faz parte do patrocínio recebido pela Lei de Estímulo à Cultura.

Chamado pra conduzir a atividade, o poeta Ni Brisant veio de São Paulo. Pra ele a oficina existe para que cada um se permita descobrir e escrever sobre as questões que nos movem. “Pensei em fazer a oficina para mostrar às pessoas que Literatura é algo perto, possível e que cada um tem sua própria maneira de dizer as coisas”, conta o poeta. “Aí está a beleza: as memórias e a forma única que temos de enxergar o mundo é nosso patrimônio, matéria prima para sonhar e viver”.
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O poeta, inclusive, já¡ é conhecido da cena literária local. Presente em edições passadas do Sarau do Viaduto e, também organizado pela Biblioteca Móvel, Ni Brisant é autor da literatura marginal. São dele os livros ‘Tratado sobre o coração das coisas ditas’, ‘Para Brisa’ e ‘Se eu tivesse meu próprio dicionário.

A partir de exercícios de observação, escrita e troca, a ideia é tirar da literatura as amarras que a fazem parecer distante, sensibilizando o olhar das pessoas para as coisas, onde tudo é matéria-prima e a palavra é a ferramenta – maneira única de se estar no mundo.

“É preciso estar sensível para produzir arte. Nunca espero que saiam obras-primas destes encontros. Quero que as pessoas se reconheçam naquilo que produziram, naquilo que são capazes de dizer”, reflete Ni.
“O objetivo é facilitar, desmistificar a literatura e mostrar alguns ‘caminhos’ que grandes escritores usam para se expressar. Apresentar alternativas para que cada pessoa encontre um pouco do seu estilo, sua voz. Afinal, todos não, todos, temos algo a compartilhar e, finaliza.
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Aprendizado e Dança: o fim de semana das Batalhas na semana do hip-hop


Os dias 12 e 13 ficaram marcados pelos workshops e as batalhas no Sesc e na Casa do Hip-hop

Por Gabriela Martínez e Felipe Sousa

O fim de semana do nono dia da programação da VI Semana Municipal do Hip Hop, abriu o espaço para a dança, Krump, All Style, Popping e Breaking foram muito bem representados no Sesc Bauru e na Casa do Hip Hop de Bauru.

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No sábado (12), o dia foi de muita dança e muito aprendizado, com Workshops de grandes nomes, como mister Jeff no Popping, Casper da Backspin Crew, Kustelinha da Bauru Breaks Crew e Evertinho da All Stepps no Breaking, e Jey Hatkilla no Krumping.

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As eliminatórias foram marcadas pela presença de grupos da região, Assis, Marilia, Botucatu, entre outras cidades, tiveram os seus artistas em batalhas no Sesc da cidade. Com o sorteio realizado, os adversários se enfrentavam na busca pelo prêmio da semana. Teve inicio as batalhas de all Style, julgadas pelo Mister Jeff, onde os dançarinos nessa batalha devem demonstrar o seu talento na sua dança de origem e também o seu improviso a cada música tocada pelos Djs BASIN, ao todo foram inscritos 16 participantes de diferentes estilos em busca de ser o melhor da semana do hip-hop.

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Ás 16 Horas, o All Style, abriu espaço ao Krumping, em uma batalha julgada por Hatkilla, os Krumpers, como são conhecidos os dançarinos de Krumping, se desafiaram  para ser o melhor, foram inscritos 16 participantes de diferentes cidades da região, foram escolhidos  4 semifinalistas e decidido no domingo na Casa do Hip Hop de Bauru.

O final da tarde no Sesc ficou marcado por um dos elementos principais da Cultura Hip Hop, o Breaking. Ao todo foram inscritos 12 crew’s de Breaking de diferentes cidades, as semifinais foram definidas para a final na Casa do Hip Hop de Bauru.

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Finais

No domingo a energia das batalhas continuava presente na Casa, ao som dos DJS  Basin e Borogui, o Breaking, o Krumping e o All Style  foram muito bem representados. As decisões começaram pelo estilo Krumping, o jurado Jey Hatkilla afirma que  as apresentações foram  de extrema qualidade. ”Foi insano hoje, foi porrada pura, a gente vê que tem muitos Bboys estudando e se adaptando ao estilo.”  A final  ficou entre 7k Buck e Insane Killer diretamente de Piracicaba, que se consagrou o vencedor do estilo e o melhor Krumper da VI Semana Municipal do Hip Hop.

