Skate sem limites no filme Bauru ltda

Com produção e protagonismo 100% bauruenses, a Casa do Hip Hop recebeu a estreia do vídeo que retrata a cena local do skate

Texto por Lucas Mendes

A estreia do filme Bauru ltda, se depender do público que acompanhou sua exibição, foi um sucesso. Mais de 50 pessoas, na sua maioria skatistas da cidade, acompanharam a sessão, que rolou na Casa do Hip Hop na tarde desse sábado (13).

 

 

Bauru ltda é um vídeo de skate feito somente na cidade de Bauru. Nas filmagens participaram mais de 40 skatistas locais e alguns convidados, envolvidos num processo de produção que durou 3 anos, de forma independente.

“A gente começou a filmar em 2014, mas a ideia veio depois, e na hora que eu vi que tinha um material que já dava pra fazer alguma coisa, aí eu já lancei a ideia pros moleque”, diz Fabrício Ferreira, o diretor do vídeo.

A sessão de estreia movimentou a cena na tarde de sábado, e vários skatistas colaram na Casa, lotando a sala onde rolou a exibição e deixando gente acompanhando o filme do lado de fora.

E não poderia ter sido melhor a escolha do local. “Eu tive opção de escolher o teatro municipal”, revela o diretor. “Mas eu achei aqui mais legal, porque é undergound né. Lá no teatro eu não ficaria tão à vontade, não ia ter palavrão, gritaria. Não tem porque fazer lá, mesmo que aqui seja pra 50 pessoas”, admite.

Nas paredes do corredor da Estação Ferroviária ficaram expostas algumas fotos feitas durante as filmagens, que contaram com os cliques do próprio Fabrício e do fotógrafo Cristiano Cunha.

Produtor audiovisual e fotógrafo, o sul-mato- grossense Fabrício é skatista há 10 anos, desde que chegou a Bauru, com 16 anos de idade. Ele já está na cidade sem limites há 10 anos e explica que a ideia foi mostrar um pouco do cotidiano e das vivências dos skatistas de rua daqui. Sobre o nome, “Bauru ltda”, ele explica: “significa Bauru limitada, porque já que Bauru é a cidade sem limites, o que a gente tem que fazer é andar em todos os picos e limitar ela”.

É um retrato 100% bauruense. “A hora que eu fui ver, só tinha imagem de dentro, só imagem daqui de Bauru”, diz Fabrício. “Então a gente já tinha um tema, e quando já tem isso é legal, é show de bola, porque aí você pode expressar sua arte do jeito que quiser, você já tem um tema em cima dela”, explica.

Nessa missão, depois de 3 anos filmando e acompanhando o dia-a- dia, segundo Fabrício o que mais se destaca é a “união monstra” da galera, apesar dos inevitáveis problemas. “Olha o tanto de cara que a gente conseguiu filmar”, conta ele. “Toda a vez que a gente ia gravar colava uma galera, e colava polícia. Teve muita treta, teve muito tombo feio, cara desmaiando. E eu tenho tudo essas imagens, só que eu não coloquei porque minha intenção era fazer um vídeo alto astral, pras pessoas darem risada e mostrar o lado bom de andar na rua”, completa ele, que garante:

“Skate é rua e nunca vai parar”.

Confira abaixo o teaser do Bauru Ltda Skate vídeo:

Teaser Bauru ltda skate video

salve galera como alguns já sabem dia 13/05 estaremos lançando o Bauru ltda skate video, as 16:00hs na casa do hip hop (estação ferroviária ), com entrada franca e a noite as 23:00hs vai ter a festa de lançamento no Jack pub music Bauru, com o show da banda Bauruense Legalê e Projeto SOMV, valor pra entrar é 10 reais até 00:00! (proibida a entrada de menores de 18 anos)segue o link do vento da casa do hip hop (estação ferroviária)https://www.facebook.com/events/1843514129306256/segue o link do evento da festa de lançamento (Jack Music Pub ) https://www.facebook.com/events/1677740332528512/?ti=cl

Publicado por Bauru ltda. em Segunda, 8 de maio de 2017

 

Mais informações podem ser encontradas na página do filme:

https://www.facebook.com/Baurultda/

Os DVDs com o filme estão sendo vendidos pelo próprio diretor.

O que esperar do novo secretário da cultura?

Com a posse do prefeito Clodoaldo Gazzetta,  o ‘consultor, palestrante e coach’ Luiz Fonseca  assume a pasta da Secretaria de Cultura

BIANCA MOREIRA
PEDRO MAZIERO

No dia 25 de janeiro, conversamos com o novo secretário da cultura de Bauru, Luiz Antônio Fonseca. Graduado em Administração, com especialização em Planejamento Estratégico e Marketing, Fonseca atuou principalmente em áreas de gestão no setor educacional. O secretário nos falou sobre seus planos para suprir o orçamento municipal destinado à cultura, que ele considera insuficiente, seus planos para a construção e reforma de novos espaços voltados a atividades e projetos culturais e também sobre o desafio de descentralizar as atividades culturais em Bauru.

