Combo 5 Elementos do Hip Hop chega com tudo nas escolas Bauruenses

A VI Semana de Hip Hop de Bauru além de todas as atrações trouxe para a cidade também mais conhecimento sobre a cultura hip hop

Por Mariana Soares
Fotos Thaiane Cuba

Na tarde dessa sexta feira (10), rolou o último Combo 5 Elementos do Hip Hop na Escola Municipal Geraldo Arone trazendo muita música, break, grafite e conhecimento. A equipe chegou por volta das 15h da tarde e foi recebida com muita empolgação pelos alunos.

Alisson Ferreira Vieira é Mc e junto com o Vinícius Thomas são os responsáveis pelo Combo 5 Elementos do Hip Hop. O combo começou em 2012 junto com a Semana de Hip Hop de Bauru e tem por objetivo apresentar às crianças e adolescentes todos os elementos que compõe a cultura do Hip Hop, contando toda a sua história e relevância na sociedade. Além disso, busca também atrair um novo público para o movimento, afirma Alisson.

 

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Crianças na Sorri.

Passando por 9 escolas públicas e pelo Centro Especializado em Reabilitação SORRI, o Combo sempre traz muito encantamento e faz questão de deixar sua marca por onde passa com um grafite. A apresentação começa, inclusive, com a história desse elemento. A explicação vai desde o grafite em Nova Iorque dos anos 70, até a sua aceitação e evolução nos dias de hoje. “No grafite você pode desenhar de tudo que você quiser, só usar bastante a imaginação”, complementou B.boy Luiz Henrique Frabetti, mais conhecido como Major.

 

Bia Benedito e Vini Vira Lata em frente ao graffiti realizado na Escola Madureira
Bia Benedito e Vini Vira Lata em frente ao graffiti realizado na Escola Madureira
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B. boy Graxa e B.boy Will Canela com alunos da Escola Geraldo Arone

O segundo elemento apresentando para a molecada é o break, a dança que acabou com a briga no gueto. A explicação termina com uma demonstração do elemento com os B.boys Graxa, Major, Nego e Cidinho dançando e animando a criançada, que se encanta e se impressiona com cada movimento. Ainda no elemento break, alguns alunos são convidados a aprender a dança com o B.boy Graxa e a mostrarem todo o seu talento. A animação às vezes é tanta que até mesmo algumas professoras entram na dança.

 

Outro elemento apresentado é o conhecimento. O bate-papo sobre esse elemento rola junto com as meninas da Frente Feminina de Hip Hop que discutem questões sobre machismo e a importância da mulher na cena e nesse ano contou a presença da Sara Nonato e da Issa Paz do grupo Plus Size. Mandando um Free Style, Issa mostra para as crianças que menina pode cantar rap sim.

 

Relembrando todo seu passado, o Rap é o último elemento a ser apresentado para as crianças e adolescentes. Explicando a origem de seu nome, originário de uma sigla em inglês que significa Ritmo e poesia. “Mas no Brasil a gente fala que o rap é assim: ritmo, amor e poesia”, diz Alisson ao terminar a apresentação e mostrar para as crianças que rap é poesia sim.

 

Retrospectiva 2015: produtividade, conhecimento e luta na Casa do Hip Hop de Bauru

Casa do Hip Hop de Bauru é inaugurada e já se consolida como importante ponto de articulação cultural, política e social da cidade

Por Keytyane Medeiros
Imagens: Conrado Dacax, Felipe Moreno, Felipe Amaral, Heitor Facini, Lucas Mendes, Lucas Rodrigues, Lucas Zanetti, Mariana Lacava, Rebeca Farinelli, Thaine Cuba

2015 foi o ano do Hip Hop. Com aparições de peso de rappers na TV e na grande mídia como Emicida, Criolo e Tássia Reis, o movimento atingiu ainda mais visibilidade e públicos diversificados. Músicos como Bárbara Sweet e Rico Dalasam ocuparam espaços em veículos de mídia mais à esquerda protagonizando entrevistas sobre temas que normalmente não são vinculados ao movimento Hip Hop, embora na prática sejam recorrentes na militância, como questões de identidade e opressão de gênero. O Hip Hop, como movimento social rico, orgânico e criativo está se reinventando e incorporando discussões atuais em suas rimas, batidas e jatos de spray, politizando e atualizando nossas lutas diárias em todos os seus elementos. Além disso, o ano foi voltado para a formação e consolidação de contatos em rede em Bauru e no país.

Casa do Hip Hop de Bauru. Este ano foi marcante para o movimento Hip Hop em todo o estado de São Paulo. Cidades do interior paulista como Mogi das Cruzes, Piracicaba, Araçatuba, Campinas e Nova Odessa organizaram festivais, workshops e saraus, absorvendo e proporcionando novos ares ao movimento regional. Em Bauru, a inauguração da Casa do Hip Hop consolidou a cidade como um dos principais pólos de articulação política, cultural e social do movimento no Estado e no país.

A negociação por um espaço próprio para realizar atividades, oficinas e shows já acontecia por membros do Ponto de Cultura Acesso Hip Hop e militantes do movimento de Bauru junto a Prefeitura e Secretaria Municipal de Cultura desde janeiro de 2014, no entanto, a Casa do Hip Hop só se tornou realidade entre os meses de maio e julho deste ano, depois de extensivos acordos com os órgãos municipais. Em maio, junto aos trabalhadores e reeducandos do Instituto Penal Agrícola (IPA) de Bauru, demos início à ocupação de metade do primeiro andar da antiga Estação Ferroviária, espaço abandonado por mais de 20 anos pelo poder público e privado, com longas promessas de revitalização e ocupação nunca efetivadas. A ocupação é simbólica, já que a partir da Estação Ferroviária a cidade passou a se desenvolver cultural, social e economicamente no século XIX (saiba mais sobre a Ferroviária aqui).

As salas estavam sujas, precárias de infra-estrutura básica como iluminação e água e repletas de móveis velhos e mofados. Apesar disso, recebemos apoio financeiro e político da Prefeitura Municipal para a ocupação do espaço e por quase três meses, militantes do movimento deram novos ares a Casa e a Estação Ferroviária também. Antes abandonada e solitária, a Estação Ferroviária viu as cores do Hip Hop revitalizarem o espaço com graffiti, rap nacional e breaking, além de debates e encontros. Para Edson Moraes Timbá, um dos coordenadores do projeto, a intenção era “trazer os jovens para dentro do espaço e assim, dar vida a Casa”, afirma. Em 15 e 16 de agosto, nosso novo lar foi inaugurado. A segunda casa de todo militante da cultura Hip Hop em Bauru estava de portas abertas com shows de artistas locais e convidados como Coruja BC1, Betin MC, Menti Blindada, DJ Kamarão, Lunna Rabetti, Sara Donato, Sharylaine DJ DanDan e grupo Inquérito fechando os dois dias de comemoração e de festa na rua, às porta da Casa do Hip Hop. A participação da Frente Nacional de Mulheres no Hip Hop teve papel decisivo na inauguração da Casa do Hip Hop de Bauru, contribuindo para a formação de um ambiente mais igualitário e politizado no que diz respeito às questões de gênero e à presença feminina nos palcos.

