O que esperar do novo secretário da cultura?

Com a posse do prefeito Clodoaldo Gazzetta,  o ‘consultor, palestrante e coach’ Luiz Fonseca  assume a pasta da Secretaria de Cultura

BIANCA MOREIRA
PEDRO MAZIERO

No dia 25 de janeiro, conversamos com o novo secretário da cultura de Bauru, Luiz Antônio Fonseca. Graduado em Administração, com especialização em Planejamento Estratégico e Marketing, Fonseca atuou principalmente em áreas de gestão no setor educacional. O secretário nos falou sobre seus planos para suprir o orçamento municipal destinado à cultura, que ele considera insuficiente, seus planos para a construção e reforma de novos espaços voltados a atividades e projetos culturais e também sobre o desafio de descentralizar as atividades culturais em Bauru.

Seu currículo é mais ligado à área da gestão. Qual sua experiência com a cultura?

L.F.: “Como eu trabalhei muitos anos em universidades –  tanto em São Paulo quanto em Bauru –, desenvolvi várias coisas nos projetos de extensão e tenho muitas ligações com ligadas à cultura na capital. Gosto muito de teatro, de música – qualquer tipo de música, eu sou eclético: ouço desde o funk até a valsa.

As minhas filhas puxaram essa veia. Minha filha mais velha não atua hoje porque, como eu, optou por uma carreira voltada à gestão, mas ela é atriz e cantora. Minha outra filha fez balé e toca violão, e minha esposa pinta quadros. Eu sou um ratinho de teatro, de cinema, de livros – então, mesmo não atuando como um artista, sou apaixonado pelo universo das artes. Minha experiência profissional tem muito mais a ver com  o lado técnico: meu objetivo é tentar administrar da melhor forma possível os recursos, que são poucos, e fazer com que eles sejam muito bem aproveitados para todas as áreas da cultura.”

Qual é sua posição em relação ao orçamento destinado à cultura em Bauru?

L.F.: “Nós sabemos que o recurso destinado à cultura no orçamento municipal é insuficiente. Por isso, uma de minhas bandeiras é pleitear recursos externos. Há o governo do estado e o governo federal, que são fontes de recursos que podemos tentar conseguir de alguma forma. No governo estadual, por exemplo, já estive em uma reunião com uma área da Secretaria de Cultura, então nós já estamos afinando o diálogo para tentar trazer para Bauru um fortalecimento maior na cultura. Estivemos com o ministro da cultura na sexta-feira passada em uma audiência em São Paulo, eu e o prefeito Gazzetta, e conversamos com ele sobre a elaboração de um projeto para que nós pudéssemos transformar a estação ferroviária em uma estação das artes, que é o meu grande sonho – eu acho que o de todo mundo.

Todos que têm uma veia artística gostariam de ter aquele lugar bonito funcionando a pleno vapor. Agora nós temos que entregar um projeto do que imaginamos para lá.”

O sr. também considera buscar recursos na iniciativa privada?

L.F.: “A iniciativa privada também é uma possível fonte de recursos. Quando eu assessorava alguns empresários da região, em São Paulo, eles recebiam muitas pessoas com projetos de peças, filmes, musicais, etc., e o artista pedia um recurso para o dono da empresa. Os donos das empresas diziam sempre que iria pensar – ou seja, a resposta já era não. Eles alegavam que não consiguiam ver o impacto que aqueles projetos causariam na sociedade, o retorno que teriam através da mídia. Eles queriam projetos mais palpáveis. Então eu acho que se nós fizermos um trabalho legal junto às empresas de Bauru, afinando os interesses, nós talvez consigamos algo.”

Quais são as medidas que o sr. pretender adotar para levar as atividade culturais às periferias?

L.F.: “Nós temos que levar às comunidades ações mais pontuais, para que eles possam começar a se acostumar com essa logística – conhecer um pouco mais sobre teatro, arte, música… É necessário levar para mais perto deles. A partir do momento em que você faz isso, vai criando o seu público e vai atraindo mais gente. É essa política que estou querendo adotar, descentralizar as ações e eventos cultais o máximo possível. Se você vir a realidade da plateia do Teatro Municipal, são quase sempre os mesmos rostos, das classes mais altas.”