Seu currículo é mais ligado à área da gestão. Qual sua experiência com a cultura?

L.F.: “Como eu trabalhei muitos anos em universidades –  tanto em São Paulo quanto em Bauru –, desenvolvi várias coisas nos projetos de extensão e tenho muitas ligações com ligadas à cultura na capital. Gosto muito de teatro, de música – qualquer tipo de música, eu sou eclético: ouço desde o funk até a valsa.

As minhas filhas puxaram essa veia. Minha filha mais velha não atua hoje porque, como eu, optou por uma carreira voltada à gestão, mas ela é atriz e cantora. Minha outra filha fez balé e toca violão, e minha esposa pinta quadros. Eu sou um ratinho de teatro, de cinema, de livros – então, mesmo não atuando como um artista, sou apaixonado pelo universo das artes. Minha experiência profissional tem muito mais a ver com  o lado técnico: meu objetivo é tentar administrar da melhor forma possível os recursos, que são poucos, e fazer com que eles sejam muito bem aproveitados para todas as áreas da cultura.”

Qual é sua posição em relação ao orçamento destinado à cultura em Bauru?

L.F.: “Nós sabemos que o recurso destinado à cultura no orçamento municipal é insuficiente. Por isso, uma de minhas bandeiras é pleitear recursos externos. Há o governo do estado e o governo federal, que são fontes de recursos que podemos tentar conseguir de alguma forma. No governo estadual, por exemplo, já estive em uma reunião com uma área da Secretaria de Cultura, então nós já estamos afinando o diálogo para tentar trazer para Bauru um fortalecimento maior na cultura. Estivemos com o ministro da cultura na sexta-feira passada em uma audiência em São Paulo, eu e o prefeito Gazzetta, e conversamos com ele sobre a elaboração de um projeto para que nós pudéssemos transformar a estação ferroviária em uma estação das artes, que é o meu grande sonho – eu acho que o de todo mundo.

Todos que têm uma veia artística gostariam de ter aquele lugar bonito funcionando a pleno vapor. Agora nós temos que entregar um projeto do que imaginamos para lá.”

O sr. também considera buscar recursos na iniciativa privada?

L.F.: “A iniciativa privada também é uma possível fonte de recursos. Quando eu assessorava alguns empresários da região, em São Paulo, eles recebiam muitas pessoas com projetos de peças, filmes, musicais, etc., e o artista pedia um recurso para o dono da empresa. Os donos das empresas diziam sempre que iria pensar – ou seja, a resposta já era não. Eles alegavam que não consiguiam ver o impacto que aqueles projetos causariam na sociedade, o retorno que teriam através da mídia. Eles queriam projetos mais palpáveis. Então eu acho que se nós fizermos um trabalho legal junto às empresas de Bauru, afinando os interesses, nós talvez consigamos algo.”

Quais são as medidas que o sr. pretender adotar para levar as atividade culturais às periferias?

L.F.: “Nós temos que levar às comunidades ações mais pontuais, para que eles possam começar a se acostumar com essa logística – conhecer um pouco mais sobre teatro, arte, música… É necessário levar para mais perto deles. A partir do momento em que você faz isso, vai criando o seu público e vai atraindo mais gente. É essa política que estou querendo adotar, descentralizar as ações e eventos cultais o máximo possível. Se você vir a realidade da plateia do Teatro Municipal, são quase sempre os mesmos rostos, das classes mais altas.”

Há projetos para a construção de novos espaços para atividades culturais?

L.F.: “Pela minha experiência enquanto cidadão, nós temos muita carência aqui em Bauru de espaços de cultura. É limitado: temos o teatro e… temos o teatro. Eu acho que através das parcerias, podemos trazer pessoas interessadas na cultura que queiram investir em unidades, estações, instalações e melhorias do teatro, por exemplo. É uma coisa que pode vir a acontecer, basta que você tenha um projeto muito bem solidificado e que a lei te permita fazer isso.

Há outras cidades, por exemplo, cujos teatros foram reformados ou até reconstruídos com a participação de quase 90% da iniciativa privada – em troca, os assentos daquele teatro carregam o nome da tal empresa e toda publicação oficial do teatro que sai tem o nome da empresa. Eu posso fazer as parcerias para que as pessoas explorem os espaços, só que aí tem que ser algo muito bem amarrado, porque se não você (o Estado) é o dono do espaço, mas a iniciativa privada explora o negócio e o Estado fica a ver navios.