Oficinas e formação. Com a Casa inaugurada as atividades de formação, que já aconteciam em espaços descentralizados da cidade, se consolidaram. Timbá afirma ainda que “a Casa do Hip Hop é muito importante porque com ela podemos repassar o conhecimento no breaking, rap, graffiti, DJ, no quinto elemento (conhecimento sobre a cultura) e na educação, transformando vidas através da cultura Hip Hop, tirando jovens da rua e da vida ociosa”.

São mais de 10 oficinas, totalmente gratuitas, realizadas todos os dias da semana na Casa do Hip Hop por voluntários e militantes culturais da cidade, que viram no espaço uma oportunidade de expandir seus conhecimentos e atingir diversos públicos. Entre as atividades estão oficinas dos quatro elementos formadores do Hip Hop, isto é, Rap, DJ, Graffiti e Breaking, além de aulas de kick-boxing, audiovisual, fotografia digital, stencil, costumização de roupas, capoeira angola, samba rock, jazz e dança contemporânea, entre outros.

Uma das maiores preocupações da Casa do Hip Hop de Bauru sempre foi a formação crítica e política não só dos coordenadores, mas principalmente do público e dos militantes da cultura. Em setembro demos início ao Cine Pixote, um cine clube colaborativo organizado em parceria com a Frente Feminina de Hip Hop de Bauru e a Biblioteca Móvel – Quinto Elemento e ao Cursinho Comunitário Acesso Popular, curso pré-vestibular gratuito coordenado junto ao Instituto Acesso Popular. Além disso, a Frente Feminina de Hip Hop de Bauru também organiza um grupo de estudos focado no movimento feminista negro e periférico, a fim de instrumentalizar e empoderar mulheres com relação a seus direitos, protagonismo na cena e liberdade de expressão e fim das opressões e violências de gênero. A Frente também participou do Encontro Regional de Mulheres no Hip Hop, realizado em julho na cidade de São Carlos. Lá pautas como feminismo, identidade de gênero e participação feminina nos eventos de Hip Hop foram discutidas e articuladas para 2016.

Shows e atividades musicais. Se antes, sem espaço próprio diversas apresentações musicais ligadas ao Hip Hop já aconteciam na cidade, movimentando a cultura bauruense, com a inauguração da Casa, mais duas atividades chegaram para ampliar as possibilidades artísticas de rappers, beatmakers e DJs. Além dos tradicionais Rap Hour e Projeto Ensaio, que levam Rap ao Teatro Municipal e aos bairros comunitários, respectivamente, o Estação Hip Hop estreou como mais uma atração mensal, realizada na área de desembarque ao lado dos antigos trens da Estação, a cada três domingos por mês.

Os shows são ótimos espaços de encontro entre o público e os cantores, com infra-estrutura de som, iluminação e DJ, além de espaço para que b.boys e b.girls da cidade demonstrem seu talento. No entanto, o Hip Hop não deve viver só de shows. Uma das características que tornam o Hip Hip um movimento tão vívido e dinâmico é a realização de batalhas de MCs. Na década de 1970, com a criação das primeiras festas de rap nos bairros de Nova York, criadores do cultura como Afrika Bambaataa, Kool Herc, GrandMaster Flash e Cindy Campbell incentivavam batalhas de rimas, a fim de criar uma competição saudável que pudesse envolver jovens e afastá-los das drogas e da violência. Estas batalhas diminuíram o número de pessoas envolvidas em gangues e estimulava a criatividade para criar rimas, poemas e compor canções no tempo livre. Em Bauru não é diferente. A cidade necessitava de mais espaços de batalhas de rimas, já que as poucas que existiam foram desaparecendo com o tempo. Por isso, a Batalha da Panelinha passou a fazer parte das atividades musicais da Casa, todas as sextas-feiras, convidando rimadores locais e de cidades da região para batalhar com criatividade, desenvoltura e talento.

Rede Nacional das Casas do Hip Hop e Encontros Regionais. A Casa do Hip Hop de Bauru é uma entidade autônoma integrada a outros articuladores culturais e sociais no nosso movimento. Por isso desde 2013, a Casa, por meio do Ponto de Cultura Acesso Hip Hop, faz parte da Rede Nacional das Casas da Cultura Hip Hop e Empreendimentos Solidários, integrando, gerenciando e organizando os pilares do primeiro setorial de cultura do país. A Rede, composta atualmente por mais de 15 casas e empreendimentos solidários, tem como objetivo proporcionar o comércio justo e horizontal de produtos e serviços entre seus membros, fomentando uma economia própria, sem exploração do trabalho. Desta forma, cada Casa da cultura Hip Hop no país pode produzir camisetas, bonés, bottons, shows e eventos de qualidade e oferecê-los ao próprio público, de maneira direta, sem intermediários e assim, gerar emprego e renda para os ‘nossos’. (Saiba mais sobre Economia Solidária e Hip Hop aqui).

Rede Nacional das Casas no 4º Congresso da Unisol Brasil.
Rede Nacional das Casas no 4º Congresso da Unisol Brasil.

Por conta disso, a Casa compôs importantes espaços de debate sobre os rumos do movimento Hip Hop e a intersecção com a Economia Solidária ao longo do ano, especialmente nos meses de junho, agosto, outubro e novembro. Para Renato Magú, um dos coordenadores da Casa do Hip Hop de Bauru participar da Rede Nacional das Casas e de outros pontos de articulação cultural pelo país é muito importante e positivo, “porque assim conseguimos dividir nossas experiências de alguns avanços e retrocessos com outros companheiro/as e realizar essa troca com eles, sobre o que funciona ou não, tendo mais fruição, tanto receber essas pessoas na nossa cidade, quanto ser recebido em outros locais”, afirma. Com relação à Rede, Magú destaca que ela surgiu da necessidade de ter mais representatividade política entre os militantes da cultura,“quando a gente se organiza em rede, fica mais fácil obter alguns progressos, tanto na formação, quanto na questão de obtenção de recursos” e assim obter mais independência e autonomia. Além disso, a Casa também teve representantes em outros importantes encontros regionais do movimento.