Há projetos para a construção de novos espaços para atividades culturais?

L.F.: “Pela minha experiência enquanto cidadão, nós temos muita carência aqui em Bauru de espaços de cultura. É limitado: temos o teatro e… temos o teatro. Eu acho que através das parcerias, podemos trazer pessoas interessadas na cultura que queiram investir em unidades, estações, instalações e melhorias do teatro, por exemplo. É uma coisa que pode vir a acontecer, basta que você tenha um projeto muito bem solidificado e que a lei te permita fazer isso.

Há outras cidades, por exemplo, cujos teatros foram reformados ou até reconstruídos com a participação de quase 90% da iniciativa privada – em troca, os assentos daquele teatro carregam o nome da tal empresa e toda publicação oficial do teatro que sai tem o nome da empresa. Eu posso fazer as parcerias para que as pessoas explorem os espaços, só que aí tem que ser algo muito bem amarrado, porque se não você (o Estado) é o dono do espaço, mas a iniciativa privada explora o negócio e o Estado fica a ver navios.

Com relação a novos espaços, sim, nós pensamos nisso, mas dependemos das parcerias que mencionei para isso, seja do governo do estado, seja do governo federal, seja da lei Rouanet… Na realidade, já temos três projetos mais pontuais, que podem ser concretizados com um investimento menor. Tratam-se de algumas áreas que hoje estão meio abandonadas – elas podem ser transformadas e utilizadas para pequenos eventos. Só não posso falar senão estraga a surpresa. Até agora o projeto está 100% viável, já está pronto, já pedi para levantar os custos e já tenho 90% desses custos obtidos. Mas eu não posso falar muito, porque eu só falo quando existe a plena certeza de que vai acontecer, para não criar expectativa. Nosso limite mesmo é o financeiro – não só da cultura mas do governo como um todo. Mas, com certeza, o objetivo é buscar novas áreas e fugir um pouco do ‘padrão’, porque você acaba trazendo eventos para os mesmos pontos sempre, e acaba afastando as pessoas que estão longe dessas localidades. Não dá para fazer sempre no Vitória Régia.”

Em relação a estação ferroviária, já existe algum projeto para aquela área?

Eu moro em Bauru há 12 anos e desde que eu vim pra cá, um dos primeiros passeios que eu fiz foi no Museu ferroviário e aquele espaço me encantou. Mas o investimento para tornar aquilo habitável não é pouco, porque esse prédio é tombado, eu acho que nunca foi feito nada por conta da falta de recursos mesmo, que sempre foi muito escasso. O que eu peço é que tragam projetos. Eu não posso dizer nem que sim nem que não ainda, mas certamente eu não tenho muitos recursos para administrar isso, porque os recursos que eu recebi são recursos meio que carimbados porque é até o mesmo orçamento do ano passado, só que  os custos aumentaram em relação ao ano passado, eu não sei se sempre foi assim, mas eu estou muito feliz com o secretariado que foi montado pelo gazeta, porque são pessoas que estão empenhadas em ajudar, em criar novos organismos, pessoas competentes, a gente participa de cada ação de cada secretaria, realizamos um trabalho conjunto. Então mesmo que eu não possa atender, que eu não tenha recursos,  eu posso pleitear e ver se alguém pode ajudar, não prometo nada, mas prometo tentar de todas as formas. As pessoas pedem e eu avalio.

As necessidades a curto prazo podem ser resolvidas, alguns pequenos reparos…já a longo prazo que é a restauração em si dependem de parcerias.Tentaremos fazer reparos com recursos próprios, com funcionários da própria casa, para melhoria mas eu não posso fugir disso neste momento, não tem condições de eu dizer que vou mudar tudo, não tem como. Se aquele prédio voltar a ativa será um polo cultural que não existe igual em boa parte do país.

