Ano de luta, anos de Hip Hop

2016 foi ano de transformações, mudanças e crescimento da cultura. E a Casa do Hip-Hop respirou (e transpirou) cultura esse tempo todo.

Por Lucas Mendes e Felipe Sousa
Fotos do Acervo Casa do Hip Hop Bauru


O primeiro de muitos: esse é o sentimento que fica na cabeça sobre o ano de 2016. A Casa do Hip Hop de Bauru completou 1 ano de atividades, ocupando os espaços e mostrando a força e articulação que o interior possui pra impulsionar e fortalecer a cultura e a cena local. 
Vale lembrar que foi nesse último mês de setembro que comemoramos 1 ano de presença no prédio da Estação Ferroviária, lá no centrão da cidade. Com apoio da Secretaria de Cultura, a Casa do Hip Hop foi o primeiro coletivo a ocupar as salas da 1º andar da Estação – que tinha ficado abandonada por mais de 20 anos.

Quem entra lá hoje já nota rápido a transformação do lugar. Diversos grupos estão utilizando o espaço – tem aulas da Divisão de Ensino às Artes da Secretaria de Cultura, Academia Bauruense de Letras, teatro, dança.. fazendo dali uma importante incubadora e fomentadora de cultura e efervescência artística.

 

Pra comemorar esse aniversário de 1 ano, a Casa do Hip Hop realizou a festa com atrações conhecidas da cidade, da região e do cenário na nacional do Rap. Os grupos Ment Blindada, Renegados Mc’s, Betim Mc e Dentão da Rima representaram Bauru, enquanto o grupo Revolução LDE veio de Marília. Síntese e família Matrero colou pra fechar o evento. O Mc De São José dos Campos  conversou com a gente, relatando a importância de se ter um espaço como a Casa de Cultura Hip Hop e também mostrou seu ponto de vista sobre o cenário do Rap hoje. A entrevista exclusiva você confere aqui.

Renegados Mc’s foram uns dos grupos que representaram a Bauru
Síntese e Família Matrero foram umas das atrações no Aniversário da Casa Do Hip Hop

Eventos importantes realizados pelo Ponto de Cultura Acesso Hip Hop, como Rap Hour, Estação Hip Hop e o Projeto Ensaio marcaram presença, trazendo artistas locais em apresentações nos quatro cantos da cidade, ou na própria Estação Ferroviária – prédio que abriga a Casa H2, que atua como parceira na realização.Bairros como Núcleo Gasparini, Mary Dota, entre outros, receberam bem as atividades, que contam também com apoio da Secretaria Municipal de Cultura.

A Batalha da Panelinha foram uns dos eventos que se consagrou esse ano
A batalha acontece toda quarta-feira.

 

Atividades, rolês, encontros

Balada Samba Rock, foi um sucesso em seu primeiro ano de realização

Dentro do que é feito pela Casa H2 existem atividades de formação, discussão e também espaço pra rolês e eventos da cultura. Umas das atrações que mais o público curtiu nesse ano foi  a clássica Batalha da Panelinha, realizada toda quarta-feira com os mc’s da cidade e região. Também um sucesso de público é a Balada Samba Rock, que teve 3 edições.

Movimento social rico, orgânico e criativo, o Hip Hop sempre se reinventa e incorpora novas discussões através de suas expressões. Seja nas rimas, batidas, latas de spray ou passos do breaking, as lutas e enfrentamentos diários são politizados por meio do conhecimento.E nesse campo a Casa H2 marcou sua presença com a realização de debates, rodas de conversa e saraus sobre os diferentes temas de relevância na sociedade.

Nessa missão foi que recebemos o II Fórum Regional de Mulheres no Hip Hop, projeto de realização da Frente Nacional de Mulheres no Hip Hop, contemplado pelo Proac-SP. A Frente Feminina de Hip Hop de Bauru integra esse coletivo nacional e foi parceira local para a realização do evento.

Com uma programação voltada à visibilidade das artistas da região, os fóruns têm como principal objetivo criar um espaço de acolhimento através de apresentações artísticas, workshops, rodas de conversa e oficinas para as mulheres. Os Fóruns Regionais são encontros prévios para o Fórum Nacional de Mulheres no Hip Hop, que acontece anualmente em São Paulo, e este ano contou também com a presença das integrantes da Frente Feminina de Hip Hop de Bauru.

Momentos envolvendo filmes e debates também marcaram presença por aqui nesse ano. O Cine Pixote proporcionou a exibição de filmes de conteúdo e fora do circuito comercial, sempre com uma temática política pra engatar um debate.

 

Em meio a todas as frentes de atuação da Casa do Hip Hop de Bauru também se destaca a presença do Cursinho Popular Pré-Vestibular “Acesso Hip Hop”, uma importante iniciativa de educação pra juventude que não tem como pagar aquele cursinho particular.Oferecendo aulas que trazem discussão política ao mesmo tempo em que prepara os manos e minas pro vestibular, o Cursinho busca  colocar cada vez mais gente da periferia nas universidades, ocupando um lugar que também é nosso por direito. Esse ano rolou uma Festa Julina pra auxiliar na manutenção do projeto educacional do Cursinho. Teve bingo, quadrilha, correio elegante e discotecagem.