Em 2015, participamos do Encontro Paulista de Hip Hop, realizado no Memorial da América Latina e do Festival Emergências no Rio de Janeiro. “Por exemplo no Encontro Paulista de Hip Hop, do jeito que tem sido feito pela assessoria estadual para a cultura Hip Hop, entendo como um encontro paulistano de Hip Hop e toda vez que a gente participa, vamos justamente para pautar que o Hip Hop não é feito só na capital, é feito no interior também e que merece respeito. Ainda que a assessoria não tenha essa visão hoje, trata-se de um órgão estadual, então ela tem por obrigação dar atenção para pólos fora da capital”, defende. No Nação Hip Hop, realizado no início de dezembro em São Bernardo do Campo, a participação da Casa de Bauru também foi significativa, a medida que levou produtos produzidos dentro da lógica da economia solidária para outros pontos do Estado durante o evento. “Foi muito importante para nós porque tem roupas e produtos nossos espalhados pelo país inteiro e tivemos a oportunidade de apresentar a Rede Nacional das Casas da Cultura Hip Hop para vários outros coletivos”. No Rio de Janeiro, puxamos a feira de Economia Solidária durante o Festival Emergência, inclusive contando com o apoio do Ministro da Cultura, Juca Ferreira, afirmando que este modelo de empreendimento é uma saída possível para a crise econômica que o país enfrenta nos últimos dois anos.

Semana do Hip Hop 2015. Há dois anos, por meio de mobilização social, a Semana Municipal do Hip Hop de Bauru se tornou uma política cultural da cidade, por meio da aprovação da lei 6358/2013, contando com o apoio da Prefeitura Municipal e da Secretaria Municipal de Cultura para a sua realização. Por meio da lei, a Semana tem se consolidado como o maior festival gratuito de Hip Hop do país, com apresentações musicais de relevância política e cultural como Crônica Mendes, Rapadura Xique-Chico, grupo Inquérito, Issa Paz, Sara Donato, Feniks, Tássia Reis, Lunna Rabetti, Negra Lud, Jota F, Além da Rima, Menti Blindada e Betin MC, estes últimos importantes expoentes regionais. De 6 a 15 de novembro foram nove dias de atividades, incluindo visitas em escolas e entidades sociais como a SORRI, CIPS e Legião Mirim para apresentação do Combo 5 Elementos, no qual os elementos da cultura Hip Hop e do feminismo são apresentados para crianças e jovens de maneira descontraída e envolvente.

Além dos shows e dos Combos, houve debates e mostra audiovisual com os filmes “O Rap pelo Rap”, “Reis de Dogtown – história do skate nos Estados Unidos” e “Profissão MC” em espaços abertos da cidade e workshops sobre o movimento, como “Nos tempos da São Bento”, com Marcelinho BackSpin, um dos fundadores da primeira crew de breaking do país. O debate sobre produção cultural e presença feminina no Hip Hop com Tássia Reis e Sara Donato realizado no Sesc em parceria com a Frente Feminina de Hip Hop de Bauru e a Frente Nacional de Mulheres no Hip Hop, que participou de todo o evento, também foi muito importante para a consolidação da discussão de gênero no movimento, enriquecendo a vivência dos militantes da cultura. Com um público de aproximadamente 30 mil pessoas no show de encerramento no Parque Vitória Régia, Emicida elogiou o movimento na cidade e reforçou a importância de eventos deste porte no interior do país.

Em entrevista exclusiva ao portal da Casa do Hip Hop de Bauru, o rapper reforçou que “o Hip Hop é o único movimento cultural brasileiro que se aprofundou a ponto de trazer elementos da nossa cultura brasileira antiga, é a rapaziada que samplea o samba, por exemplo, e ao mesmo tempo, o Hip Hop é uma coisa contemporânea”. Por isso, eventos como a Semana proporcionam momentos de encontro entre artistas e fãs, militantes e leigos da cultura. “Isso aqui faz as pessoas se encontrarem e essa relação é mais importante para o Hip Hop, porque o Hip Hop acontece na rua. Quando você consegue levantar um palco, uma luz legal, um som legal e uma rapaziada bacana se apresentando com coisa legal para falar, isso é uma vitória para o Hip Hop mundial, não só do Brasil”, afirma. “Acho que o que tá acontecendo aqui hoje é uma grande vitória para o Hip Hop mundial porque não é fácil fazer isso, em instância nenhuma, mover as coisas num país tão preconceituoso e racista”, aponta.

Em dezembro, a Casa também apoiou o movimento secundarista local contra a chamada “reoganização escolar” promovida pelo governo do Estado de São Paulo, sob gestão do governador Geraldo Alckmin. Oferecemos oficinas e realizamos o Combo 5 Elementos nos colégios Ferreira de Menezes e Stela Machado, localizados em regiões periféricas da cidade. Pontuamos a necessidade da educação e da cultura como ferramentas de luta e discussão política e parabenizando os estudantes pela luta e pela resistência diária contra a privatização dos direitos constitucionais básicos.

Perspectivas para o futuro. Com um ano repleto de conquistas e vitórias, a Casa do Hip Hop promete ainda mais integração em 2016. Timbá destaca que as oficinas profissionalizantes e atividades esportivas tiveram ótimos resultados neste ano, atraindo crianças, jovens e adultos para o espaço, instrumentalizando os participantes e distribuindo conhecimento. O desafio agora é fazer com que a Casa, que possui 7 salas e um auditório compartilhado com outras entidades culturais na Estação Ferroviária, estejam permanentemente ativas, gerando ainda mais conhecimento e proporcionando a ocupação do espaço público por meio da arte e da tecnologia. “Ano que vem teremos um telecentro e daremos ainda mais atenção para as atividades profissionalizantes. Também temos que pensar mais nos jovens que desejam seguir carreira artística e por meio da Casa, dar uma perspectiva melhor de vida para estes jovens”, afirma Timbá. Em 2016, as atividades da Casa do Hip Hop de Bauru vão enriquecer ainda mais o cenário político e cultural da cidade. Oficinas, shows e o cursinho pré-vestibular Acesso Hip Hop estarão a todo vapor, na antiga Estação Ferroviária de Bauru, onde tudo começou e agora, mais de um século depois, esta parte da cidade volta a ser revisitada, revitalizada e colorida pelas cores e batidas da cultura Hip Hop.

Combo 5 Elementos encerra a semana de ensinamentos no Legião Mirim

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O grupo de jovens do Combo 5 Elementos percorreu diversos locais diferentes, espalhando a cultura hip-hop a centenas de jovens bauruenses

Por Fernando Martins
Fotos: Allison Ferreira e Mariana Lacava

Por volta das 14 horas de uma sexta-feira, 13 de novembro, partia da Casa do Hip Hop de Bauru, a Van mais barulhenta da cidade, rumo ao centro de educação Legião Mirim. Os compartilhadores da cultura, Vinicius Thomas, Allisson Ferreira, Luana Nayhara, Sara Donato, Beatriz Benedito e David Wise ocupavam os bancos surrados da perua branca do prefs Agostinho.

No caminho até a escola, as lembranças da Semana contagiavam a todos, especialmente ao recordar as melhores sacadas e piores brechas da Batalha de MC’s, último evento do dia anterior, quando comemorou-se o Dia Mundial da Cultura Hip Hop e onde David Wise sagrou-se campeão da “Batalha da Panelinha”.