 

O Hip Hop é universal. Neto do Síntese trocou uma ideia com a Casa do Hip Hop de Bauru

Entrevista por Felipe Sousa
Fotos Lucas Rodrigues, Acervo Casa do Hip Hop

Integrante e formador do grupo de rap Sí­ntese de SãoJosé dos Campos, Gestério Neto, bateu um papo com a Casa do Hip Hop de Bauru em sua breve e marcante passagem nossa comemoração de aniversário. Com frases marcantes carregadas de mensagens e cultura, Neto falou um pouco sobre o movimento cultural em si, um pouco de rap e as mensagens transmitidas em suas letras carregadas de conteúdos líricos e poéticos.

Abaixo você confere a entrevista na Integra.

 

Neto em entrevista exclusiva a Casa Do Hip Hop

Qual a importancia desse evento para o movimento hip-hop?
Neto: Ah, eu acho muito da hora mano, ter uma casa de hip-hop assim na cidade, é uma coisa que a gente quer ter lá em São José, interior, fora do eixo, sabe quanto é difícil  mostrar a cultura para a rapaziada, para as pessoas. Poucos conseguem se sustentar disso no decorrer da vida e  é  dahora ter um espaço onde as pessoas podem ver cultura acontecer, por quem realmente faz, os verdadeiros. Eu acho muito loco esse encontro e me sinto honrado de está aqui no primeiro ano, uma causa tãoo dahora como essa da nossa cultura tão linda, trabalha com nossa energia criativa, é algo muito necessário e sempre foi, expressar essa ansiedade que a gente tem, que o jovem tem, expressar esse poder e canalizar para algo bom.

Você sendo do interior paulista também, como você está vendo hoje a cena do rap?


Neto: Pode crer, to  vendo que a gente está no momento de se fortalecer, de ver que é nó por nós, que não tem que esperar ninguém, vir, oportunidade, esperar nada acontecer, faça você mesmo e com as ferramentas que a gente tem. Eu acredito que essa mentalidade tem ganhado força na medida em que pessoas como eu, como o Coruja daqui, os irmãs que cola pra São Paulo, cola para os outros estados, cola pra lá, leva o rap da onde eles são para cá como eles são isso daqui pro mundo, de Bauru para o mundo, de São José para o mundo. A gente é muito forte e o poder está em nós.

 

Ligado a tudo que vocÊ falou, você acredita que o hip-hop salva vidas?
Neto: demais mano! Salva mentes, direciona mentes, no meio disso, cêª ta transmitindo toda aquela energia fazendo parte de toda aquela expressão é algo que diverte, entretêm, que mexe com o corpo, alimenta a mente. Musica é algo tãoo espiritual sabe, eu acho que isso muda a vida das pessoas para sempre, mudou a minha, a dos b-boys, dos irmãoo que veio comigo aqui, mudou as dos grafiteiros , dos Djs, dos Mcs que ficaram lá¡ também sabe, das pessoas da cultura que tô trombando aqui tambémm, o hip-hop é universal.

Para fechar, como é  para você  estar no palco transmitindo uma mensagem?
Neto: Eu acho que é um momento sagrado sabe, ser portal, a arte é divina, expressa divindade e a gente ta ali sendo canal disso tudo, é  uma responsabilidade muito grande, um amor muito grande que a gente sente, se provocando  e provocando sentimento mais profundo, se sentindo, se apalpando e nesse se por pra fora, os irmão se vê na gente, eu acho que é algo transcendental.

A entrevista foi concedida no último dia da Comemoração de 1 ano da Casa do Hip Hop de Bauru, encerrada com um grande show do Síntese e Família Matrero.

Entrevista Exclusiva com Thaíde na IV Semana do Hip Hop de Bauru

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Foto: Keytyane Medeiros

Entrevista por Keytyane Medeiros, para Semana do Hip Hop de Bauru 2014*

A Semana do Hip Hop em Bauru, realizada em parceria com a Prefeitura Municipal de Bauru e o Ponto de Cultura Acesso Hip Hop. Thaíde, um dos convidados pela organização, se apresentou no Sesc na última quarta-feira, 12 de novembro e falou com a nossa equipe sobre a história e o futuro do movimento Hip Hop.

