“O Rap pelo Rap”: Produção independente tomando as telas da Casa do Hip Hop

DSC_0450 (1)

Texto e fotos: Mariana Caires

Na noite de terça feira, rolou na Casa do Hip Hop a exibição do documentário “O Rap Pelo Rap”, e roda de discussão com o diretor, Pedro Fávero. KL Jay, Síntese, GOG, Dexter, Carol Konká e Coruja BC1 são alguns dos personagens que, em 75 min de vídeo, contam sobre suas vidas no Rap.

Através das falas de quem faz o som acontecer, o doc desenha as realidades do Rap Nacional. São discutidos o papel e importância do movimento Hip Hop, as relações entre a New e a Old School, a influência da mídia, os preconceitos enfrentados, e muito mais.

“Me considero um cara realizado no sentido de que estou vivo, o RAP salvou minha vida”, assim, Dexter espelha o sentimento geral de quem é o que é por causa da cultura de rua.

Se alguém ainda duvida do papel social do RAP, pode ser que nunca tenha ouvido um discurso de Mano Brown durante um show dos Racionais MC’s.

A luta pela resistência do movimento nos anos 80 e 90 são lembrados por diversos artistas, e o álbum “Sobrevivendo No Inferno” é citado como um manual pra entender tudo que envolve a quebrada.

Produzir Rap hoje é bem diferente do que foi no começo. Se você pluga um microfone, coloca o beat, remixa e sobe o áudio, sua música pode chegar a todo mundo que está conectado. E quem é das antigas, hoje, já se atualizou e domina as tecnologias. Renato Magú, da Casa do Hip Hop de Bauru, lembra que antes tudo era à base de vinil. “A gente pegava uns vinil importados, com um lado beat e outro cantado, e aí tocava em cima dos beats dos outros, e pra gravar era rec e play nos toca fita”.

Com o tempo, a fita cassete deu lugar ao CD, aos pen­drives e a internet chegou para dinamizar.Ao ter a possibilidade de produzir as próprias batidas, houve um salto na produção local, que ficou cada vez menos americanizada e com mais elementos brasileiros.

E a Casa do Hip hop atua justamente nessa área. “A gente sempre teve gente talentosa, só que a tecnologia chega aqui por ultimo”.

Mas mesmo com toda a tecnologia por aí, o acesso a ela ainda é restrito, e é aí que atua a Casa do Hip Hop Bauru. O Ponto de Cultura conseguiu suprir uma parte da necessidade da galera ao disponibilizar equipamentos de qualidade pra fazer as edições. “A gente acredita que esse é o caminho de eles poderem até se sustentar, fazer um hip hop auto­sustentável, não depender mais dos outros pra poder fazer”.

Por outro lado, diz Magu, como a coisa ficou muito mais fácil, “eles perderam essa coisa de ir cantar, ver se sente o apoio da comunidade ou não”. Às vezes não dão mais valor em nada. Chega, escreve qualquer coisa e vende falando que é rap né. “Tem muito mais positivo que negativo, mas o negativo é isso, a coisa não fica orgânica.”

A participação do Rap na mídia tradicional é outro ponto que divide opiniões, também explorado no documentário. Estar no maior canal de televisão pode dar visibilidade para o discurso do movimento, porém dar audiência para um canal que destoa do ideal do hip hop é considerado ruim para alguns.

Hoje em dia, o Rap tá nas rádios, na TV, nos jornais e tem feito história nas redes sociais.

Subir um vídeo no youtube pode significar o início de uma carreira promissora, mas Magu alerta pra uma geração de artistas restritos à internet. “É bom porque ajuda a quebrar a indústria fonográfica, pois hoje o artista é dono de seu selo e canal, o Emicida começou distribuindo CD em porta de show e hoje já destruiu o mercado tradicional da música com seu modelo de economia criativa.”

DSC_0470

E as mina?

A Semana do Hip Hop de Bauru de 2015 já confirmou que as minas estão presentes na cena e não têm que provar nada a ninguém, mas muitas vezes falta representação. Entre os entrevistados, só duas são mulheres, e o assunto foi levado à discussão pelas várias minas que participaram da roda, pois algumas não se sentiram representadas. “ O documentário é importante, e se alguma coisa nos incomodou, a gente não pode deixar de falar. Tudo bem que era pra ser algo bem menor e virou esse documentário, mas falta mulheres e mulheres negras no doc, comentou Nega Cléo. “Gostei muito do documentário porque as pessoas estão falando da realidade delas, o Rap está sendo mostrado, mas pras mulheres serem vistas, tem que botar a cara mesmo, a gente tem que ir tentando”.

Bastidores da produção independente

“O Rap Pelo Rap” foi o Trabalho de Conclusão de Curso de Pedro. Sem muita verba mas com muita história pra contar, ele começou a produzir o material com uma ideia bem reduzida do resultado final. A pŕincípio, seria um mini doc com cinco entrevistas, mas “sempre apareciam novas oportunidades de entrevistas”, conta, por exemplo quando descobriu que Sandrão do RZO estaria em Bauru por apenas 2 horas. “No dia, foi uma correria, eu não conseguia achar ninguém com câmera pra ajudar, mas no fim deu bem certo, falamos com ele”.

Ao todo, foram 42 entrevistas, 30 delas filmadas em Bauru, quase na totalidade em eventos organizados pelo Ponto de Cultura Acesso Hip Hop, o que barateou a produção, além da ajuda de amigos, que foi essencial. “Ter feito um doc independente quase sem grana mostra que isso é possível, mas não podemos ter medo de fazer com verba”, o dinheiro, diz, injetaria economia na cultura hip hop e no serviço de produção audiovisual.