Com relação a novos espaços, sim, nós pensamos nisso, mas dependemos das parcerias que mencionei para isso, seja do governo do estado, seja do governo federal, seja da lei Rouanet… Na realidade, já temos três projetos mais pontuais, que podem ser concretizados com um investimento menor. Tratam-se de algumas áreas que hoje estão meio abandonadas – elas podem ser transformadas e utilizadas para pequenos eventos. Só não posso falar senão estraga a surpresa. Até agora o projeto está 100% viável, já está pronto, já pedi para levantar os custos e já tenho 90% desses custos obtidos. Mas eu não posso falar muito, porque eu só falo quando existe a plena certeza de que vai acontecer, para não criar expectativa. Nosso limite mesmo é o financeiro – não só da cultura mas do governo como um todo. Mas, com certeza, o objetivo é buscar novas áreas e fugir um pouco do ‘padrão’, porque você acaba trazendo eventos para os mesmos pontos sempre, e acaba afastando as pessoas que estão longe dessas localidades. Não dá para fazer sempre no Vitória Régia.”

Em relação a estação ferroviária, já existe algum projeto para aquela área?

Eu moro em Bauru há 12 anos e desde que eu vim pra cá, um dos primeiros passeios que eu fiz foi no Museu ferroviário e aquele espaço me encantou. Mas o investimento para tornar aquilo habitável não é pouco, porque esse prédio é tombado, eu acho que nunca foi feito nada por conta da falta de recursos mesmo, que sempre foi muito escasso. O que eu peço é que tragam projetos. Eu não posso dizer nem que sim nem que não ainda, mas certamente eu não tenho muitos recursos para administrar isso, porque os recursos que eu recebi são recursos meio que carimbados porque é até o mesmo orçamento do ano passado, só que  os custos aumentaram em relação ao ano passado, eu não sei se sempre foi assim, mas eu estou muito feliz com o secretariado que foi montado pelo gazeta, porque são pessoas que estão empenhadas em ajudar, em criar novos organismos, pessoas competentes, a gente participa de cada ação de cada secretaria, realizamos um trabalho conjunto. Então mesmo que eu não possa atender, que eu não tenha recursos,  eu posso pleitear e ver se alguém pode ajudar, não prometo nada, mas prometo tentar de todas as formas. As pessoas pedem e eu avalio.

As necessidades a curto prazo podem ser resolvidas, alguns pequenos reparos…já a longo prazo que é a restauração em si dependem de parcerias.Tentaremos fazer reparos com recursos próprios, com funcionários da própria casa, para melhoria mas eu não posso fugir disso neste momento, não tem condições de eu dizer que vou mudar tudo, não tem como. Se aquele prédio voltar a ativa será um polo cultural que não existe igual em boa parte do país.

 

A arte tomando vida: Segunda edição do evento “Inspire-se”

Tinta ou spray e muita inspiração, assim as obras na parede da antiga Casa do Biscoito no centro da cidade tomam vida.

Texto e fotos por Felipe Sousa

A segunda edição do evento Inspire-se aconteceu no último domingo, 15. O evento trouxe um pouco da experiência do elemento graffiti, da pichação, além do rap, break e patins ao público amante da arte marginal.

O evento acontece a cada três meses, organizado e idealizado pelos artistas Vini Vira-lata e André, essa cerimonia da arte tem como objetivo mostra os artistas da cidade que usam do graffiti, e da pichação para se expressarem. André conta que a ideia é unir todos os elementos do hip hop, com destaque para o graffiti e a street art que é considerado um esporte. “A gente tá unindo tudo que está separado que a sociedade não curte, e está fazendo um evento para a sociedade. A ideia veio daí, o Vini com os elementos do hip hop, graffiti e rap, e eu como adorador e admirador desse esporte.”  Vini complementa em suas palavras sobre o nome do evento e o seu ideal. ”A ideia era mostrar que a arte é uma evolução diária, ninguém é melhor que ninguém, mas num dia aquele pode está inspirado e p outro não, e vice versa, é uma batalha diária apesar de acontecer [o evento] de três em três meses.”

Uma das atrações mais esperadas era a competição de Bomb. Nessa modalidade, o artista tem apenas cinco minutos para mostrar o seu talento nas paredes, e o público decide o vencedor.  

 

O evento também teve apresentações de patins nas pistas plantadas no espaço, e patinadores do ABC Paulista deram um show de habilidade em uma pequena apresentação.

 

A tarde ainda recebeu as batalhas de break, os integrantes da Bauru Breakers Crew e apresentações dos grupos da região Dilema, Renegados Mc’s, Ouro D’mina e Rimanos e Dentão da Rima que também foi o mestre de cerimônia e encerrou as atividades.

 

Inspire-se agradou o público presente e mostrou um pouco da vivência dos artistas que vivem da arte marginal, a terceira edição ainda não tem data marcada, mas já é aguardada ansiosamente  pelo público amante e fã do evento.