Esse é o segundo ano que você vem à Bauru participar da Semana do Hip Hop. O que você conhece e pensa do cenário de 20 anos aqui na cidade?
Só o fato de existir Hip Hop aqui em Bauru há 20 anos, já mostra que muita coisa boa e importante existe por aqui. A gente às vezes não sabe o que tem aqui, não sabe direito o que acontece em Bauru, a quantidade talvez não seja favorável para 20 anos de história. E talvez, a gente não conheça exatamente o que está se passando porque não existe a atenção necessária pro Hip Hop de Bauru, entende? Então, se as pessoas derem espaço e atenção, eu acredito, sem dúvida nenhuma que o Hip Hop de Bauru vai ajudar a amenizar a questão da violência entre os jovens aqui nas comunidades, porque o Hip Hop nasceu pra isso.

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Foto: Felipe Moreno

Nos anos 90 você já falava em evolução no Hip Hop, lá em “Senhor Tempo Bom”, por exemplo. Hoje, vivemos um momento completamente diferente, o que você acha dessa evolução?

De qualquer maneira, a evolução aconteceu. Hoje a gente vê pessoas de nome [no Hip Hop] fazendo músicas com nomes da música popular brasileira, participando de filmes, projetos de cinema e TV, então a gente tem muita coisa boa acontecendo. As pessoas já conhecem o Hip Hop brasileiro. O que a gente não pode fazer é deixar essa evolução acabar com o que já aconteceu. Eu sinto falta disso. Muita gente conta a história de 90 pra cá, mas existe uma história antes, desde 83. O Hip Hop é uma raiz, não apenas um galho. E em Senhor Tempo Bom eu já falava isso, mas em Preste Atenção também, eu falava muito da evolução que o movimento teria, quem sabe, nos anos 2000. A gente não pode esquecer da nossa história. Hoje o rap ficou muito numa questão de falar o que as pessoas querem ouvir e não do que elas precisam ouvir, e eu sou uma época em que o rap falava o que o rap falava o que as pessoas precisavam ouvir.

O show com o Thaíde, aconteceu na noite de quinta-feira no SESC Bauru com a presença de três mil pessoas. Além de abraçar novas tendências e promessas da música nacional, o rapper ainda cantou “Respeito é pra quem?”, seu último single lançado em parceria com Mista Pumpkilla e Arnaldo Tifú, seus garotos apadrinhados do rap e do ragga.

Após agradecer o carinho do público no Sesc, o mestre de cerimônias destacou a importância da Semana do Hip Hop em Bauru, lembrando que aqui, segundo ele, “o Hip Hop é vivido e falado sempre com muito respeito e consideração”. O malandro do sorriso gostoso não resistiu e declarou, num apagar de luzes, “Bauru, pra vocês eu tiro meu chapéu”.

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Foto: Lucas Rodrigues da Silva

A Semana do Hip Hop é uma iniciativa do Ponto de Cultura Acesso Hip Hop e da Secretaria Municipal de Cultura.

*publicada originalmente em 13/11/2014, via MadMimi

“Eu tenho medo do descontrole do vício” – Entrevista com Dom Black

 

Dom Black. Foto: Guaíra Maia
Dom Black. Foto: Guaíra Maia

Por Keytyane Medeiros, para o blog e-Colab*

Toco a campainha da sede o Ponto de Cultura Acesso Hip Hop pela quarta vez em menos de duas semanas e imediatamente penso que o simpático Felipe Canela – que sempre me recebeu muito bem – já deve ter cansado da minha cara. É bem provável. Lá em cima, o rapper e também aspirante a documentarista, Dom Black me aguarda. Super prestativo e bem humorado, Dom Black me recebeu em nome da equipe do e-Colab para falar um pouco mais sobre o processo de produção do documentário realizado em parceria com Thigor MC, outro importante músico de Bauru. O filme intitulado “A Praga Do Século” funciona como uma extensão de uma canção homônima da dupla e assim como a música, fala sobre o crack, a depredação pessoal gerada pelo uso e, sobretudo, indica que os usuários podem se livrar da dependência química e retornar a uma vida saudável e próxima de seus familiares. Ouça “A Praga Do Século” aqui.