Oficinas e aprendizado

Ao longo de todo ano também demos seguimento à disseminação da cultura Hip Hop através de seus elementos. As oficinas atraem um pessoal diverso e movimentam o espaço da Casa H2.Graffiti, Rap, DJ e Breaking oferecem essa vivência pra quem quiser conhecer mais da cultura. Elas são abertas e totalmente gratuitas. Também rola oficina de Freestep e Krump, além de Kickboxing, Dança do ventre, Kizomba, samba de gafieira, pandeiro e capoeira.

 

Dança do Ventre em Apresentação
A oficina de Capoeira em apresentação na Casa Do Hip Hop
As oficinas de KickBoxing são realizadas as quartas e sextas feiras

Aqui o destaque é para as oficinas profissionalizantes, oferecendo um meio de emancipação ou complemento de renda: unhas artísticas, design de sobrancelhas e maquiagem. Quem quiser saber mais ou participar é só chegar lá na Casa do Hip Hop e acompanhar os trabalhos.

No começo de dezembro também aconteceu uma oficina de escrita criativa, organizado pela Biblioteca Móvel Quinto Elemento, coletivo que compõe a Casa. A atividade contou com patrocínio do Programa de Estímulo à Cultura. O poeta Ni Brisant colou pra mediar a atividade, que buscou oferecer uma vivência e um despertar para a literatura e a poesia.

Ni Brisant na oficina de Escrita Criativa, realizada com apoio da Biblioteca Quinto Elemento
A oficina de Escrita Criativa foi uns dos destaque do mês de dezembro

Semana do Hip Hop

Novembro foi o mês que a cidade mais uma vez respirou o hip hop e seus elementos. A sexta edição da  Semana Municiapl do Hip-hop foi realizada pela Secretaria Municipal de Cultura e o Ponto de Cultura  Acesso Hip Hop. A Casa do Hip Hop sediou grande parte da programação e o espaço recebeu shows de grupos da cidade e da região, como Marília, Barretos, São Paulo,  e até de outros estados, como Minas Gerais e Rio Grande do Sul, todos bem representados.

Maestro do Caos diretamente de Barretos, representando Barretos

A Estação também recebeu  as finais do breaking, Krump e All Style  e grandes representantes como Casper Back Spin, Mister Jeff, Hatkilla, tudo no comando dos toca disco com dj Basin e Niko.

Ainda rolou a Marcha do Orgulho Crespo, a segunda edição do “Favela fashion zick”, com estilo e representatividade em um desfile de moda, e o tradicional Sarau do Viaduto, realizado pela Biblioteca Móvel Quinto Elemento.Ao todo foram dez dias de programação da Semana do Hip Hop, considerado o maior evento público de Hip Hop da América Latina.

O Tradicional Sarau do viaduto foi realizada esse ano na casa do Hip Hop
Favela fashion zick, representativadade e moda na Semana do Hip Hop

Expectativas

Recentemente a Casa do Hip Hop foi contemplada pelo Programa de Ação Cultural (Proac), do governo estadual. O concurso contou com 127 projetos inscritos, e a Casa foi selecionada em 1º lugar. Os projetos concorreram a prêmios de R$ 40 mil cada e que serão executados a partir de 2017.Esse é um edital próprio para a cultura Hip Hop, e veio como um incentivo pra manter nossa cultura viva e atuante. A Casa vai poder formar e impulsionar a cena Hip Hop e a essência da cultura nos trabalhos de formação.A verba será destinada para a manutenção das atividades da Casa, como as oficinas, e servirá para remuneração de gestores e oficineiros, garantindo a continuidade e aprimoramento de todo o projeto.

 

Frente Feminina de Hip Hop realiza bate-papo sobre desconstrução dos padrões de beleza pelas mulheres do Hip Hop

Por Mariana de Moraes
Fotos: Bianca Moreira

Nesta terça-feira (08), rolou a roda de conversa “A Desconstrução do Padrão de Beleza pelas Mulheres no Hip Hop”. Com a presença de mulheres e homens do movimento hip hop, a discussão se deu início às 19:30, no auditório da Estação Ferroviária.
Foram discutidos diversos tópicos que apontam a dificuldade em ser mulher dentro da sociedade patriarcal, que impõem atividades como obrigação das mulheres, como a maternidade, a submissão através de crenças religiosas, o cuidado do lar, submissão aos familiares do gênero masculino, a representação das mulheres na mídia através de padrões estéticos, entre outras opressões.
As discussões iniciaram apontando como o padrão de beleza, que é mantido como o ideal, existe apenas para o lucro da indústria de produtos e serviços estéticos e afeta a auto estima da mulher que se submete à procedimentos cirúrgicos que as deixa expostas à correr riscos de vida.
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A cobrança da mídia e da sociedade por um padrão de beleza estético influencia na saúde mental e física das mulheres, principalmente negra e periférica, que buscam cada vez mais por métodos arriscados a fim de se encaixar em um padrão ilusório e impossível de alcançar.
Também foi pauta a urgência e importância da democratização dos meios de comunicação e a maneira como a publicidade é feita para produtos e serviços oferecidos para as mulheres, que são sempre machistas e de mau gosto, mostrando sempre uma busca pela aparência perfeita na intenção de agradar os homens.
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Uma das integrantes do Rap Plus Size, Issa Paz, que participou do debate disse que dentro do hip hop, a mulher ainda tende a se masculinizar para se encaixar no padrão do movimento e ser aceita como parte integrante, mas que ao mesmo tempo, ainda é exigido que a artista mulher se apresente como uma atração e seja feminilizada para agradar o público, que em sua grande maioria é composto por pessoas do sexo masculino. No entanto, a rapper também aponta que atualmente as mulheres estão mantendo-se femininas dentro da cena, independente da opinião do público e não acreditam mais na padronização do estilo. Ainda assim, a aparência da mulher no rap é o primeiro aspecto avaliado por algumas pessoas dentro da cena hip hop. Se a mulher que está no rap é bonita demais, pode ser que ganhe visibilidade somente por isso ou é desacredita por ser bonita demais para fazer rap, ou por estar fora do padrão e não se encaixar nos padrões que a mídia pede. Pode ser que passem por uma transformação ou não ganhe força na cena.