 

 

 

 

 

Gazzetta promete ‘papo reto’ com a cultura bauruense

Em reunião com o Fórum Permanente de Cultura, prefeito eleito ouviu demandas da classe artística, prometeu empenho do Poder Público e fortalecimento do diálogo com a sociedade

Por Lucas Mendes

Com representantes de diversas linguagens artísticas, o Espaço Protótipo recebeu, na tarde desta segunda-feira, 28/11, a primeira reunião do Fórum Permanente de Cultura com o prefeito eleito de Bauru Clodoaldo Gazzetta (PSD).

Ainda não foi dessa vez que deu pra conhecer o nome da próxima pessoa a ocupar o gabinete da Secretaria de Cultura. Segundo Gazzetta, as preocupações estão para áreas mais emergenciais da prefeitura. Até o momento foram anunciados o médico José Eduardo Fogolin para a Saúde e o professor de Economia Everson Demarchi na Secretaria de Economia e Finanças.

A ocasião serviu para levar algumas demandas da categoria artística, sintetizadas numa carta entregue ao futuro gestor. Também foram debatidos temas de relevância para a política cultural do município, como a Lei de Estímulo à Cultura e o funcionamento do Conselho Municipal de Política Cultural.

img_6082Gazzetta, que durante a campanha política se empenhou em garantir um governo participativo, pretende alargar os canais de diálogo com o Poder público. Segundo ele, “o mote da campanha é exatamente esse, a sociedade precisa se mobilizar enquanto sociedade, e o Fórum [de Cultura] é exemplo disso, de trazer uma pauta de reivindicações pra que a gente possa, enquanto Poder Executivo, estar de acordo com aquilo que a sociedade pensa”.

“Essa possibilidade de ter um Fórum Permanente é fundamental pra que o prefeito também tenha uma visão mais macro da situação do município. E como eu disse na reunião, a Prefeitura estará sempre aberta ao diálogo com o Fórum, eles vão ter portas abertas com o governo, a gente vai ter um papo reto muito franco pra gente poder pensar numa pauta que possa ser exequível e que a gente possa fazer isso conjuntamente”, emendou Gazzetta.

Articulação e Enxugamento

A articulação da categoria artística de Bauru se dá no momento de “passagem do bastão” na administração municipal. Desde o dia 07/11 já está trabalhando na prefeitura uma equipe de transição, a fim de acompanhar mais de perto a situação do executivo municipal.

Para Fábio Valério, professor da Divisão de Ensino às Artes da Secretaria de Cultura e um dos responsáveis pelo Espaço Protótipo, o importante é manter o diálogo. “Agora a gente está num momento em que a classe artística está em contato direto com as políticas públicas. Não há mais aquele modelo de política de 10 anos atrás, os artistas hoje têm outra dinâmica de comunicação. Então se não se escutar a classe, não vai funcionar. Isso é algo que tem que estar claro pro governo”.

Na visão do prefeito eleito, o grande desafio será tornar a administração municipal mais eficiente, a partir da alteração em seu organograma, avaliado por ele como “defasado”. A atuação das secretarias também deverá mudar, pautada por “políticas integradas”, ao mesmo tempo em que passarão por um “enxugamento” em seus quadros.

“O enxugamento da prefeitura pressupõe isso [maior eficiência] e, ao mesmo tempo, a importância de você ter políticas integradas, na parte cultural, na parte de educação, na parte de saúde e na parte de meio ambiente, de esporte. É exatamente pra isso que a gente vai mudar essa forma de gestão da prefeitura. Além da mudança do organograma, a integração de políticas públicas, que é um processo complexo, mas ao mesmo tempo necessário, até pra que não tenhamos dentro da mesma Prefeitura pensamentos antagônicos”, explicou.
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Lei de Estímulo à Cultura

Apontado como importante instrumento de fomento à cultura em Bauru, os participantes do Fórum avaliam que o Programa de Estímulo à Cultura deve passar por reformulações.

Na carta entregue a Gazzetta, constam pontos como a “imediata mudança no Programa de Estímulo à Cultura, que se encontra totalmente atrasado e notadamente desorganizado”, “Criação de Edital para seleção de membros da Banca para seleção de projetos” e “Ações como a informatização do envio dos projetos de Lei de Estímulo”.

Para Gazzetta, “além da mudança na Lei de Estímulo, que ela deve ampliar os percentuais de recursos que podem ser aplicados na cultura, você tem que ter mais transparência na elaboração dos projetos e no próprio julgamento dos projetos”.

Outro ponto prometido pelo novo prefeito é quanto ao atraso nos pagamentos das parcelas. “Nossa meta a partir do ano que vem é criar uma ferramenta que você possa ter, quando o projeto for aprovado, 30 dias para que o dinheiro já esteja vinculado à execução do mesmo”.