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As Batalhas de All style, trouxeram ao salão da estação a mistura da dança com seus diferentes ritmos, desde o rap até o samba, o jurado dessa vez foi Mister Jeff de Mogi das Cruzes, considerado referência ao pessoal da nova escola da dança. “Eu achei muito importante primeiramente, eu agradeço a minha família, meus amigos e ao ciclo vicioso no qual dança me propôs, os grupos que eu passei Die hard crew, Discípulos do ritmo, e agora Action Family e o trabalho agora com o Tim Brasil, foi uma enorme satisfação, eu agradeço por da essa oportunidade, estar ontem vivenciando uma experiência através do workshop e fazendo parte do corpo de jurado nesse desafio a nesse nível, eu creio que é uma coisa que já acontece mas é pouco novo em termos de soar no ouvido das pessoas das batalhas de All Style.” A final entre Davi e Pitbull, foi o puro talento da dança e do Krump, o vencedor por decisão unanime foi o paulista Pitbull.

A final do Breaking foi uma das mais aguardadas aos fãs da Cultura Hip Hop e da dança, em disputa as crew’s Killers  contra Irmãos Metralha. A final foi o mais puro breaking de qualidade, os integrantes de cada crew tomaram  o saguão da antiga estação ferroviária, lembrando muito os tempos da antiga Estação São Bento, marco inicial do Hip Hop no Brasil. O B-boy Kustelinha, juntamente com Bboy Casper da Backspin Crew tiveram  a difícil missão de decidir quem saiu como vencendor na VI Semana Municipal do Hip Hop. Kustelinha afirma que a competição foi de alto nível.” Na competição a energia estava muito boa, os Bboys da região estão representando muito bem o interior de São Paulo, a cena está crescendo muito, a nova geração está chegando com bastante informação, conseguindo desenvolver mais em relação aos movimentos, conhecimento que é o principal, eles estão pegando essas informações e está fluindo, está sendo uma coisa  bem legal na cena”.  A melhor crew da Semana do Hip Hop foi a Killers, os vencedores ganharam um premio em dinheiro e uma tatuagem, o vice-colocado também ganhou uma premiação em dinheiro.

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O Hip Hop é universal. Neto do Síntese trocou uma ideia com a Casa do Hip Hop de Bauru

Entrevista por Felipe Sousa
Fotos Lucas Rodrigues, Acervo Casa do Hip Hop

Integrante e formador do grupo de rap Sí­ntese de SãoJosé dos Campos, Gestério Neto, bateu um papo com a Casa do Hip Hop de Bauru em sua breve e marcante passagem nossa comemoração de aniversário. Com frases marcantes carregadas de mensagens e cultura, Neto falou um pouco sobre o movimento cultural em si, um pouco de rap e as mensagens transmitidas em suas letras carregadas de conteúdos líricos e poéticos.

Abaixo você confere a entrevista na Integra.

 

Neto em entrevista exclusiva a Casa Do Hip Hop

Qual a importancia desse evento para o movimento hip-hop?
Neto: Ah, eu acho muito da hora mano, ter uma casa de hip-hop assim na cidade, é uma coisa que a gente quer ter lá em São José, interior, fora do eixo, sabe quanto é difícil  mostrar a cultura para a rapaziada, para as pessoas. Poucos conseguem se sustentar disso no decorrer da vida e  é  dahora ter um espaço onde as pessoas podem ver cultura acontecer, por quem realmente faz, os verdadeiros. Eu acho muito loco esse encontro e me sinto honrado de está aqui no primeiro ano, uma causa tãoo dahora como essa da nossa cultura tão linda, trabalha com nossa energia criativa, é algo muito necessário e sempre foi, expressar essa ansiedade que a gente tem, que o jovem tem, expressar esse poder e canalizar para algo bom.

Você sendo do interior paulista também, como você está vendo hoje a cena do rap?


Neto: Pode crer, to  vendo que a gente está no momento de se fortalecer, de ver que é nó por nós, que não tem que esperar ninguém, vir, oportunidade, esperar nada acontecer, faça você mesmo e com as ferramentas que a gente tem. Eu acredito que essa mentalidade tem ganhado força na medida em que pessoas como eu, como o Coruja daqui, os irmãs que cola pra São Paulo, cola para os outros estados, cola pra lá, leva o rap da onde eles são para cá como eles são isso daqui pro mundo, de Bauru para o mundo, de São José para o mundo. A gente é muito forte e o poder está em nós.