A roda de conversa também levantou tabus relacionados ao corpo da mulher dentro da sociedade como a menstruação, a masturbação feminina, sexualidade, a hipersexualização da mulher negra, a gordofobia, a mulher negra e a miscigenação, a cultivação dos pelos naturais do corpo, entre outros assuntos.
A roda, composta por muitas mulheres negras, também abordou o feminismo negro e a luta para que as mulheres periféricas tenham os mesmo direitos de mulheres brancas relacionados à saúde. Principalmente no caso do aborto, em que é estatisticamente comprovado que a maioria das mortes que ocorrem são de mulheres periféricas, na tentativa de técnicas desesperadas, enquanto mulheres com boas situações financeiras encontram refúgio em clínicas no exterior ou clínicas que são acobertadas por autoridades. Este ainda é o tema menos discutido pela sociedade conservadora e quando é discutido, é colocado em pauta de maneira hipócrita e egoísta.
No total, participaram cerca de 15 pessoas, todas com muitas histórias de vida parecidas ou que tinham alguma coisa para acrescentar e ajudar a outra.
Foi uma noite de muita troca e conhecimento, podemos perceber que cada vez mais as mulheres tem buscado se empoderar, crescer e estão dispostas a ajudar umas as outras e também a importância da participação dos homens dispostos a escutar e colaborar com esse crescimento para que possamos passar isso a diante através das próximas gerações.

Ocupar e Resistir: Casa do Hip Hop de Bauru comemora um ano!


Com a inauguração no dia 15 de agosto de 2015, a Casa do Hip Hop de Bauru comemora um ano, marcado por desafios, projetos e muita cultura.

Por Felipe Sousa e Luana Protazio
Imagens: Acervo Casa do Hip Hop de Bauru

 

Desde sua inauguração na Antiga Estação Ferroviária, há um ano, muita coisa mudou. Hoje, a Casa do Hip Hop de Bauru atende, em média, 500 pessoas por mês entre projetos internos e externos, oferecendo um vasto repertório de oficinas e atividades.

Ao todo, são 22 oficinas tanto culturais quanto profissionalizantes, e um cursinho pré-vestibular para alunos oriundos de escola públicas. Para Renato Magu, coordenador geral da Casa, “a questão do Hip Hop por si só já é muito importante, porém tínhamos também a necessidade de geração de renda e de colocar outros coletivos para ocupar o espaço, possibilitando maior amplitude e diversidade na Casa”.

A Casa da Cultura Hip Hop é gerenciada pelo Ponto de cultura Acesso Hip Hop, que também gerencia a Biblioteca Móvel do Quinto Elemento, coletivo que proporciona ações de distribuição e troca gratuita de livros a fim de incentivar a leitura, e a Frente Feminina de Hip Hop, que realiza debates, oficinas, saraus e rodas de conversa com o objetivo de discutir o papel e importância da mulher no movimento Hip Hop. Atualmente ambos ocupam a Casa.

(Confira o cronograma completo das oficinas aqui.)

O Ponto possui projetos de valorização com o intuito de fortalecer a cena local, como o projeto Rap Hour, que desde 2013 leva shows de rap de convidados de Bauru e região para dentro do Teatro Municipal da cidade. O Projeto Ensaio, que nasceu em 2011, e tem como propósito dar a visibilidade a artistas locais iniciantes e também os já consagrados. E a Estação Hip Hop, que surgiu junto à inauguração da Casa e abre espaço para convidados da cidade e da região a se apresentarem na estação ferroviária, proporcionando também que bboys e bgirls se divirtam e mostrem seu talento.
Nos últimos meses, esses projetos se afirmaram também como campo de resistência. Dada as tensões políticas no país, a Casa do Hip Hop de Bauru promoveu eventos, debates, e intervenções artísticas à favor da democracia e se posicionando contra qualquer retrocesso às minorias. Afirmando que como movimento de rua, não se cala diante às opressões. “Como uma organização de 3º setor, nossa posição é clara ao pedir que toda essa crise politíca no pais se resolva, para que nós e outras instituições possamos seguir atendendo cada vez mais nosso foco prioritário que é o povo.” comenta Magu.