Sobre o dinheiro, a avaliação é favorável quanto ao aumento de verba, ao menos para 2018. “É possível também, mas isso pressupõe um planejamento maior. Nós vamos trabalhar em 2017 com o planejamento ainda do ano anterior, e aí isso dificulta um pouco, mas pra 2018 a gente já pretende ter um incremento nesse fundo de cultura e ao mesmo tempo pra um investimento maior na Secretaria de Cultura”, salientou Gazzetta.

Organização e reivindicação

“É essencial que haja união, porque senão vai cada um pra um lado. Hoje a gente tem uma classe direcionada, não com pensamento único, mas com necessidades parecidas, a gente pensa no todo”. É o que diz Fábio Valério. Pra ele, um dos grandes exemplos dessa estruturas é o Hip Hop. “Acredito que é uma estrutura organizada politicamente, esteticamente, poeticamente. E isso é interessantíssimo. O teatro também é uma estrutura organizada assim, só que o teatro enfrenta um grande problema, que é uma divisão interna, com pessoas que não veem a mudança como algo agradável”.

Um dos caminhos para reivindicação e construção da cultura na cidade é o Conselho de Política Cultural, órgão participativo com representação de segmentos artísticos. “É um caminho legal e amparado juridicamente, mas o Conselho não vai fazer milagres. Ele muda na estrutura algumas coisas, hoje ele está com um Regimento sólido e com um esqueleto de Lei de Estímulo – e isso levou um ano pra fazer. Parece pouco, mas não é” defende Fábio.

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Uma nova composição foi eleita para os trabalhos no Conselho até 2018. Confira os nomes:

ARTES CÊNICAS (Teatro e Circo) – Thiago de Carvalho Alves Neves e Talita de Carvalho Alves Neves; DANÇA – Marcus Vinicius Fernandes e Aline Florêncio Plácido; MÚSICA – Alexandre Augusto Pompiano do Carmo e Cawan Filipe M. Albino; ARTES VISUAIS – Eric Schmitt e Priscila Aparecida Medeiros da Silva; HIP HOP – Aubre da Silva Idesti e Yuri Rodrigues de Freitas; AUDIOVISUAL – Meriza Cristina da Silva Alcides e Evandro de Souza Santos; LITERATURA – José Carlos Mendes Brandão e Rosa Leda Accorsi Gabrielli; CULTURA POPULAR (Artesanato, Capoeira, Carnaval)  – Rita Aparecida de Paula Botta e Danilo Carlos Dias.

O Hip Hop é universal. Neto do Síntese trocou uma ideia com a Casa do Hip Hop de Bauru

Entrevista por Felipe Sousa
Fotos Lucas Rodrigues, Acervo Casa do Hip Hop

Integrante e formador do grupo de rap Sí­ntese de SãoJosé dos Campos, Gestério Neto, bateu um papo com a Casa do Hip Hop de Bauru em sua breve e marcante passagem nossa comemoração de aniversário. Com frases marcantes carregadas de mensagens e cultura, Neto falou um pouco sobre o movimento cultural em si, um pouco de rap e as mensagens transmitidas em suas letras carregadas de conteúdos líricos e poéticos.

Abaixo você confere a entrevista na Integra.

 

Neto em entrevista exclusiva a Casa Do Hip Hop

Qual a importancia desse evento para o movimento hip-hop?
Neto: Ah, eu acho muito da hora mano, ter uma casa de hip-hop assim na cidade, é uma coisa que a gente quer ter lá em São José, interior, fora do eixo, sabe quanto é difícil  mostrar a cultura para a rapaziada, para as pessoas. Poucos conseguem se sustentar disso no decorrer da vida e  é  dahora ter um espaço onde as pessoas podem ver cultura acontecer, por quem realmente faz, os verdadeiros. Eu acho muito loco esse encontro e me sinto honrado de está aqui no primeiro ano, uma causa tãoo dahora como essa da nossa cultura tão linda, trabalha com nossa energia criativa, é algo muito necessário e sempre foi, expressar essa ansiedade que a gente tem, que o jovem tem, expressar esse poder e canalizar para algo bom.

Você sendo do interior paulista também, como você está vendo hoje a cena do rap?


Neto: Pode crer, to  vendo que a gente está no momento de se fortalecer, de ver que é nó por nós, que não tem que esperar ninguém, vir, oportunidade, esperar nada acontecer, faça você mesmo e com as ferramentas que a gente tem. Eu acredito que essa mentalidade tem ganhado força na medida em que pessoas como eu, como o Coruja daqui, os irmãs que cola pra São Paulo, cola para os outros estados, cola pra lá, leva o rap da onde eles são para cá como eles são isso daqui pro mundo, de Bauru para o mundo, de São José para o mundo. A gente é muito forte e o poder está em nós.