 

Ligado a tudo que vocÊ falou, você acredita que o hip-hop salva vidas?
Neto: demais mano! Salva mentes, direciona mentes, no meio disso, cêª ta transmitindo toda aquela energia fazendo parte de toda aquela expressão é algo que diverte, entretêm, que mexe com o corpo, alimenta a mente. Musica é algo tãoo espiritual sabe, eu acho que isso muda a vida das pessoas para sempre, mudou a minha, a dos b-boys, dos irmãoo que veio comigo aqui, mudou as dos grafiteiros , dos Djs, dos Mcs que ficaram lá¡ também sabe, das pessoas da cultura que tô trombando aqui tambémm, o hip-hop é universal.

Para fechar, como é  para você  estar no palco transmitindo uma mensagem?
Neto: Eu acho que é um momento sagrado sabe, ser portal, a arte é divina, expressa divindade e a gente ta ali sendo canal disso tudo, é  uma responsabilidade muito grande, um amor muito grande que a gente sente, se provocando  e provocando sentimento mais profundo, se sentindo, se apalpando e nesse se por pra fora, os irmão se vê na gente, eu acho que é algo transcendental.

A entrevista foi concedida no último dia da Comemoração de 1 ano da Casa do Hip Hop de Bauru, encerrada com um grande show do Síntese e Família Matrero.

Comemoração de aniversário da Casa do Hip Hop de Bauru

Um fim de semana para entrar para história! Festa de comemoração de um ano de vida da Casa do Hip Hop de Bauru esteve repleta de breaking, grafite, rap, discotecagens, e muita cultura.

Por Felipe Sousa
Fotos: Lucas Rodrigues, Cadu Oliveira, Bianca Moreira, Bibiana Garrido, Guilherme Munhoz, Lucas Mendes, Mari Soares, Thamires Motta, Thaiane Cuba

O evento teve início na noite de sexta-feira, dia 16, e já começou marcado pela presença e participação contagiante dos amantes da cultura durante as apresentações dos alunos de Free step, Krump, Samba Rock, Kizomba e Street Dance, oficinas ministradas semanalmente na Casa do Hip Hop de Bauru. A noite também contou com improviso de rimas de Mc’s locais que com os seus versos pesados e de mensagem, empolgaram e causaram reflexão em todos os presentes.

 

O Segundo dia começou com batalha de breaking, comandada pelo Dj major, tocando clássicos do hip-hop conhecidos do público e principalmente dos B-boys e B-girls da região em disputa. Foram duas modalidades, individual e all X all, onde os b.boys Tiziu e Evert se destacaram e se consagraram vencedores do dia. Ainda em tempo, Dj Major mandou alguns sons para dança livre, o que inundou o saguão da Estação Ferroviária de dançarinos mostrando o talento por pura diversão.
Mais tarde, as apresentações das alunas de dança do ventre, e Capoeira de Angola tomaram o saguão com exibições incríveis. O sábado, que era realmente pra ninguém ficar parado, encerrou com os dj’s Mohámed, Baya e Ding fazendo a festa nos toca-discos, com clássicos e atuais da música.

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Com uma programação toda dedicada ao rap, o domingo era talvez o dia mais aguardado. As atrações começaram às 15 horas com shows de artistas locais reconhecidos, grupo Renegado Mcs, Dilema Rap, MentBlindada, Dentão Da Rima, e Betin Mc. 
Cada show teve seu diferencial marcante, como o show do Renegados Mcs que levou vários outros mcs e amigos ao palco para cantar, e Betin mc que, ao lado de seu irmão Moonh Beats, apresentou músicas novas e convidou o Mc bauruense Thiago Negão, na participação da música “Enquanto uns riem outros choram”.

O intervalo dos shows eram muito bem aproveitados com a discotecagem do Dj Ding. Sabotage, SNJ, Karol de Souza, Marechal, Racionais Mcs e muitas outras consagradas do Rap Nacional manteve todos no clima do dia.