Outro projeto importante é o Combo dos 5 elementos, que leva conhecimento e história através dos elementos que compõem a cultura para as escolas públicas de Bauru e todo interior de São Paulo. Este, antes realizado apenas na Semana do Hip Hop, no último ano se consolidou como projeto primário de formação, podendo acontecer a qualquer momento do ano.

Combo dos 5 elementos na Semana do Hip Hop 2015
Combo dos 5 elementos na Semana do Hip Hop 2015
Hoje o espaço também recebe diversos eventos relacionados. Em julho, foi realizado o II Fórum Regional de Mulheres no Hip Hop,  mediado pela Frente Feminina de Hip Hop de Bauru e a Frente Nacional de Mulheres no Hip Hop. O evento contou com oficinas, rodas de conversas sobre gênero, mulher no hip hop, e feminismo negro e atrações artísticas, sendo todas as atividades ministradas por mulheres. Para Rayra, da Frente Feminina de Hip Hop, Bauru ter sido escolhido como um dos pólos do Fórum Regional este ano foi de extrema importância, pois em suas palavras “isso fortalece as mulheres do movimento, fortalece as que já estão no rolê, atuando ou não nos elementos, além de incentivar outras mulheres a se formarem, e se organizarem. Também é importante enquanto coletivo, sentirmos que somos muitas e que não estamos sozinhas, e para o movimento como um todo, para mostrar a força da mulher dentro do Hip Hop.” No momento, a Frente Feminina H2 de Bauru está se organizando para participar ativamente do Fórum Nacional, que será realizado em São Paulo no próximo mês.
Fórum Regional de Mulheres no Hip Hop. Foto: Luana Nayhara
Uma das atividades mais comentadas, é a Batalha da Panelinha. Toda quarta-feira o espaço enche de manos e minas para ver quem leva a melhor na batalha de freestyle. Na última semana, a Panelinha saiu da casa e aconteceu na Feira de Exposições, no Recinto Mello Moraes, levando muita energia e uma experiência diferente para quem participou, assistiu ou passou pelo Stand da loja da casa, que tem camisetas de coleção exclusiva, cds dos mc’s da região entre outras coisas.
Timbá é um dos responsáveis pela Batalha da Panelinha, que acontece toda quarta-feira
Timbá é um dos responsáveis pela Batalha da Panelinha, que acontece toda quarta-feira
Para o futuro, o Ponto aguarda resposta de alguns projetos em nível nacional e estadual, e outros em nível municipal já estão em andamento, como o Projeto Ensaio que foi aprovado pelo Programa de Estimulo a Cultura e o Projeto Samba Nossa Vila, em parceria com a escola de samba Mocidade Unida da Vila Falcão e do Bloco Carnavalesco Esquadra da Indepa. Magu define as expectativas como melhores possíveis, “A perspectiva é de crescimento. Antes era novo para todo mundo, mas neste tempo preparamos um alicerce firme para crescer com qualidade.”

A casa vem conquistando espaço no cenário nacional, transformando vidas através do conhecimento, lazer e estímulo a cultura, e sendo ponto de descentralização de produção cultural e artística na cidade. É a celebração de um primeiro ano gigante de sonhos, oportunidades, solidariedade, união, alegria e resistência. O primeiro ano de muitos que virão. Vida longa à Casa do Hip Hop!

Tássia Reis leva o público ao delírio com carisma, breaking e muito Rapjazz

 

Tássia Reis
Tássia Reis

Pela primeira vez em Bauru, a rapper esbanjou talento com suas músicas e passos de dança

Por Thamires Motta
Fotos: Felipe Amaral, Lucas Rodrigues e Mariana Caires

A rapper Tássia Reis, que se iniciou no movimento Hip Hop por meio da dança, começou ensaiando alguns passos logo no início do show no último dia 11 de novembro. Com o Espaço de Convivência lotado no SESC, o público pôde curtir as faixas principais do EP “Tássia Reis”, que a cantora lançou no ano passado.

Misturando blues, soul, reggae e jazz, influências que recebeu desde criança, e inspirada por grandes nomes como Etta James, Sarah Vaughan, Nina Simone e Aretha Franklin, Tássia Reis consegue juntar com maestria o ritmo envolvente das suas inspirações com as rimas rápidas, certeiras, pesadas e politizadas, talento que desenvolve desde 2005.

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Numa releitura de Erykah Badu, a primeira música trouxe a voz de Tássia nos beats da cantora estadunidense, sem deixar absolutamente nada a desejar entre a musicalidade e a afinação das duas. Num show entusiasmado e animado, o público acompanhou a cantora nos refrões, admirados com a voz aveludada que Tássia intercala entre rimas, misturando saxofones e notas de piano em beats e scratches do DJ.