Girar a economia dentro do Hip Hop significa cada vez mais gente vivendo exclusivamente do que curte e fortalecendo o movimento. Essa é a pegada da economia criativa.

Pedro conta que apesar de feito para o público do Hip Hop, o doc chegou a diferentes universos, e o retorno tem sido positivo. Ele “alcançou uma galera que não conhecia muito bem ou tinha outra visão de Rap. Essa era uma das minhas intenções, quebrar o estereótipo e levar a mensagem do Hip Hop pra mais gente”.

As seis horas de material bruto não couberam no doc, mas o Pedro criou o canal “O Rap pelo Rap” no youtube com vários extras, confira!

DSC_0478 DSC_0484

II Semana Municipal do Hip Hop: Shows, debates, cinema e formação

Semana Municipal do Hip Hop de Bauru chega à segunda edição com mais força e atividades de formação

*publicado em JCNet

As atividades da II Semana Municipal de Hip Hop, promovida pela Secretaria Municipal de Cultura em parceria com o “Ponto de Cultura Acesso Hip Hop” e a Somos1 Produções Coletivas, prosseguem neste feriado prolongado.

As atividades da Semana acontecem até domingo, 18 de novembro, com sarau, oficinas, shows e exibição de filme. O objetivo é apresentar a cultura Hip Hop sem discriminar as demais manifestações culturais, buscando o respeito pela diversidade cultural, além de dar oportunidade a jovens e adolescentes da periferia da cidade para apresentarem seus trabalhos em diferentes espaços.

Durante a Semana serão realizadas oficinas, debates, palestras saraus e shows, visando divulgar o Hip Hop como instrumento de integração social de crianças, jovens e adultos com a cultura popular periférica.

A Semana conta com apoio do Wise Madness, Unesp Fm, Enxame Coletivo, Fora do Eixo, e-colab e Jornal da Cidade. Abaixo a Programação completa do evento:

Programação

Shows 15/11

15h – Projeto Ensaio. Local: Bosque do Geisel (Bronx)

*Shows com Los Trinca (Marilia), Bandidos em Harmonia, Betim Mc,

Ment Blindada, Coruja BC1, Dom Black, Thigor Mc

17/11

13h РSegundo Sarau de arte urbana. Local: Pra̤a Rui Barbosa

*Exposições e recital de poesia, performances teatrais, Performance de malabares, Performance de dança, Performance de Djs.

* Pocket show com, Além da Rima, JF e RapNobre Mc, D’Bronx Mc, Thigor Mc e Fabrica da Rima

18/11

15h – Encerramento com apresentações artísticas, Rima de Roda e show com Rael da Rima. Local: Pq. Vitória Régia

* Apresentação de Djs e B.Boys, e exposição de poesias

* Pocket Show com, Ment Blindada, Coruja BC1, Além da Rima, Problema Crew (Marilia), May Mc (Júlio Mesquita), D’Bronx, RapNobre Mc.

*Show com Rael da Rima

Roda de Conversa

18/11

17h – Roda de conversa com Rael da Rima sobre Gestão de Carreira Independente, Local: Pq. Vitória Régia

Cinema

16/11

20h – Cinoia – Filme “Bixo de Sete Cabeças” + Bro Mc’s. Local: embaixo do Viaduto 13 de maio

17/11

19h30 – CINEXTINÇÃO Especial na Semana do Hip-Hop com exibição do filme “Wild Style” (“Estilo Selvagem!”), legendado, de 1983, primeiro longa metragem sobre o Hip-Hop. No Empório Contracultural Extinção, Rua Cussy Júnior, 8-17 (Centro), com 15 Lugares.

Graffiti

15/11

9h – Grafitagem. Local: Biblioteca Ramal do Núcleo Geisel, Rua Alziro Zarur, 5-8

Oficinas

16/11

14h às 18h – Oficina “Radio, a Linguagem como Ferramenta” com João Lima. Local Sede do Enxame Coletivo, Rua Agenor Meira 12-39 Centro.

16/11

19h30 – Oficina de Street Dance e bate papo sobre o Hip Hop  no Galpão Wise Madness, na Rua Braz Lemos de Almeida 2-45, Vila Aviação B

16/11

16h – Oficina de Beatmaker. Local: Ponto de Cultura Acesso Hip Hop na Rua Maria José, 5-66, Jd. Altinópolis

Breaking

15/11

15h – Apresentação e roda de Breaking, Local: “Projeto Ensaio” no Bosque do Geisel (Bronx)

17/11

13h РApresenta̤̣o do grupo Bauru Breakers Crew e roda de aberta no Sarau de Arte Urbana. Local: Pra̤a Rui Barbosa

 

*publicado originalmente em 15/11/2012

I Semana Municipal do Hip Hop

Em 2011, acontecia a I Semana Municipal do Hip Hop de Bauru.

Produzida em parceria com o Instituto Acesso Popular, Secretaria Estadual da Cultura e Secretaria Municipal de Cultura de Bauru, a Semana aconteceu entre 1 e 6 de novembro, realizou cine-debates, promoveu oficinas dos 4 elementos e debates sobre a cultura Hip Hop e o racismo.

Programação

CARTAZ SEMANA HIP HOP - Cópia (2)
Atrações principais da I Semana do Hip Hop de Bauru em 2011

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

semana_municipal_de_hip_hop_informativo02 - Cópia (6)
Flyer de divulgação da I Semana do Hip Hop de Bauru de 2011