Com o chegar da noite o público aumentava para o grande show de encerramento, que ficou por conta do Síntese e Família Matrero.
Numa vibração intensa entre público e mcs do começo ao fim, o show teve músicas já conhecidas como “Se escute”, e “Autoafirmação”, e intervenções novas. Em certo momento Neto declarou “Hip Hop é os 4 elementos juntos, o que me fez fazer rap foi ver os elementos unidos desde pequeno” referindo-se aos elementos dj, breaking, rap e grafite, e então convocou uma roda de breaking da Família Matrero no palco, e levou a galera presente à loucura!
O grupo,de São José dos Campos, interior de São Paulo, ressaltou a importância do trabalho feito na Casa do Hip Hop de Bauru em uma cidade do interior, e fechou a noite com uma salva de palmas à Casa e desejando muitos anos de vida.
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Foram 3 dias de comemoração intensa, e muito trabalho em equipe. A Casa do Hip Hop de Bauru agradece a todos que participaram dessa construção e celebração, e seguimos firme no propósito. Viva a Casa do Hip Hop de Bauru!

Confira um pouco mais do evento e fique ligado em nossa página no Facebook Casa do Hip Hop de Bauru

Retrospectiva 2015: produtividade, conhecimento e luta na Casa do Hip Hop de Bauru

Casa do Hip Hop de Bauru é inaugurada e já se consolida como importante ponto de articulação cultural, política e social da cidade

Por Keytyane Medeiros
Imagens: Conrado Dacax, Felipe Moreno, Felipe Amaral, Heitor Facini, Lucas Mendes, Lucas Rodrigues, Lucas Zanetti, Mariana Lacava, Rebeca Farinelli, Thaine Cuba

2015 foi o ano do Hip Hop. Com aparições de peso de rappers na TV e na grande mídia como Emicida, Criolo e Tássia Reis, o movimento atingiu ainda mais visibilidade e públicos diversificados. Músicos como Bárbara Sweet e Rico Dalasam ocuparam espaços em veículos de mídia mais à esquerda protagonizando entrevistas sobre temas que normalmente não são vinculados ao movimento Hip Hop, embora na prática sejam recorrentes na militância, como questões de identidade e opressão de gênero. O Hip Hop, como movimento social rico, orgânico e criativo está se reinventando e incorporando discussões atuais em suas rimas, batidas e jatos de spray, politizando e atualizando nossas lutas diárias em todos os seus elementos. Além disso, o ano foi voltado para a formação e consolidação de contatos em rede em Bauru e no país.

Casa do Hip Hop de Bauru. Este ano foi marcante para o movimento Hip Hop em todo o estado de São Paulo. Cidades do interior paulista como Mogi das Cruzes, Piracicaba, Araçatuba, Campinas e Nova Odessa organizaram festivais, workshops e saraus, absorvendo e proporcionando novos ares ao movimento regional. Em Bauru, a inauguração da Casa do Hip Hop consolidou a cidade como um dos principais pólos de articulação política, cultural e social do movimento no Estado e no país.

A negociação por um espaço próprio para realizar atividades, oficinas e shows já acontecia por membros do Ponto de Cultura Acesso Hip Hop e militantes do movimento de Bauru junto a Prefeitura e Secretaria Municipal de Cultura desde janeiro de 2014, no entanto, a Casa do Hip Hop só se tornou realidade entre os meses de maio e julho deste ano, depois de extensivos acordos com os órgãos municipais. Em maio, junto aos trabalhadores e reeducandos do Instituto Penal Agrícola (IPA) de Bauru, demos início à ocupação de metade do primeiro andar da antiga Estação Ferroviária, espaço abandonado por mais de 20 anos pelo poder público e privado, com longas promessas de revitalização e ocupação nunca efetivadas. A ocupação é simbólica, já que a partir da Estação Ferroviária a cidade passou a se desenvolver cultural, social e economicamente no século XIX (saiba mais sobre a Ferroviária aqui).

As salas estavam sujas, precárias de infra-estrutura básica como iluminação e água e repletas de móveis velhos e mofados. Apesar disso, recebemos apoio financeiro e político da Prefeitura Municipal para a ocupação do espaço e por quase três meses, militantes do movimento deram novos ares a Casa e a Estação Ferroviária também. Antes abandonada e solitária, a Estação Ferroviária viu as cores do Hip Hop revitalizarem o espaço com graffiti, rap nacional e breaking, além de debates e encontros. Para Edson Moraes Timbá, um dos coordenadores do projeto, a intenção era “trazer os jovens para dentro do espaço e assim, dar vida a Casa”, afirma. Em 15 e 16 de agosto, nosso novo lar foi inaugurado. A segunda casa de todo militante da cultura Hip Hop em Bauru estava de portas abertas com shows de artistas locais e convidados como Coruja BC1, Betin MC, Menti Blindada, DJ Kamarão, Lunna Rabetti, Sara Donato, Sharylaine DJ DanDan e grupo Inquérito fechando os dois dias de comemoração e de festa na rua, às porta da Casa do Hip Hop. A participação da Frente Nacional de Mulheres no Hip Hop teve papel decisivo na inauguração da Casa do Hip Hop de Bauru, contribuindo para a formação de um ambiente mais igualitário e politizado no que diz respeito às questões de gênero e à presença feminina nos palcos.