Sob o beat de Notorious B.I.G, a MC apresentou algumas músicas de fora do EP. Bauru teve a honra de escutar pela primeira vez em um show o recém-lançado “Ouça-me”, faixa da série “Make Noise”, em colaboração com o produtor Arthur Joly, que cria sintetizadores. Emocionada, Tássia mandou a letra que fala sobre empoderamento feminino, a luta contra o racismo e a vontade de ser escutada. Aproveitou o espaço para expressar a felicidade em ver as mulheres negras se fortalecendo dentro e fora do movimento Hip Hop, e convidou a também rapper Sara Donato a subir no palco e mandar uma letra. Inspirada pelo momento, Sara cantou “Peso na Mente”, em que critica o preconceito, o machismo e os padrões de beleza a que mulheres são submetidas.

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Tássia Reis e Sara Donato

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A euforia do público veio depois das faixas “Asas”, “No seu Radinho” e “Meu Rapjazz”. Tássia soltou um beat e começou canções fortemente inspiradas no soul de Tim Maia e Erykah Badu, ao que o público respondeu abrindo uma roda de break dance bem em frente ao palco. A plateia chegou ao delírio quando a B-girl Ana Gabriela Rodrigues chegou mandando seus movimentos, inspirando até a própria Tássia a descer e demonstrar toda sua habilidade na dança.

Num show inesquecível para a cidade de Bauru e para a Semana do Hip Hop, a rapper prometeu voltar em breve ao interior paulista, trazendo cada vez mais seu talento e todo o seu Rapjazz.

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Entrevista: De tanta porta fechada, as mina se organizaram

Frente Nacional Mulheres no Hip Hop participa da V Semana de Hip Hop Bauru, reivindicando a presença feminina no movimento

Entrevista por Ana Carolina Moraes
Fotos: Mariana Lacava, Lucas Rodrigues e Felipe Amaral

Elas vieram de São Paulo para somar com movimento de Bauru. A Frente Nacional Mulheres no Hip Hop (FNMH²), coletivo feminino fundado em 2010, acompanhou o desfile de moda urbana no sábado, 7 de novembro, e participa da Abertura Cultural da Semana do Hip Hop 2015, fortalecendo a luta  das mulheres neste universo. Entre desabafos e risos, Lunna Rabetti, DJ Niely, DJ-Rua César, Gabi Nyarai e Issa Paz contam os desafios e satisfações do que é ser mulher dentro do movimento.

Quem é quem. Mãe e filha, Lunna Rabetti e DJ Niely permanecem juntas inclusive se o assunto for Hip Hop. Lunna é uma das fundadoras da Frente Nacional Mulheres no Hip Hop, idealizadora do site Mulheres no Hip Hop e foi membro do grupo Livre Ameaça. Já Niely, 13 anos, compõe o grupo Livre Ameaça desde os 5 anos de idade e  hoje, além do disc jockey, a DJ dedica-se ao 5º elemento do movimento, o conhecimento, participando de debates e roda de conversas.

Gabi Nyarai é rapper, compositora, cantora e trabalhadora, participa de batalhas de conhecimento. DJ-Rua César tem 19 anos de Hip Hop e cultura de rua. Atua como DJ amador há 5 anos e toca para Issa Paz, MC desde 2004, freestyleira de batalha de sangue e de conhecimento, lançou seu primeiro álbum de estúdio, “A arte da refutação”, em meados de 2015.

Issa Paz no palco de abertura
Issa Paz no palco de abertura

 

É uma cultura de silenciamento, na realidade.

Como é ser mulher no universo Hip Hop?
DJ Niely: É difícil ainda, né… A gente não tem tanto espaço que nem os manos tem. Então é difícil uma mina conseguir subir num palco porque tem muito homem, muito machismo no Hip Hop, né. Claro que tem mulher no Hip Hop, só que a gente não ganha tanto espaço para se pronunciar. E essa é uma luta de mil anos atrás, desde Sharylaine, que é uma das pioneiras do movimento, e prevalece hoje quase que sem mudança, porque o machismo ainda é muito forte.

Issa Paz: É uma cultura de silenciamento, na realidade. O Hip Hop ele prega a igualdade, e dentro dele fala-se muito de liberdade, de união. A gente tem que lidar não só com o machismo na cena, mas com a hipocrisia de cada uma dessas pessoas que acredita nisso e quando tem a oportunidade, oprime uma mulher. Então, não é só o boicote aos espaços, não é só o silenciamento da mulher nesses espaços, mas também o uso frequente da própria arte para oprimir.

Gabi Nyarai: O Hip Hop tá na sociedade né, então reflete a dificuldade de ser mulher também nesse espaço. E ao mesmo tempo tem todo um julgamento do que é certo ou errado dentro movimento, e quando você pensa na mina, tem toda carga de opressão porque tá dentro da sociedade. É foda! Tanto que tem toda essa movimentação das mulheres, né, igual a música da Sara Donato, “de tanta porta fechada, as mina se organizou”.

Gabi no palco de abertura
Gabi no palco de abertura

Quais espaços enfrentam mais resistência à presença feminina no movimento?
Lunna Rabetti: As mulheres, em todos os elementos, têm suas dificuldades. De repente fica mais evidenciado no rap porque o rap é o que normalmente está na frente do palco… Mas a gente conta nos dedos quantas DJs têm no Brasil e elas também sofrem as mesmas dificuldades. Por exemplo, DJ é um elemento muito caro por causa de todo equipamento, e ai você fica dependendo se o evento vai ter ou não, e os caras gostam mesmo é de complicar, né.