Ao chegar no local, cerca de 50 jovens, todos do sexo masculino, com idade entre 14 e 17 anos, que são preparados para o primeiro emprego, aguardavam o grupo, que trazia na bagagem muita música, dança, diversão e conhecimento para trocar com a molecada.
Após as caixas de som darem seus primeiros zunidos, o Mestre de Cerimônias Vinicius Thomas, de apenas 18 anos, pegou o microfone, comandou o show e arrastou os possíveis projetos de rappers, breakers, grafiteiros ou djs para dentro do universo Hip Hop.

Vinicius Thomas
Vinicius Thomas

Suas primeiras palavras levaram os adolescentes ao contexto da década de 60, quando a tensão racial nos EUA chegou ao ápice. O país vivia intensa segregação entre brancos e negros, sendo os afroamericanos perseguidos pela Ku Klux Klan e até mesmo sem acesso a direitos básicos. O enfrentamento ao racismo americano tinha como referências Martin Luther King, Malcolm X, Angela Davis e o partido dos Panteras Negras. Foi em meio a esse caótico cenário que o original funk, o R&B e o Sound System se misturaram, junto a outros elementos, para dar origem aos primeiros rascunhos do que viria a ser o movimento Hip Hop – explicado de maneira bem simplista diante toda a complexidade dessa rica e criativa cultura.

Após a aula de história, os cinco elementos foram apresentados, trazendo um pouco de cada uma dessas vertentes que compõem a cultura Hip Hop. O primeiro deles foi o graffitti, que busca trazer para o visual alguns dos conceitos do gênero. Exemplificado por Allisson Beats, a função do DJ também foi apresentada aos olhos vidrados dos manos presentes. Já pra falar do breaking, David Wise assumiu a responsa e relembrou a origem da dança, como uma alternativa às violentas disputas de espaço e pontos de comércio entre gangues rivais nova iorquinas e que passaram a competir com passinhos cabulosos e muito estilo.

David MC
David Wise

O quarto elemento, na sua função, Vinícius falou do papel do MC, o mestre de cerimônias, ou ainda, do rap em si. Que vai da função de animar a galera ao levantamento a questões sociais, como drogas, guerras e o próprio racismo, entre outros temas polêmicos. Por fim, o elemento que permeia e costura todos os anteriores: o conhecimento, único componente abordado do primeiro ao último minuto de Combo.

Para o estudante Marcos Vinicius de Almeida, de 15 anos, o contato com uma cultura diferente é muito importante para entender outras realidades: “Conhecer algo novo, algo que está próximo, mas muitas vezes está longe também, é muito bom, ainda mais como o hip-hop, que traz essa ideia de manifestação cultural, tratando questões como a violência através da dança, da música, do graffitti e do conhecimento desses povos”.

A primeira interação com os jovens veio quando a pergunta foi lançada: “Vocês conhecem alguma poesia?”, indagou Vinicius Thomas. A maioria balançou a cabeça negativamente. Mas após a declamação dos primeiros versos da música Jesus Chorou, do grupo Racionais MCs, todos mudaram a direção do balancear, e de cima a baixo, acompanhavam a letra decorada de uma das poesias escritas por Mano Brown.
Mas não só de homens é composto o movimento, e pra falar sobre a questão de gênero, Beatriz, representando o graffiti, Luana Nayhara, da Frente Feminina de Hip Hop de Bauru, e a MC Sara Donato. Questões como a popular “cantada de rua”, a falta de protagonistas femininas, a diferença entre salários, a violência doméstica e outras formas de opressão foram temas apresentados pelas poderosas professoras.

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Sara Donato
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Luana Nayhara e Beatriz Benedito

Pra pesar na mente da galera, Sara Donato deu início a sequência de letras e poesias declamadas com o som autoral “Pesou na Mente”, que prega o respeito ao corpo feminino e a quebra dos padrões de beleza vigentes na sociedade. Na sequência, letras próprias dos integrantes do combo se misturaram a outras já consagradas de monstros da cultura  como Renan Inquérito, Sérgio Vaz e Sabotage, em um mini-sarau.

Mas em meio a tantas feras, o destaque ficou mesmo com Ronaldo Soares, um dos instrutores de curso do centro educacional. Apontado como um apreciador de poesias, Ronaldo apostou no freestyle e criou uma letra ali mesmo, onde pregava igualdade entre os povos.

Após mais de duas horas de trocas intensas de ideias, o convite de visita a Casa do Hip Hop foi feito a todos, especialmente para conhecerem as variadas oficinas oferecidas pela Casa, envolvendo não só os principais elementos apresentados ali, mas também outros como artes marciais e o cursinho pré-vestibular

A tarde se encerrou e a van mais barulhenta da cidade foi novamente ocupada, mas antes de partir, Vinicius Thomas, como um dos idealizadores do projeto, pediu a palavra e agradeceu a todos os envolvidos em mais uma edição do Combo, em mais uma histórica Semana de Hip Hop de Bauru.

Combo 5 Elementos no CIPS

_MG_4468A molecada cantou, dançou, pintou e deixou claro que entendem do assunto

Por Gabriela Martinez
Fotos: Gabriela Martinez

Nesta quinta-feira, 12 de novembro, o Combo 5 Elementos esteve com cerca de 250 jovens do CIPS (Consórcio Intermunicipal da Promoção Social) durante a tarde, interagindo, ensinando e aprendendo também. Com o lema de Pitágoras “eduque um menino e não será preciso castigar os homens”, o CIPS funciona como uma ONG de interesse e utilidade pública, que desde 1960, promove atividades educativas e de qualificação profissional como programa “Jovem Aprendiz”, além de fazer acompanhamento de famílias em situações de risco pessoal ou social.

Enquanto a equipe da organização ajustava os últimos detalhes para começar a apresentação, os olhinhos da molecada acompanhavam atentamente cada detalhe. “Eles estavam esperando vocês ansiosamente” comenta Edson Stahl, coordenador pedagógico do CIPS.

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Vinicius Thomas

A apresentação do Combo 5 Elementos começou com a explicação de cada um dos elementos do Hip Hop, sendo eles o Rap, o Breaking, o Graffitti, o DJ e o quinto, o Conhecimento. A galera interagiu tanto, que era possível confundir quem estava aprendendo e quem estava ensinando ali. Perguntas sobre o significado da palavra “Rap” ou do termo “Hip Hop” foram motivos de muitos braços levantados e disputa para serem escolhidos para responder.

A rapper Sara Donato também participou do evento. Pegou o microfone e conversou com a molecada sobre a escassez de mulheres em evidência no Hip Hop, logo, do machismo impregnado em nossa sociedade e terminou recitando a letra de uma de suas músicas “Peso na mente”, que aborda de forma crítica os padrões de beleza impostos pela mídia.