Oficinas e formação. Com a Casa inaugurada as atividades de formação, que já aconteciam em espaços descentralizados da cidade, se consolidaram. Timbá afirma ainda que “a Casa do Hip Hop é muito importante porque com ela podemos repassar o conhecimento no breaking, rap, graffiti, DJ, no quinto elemento (conhecimento sobre a cultura) e na educação, transformando vidas através da cultura Hip Hop, tirando jovens da rua e da vida ociosa”.

São mais de 10 oficinas, totalmente gratuitas, realizadas todos os dias da semana na Casa do Hip Hop por voluntários e militantes culturais da cidade, que viram no espaço uma oportunidade de expandir seus conhecimentos e atingir diversos públicos. Entre as atividades estão oficinas dos quatro elementos formadores do Hip Hop, isto é, Rap, DJ, Graffiti e Breaking, além de aulas de kick-boxing, audiovisual, fotografia digital, stencil, costumização de roupas, capoeira angola, samba rock, jazz e dança contemporânea, entre outros.

Uma das maiores preocupações da Casa do Hip Hop de Bauru sempre foi a formação crítica e política não só dos coordenadores, mas principalmente do público e dos militantes da cultura. Em setembro demos início ao Cine Pixote, um cine clube colaborativo organizado em parceria com a Frente Feminina de Hip Hop de Bauru e a Biblioteca Móvel – Quinto Elemento e ao Cursinho Comunitário Acesso Popular, curso pré-vestibular gratuito coordenado junto ao Instituto Acesso Popular. Além disso, a Frente Feminina de Hip Hop de Bauru também organiza um grupo de estudos focado no movimento feminista negro e periférico, a fim de instrumentalizar e empoderar mulheres com relação a seus direitos, protagonismo na cena e liberdade de expressão e fim das opressões e violências de gênero. A Frente também participou do Encontro Regional de Mulheres no Hip Hop, realizado em julho na cidade de São Carlos. Lá pautas como feminismo, identidade de gênero e participação feminina nos eventos de Hip Hop foram discutidas e articuladas para 2016.

Shows e atividades musicais. Se antes, sem espaço próprio diversas apresentações musicais ligadas ao Hip Hop já aconteciam na cidade, movimentando a cultura bauruense, com a inauguração da Casa, mais duas atividades chegaram para ampliar as possibilidades artísticas de rappers, beatmakers e DJs. Além dos tradicionais Rap Hour e Projeto Ensaio, que levam Rap ao Teatro Municipal e aos bairros comunitários, respectivamente, o Estação Hip Hop estreou como mais uma atração mensal, realizada na área de desembarque ao lado dos antigos trens da Estação, a cada três domingos por mês.

Os shows são ótimos espaços de encontro entre o público e os cantores, com infra-estrutura de som, iluminação e DJ, além de espaço para que b.boys e b.girls da cidade demonstrem seu talento. No entanto, o Hip Hop não deve viver só de shows. Uma das características que tornam o Hip Hip um movimento tão vívido e dinâmico é a realização de batalhas de MCs. Na década de 1970, com a criação das primeiras festas de rap nos bairros de Nova York, criadores do cultura como Afrika Bambaataa, Kool Herc, GrandMaster Flash e Cindy Campbell incentivavam batalhas de rimas, a fim de criar uma competição saudável que pudesse envolver jovens e afastá-los das drogas e da violência. Estas batalhas diminuíram o número de pessoas envolvidas em gangues e estimulava a criatividade para criar rimas, poemas e compor canções no tempo livre. Em Bauru não é diferente. A cidade necessitava de mais espaços de batalhas de rimas, já que as poucas que existiam foram desaparecendo com o tempo. Por isso, a Batalha da Panelinha passou a fazer parte das atividades musicais da Casa, todas as sextas-feiras, convidando rimadores locais e de cidades da região para batalhar com criatividade, desenvoltura e talento.