DJ-Rua César: E a melhor DJ do mundo é brasileira, a DJ Cinara Martins, né. Duas vezes seguida, bicampeã nacional do Red Bull Thre3Style e tem muita gente que nem conhece ela.

Lunna Rabetti: Elas não tem visibilidade. Isso porque a gente tá falando de Hip Hop, mas se a gente for falar de futebol, que é paixão nacional, também vai encontrar esse problema. Acho que essa invisibilidade é num contexto geral.

Issa Paz: Quando eu comecei a me envolver com as mina da FNMH², comecei a realmente ter contato com o Hip Hop na sua forma essencial, eu percebi que é a mesma coisa que a gente passa enquanto MC. O machismo está na sociedade, é normal. Só que não pode ser normalizado. A gente tem que enfrentar isso, em todos os espaços, por isso a FNMH² acolhe todo mundo

A arte ter que ser um contexto subversivo para questionar o que existe.

Como conciliar arte e militância para disseminar cultura em busca de política públicas de gênero?
Issa Paz: Não tem como separar arte de militância. Ou a militância tá inserida na arte, ou não é nem arte, é entretenimento. Porque a arte ter que ser um contexto subversivo para questionar o que existe.

Gabi Nyarai: Não é para ser só uma coisa legal, é para surtir efeito. Tem que ter qualidade, tem que ter propósito. Eu encaro a música como empoderamento, então, se eu ‘respirei’, minha missão é também proporcionar ‘respiro’ às outras pessoas. Isso é arte. Se não for por isso, por quê? Para ser legal, estar na moda ou render dinheiro? Não! É luta, é militância!

Lunna Rabetti: Mas vale lembrar que nem todo mundo tem essa ideologia. Tem muita gente que fala que canta rap, mas não é da militância. E tem também quem faça uma militância contrária a que o Hip Hop deveria fazer. Acho que não é todo mundo que pensa assim, mas deveria ser. Na verdade, acho que até essas pessoas que se dizem não ser militante, um dia vai cair a ficha de que é e se entender. Que nem mulher que é do movimento Hip Hop e se diz não ser feminista: em algum momento ela vai falar ‘Caramba! Eu sempre fui feminista’.

Como é ser referência para outras mulheres no Hip Hop?
Issa Paz: Não me sinto como referência… É que a gente está trabalhando e isso incomoda, né. É muito bom porque você fortalece outras mulheres, que fortalecem outras mulheres, e é uma corrente do bem do fortalecimento, do empoderamento e disseminação de ideias. Se Sharylaine plantou uma sementinha lá atrás, hoje ela é uma floresta gigante que está se multiplicando. Essa é a ideia, cada uma de nós somos referência.

DJ Vivian, uma das referências da jovem DJ Nielly
DJ Vivian, uma das referências da jovem DJ Niely

DJ Niely: Uma vez, a minha mãe estava numa roda de debate na qual só tinha homens. E nisso, ela estava discutindo sobre o tema quando uma menininha começou a fazer uma pergunta. No final, o pai dela veio falar com a minha mãe dizendo que ela nunca tinha pegado num microfone antes. E depois a menininha mesmo disse que se sentiu representada vendo aquela mulher ali. Isso para mim é representatividade, ser referência.

Lunna Rabetti: Essa história é tão interessante porque o pai dessa menininha é o Ferréz, e ele também estava na roda de debate. Aí abriu para plateia e ela fez uma pergunta para ele, e depois o Ferréz comentou que ela sempre o acompanha, mas nunca fez nenhuma pergunta. E aí ela mesma falou que se sentiu mais a vontade porque tinha  mais mulheres falando na mesa. Então eu acho que isso é muito importante, a gente se torna referência nesse sentido. Não no sentido de ser uma artista consagrada, mas no sentido de ser empoderar outras mulheres.

DJ-Rua Cézar: São anos de repressão né, então às vezes a pessoa já se sente reprimida porque a sociedade toda já a reprime. Às vezes ela quer falar, quer dá uma opinião, mas ela não se sente a vontade. Então precisa de um exemplo, igual ao exemplo de uma mulher no palco.

Gabi Nyarai: Eu já participei de batalha na qual eu ganhei antes mesmo de cantar porque tinha muita mina na plateia. E geralmente a mina está com o namorado, meio que desinteressada, mas quando eu subi no palco elas foram para frente e começaram a gritar e aplaudir, porque é ação, é fazendo.

Exigindo seu espaço com garra e determinação, a FNMH² participa da Semana do Hip Hop 2015, em mais dois momentos. Em debate sobre produção cultural independente, por meio da Frente Feminina de Hip Hop de Bauru e durante o fim de semana com a presença de Feniks, Sara Donato e Negra Lud se apresentando nos palcos Interior tem Voz e palco de encerramento, além de ter participado do palco de abertura, no dia 8 de novembro com Issa Paz, Brisa Flow, Gabi Nyarai e DJ Vivian Marques.

 

Entre shows, debates, filmes e atividades de formação, a III Semana do Hip Hop de Bauru ganha robustez e traz Thaíde, GOG e Projota

Com mobilização social, a Semana Municipal do Hip Hop de Bauru tornou-se política pública da cidade. Evento ganha robustez e traz nomes de peso à Bauru.