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Sara Donato representa Frente Feminina de Hip Hop levantando questões de gênero

Depois de toda prosa, a molecada desceu da arquibancada para arriscar passos de breaking e traços de tinta no graffitti. O CIPS é uma ONG (Organização Não Governamental) que trabalha com crianças de 3 à 17 anos, com o objetivo de tirá-las da rua e prepará-las para o mercado de trabalho, profissionalizando-as. O trabalho é feito através de aulas que ensinam ética, cidadania e atividades lúdicas para os mais novos. Para Edson, Coordenador Pedagógico da ONG, “tudo que é voltado para a Cultura é importante, ainda mais quando falamos da cultura do Hip Hop que está tão próxima da realidade deles”.

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Beatriz Benedito fala sobre graffiti

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Combo 5 Elementos é atração do dia na SORRI

_MG_5062Crianças da instituição participam por mais um ano da atividade da Semana do Hip Hop

Por Heitor Facini e Lucas Zanetti
Fotos: Heitor Facini e Lucas Zanetti

Nesta terça-feira, 10 de novembro, como parte da programação da Semana do Hip Hop 2015, o Combo 5 elementos deu uma aula de cultura às crianças da SORRI. Durante o dia todo, cerca de 120 pessoas contribuíram para que a atividade fosse um sucesso.

A manhã começou com uma introdução a cultura Hip Hop falando um pouco sobre a importância breaking, rap, DJ, grafitti e principalmente passando muito conhecimento para a molecada. Depois que a mensagem foi transmitida, chegou a hora da diversão. As crianças botaram os quadris para se mexer ao som do  Magum, sempre com um sorriso no rosto. Além disso, sujaram as mãos e as roupas usando as latas de spray para grafitar e criar sua arte.

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Crianças na SORRI

Um dos que curtiram o dia na SORRI foi Davi, de 6 anos. A mãe dele, Silvana, também ficou muito contente com a atividade. “É uma oportunidade muito boa para estimular o desenvolvimento do Davi”, opina ela. Já Maria Margarida, mãe de Eduardo, de 8 anos, viu o seu filho arrasar no breaking. “É muito boa a atuação do Combo porque meu filho sai um pouco da rotina. Ele vem aqui e acaba aprendendo com a cultura Hip Hop. Muda um pouco do cotidiano dos acompanhamentos médicos, de psicólogos”.

O compartilhamento de experiências é mútuo. Da mesma forma que as crianças da SORRI aprenderam sobre a cultura Hip Hop, quem organizou também saiu transformado. “A energia, a sensibilidade e a verdade que eles passam no olhar é importante para a gente continuar lutando”, diz Magum de São Carlos, que orquestrou a festa. “Estar aqui na Sorri é renovador para nós do Hip Hop, faz continuar acreditando na transformação social”, completa.

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Os funcionários da SORRI também elogiaram o Combo. “O evento é um estímulo múltiplo, visual, auditivo, social”, observa Marcela Pinto , coordenadora sócio-cultural da instituição. Ela lembrou ainda da atividade realizada na Semana do Hip Hop de 2014, para mostrar o poder transformador da cultura. “No ano passado, por exemplo, algumas crianças autistas que não se abrem facilmente arriscaram alguns passos no breaking”.

Sorri. Há mais de três décadas, a Sorri realiza em Bauru um trabalho de inserção plena e imediata na comunidade. A instituição recebe pessoas de todas as idades em situação de risco ou vulnerabilidade social, com deficiências físicas, intelectuais, visuais e auditivas.

Os pais das crianças atendidas pela Sorri se sentem acolhidos. “O trabalho é maravilhoso, eles abraçam as crianças e ficam juntos até melhorar”, opina Maria Margarida, mãe de Eduardo.

Combo dos 5 elementos agita Moraes Pacheco, no Bela Vista

IMG_2528Atividade levou a cultura Hip Hip e debates para alunos do ensino médio no Bela Vista

Por Thamires Motta e Lucas Zanetti
Fotos: Mariana Lacava e Thamires Motta

Hoje foi dia de Hip Hop na E.E. Moraes Pacheco. Cerca de 420 alunos participaram do Combo dos 5 Elementos, projeto realizado pela V Semana Municipal do Hip Hop. O objetivo da atividade é levar os elementos do Hip Hop para as escolas, trabalhando de forma teórica e prática, com mini oficinas. Cada elemento é explicado e debatido e depois os alunos são convidados a experimentarem cada um deles da prática.

”A gente tenta interagir com os alunos e fazer eles participarem também dos elementos. No breaking, fazendo passos. No RAP, mandando uma rima”, explica Vinicius Thomas, 18, um dos organizadores do projeto.

Participaram do evento, o grupo AlémDaRima, a rapper Sara Donato, o cantor JotaF, os grafiteiros Zion Jorge, Beatriz Benedito e o coletivo CURA, Magum MC, B-boy David MC, Allisson Ferreira de DJ.

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Vinicius acredita que a importância do evento se dá principalmente por despertar no jovem, por meio da cultura Hip Hop, o senso crítico. ”O Hip Hop tem um caráter muito transformador. Ele mostra pra juventude que tem uma alternativa, que eles podem escolher outras coisas, que eles podem desenvolver artes. Eles aprendem a contestar, a debater, a se impor na sociedade, com outra postura”, explica.

Sara Donato também acredita no potencial transformador do Hip Hop e que, além de levar a cultura, o Combo é uma oportunidade de promover debates críticos com os jovens sobre o combate ao machismo e à violência doméstica. Na atividade de hoje, a rapper falou sobre gênero. ”O Hip Hop vai além de palco, som e dança. É uma ferramenta de transformação e a gente vê isso trazendo para a escola, conversando com a molecada”, opina Sara.

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Com alta interação com o público, logo os alunos foram perdendo a vergonha e curtiram muito o evento. Puderam se arriscar em qualquer elemento e, quem sabe, descobrir um talento a ser trabalhado e uma identificação maior com o universo Hip Hop. Destaque para as minas, que representaram muito no breaking. Uma delas, mandou um poema feminista.

O aluno Felipe Pereira, do 2º ano, também mandou um poema. ”Se a vida fosse bela, todo mar teria ondas, todo som seria rap e todo mar faria nossa cabeça”, recitou. Ele acredita que o evento é muito positivo e acredita que o rap manda a real sobre as coisas. ”É sempre bom passar uma visão para a galera do que está acontecendo e ninguém está vendo. Eu acho esse tipo de evento muito daora”, conta o estudante.

A coordenadora da Moraes Pacheco, Karina Martins, elogiou a iniciativa. Para ela, trazer o movimento para dentro da escola, é uma forma de aproximar a escola da realidade dos próprios estudantes. ”A gente consegue envolver eles no projeto e fazer com que eles tenham mais iniciativa até mesmo na sala de aula”, explica. ”O Combo está sempre valorizando atitudes positivas e isso tem muito a ver com aprendizagem e a formação do cidadão”, completa.