Rede Nacional das Casas do Hip Hop e Encontros Regionais. A Casa do Hip Hop de Bauru é uma entidade autônoma integrada a outros articuladores culturais e sociais no nosso movimento. Por isso desde 2013, a Casa, por meio do Ponto de Cultura Acesso Hip Hop, faz parte da Rede Nacional das Casas da Cultura Hip Hop e Empreendimentos Solidários, integrando, gerenciando e organizando os pilares do primeiro setorial de cultura do país. A Rede, composta atualmente por mais de 15 casas e empreendimentos solidários, tem como objetivo proporcionar o comércio justo e horizontal de produtos e serviços entre seus membros, fomentando uma economia própria, sem exploração do trabalho. Desta forma, cada Casa da cultura Hip Hop no país pode produzir camisetas, bonés, bottons, shows e eventos de qualidade e oferecê-los ao próprio público, de maneira direta, sem intermediários e assim, gerar emprego e renda para os ‘nossos’. (Saiba mais sobre Economia Solidária e Hip Hop aqui).

Rede Nacional das Casas no 4º Congresso da Unisol Brasil.
Rede Nacional das Casas no 4º Congresso da Unisol Brasil.

Por conta disso, a Casa compôs importantes espaços de debate sobre os rumos do movimento Hip Hop e a intersecção com a Economia Solidária ao longo do ano, especialmente nos meses de junho, agosto, outubro e novembro. Para Renato Magú, um dos coordenadores da Casa do Hip Hop de Bauru participar da Rede Nacional das Casas e de outros pontos de articulação cultural pelo país é muito importante e positivo, “porque assim conseguimos dividir nossas experiências de alguns avanços e retrocessos com outros companheiro/as e realizar essa troca com eles, sobre o que funciona ou não, tendo mais fruição, tanto receber essas pessoas na nossa cidade, quanto ser recebido em outros locais”, afirma. Com relação à Rede, Magú destaca que ela surgiu da necessidade de ter mais representatividade política entre os militantes da cultura,“quando a gente se organiza em rede, fica mais fácil obter alguns progressos, tanto na formação, quanto na questão de obtenção de recursos” e assim obter mais independência e autonomia. Além disso, a Casa também teve representantes em outros importantes encontros regionais do movimento.

Em 2015, participamos do Encontro Paulista de Hip Hop, realizado no Memorial da América Latina e do Festival Emergências no Rio de Janeiro. “Por exemplo no Encontro Paulista de Hip Hop, do jeito que tem sido feito pela assessoria estadual para a cultura Hip Hop, entendo como um encontro paulistano de Hip Hop e toda vez que a gente participa, vamos justamente para pautar que o Hip Hop não é feito só na capital, é feito no interior também e que merece respeito. Ainda que a assessoria não tenha essa visão hoje, trata-se de um órgão estadual, então ela tem por obrigação dar atenção para pólos fora da capital”, defende. No Nação Hip Hop, realizado no início de dezembro em São Bernardo do Campo, a participação da Casa de Bauru também foi significativa, a medida que levou produtos produzidos dentro da lógica da economia solidária para outros pontos do Estado durante o evento. “Foi muito importante para nós porque tem roupas e produtos nossos espalhados pelo país inteiro e tivemos a oportunidade de apresentar a Rede Nacional das Casas da Cultura Hip Hop para vários outros coletivos”. No Rio de Janeiro, puxamos a feira de Economia Solidária durante o Festival Emergência, inclusive contando com o apoio do Ministro da Cultura, Juca Ferreira, afirmando que este modelo de empreendimento é uma saída possível para a crise econômica que o país enfrenta nos últimos dois anos.

Semana do Hip Hop 2015. Há dois anos, por meio de mobilização social, a Semana Municipal do Hip Hop de Bauru se tornou uma política cultural da cidade, por meio da aprovação da lei 6358/2013, contando com o apoio da Prefeitura Municipal e da Secretaria Municipal de Cultura para a sua realização. Por meio da lei, a Semana tem se consolidado como o maior festival gratuito de Hip Hop do país, com apresentações musicais de relevância política e cultural como Crônica Mendes, Rapadura Xique-Chico, grupo Inquérito, Issa Paz, Sara Donato, Feniks, Tássia Reis, Lunna Rabetti, Negra Lud, Jota F, Além da Rima, Menti Blindada e Betin MC, estes últimos importantes expoentes regionais. De 6 a 15 de novembro foram nove dias de atividades, incluindo visitas em escolas e entidades sociais como a SORRI, CIPS e Legião Mirim para apresentação do Combo 5 Elementos, no qual os elementos da cultura Hip Hop e do feminismo são apresentados para crianças e jovens de maneira descontraída e envolvente.