Por Keytyane Medeiros, para Casa do Hip Hop Bauru

Realizada entre os dias 9 e 17 de novembro, a III Semana Municipal do Hip Hop de Bauru entrou para o Calendário Oficial de atividades da cidade. Até então produzida de maneira independente, a Semana Municipal do Hip Hop se tornou política pública em maio de 2013 por meio de mobilização social pela aprovação da Lei 6258. Com isso, a Semana Municipal do Hip Hop passa a ter também apoio financeiro e de infra-estrutura garantidos pela Secretaria Municipal de Cultura da cidade.

Nesta edição, a Semana trouxe shows de grandes artistas do Hip Hop nacional para participações especiais em shows e oficinas. Com shows de Thaíde e GOG, precursores da primeira e segunda onda do movimento no Brasil, a Semana passa a ser focada em atividades de formação de público e prioriza o quinto elemento: o conhecimento sobre a cultura Hip Hop, sobre a luta dos movimentos negros no país e sobre a criminalização da pobreza.

O show de abertura ficou sob responsabilidade do rapper Thaíde, no Muamba Music. O rapper faz parte da primeira geração do Hip Hop no país, iniciando sua carreira nos anos 80. Ao lado do ex-parceiro DJ Hum participaram da primeira coletânea de rap nacional, Hip Hop Cultura de Rua. O cantor entoou seus maiores sucessos como “Senhor Tempo Bom”, “A noite” e “Apresento meu amigo” com a casa lotada.  Além de Thaíde, a noite de abertura também contou com a participação de rappers locais como Jota F, BetinMC, Abanka e Dois1Dois.

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Formação. Uma das atividades consolidadas com a parceria com a Secretaria Municipal de Cultura está o aumento do número de escolas atendidas pelo Combo 5 Elementos. O projeto levou conhecimento e mini-oficinas dos cinco elementos do Hip Hop (graffiti, breaking, DJ, Rap e conhecimento) para oito escolas municipais e estaduais. O projeto ainda contou com a participação da Frente Feminina de Hip Hop de Bauru que levou questões de gênero para estudantes das escolas, alertando para igualdade de gênero e violência doméstica como males a ser evitados por todos.

A Frente Feminina ainda trouxe duas rappers para ocupar os palcos Interior Tem Voz com Sara Donato no dia 10 de novembro e Tábata Alves no palco de encerramento no dia 17. Além delas, a b.girl Aline Afrobreak ainda ministrou oficinas de breaking durante a Semana.

EMEF Lydia Alexandrina
EMEF Lydia Alexandrina
Henrique Tomas no Combo 5 Elementos
Henrique Tomas no Combo 5 Elementos
EMEF Guia Lopes
EMEF Guia Lopes

Cinema de crítica social. O Cine Hip Hop, realizado no Pontilhão da 13 de Maio, em parceria com a Casa Fora do Eixo de Bauru, trouxe produções audiovisuais bauruenses como o clipe com forte crítica social de Thigor MC e Dom Black, “A Praga do Século” e “Livre Escolha”, documentário de Thigor MC.

Cine Hip Hop II SEMANA
Cine Hip Hop na Semana 2013

Ambas as produções levantam problemas relacionados ao crack, a chamada praga do século. Longe da droga há quase 10 anos, Thigor MC conta em seu documentário como se afastou do vício e como o rap, o Hip Hop e a religião tiveram participação fundamental nesse processo. As produções alertam para uma inversão na lógica do tratamento do crack. Comumente associado à segurança pública, o crack é e deve ser tratado, segundo os produtores, como um problema de saúde pública. Além disso, as produções criticam o descaso do poder público com os usuários, que por meio da higienização da cidade afasta os usuários da paisagem urbana sem resolver seus problemas de saúde ou propor tratamentos alternativos. Os vídeos foram produzidos por Rafael Pessoto, Conrado Dacax e D’Bronx MC.

Shows de encerramento. A Semana foi encerrada com a participação mais que especial de GOG, rapper de Brasília e o primeiro a possuir um selo de gravadora independente do país em 1996, “Só balanço”.

Com canções críticas e politicamente posicionadas como “Brasil com P”, GOG chama a atenção para a questão racial no Brasil. Segundo suas letras, os mortos pelo poder público no Brasil tem CEP e cor, sendo em sua maioria jovens negros de periferias, como o Mapa da Violência 2012 comprova. Em dezembro de 2007, GOG lançou o CD “Cartão Postal Bomba!” totalmente online, apresentando uma nova proposta de negociação, divulgação e distribuição de música independente no país, promovendo o debate sobre auto-gestão entre artistas nacionais. O rapper visionário abriu o show para uma das promessas nacionais do mundo do rap, o jovem Projota.