A V Semana do Hip Hop já está chegando!

Com oficinas e debates, a Semana Municipal do Hip Hop de Bauru chega à sua quinta edição com grandes shows e mostra audiovisual

2015 é o ano do Hip Hop e em Bauru, movimento se consagra como um dos maiores articuladores políticos, culturais e sociais da cidade. Entre os dias 6 e 15 de novembro, acontecerá mas uma edição da Semana Municipal do Hip Hop de Bauru.

Depois de mais de 20 anos de luta, em agosto inauguramos a Casa do Hip Hop de Bauru e para celebrar mais esta conquista, a V Semana Municipal traz shows de artistas regionais e de renome nacional como Rapadura MC, Inquérito, Thaíde e Emicida. No palco Interior tem voz, contaremos com a participação especial de Crônica Mendes e convidados. Em parceria com o SESC, haverá também o show inédito de Tásia Reis, na quarta-feira 11 de novembro, representando a força e o poder das mulheres na cultura Hip Hop.

Há dois anos, a Semana Municipal de Hip Hop de Bauru se tornou política pública por meio de mobilização social pela criação e aprovação da Lei 6258/2013. Dessa maneira, a Secretaria de Cultura se tornou uma parceira para a realização da III Semana Municipal do Hip Hop naquele ano e de lá para cá, a parceria e as atividades conjuntas só tem aumentado.

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Semana 2015 traz Inquérito, Thaíde, Crônica Mendes, Rapadura, Tássia Reis, DJ Erick Jay e Banks Back Spin

Formação, política e economia. Desde 2011, a Semana Municipal do Hip Hop de Bauru é organizada pelo Ponto de Cultura Acesso Hip Hop de maneira independente, horizontal e repleta de parcerias. Uma das atividades consagradas do festival é a realização do Combo 5 Elementos nas escolas municipais e estaduais da cidade durante a Semana do Hip Hop. O projeto leva conhecimento e mini-oficinas dos cinco elementos do Hip Hop (graffiti, breaking, DJ, Rap e conhecimento) para escolas municipais e estaduais, incluindo centros de reabilitação. O projeto  também conta com a participação da Frente Feminina de Hip Hop de Bauru que levanta questões de gênero para estudantes das escolas, chamando atenção para igualdade de gênero e para a violência doméstica como um problema social e coletivo.

Além disso, o festival também traz importantes debates sobre o movimento Hip Hop regional e sobre os movimentos negro e periférico. Em 2015, acontecerá a I Feira de Economia Solidária de Produtos do redeHip Hop  do Estado de São Paulo, durante os últimos dois dias da Semana. Ao longo do sábado, 14 de novembro, também acontecerá um debate sobre Economia Solidária com representantes da Rede Nacional das Casa da Cultura Hip Hop e Empreendimentos Solidários, professores universitários e pequenos empreendedores.

Neste ano, a Casa do Hip Hop de Bauru também tem uma novidade muito especial, ainda vinculada à economia solidária e à sustentabilidade do meio ambiente e dos modos de produção. No dia 07 de novembro acontecerá o lançamento da coleção oficial de roupas da instituição, na Estação ferroviária. Com estampas originais e desenvolvidas especialmente para o público bauruense, o desfile de moda “Favela Fashion Zic” privilegia os elementos da cultura e ícones de resistência.

Outro momento importante é a realização do II Fórum Municipal de Hip Hop de Bauru, que acontecerá no SESC, também no dia 7, para o levantamento de demandas, análises de conjuntura do movimento local e balanço de conquistas no último ano. Também serão exibidos documentários e filmes como Profissão MC, Dogtown e O Rap pelo Rap, nos bairros Mary Dota, Bauru 22 e na Casa do Hip Hop.

Programação. A Semana Municipal do Hip Hop de Bauru vai acontecer de 6 a 15 de novembro, com TODAS as atividades gratuitas na Estação Ferroviária, Casa do Hip Hop de Bauru, Sesc Bauru e parque Vitória Régia.

Dia 6/11 – Sexta-feira

Abertura da Exposição “Quem é quem?” do Coletivo Urbano de Arte- CURA de São Paulo.
Horário: 19h. 
Local: Estação Ferroviária de Bauru.

Cine Hip Hop
Filme: Os Reis de Dogtown (história do skate nos EUA)
Horário: 20h Local: Centro Unificado das Artes e do Esporte – Rua Maria José Silvério dos Santos com Avenida Lúcio Luciano, Bauru 22/ região do Jardim Redentor

Show Além da Rima e Banda.
Horário: 21h. 
Local: Estação Ferroviária de Bauru.

Dia 7/11 – Sábado

Encontro Estadual de Graffiti
Horário: 9h. Local: Viaduto Nuno de Assis

Cortejo Hip Hop
Horário: 10h. Local: Calçadão da Batista de Carvalho.

II Fórum Municipal de Hip Hop de Bauru
Horário: 14h. Local: Sesc Bauru (Av. Aureliano Cárdia 6-71)

Desfile de moda urbana “Favela Fashion Zic”. Lançamento da coleção de moda Casa da Cultura Hip Hop de Bauru. DJ Moonhbeats
Horário: 20h. Local: Estação Ferroviária de Bauru 

Dia 8/11 – Domingo

Abertura Cultural da Semana do Hip Hop 2015

Shows com Inquérito, Rapadura, Thaide, Issa Paz e Brisa Flow
Horário: 14h. Local: Parque Vitória Régia

Dia 9/11 – Segunda-feira
Combo dos 5 Elementos
Horário: 9h. Local: Escola Estadual Morais Pacheco. (R. Primeiro de Maio, 16-10. Parque Boa Vista)

Combo dos 5 Elementos
Horário: 14h. Local: Escola Estadual Morais Pacheco. (R. Primeiro de Maio, 16-10 – Parque Boa Vista)

Oficina de Fanzine
Horário: 14h
Local: Casa do Hip Hop Bauru

Mesa redonda com o tema “Redução da maioridade penal e genocídio da população preta, pobre e periférica”
Horário: 20h. Local: Centro Cultural de Bauru

Dia 10/11 РTer̤a-feira
Combo dos 5 Elementos
Horário: 9h. Local: Sorri Bauru. (Avenida Nações Unidas, 53-40 – Geisel)

Combo dos 5 Elementos
Horário: 14h. Local: Sorri Bauru. (Avenida Nações Unidas, 53-40 – Geisel)

Oficina de Fotografia
Horário: 19h. Local: Casa do Hip Hop Bauru

Oficina de Capoeira Angola
Horário: 19h30. Local: Casa do Hip Hop Bauru

Oficina de MC com JotaF e RapNobre
Horário: 19h30. Local: Casa do Hip Hop Bauru

Cine Hip Hop
Documentário O Rap pelo Rap
Horário: 20h. Local: Casa do Hip Hop

Dia 11/11 – Quarta-feira
Combo dos 5 Elementos
Horário: 9h. Local: Escola Estadual Ver. Antônio Ferreira de Menezes. R. Cap. Mario Rossi, 9-37

Oficina de Graffiti
Horário: 9h. Local: Casa do Hip Hop Bauru

Combo dos 5 Elementos
Horário: 14h. Local: Escola Municipal

Oficina de Dj com DJ Ding
Horário: 14h. Local: Casa do Hip Hop Bauru

Bate Papo: Produção Independente e mulheres no Hip Hop com Tássia Reis e Frente Feminina de Hip Hop de Bauru
Horário: 19h. Local: Sesc Bauru

12115614_185735578430356_237330865507897265_nShow com Tássia Reis
Horário: 21h. Local: Sesc Bauru

Dia 12/11- Quinta-feira
Combo dos 5 Elementos
Horário: 9h. Local: Escola Profª Ada Cariani Avalone.  Av. Dr. Marcos de Paula Rafael, 1. Mary Dota.