Além dos shows e dos Combos, houve debates e mostra audiovisual com os filmes “O Rap pelo Rap”, “Reis de Dogtown – história do skate nos Estados Unidos” e “Profissão MC” em espaços abertos da cidade e workshops sobre o movimento, como “Nos tempos da São Bento”, com Marcelinho BackSpin, um dos fundadores da primeira crew de breaking do país. O debate sobre produção cultural e presença feminina no Hip Hop com Tássia Reis e Sara Donato realizado no Sesc em parceria com a Frente Feminina de Hip Hop de Bauru e a Frente Nacional de Mulheres no Hip Hop, que participou de todo o evento, também foi muito importante para a consolidação da discussão de gênero no movimento, enriquecendo a vivência dos militantes da cultura. Com um público de aproximadamente 30 mil pessoas no show de encerramento no Parque Vitória Régia, Emicida elogiou o movimento na cidade e reforçou a importância de eventos deste porte no interior do país.

Em entrevista exclusiva ao portal da Casa do Hip Hop de Bauru, o rapper reforçou que “o Hip Hop é o único movimento cultural brasileiro que se aprofundou a ponto de trazer elementos da nossa cultura brasileira antiga, é a rapaziada que samplea o samba, por exemplo, e ao mesmo tempo, o Hip Hop é uma coisa contemporânea”. Por isso, eventos como a Semana proporcionam momentos de encontro entre artistas e fãs, militantes e leigos da cultura. “Isso aqui faz as pessoas se encontrarem e essa relação é mais importante para o Hip Hop, porque o Hip Hop acontece na rua. Quando você consegue levantar um palco, uma luz legal, um som legal e uma rapaziada bacana se apresentando com coisa legal para falar, isso é uma vitória para o Hip Hop mundial, não só do Brasil”, afirma. “Acho que o que tá acontecendo aqui hoje é uma grande vitória para o Hip Hop mundial porque não é fácil fazer isso, em instância nenhuma, mover as coisas num país tão preconceituoso e racista”, aponta.

Em dezembro, a Casa também apoiou o movimento secundarista local contra a chamada “reoganização escolar” promovida pelo governo do Estado de São Paulo, sob gestão do governador Geraldo Alckmin. Oferecemos oficinas e realizamos o Combo 5 Elementos nos colégios Ferreira de Menezes e Stela Machado, localizados em regiões periféricas da cidade. Pontuamos a necessidade da educação e da cultura como ferramentas de luta e discussão política e parabenizando os estudantes pela luta e pela resistência diária contra a privatização dos direitos constitucionais básicos.

Perspectivas para o futuro. Com um ano repleto de conquistas e vitórias, a Casa do Hip Hop promete ainda mais integração em 2016. Timbá destaca que as oficinas profissionalizantes e atividades esportivas tiveram ótimos resultados neste ano, atraindo crianças, jovens e adultos para o espaço, instrumentalizando os participantes e distribuindo conhecimento. O desafio agora é fazer com que a Casa, que possui 7 salas e um auditório compartilhado com outras entidades culturais na Estação Ferroviária, estejam permanentemente ativas, gerando ainda mais conhecimento e proporcionando a ocupação do espaço público por meio da arte e da tecnologia. “Ano que vem teremos um telecentro e daremos ainda mais atenção para as atividades profissionalizantes. Também temos que pensar mais nos jovens que desejam seguir carreira artística e por meio da Casa, dar uma perspectiva melhor de vida para estes jovens”, afirma Timbá. Em 2016, as atividades da Casa do Hip Hop de Bauru vão enriquecer ainda mais o cenário político e cultural da cidade. Oficinas, shows e o cursinho pré-vestibular Acesso Hip Hop estarão a todo vapor, na antiga Estação Ferroviária de Bauru, onde tudo começou e agora, mais de um século depois, esta parte da cidade volta a ser revisitada, revitalizada e colorida pelas cores e batidas da cultura Hip Hop.