Projota no encerramento da III Semana Municipal do Hip Hop de Bauru. Foto: Luringa
Projota no encerramento da III Semana Municipal do Hip Hop de Bauru. Foto: Luringa

Projota ganhou destaque no cenário independente após vencer quatro vezes a batalha de mcs da Santa Cruz, em São Paulo. A partir daí, o jovem de 26 anos lançou as mixtapes “Carta aos meus” em 2009 e “Projeção” em 2010. O rapper encerrou a Semana do Hip Hop 2013 com canções de sucesso, alegrando a molecadinha que tem se aproximado ultimamente do movimento Hip Hop. Entre suas canções mais famosas está “Rezadeira”, muito aplaudida pelo público de aproximadamente 10 mil pessoas no Parque Vitória Régia.

III SEMANA FINAL
Encerramento da III Semana do Hip Hop Bauru no parque Vitória Régia. Foto: Ponto de Cultura Acesso Hip Hop

 

III Semana Municipal de Hip Hop de Bauru: evento entra no calendário oficial da cidade

Terceira edição conta com nomes como GOG, Thaíde, Sombra e Projota

por Revista Rap Nacional*

Já consagrada como um dos maiores eventos culturais de Bauru, a Semana Municipal de Hip Hop chega à sua terceira edição mais forte que nunca. De 9 a 17 de novembro, o festival vai ocupar diversas áreas da cidade com shows de rap, exposições de graffiti, batalhas de breaking, sessões de cinema, oficinas, debates e ações educacionais.

É a primeira vez em que a Semana acontece como parte integrante do Calendário Oficial de Eventos da cidade, instituída pela Lei 6358, de 24 de maio de 2013. O reconhecimento do poder público trouxe novas dimensões ao festival, que este ano conta com quatro nomes de peso do rap nacional em sua programação. Thaíde, GOG, Sombra e Projota são shows confirmados, respectivamente, para os dias 9, 10, 16 e 17.

A agenda de shows inclui também artistas e grupos que fazem sucesso no cenário local do movimento. A escalação de bauruenses para a Semana conta com AlemDaRima, DJ Ding, D’Bronx, JotaF, BetinMC, Abanka, Dois1Dois, Thigor MC, Ment Blindada, Bandidos em Harmonia, Tiago Vurto, D’Quebra, Dom Black, RapNobre MC e Coruja BC1, menino prodígio que vem conquistando reconhecimento no circuito nacional desde o ano passado.

 

Palco “Interior tem voz”. Buscando valorizar a rica produção do Hip Hop além dos holofotes das grandes cidades, o festival realiza no feriado do dia 15 uma sequência de shows trazidos de diferentes cidades do interior paulista. Ao longo de toda a tarde, a praça pública do Parque Santa Edwiges recebe apresentações de Veneno H2 (Franca), Ramonstro (Barretos), Lheo Zotto (Ribeirão Preto), Sintonia Sonora (Barra Bonita), Daniel Garnet e Pqnoh (Piracicaba), Revolução LDE (Marília) e Prodígios (Jaú).

Lugar de mulher é no palco. Tendo entre seus organizadores a Frente Feminina de Hip Hop da cidade, a Semana não poderia deixar de ter atrações que representassem a força das mulheres no movimento. Duas MCs têm presença confirmada no evento: a são-carlense Sara Donato, que canta no Sambódromo no dia 10, e a paulistana Tábata Alves, escalada para o encerramento no Parque Vitória Régia, no dia 17. Além delas, a b.girl Aline Afrobreak vem da capital para ministrar uma oficina de breaking para meninas no dia 14, no Centro Cultural.

Hip Hop no currículo. Consciente do papel do Hip Hop como ferramenta de formação, a Semana tem como uma das suas principais características a realização de atividades educativas e conscientizadoras. Serão oficinas, debates e outras ações, com o objetivo de incentivar a reflexão e circular informação entre o público do evento.

Seis dos nove dias de festival contam com oficinas, dedicadas a oferecer informações básicas a quem gostaria de atuar em diversas vertentes do movimento. Haverá aulas gratuitas sobre produção de vídeos, graffiti, breaking e criação de beats. Já os debates e as rodas de bate-papo abordarão temas que vão da discriminação de camadas sociais desfavorecidas à presença da mulher no Hip Hop.

Henrique Tomas no Combo 5 Elementos

Além disso, a terceira edição da Semana tem como novidade a realização dos chamados “Combos dos Cinco Elementos” em escolas públicas de Bauru, levando bate-papos e apresentações aos alunos. Ao todo, oito escolas receberão os Combos, que acontecem nos dias 11, 12, 13 e 14.

 

Construção colaborativa. A 3ª Semana Municipal de Hip Hop é uma realização do Ponto de Cultura Acesso Hip Hop e da Prefeitura Municipal, em parceria com Frente Feminina de Hip Hop de Bauru, CurtaBauru, Casa Fora do Eixo Bauru, Wise Madness, Frente de Hip Hop do Interior Paulista, Rede Nacional das Casas de Hip Hop, Bauru Breakers Crew, Oficina Cultural Glauco Pinto de Moraes e Secretaria de Estado da Cultura. A iniciativa conta com o apoio de Caritas Diocesana, Conselho Regional de Psicologia, Rádio Unesp FM e Madiba Shop e Projeto Colorindo o Interior.

 

Flyer da III Semana Municipal de Hip Hop de Bauru
Flyer da III Semana Municipal de Hip Hop de Bauru

 

*publicado originalmente em 7/11/2013