Combo dos 5 Elementos
Horário: 14h. Local: CIPS Bauru. R. Inconfidência, 2-28 – Centro

Oficina de DJ com DJ Scratch
Horário: 14h. Local: Casa do Hip Hop Bauru

Oficina de Stencil
Horário: 14h. Local: Casa do Hip Hop Bauru

Celebração do Dia Mundial do Hip Hop. Apresentação dos 4 elementos que compõe a Cultura Hip Hop, Rap, Breaking, Graffiti, Dj + Batalha de Mcs.
Horário: 20h. Local: Casa do Hip Hop de Bauru

Dia 13/11 – Sexta-feira
Combo dos 5 Elementos
Horário: 9h. Local: Escola Municipal Geraldo Arone.  R. João Prudente Sobrinho – Nucleo Hab. Fortunato Rocha Lima, Bauru – SP

Oficina de Graffiti
Horário: 9h. Local: Casa do Hip Hop de Bauru

Combo dos 5 Elementos
Horário: 14h. Local: 13/11- 14h30 – Legião Mirim Endereço: Av. Dr Nuno Assis, 13-50

Sarau do Viaduto especial Semana do Hip Hop com Banks Back Spin
Horário: 20h. Local: Avenida Nações Unidas, embaixo do viaduto da Duque de Caxias

Dia 14/11 – Sábado

Cortejo Hip Hop
Horário: 10h. Local: Calçadão da Batista de Carvalho

Batalha de Breaking
Horário: 13h. Local: Casa do Hip Hop Bauru

I Feira de Economia Solidária de produtos do Hip Hop do Estado de São Paulo.
Horário: 14h-22h. Local: Parque Vitória Régia

Palco Interior tem voz
Shows com Crônica Mendes, CURA, Preta Rara e outros.
Horário: 17h
Local: Anfiteatro Vitória Régia

Dia 15/11 – Domingo

I Feira de Economia Solidária de produtos do Hip Hop do Estado de São Paulo.
Horário: 14h-22h. Local: Parque Vitória Régia

Encerramento da Semana Municipal do Hip Hop 2015
Shows com Emicida + Grupos de Bauru.
Horário: 14h. Local: Parque Vitória Régia

Realização.  A V Semana Municipal do Hip Hop de Bauru é realizada em parceria entre Ponto de Cultura Acesso Hip Hop, Casa do Hip Hop de Bauru, Secretaria Municipal de Cultura, patrocínio Loja Ophicina e promoção da TV TEM.

Combo 5 Elementos

 

Combo 5 Elementos na Escola Ada Cariane. Foto: Keytyane Medeiros
Combo 5 Elementos na Escola Ada Cariane. Foto: Keytyane Medeiros

Ao explicar cada um dos cinco elementos, isto é, o DJ, graffiti, rap, breaking e o conhecimento sobre a cultura negra e o feminismo, o Combo 5 Elementos proporciona momentos de aprendizado e diversão para jovens e crianças.

O Combo 5 Elementos é um projeto da Casa do Hip Hop de Bauru e do Ponto de Cultura Acesso Hip Hop, realizado em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura da cidade. Realizado desde 2013, o projeto leva conhecimento, mini-oficinas e porcket shows para escolas municipais e estaduais da cidade.

“Inicialmente pensamos em levar shows para as escolas, mas decidimos ampliar e dar mais atenção à formação e conhecimento durante a Semana do Hip Hop de 2013”, afirma Henrique Thomas, de 19 anos, do grupo Além da Rima e um dos organizadores do projeto.

Combo 5 Elementos na SORRI em 2014.
Combo 5 Elementos na SORRI em 2014.

Juventude. Organizado por jovens militantes da cultura Hip Hop da cidade, que tem entre 16 e 20 anos, o Combo apresenta os cinco elementos da Cultura à crianças e adolescentes, contando um pouco da história do movimento, relacionando à cultura negra, desconstruindo estereótipos de gênero e levando um pouco de bom humor e felicidade às crianças das periferias da cidade. Em 2014, apenas durante a Semana do Hip Hop, o Combo 5 Elementos visitou aproximadamente 10 instituições, incluindo centros de reabilitação de saúde como a SORRI.

A proximidade de idade entre os oficineiros e o público alvo torna as apresentações do Combo 5 Elementos um espaço de diálogo entre a cultura Hip Hop e os adolescentes da cidade, indicando que sempre há alternativas positivas para sair ou permanecer na periferia sem cair em caminhos obscuros. A confiança e a troca de saberes entre público e oficineiros é intensa e sempre gera novos sorrisos e convites de participação.

Escola Ada Cariani. Foto: Keytyane Medeiros
Escola Ada Cariani. Foto: Keytyane Medeiros

Escolas. “Em dois anos de projeto, muita coisa mudou. Sempre fomos muito bem recebidos, mas às vezes nem as escolas nem sabiam direito como ia funcionar. Hoje, como o projeto cresceu, as escolas nos procuram para fazer atividades lá, escolas de outros lugares, todo mundo nos recebe de outra maneira agora”, conta Henrique.

O espaço foi conquistado com muito trabalho e muito amor. Para Henrique, “é uma honra pra gente chegar e olhar no olho brilhando de uma criança, eles realmente se prendendo, esperando que a gente faça um super espetáculo pra eles, como nunca viram antes. É um negócio que tem muito mais valor que grandes públicos, grandes shows. A gente cria uma conexão muito legal e verdadeira com eles, com certeza fica gravado na memória”.

Combo 5 Elementos. Foto: Keytyane Medeiros
Combo 5 Elementos. Foto: Keytyane Medeiros

A coordenadora de apoio da Escola Ada Cariani, no Mary Dota, Marlene Oliveira de Preto acredita que a iniciativa é algo muito importante para as escolas porque o Hip Hop faz parte da cultura dos alunos. A professora também declarou que “o Hip Hop é uma cultura que mexe com muitos elementos e linguagens diferentes. É um movimento muito forte e organizado de resistência, de denúncia e identificação do povo pobre e negro. Vocês tem muito mais condição de apresentar esses elementos para os alunos do que a escola, que é mais conteudista”, afirma.