 

Ligado a tudo que vocÊ falou, você acredita que o hip-hop salva vidas?
Neto: demais mano! Salva mentes, direciona mentes, no meio disso, cêª ta transmitindo toda aquela energia fazendo parte de toda aquela expressão é algo que diverte, entretêm, que mexe com o corpo, alimenta a mente. Musica é algo tãoo espiritual sabe, eu acho que isso muda a vida das pessoas para sempre, mudou a minha, a dos b-boys, dos irmãoo que veio comigo aqui, mudou as dos grafiteiros , dos Djs, dos Mcs que ficaram lá¡ também sabe, das pessoas da cultura que tô trombando aqui tambémm, o hip-hop é universal.

Para fechar, como é  para você  estar no palco transmitindo uma mensagem?
Neto: Eu acho que é um momento sagrado sabe, ser portal, a arte é divina, expressa divindade e a gente ta ali sendo canal disso tudo, é  uma responsabilidade muito grande, um amor muito grande que a gente sente, se provocando  e provocando sentimento mais profundo, se sentindo, se apalpando e nesse se por pra fora, os irmão se vê na gente, eu acho que é algo transcendental.

A entrevista foi concedida no último dia da Comemoração de 1 ano da Casa do Hip Hop de Bauru, encerrada com um grande show do Síntese e Família Matrero.

Da São Bento a Rui Barbosa: o Hip Hop nos trilhos de Bauru

Workshop "Nos Tempos da São Bento"
Workshop “Nos Tempos da São Bento”

Dança e história são temas de workshop no dia mundial do Hip Hop

Por Ana Carolina Moraes
Fotos: Conrado Dacax e Fernando Martins

Memória, arte e cultura se cruzaram na Estação na quinta-feira, 12 de novembro, mas não por acaso. A V Semana do Hip Hop de Bauru trouxe o b.boy da Back Spin Crew e um dos percussores do movimento no Estado de São Paulo, Marcelinho, para debater sobre a história do Hip Hop. O workshop, que inicialmente seria realizado no SESC, foi realocado para a Casa do Hip Hop, acontecendo simultaneamente às demais atividades previstas para noite.

Durante o workshop, Marcelinho pontuou a fragmentação do movimento em quatro elementos como um desafio do atual momento do Hip Hop no Brasil. Quando indagado sobre o motivo para tal entendimento, o b.boy explicou que a divisão em elementos enfraqueceu o pensamento do que é Hip Hop enquanto movimento. “A gente se perdeu no sentimento. Agora tudo é profissional, ‘se aquele cara não está na mídia, por que eu vou chamá-lo para vir aqui?’ Para mim, estar na mídia ou não é a mesma coisa. O hip hop não precisa estar na mídia, o que a gente precisa é estar juntos”, comenta.

“O Hip Hop não precisa estar na mídia, o que a gente precisa é estar juntos”

Assim também é a percepção do coordenador do Ponto Cultura Acesso Hip Hop, Renato Magu, sobre o movimento hoje. “Como as coisas se facilitaram, hoje a gente se divide em elementos, deixando de lado o sentimento do movimento Hip Hop”, comenta. Dessa forma, trazer o Marcelinho pra cá “é  beber da fonte”, segundo Magu, permitindo que mais pessoas tenham o conhecimento do que é o Hip Hop enquanto movimento de resistência. “Essa galera foi a que começou toda história aqui no Brasil, então quando a gente traz os novos, a gente também tem que trazer os velhos [para a Semana]”, conclui.

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Ouvintes do workshop “Nos tempos da São Bento”

“É importante saber do passado para entender o presente. E a Semana do Hip Hop, para mim, é uma resistência dentro da cultura”, ressalta Marcelinho. O workshop reuniu mais de 30 pessoas para conversar sobre Hip Hop o movimento “nos tempos da São Bento” por quase duas horas. Apesar do imprevisto, o b.boy se sentiu contemplado pela receptividade do público, afinal, o “Hip Hop é uma cultura que se passa muito pela oralidade, nada substitui o contato humano”.

Marco Zero. O local que hoje abriga a Casa do Hip Hop de Bauru foi considerado o marco zero da cultura Hip Hop da cidade, pois, como apresentado por Magu, “ao mesmo tempo que as coisas estavam esfervecendo lá [na São Bento], aqui também estava assim. A galera pegava o trem para ir lá e beber da fonte. Acho que é por isso que a gente tem um movimento tão forte: porque ele passa por várias gerações, por várias pessoas”.

“A gente se perde é quando se esquece da nossa memória, da nossa ancestralidade, esquece quem foram os verdadeiros arquitetos da nossa cultura”

Mesmo com as diferenças temporal e espacial, o coordenador aponta as questões da militância e crença num sonho como semelhanças entre o movimento de Bauru e de São Paulo. O desafio é mesmo resgatar a essência da cultura para manter o Hip Hop forte. “A gente se perde é quando a gente esquece da nossa memória, da nossa ancestralidade, esquece quem foram os verdadeiros arquitetos da nossa cultura”, comenta.  