Qual o objetivo principal do documentário “A Praga Do Século”?
O objetivo é conscientizar a molecada a não se envolver com drogas, e também mostrar a realidade do usuário e da família dele. Todo mundo pensa “ah, ele é nóia” e eu penso que ele [o usuário] não é isso, e sim um cara doente que está passando por um momento difícil. O consumo de crack é um problema que a sociedade tem que se mobilizar para resolver.

E por que a opção de estender esse tema para um documentário, se vocês já haviam tratado do assunto na canção “A Praga Do Século”?
Nós achamos que seria pouco só cantar esses problemas da droga, porque algumas pessoas ouvem, acham legal, entendem, mas acabou por ali. Não fazem mais nada além de ouvir a música. Já vi muita gente fazendo rap, cantando os problemas e isso faz bem, mas podemos fazer alguma coisa a mais, podemos ir e mostrar como é realmente. Uma coisa é a pessoa ouvir, a outra é ela ver e entender o que está acontecendo a partir da voz de outros usuários que conhecem a droga, que fumam e que sabem como ela age.

Ao contrário de canções que em geral falam da maconha e das bebidas, por que você escolheu falar justamente do crack no seu projeto? 
Em primeiro lugar, porque eu tive problemas com parentes próximos que se tornaram usuários e então eu vi essas pessoas ficarem fora de si. Eu acho que todas as outras drogas, a bebida, a maconha, são a porta de entrada dos vícios e eu tenho medo do descontrole do vício. Não só do vício nas drogas, mas em qualquer coisa.

E na sua opinião, por que o consumo de crack têm crescido em Bauru e nas outras cidades do interior do Brasil? 
Crack é barato e vicia rápido. O traficante sabe que vai ter sempre aquele usuário que vai comprar a pedra uma vez e vai retornar atrás de outra. Entre as drogas, o crack é a única que te pega de uma vez só. Acho que só a heroína, que é injetável faz isso também.

Como a temática da droga e dos usuários está sendo tratada no documentário? 
As pessoas não tem dimensão da delicadeza do problema. Queremos mostrar as coisas do jeito são mesmo, desde o familiar que não sabe como lidar até o usuário que quer sair do vício, mas não sabe como fazer isso. Na maioria das vezes, o usuário quer sair, mas não sabe a quem recorrer, e também o usuário em recuperação que sabe que vai ter que lutar contra a dependência química a vida inteira, e outras situações. Não quero formar a opinião de ninguém, eu quero que as pessoas vejam e tirem suas próprias conclusões sobre o crack e sobre os usuários.

Como está sendo o processo de produção e quais as dificuldades de gravar “A praga do século”? 
Tá sendo difícil. Nem todo mundo quer falar abertamente sobre isso, alguns têm medo que patrão descubra que o individuo já foi usuário vai tratá-lo diferente, e coisas assim. Têm muita gente ajudando, mas é difícil por causa do dinheiro também, do deslocamento dos materiais até os locais de filmagem… É complicado, mas está sendo gratificante. A gente tá vendo a melhora de muitas pessoas e sabemos que quando o documentário sair vai abrir a mente de muita gente sobre o crack e sobre os usuários.

Com três meses de produção, Dom Black conta que “A Praga Do Século” ainda não tem data de lançamento definida, mas pela conversa que tive com esse experiente músico e artista bauruense, posso garantir: uma boa obra de denúncia social está por vir. Bauru, assim como o Brasil, precisa compreender que não dá mais para ignorar o efeito devastador do crack, e que ele deve ser tratado urgentemente como uma questão de saúde pública.

*publicado originalmente em 21/08/2012