Foto: Allison Ferreira
Combo no Pousada Cultural. Foto: Allison Ferreira

Futuro. Henrique acredita que sempre é possível melhorar o projeto, “queremos que o projeto fique cada dia mais didático e mais envolvente para o nosso público”. Henrique conta que entre os planos para 2015 e 2016, está tornar o Combo 5 Elementos um projeto permanente e itinerante, que passe com mais frequência nas escolas de Bauru, na mesma intensidade que acontece durante a Semana do Hip Hop. “A partir de agora, queremos que haja também uma contra-mão no sentido de levar os alunos pra conhecer a Casa, criar um projeto de visitação onde eles possam ocupar nosso espaço, justamente para fazer esse intercâmbio de experiências”, afirma.

 

Entre shows, debates, filmes e atividades de formação, a III Semana do Hip Hop de Bauru ganha robustez e traz Thaíde, GOG e Projota

Com mobilização social, a Semana Municipal do Hip Hop de Bauru tornou-se política pública da cidade. Evento ganha robustez e traz nomes de peso à Bauru.

Por Keytyane Medeiros, para Casa do Hip Hop Bauru

Realizada entre os dias 9 e 17 de novembro, a III Semana Municipal do Hip Hop de Bauru entrou para o Calendário Oficial de atividades da cidade. Até então produzida de maneira independente, a Semana Municipal do Hip Hop se tornou política pública em maio de 2013 por meio de mobilização social pela aprovação da Lei 6258. Com isso, a Semana Municipal do Hip Hop passa a ter também apoio financeiro e de infra-estrutura garantidos pela Secretaria Municipal de Cultura da cidade.

Nesta edição, a Semana trouxe shows de grandes artistas do Hip Hop nacional para participações especiais em shows e oficinas. Com shows de Thaíde e GOG, precursores da primeira e segunda onda do movimento no Brasil, a Semana passa a ser focada em atividades de formação de público e prioriza o quinto elemento: o conhecimento sobre a cultura Hip Hop, sobre a luta dos movimentos negros no país e sobre a criminalização da pobreza.

O show de abertura ficou sob responsabilidade do rapper Thaíde, no Muamba Music. O rapper faz parte da primeira geração do Hip Hop no país, iniciando sua carreira nos anos 80. Ao lado do ex-parceiro DJ Hum participaram da primeira coletânea de rap nacional, Hip Hop Cultura de Rua. O cantor entoou seus maiores sucessos como “Senhor Tempo Bom”, “A noite” e “Apresento meu amigo” com a casa lotada.  Além de Thaíde, a noite de abertura também contou com a participação de rappers locais como Jota F, BetinMC, Abanka e Dois1Dois.

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Formação. Uma das atividades consolidadas com a parceria com a Secretaria Municipal de Cultura está o aumento do número de escolas atendidas pelo Combo 5 Elementos. O projeto levou conhecimento e mini-oficinas dos cinco elementos do Hip Hop (graffiti, breaking, DJ, Rap e conhecimento) para oito escolas municipais e estaduais. O projeto ainda contou com a participação da Frente Feminina de Hip Hop de Bauru que levou questões de gênero para estudantes das escolas, alertando para igualdade de gênero e violência doméstica como males a ser evitados por todos.

A Frente Feminina ainda trouxe duas rappers para ocupar os palcos Interior Tem Voz com Sara Donato no dia 10 de novembro e Tábata Alves no palco de encerramento no dia 17. Além delas, a b.girl Aline Afrobreak ainda ministrou oficinas de breaking durante a Semana.

EMEF Lydia Alexandrina
EMEF Lydia Alexandrina
Henrique Tomas no Combo 5 Elementos
Henrique Tomas no Combo 5 Elementos
EMEF Guia Lopes
EMEF Guia Lopes

Cinema de crítica social. O Cine Hip Hop, realizado no Pontilhão da 13 de Maio, em parceria com a Casa Fora do Eixo de Bauru, trouxe produções audiovisuais bauruenses como o clipe com forte crítica social de Thigor MC e Dom Black, “A Praga do Século” e “Livre Escolha”, documentário de Thigor MC.

Cine Hip Hop II SEMANA
Cine Hip Hop na Semana 2013

Ambas as produções levantam problemas relacionados ao crack, a chamada praga do século. Longe da droga há quase 10 anos, Thigor MC conta em seu documentário como se afastou do vício e como o rap, o Hip Hop e a religião tiveram participação fundamental nesse processo. As produções alertam para uma inversão na lógica do tratamento do crack. Comumente associado à segurança pública, o crack é e deve ser tratado, segundo os produtores, como um problema de saúde pública. Além disso, as produções criticam o descaso do poder público com os usuários, que por meio da higienização da cidade afasta os usuários da paisagem urbana sem resolver seus problemas de saúde ou propor tratamentos alternativos. Os vídeos foram produzidos por Rafael Pessoto, Conrado Dacax e D’Bronx MC.

Shows de encerramento. A Semana foi encerrada com a participação mais que especial de GOG, rapper de Brasília e o primeiro a possuir um selo de gravadora independente do país em 1996, “Só balanço”.

Com canções críticas e politicamente posicionadas como “Brasil com P”, GOG chama a atenção para a questão racial no Brasil. Segundo suas letras, os mortos pelo poder público no Brasil tem CEP e cor, sendo em sua maioria jovens negros de periferias, como o Mapa da Violência 2012 comprova. Em dezembro de 2007, GOG lançou o CD “Cartão Postal Bomba!” totalmente online, apresentando uma nova proposta de negociação, divulgação e distribuição de música independente no país, promovendo o debate sobre auto-gestão entre artistas nacionais. O rapper visionário abriu o show para uma das promessas nacionais do mundo do rap, o jovem Projota.

Projota no encerramento da III Semana Municipal do Hip Hop de Bauru. Foto: Luringa
Projota no encerramento da III Semana Municipal do Hip Hop de Bauru. Foto: Luringa

Projota ganhou destaque no cenário independente após vencer quatro vezes a batalha de mcs da Santa Cruz, em São Paulo. A partir daí, o jovem de 26 anos lançou as mixtapes “Carta aos meus” em 2009 e “Projeção” em 2010. O rapper encerrou a Semana do Hip Hop 2013 com canções de sucesso, alegrando a molecadinha que tem se aproximado ultimamente do movimento Hip Hop. Entre suas canções mais famosas está “Rezadeira”, muito aplaudida pelo público de aproximadamente 10 mil pessoas no Parque Vitória Régia.

III SEMANA FINAL
Encerramento da III Semana do Hip Hop Bauru no parque Vitória Régia. Foto: Ponto de Cultura Acesso Hip Hop