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Marcelinho Back Spin

Conciliar a história do movimento na São Paulo e em Bauru é um meio de fortalecer o Hip Hop como um todo. Marcelinho explica que falar da São Bento “é a [falar da] história da minha vida. Então, essa história da memória, da dança, do hip hop em São Paulo, tá começando a se fortalecer, porque tem outros irmãos que também estão correndo junto”.

Sobre o espaço ocupado pela Casa do Hip Hop de Bauru, Marcelinho diz estar muito contente com lugar que encontrou. “Aqui é um espaço totalmente diferente, que tem uma possibilidade incrível de fazer coisas, um lugar extremamente poético”, explica. O b.boy ainda afirmou que esta é a casa “mais linda que vai existir”. “A casa ainda tá em construção porque o espaço tem muito potencial para ser explorado, não só pelo movimento Hip Hop, mas com por toda cultura popular. E essa construção se faz nas conversas, nas ações, nas reflexões. Afinal você nunca tem a arte acabada, ela tá sempre em processo”, comenta.

Combo 5 Elementos encerra a semana de ensinamentos no Legião Mirim

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O grupo de jovens do Combo 5 Elementos percorreu diversos locais diferentes, espalhando a cultura hip-hop a centenas de jovens bauruenses

Por Fernando Martins
Fotos: Allison Ferreira e Mariana Lacava

Por volta das 14 horas de uma sexta-feira, 13 de novembro, partia da Casa do Hip Hop de Bauru, a Van mais barulhenta da cidade, rumo ao centro de educação Legião Mirim. Os compartilhadores da cultura, Vinicius Thomas, Allisson Ferreira, Luana Nayhara, Sara Donato, Beatriz Benedito e David Wise ocupavam os bancos surrados da perua branca do prefs Agostinho.

No caminho até a escola, as lembranças da Semana contagiavam a todos, especialmente ao recordar as melhores sacadas e piores brechas da Batalha de MC’s, último evento do dia anterior, quando comemorou-se o Dia Mundial da Cultura Hip Hop e onde David Wise sagrou-se campeão da “Batalha da Panelinha”.

Ao chegar no local, cerca de 50 jovens, todos do sexo masculino, com idade entre 14 e 17 anos, que são preparados para o primeiro emprego, aguardavam o grupo, que trazia na bagagem muita música, dança, diversão e conhecimento para trocar com a molecada.
Após as caixas de som darem seus primeiros zunidos, o Mestre de Cerimônias Vinicius Thomas, de apenas 18 anos, pegou o microfone, comandou o show e arrastou os possíveis projetos de rappers, breakers, grafiteiros ou djs para dentro do universo Hip Hop.

Vinicius Thomas
Vinicius Thomas

Suas primeiras palavras levaram os adolescentes ao contexto da década de 60, quando a tensão racial nos EUA chegou ao ápice. O país vivia intensa segregação entre brancos e negros, sendo os afroamericanos perseguidos pela Ku Klux Klan e até mesmo sem acesso a direitos básicos. O enfrentamento ao racismo americano tinha como referências Martin Luther King, Malcolm X, Angela Davis e o partido dos Panteras Negras. Foi em meio a esse caótico cenário que o original funk, o R&B e o Sound System se misturaram, junto a outros elementos, para dar origem aos primeiros rascunhos do que viria a ser o movimento Hip Hop – explicado de maneira bem simplista diante toda a complexidade dessa rica e criativa cultura.

Após a aula de história, os cinco elementos foram apresentados, trazendo um pouco de cada uma dessas vertentes que compõem a cultura Hip Hop. O primeiro deles foi o graffitti, que busca trazer para o visual alguns dos conceitos do gênero. Exemplificado por Allisson Beats, a função do DJ também foi apresentada aos olhos vidrados dos manos presentes. Já pra falar do breaking, David Wise assumiu a responsa e relembrou a origem da dança, como uma alternativa às violentas disputas de espaço e pontos de comércio entre gangues rivais nova iorquinas e que passaram a competir com passinhos cabulosos e muito estilo.

David MC
David Wise

O quarto elemento, na sua função, Vinícius falou do papel do MC, o mestre de cerimônias, ou ainda, do rap em si. Que vai da função de animar a galera ao levantamento a questões sociais, como drogas, guerras e o próprio racismo, entre outros temas polêmicos. Por fim, o elemento que permeia e costura todos os anteriores: o conhecimento, único componente abordado do primeiro ao último minuto de Combo.

Para o estudante Marcos Vinicius de Almeida, de 15 anos, o contato com uma cultura diferente é muito importante para entender outras realidades: “Conhecer algo novo, algo que está próximo, mas muitas vezes está longe também, é muito bom, ainda mais como o hip-hop, que traz essa ideia de manifestação cultural, tratando questões como a violência através da dança, da música, do graffitti e do conhecimento desses povos”.

A primeira interação com os jovens veio quando a pergunta foi lançada: “Vocês conhecem alguma poesia?”, indagou Vinicius Thomas. A maioria balançou a cabeça negativamente. Mas após a declamação dos primeiros versos da música Jesus Chorou, do grupo Racionais MCs, todos mudaram a direção do balancear, e de cima a baixo, acompanhavam a letra decorada de uma das poesias escritas por Mano Brown.
Mas não só de homens é composto o movimento, e pra falar sobre a questão de gênero, Beatriz, representando o graffiti, Luana Nayhara, da Frente Feminina de Hip Hop de Bauru, e a MC Sara Donato. Questões como a popular “cantada de rua”, a falta de protagonistas femininas, a diferença entre salários, a violência doméstica e outras formas de opressão foram temas apresentados pelas poderosas professoras.

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Sara Donato
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Luana Nayhara e Beatriz Benedito

Pra pesar na mente da galera, Sara Donato deu início a sequência de letras e poesias declamadas com o som autoral “Pesou na Mente”, que prega o respeito ao corpo feminino e a quebra dos padrões de beleza vigentes na sociedade. Na sequência, letras próprias dos integrantes do combo se misturaram a outras já consagradas de monstros da cultura  como Renan Inquérito, Sérgio Vaz e Sabotage, em um mini-sarau.

Mas em meio a tantas feras, o destaque ficou mesmo com Ronaldo Soares, um dos instrutores de curso do centro educacional. Apontado como um apreciador de poesias, Ronaldo apostou no freestyle e criou uma letra ali mesmo, onde pregava igualdade entre os povos.

Após mais de duas horas de trocas intensas de ideias, o convite de visita a Casa do Hip Hop foi feito a todos, especialmente para conhecerem as variadas oficinas oferecidas pela Casa, envolvendo não só os principais elementos apresentados ali, mas também outros como artes marciais e o cursinho pré-vestibular

A tarde se encerrou e a van mais barulhenta da cidade foi novamente ocupada, mas antes de partir, Vinicius Thomas, como um dos idealizadores do projeto, pediu a palavra e agradeceu a todos os envolvidos em mais uma edição do Combo, em mais uma histórica Semana de Hip Hop de Bauru.

Casa do Hip Hop de Bauru lança SoundCloud para divulgar beatmakers e artistas locais

SoundCloud é uma plataforma digital voltada especialmente para o mercado musical, Casa do Hip Hop de Bauru lança perfil e expande horizontes

Por Keytyane Medeiros

SoundCloud_logo
Divulgação

A ferramenta SoundCloud, criada em 2007, é muito utilizada por profissionais da música para divulgar material e trabalhos, além de colaborar com outros artistas. Felipe Pezutti, ou simplesmente F.P. Beatz, é um dos responsáveis pela produção musical no perfil da Casa do Hip Hop Bauru no site e acredita que a maior vantagem de utilizar esta ferramenta é que a produção não fica restrita ao interior de São Paulo e pode ser encontrada por produtores musicais do mundo todo.

Ao contrário do que acontece com o Facebook, a ferramenta não dispõe de algoritmos complexos de funcionamento, assim, apesar de ter “amigos” e “seguidores” no SoundCloud, tanto produtores quanto ouvintes de conteúdo não são influenciados pelos seus contatos para ter acesso a determinada música, por exemplo. Para Pezutti, a ferramenta tem o poder de fazer o alcance das produções crescer muito, “afinal, vai fazer com que nossa Casa seja ouvida por todo canto, tanto do Brasil e fora dele, por ser uma página que não difere países”.

Além disso, a música é mostrada graficamente no formato de ondas, permitindo que os usuários cadastrados possam comentar e dar suas opiniões em qualquer trecho da produção. A interatividade e a especificidade do SoundCloud fazem dele uma ferramenta poderosa na divulgação de trabalhos, especialmente dos beatmakers, isto é, dos produtores musicais que fazem as bases para raps, baladas, eletrônica e DJs. “Além dar visibilidade para a nossa Casa, também é uma oportunidade de divulgar os nossos trabalhos. Sempre tudo foi bem difícil pra todos [os beatmakers] e ter uma Casa que te acolha e te dê ferramentas pra sonhar e viver no sonho é realmente muito foda”, afirma Pezzuti. “Prefiro não dizer que divulgaria o beatmaker apenas, porque não sou eu que ganha com isso, sem dúvidas é a nossa cultura!”, conta.

Exemplo de comentários no player do SoundCloud. Foto: Divulgação
Exemplo de comentários no player do SoundCloud. Foto: Divulgação

Sobre o futuro, F.P. Beatz é esperançoso, “queremos dar sonhos pra quem quer sonhar.  Oferecer produção e gravação com o preço e a qualidade que nossa cultura merece”, afirma.

Para acessar nossa página no SoundCloud, acesse o link: http://soundcloud.com/casah2bauru