Ocupar e Resistir: Casa do Hip Hop de Bauru comemora um ano!


Com a inauguração no dia 15 de agosto de 2015, a Casa do Hip Hop de Bauru comemora um ano, marcado por desafios, projetos e muita cultura.

Por Felipe Sousa e Luana Protazio
Imagens: Acervo Casa do Hip Hop de Bauru

 

Desde sua inauguração na Antiga Estação Ferroviária, há um ano, muita coisa mudou. Hoje, a Casa do Hip Hop de Bauru atende, em média, 500 pessoas por mês entre projetos internos e externos, oferecendo um vasto repertório de oficinas e atividades.

Ao todo, são 22 oficinas tanto culturais quanto profissionalizantes, e um cursinho pré-vestibular para alunos oriundos de escola públicas. Para Renato Magu, coordenador geral da Casa, “a questão do Hip Hop por si só já é muito importante, porém tínhamos também a necessidade de geração de renda e de colocar outros coletivos para ocupar o espaço, possibilitando maior amplitude e diversidade na Casa”.

A Casa da Cultura Hip Hop é gerenciada pelo Ponto de cultura Acesso Hip Hop, que também gerencia a Biblioteca Móvel do Quinto Elemento, coletivo que proporciona ações de distribuição e troca gratuita de livros a fim de incentivar a leitura, e a Frente Feminina de Hip Hop, que realiza debates, oficinas, saraus e rodas de conversa com o objetivo de discutir o papel e importância da mulher no movimento Hip Hop. Atualmente ambos ocupam a Casa.

(Confira o cronograma completo das oficinas aqui.)

O Ponto possui projetos de valorização com o intuito de fortalecer a cena local, como o projeto Rap Hour, que desde 2013 leva shows de rap de convidados de Bauru e região para dentro do Teatro Municipal da cidade. O Projeto Ensaio, que nasceu em 2011, e tem como propósito dar a visibilidade a artistas locais iniciantes e também os já consagrados. E a Estação Hip Hop, que surgiu junto à inauguração da Casa e abre espaço para convidados da cidade e da região a se apresentarem na estação ferroviária, proporcionando também que bboys e bgirls se divirtam e mostrem seu talento.
Nos últimos meses, esses projetos se afirmaram também como campo de resistência. Dada as tensões políticas no país, a Casa do Hip Hop de Bauru promoveu eventos, debates, e intervenções artísticas à favor da democracia e se posicionando contra qualquer retrocesso às minorias. Afirmando que como movimento de rua, não se cala diante às opressões. “Como uma organização de 3º setor, nossa posição é clara ao pedir que toda essa crise politíca no pais se resolva, para que nós e outras instituições possamos seguir atendendo cada vez mais nosso foco prioritário que é o povo.” comenta Magu.

Outro projeto importante é o Combo dos 5 elementos, que leva conhecimento e história através dos elementos que compõem a cultura para as escolas públicas de Bauru e todo interior de São Paulo. Este, antes realizado apenas na Semana do Hip Hop, no último ano se consolidou como projeto primário de formação, podendo acontecer a qualquer momento do ano.

Combo dos 5 elementos na Semana do Hip Hop 2015
Combo dos 5 elementos na Semana do Hip Hop 2015
Hoje o espaço também recebe diversos eventos relacionados. Em julho, foi realizado o II Fórum Regional de Mulheres no Hip Hop,  mediado pela Frente Feminina de Hip Hop de Bauru e a Frente Nacional de Mulheres no Hip Hop. O evento contou com oficinas, rodas de conversas sobre gênero, mulher no hip hop, e feminismo negro e atrações artísticas, sendo todas as atividades ministradas por mulheres. Para Rayra, da Frente Feminina de Hip Hop, Bauru ter sido escolhido como um dos pólos do Fórum Regional este ano foi de extrema importância, pois em suas palavras “isso fortalece as mulheres do movimento, fortalece as que já estão no rolê, atuando ou não nos elementos, além de incentivar outras mulheres a se formarem, e se organizarem. Também é importante enquanto coletivo, sentirmos que somos muitas e que não estamos sozinhas, e para o movimento como um todo, para mostrar a força da mulher dentro do Hip Hop.” No momento, a Frente Feminina H2 de Bauru está se organizando para participar ativamente do Fórum Nacional, que será realizado em São Paulo no próximo mês.
Fórum Regional de Mulheres no Hip Hop. Foto: Luana Nayhara
Uma das atividades mais comentadas, é a Batalha da Panelinha. Toda quarta-feira o espaço enche de manos e minas para ver quem leva a melhor na batalha de freestyle. Na última semana, a Panelinha saiu da casa e aconteceu na Feira de Exposições, no Recinto Mello Moraes, levando muita energia e uma experiência diferente para quem participou, assistiu ou passou pelo Stand da loja da casa, que tem camisetas de coleção exclusiva, cds dos mc’s da região entre outras coisas.
Timbá é um dos responsáveis pela Batalha da Panelinha, que acontece toda quarta-feira
Timbá é um dos responsáveis pela Batalha da Panelinha, que acontece toda quarta-feira
Para o futuro, o Ponto aguarda resposta de alguns projetos em nível nacional e estadual, e outros em nível municipal já estão em andamento, como o Projeto Ensaio que foi aprovado pelo Programa de Estimulo a Cultura e o Projeto Samba Nossa Vila, em parceria com a escola de samba Mocidade Unida da Vila Falcão e do Bloco Carnavalesco Esquadra da Indepa. Magu define as expectativas como melhores possíveis, “A perspectiva é de crescimento. Antes era novo para todo mundo, mas neste tempo preparamos um alicerce firme para crescer com qualidade.”

A casa vem conquistando espaço no cenário nacional, transformando vidas através do conhecimento, lazer e estímulo a cultura, e sendo ponto de descentralização de produção cultural e artística na cidade. É a celebração de um primeiro ano gigante de sonhos, oportunidades, solidariedade, união, alegria e resistência. O primeiro ano de muitos que virão. Vida longa à Casa do Hip Hop!

A V Semana do Hip Hop já está chegando!

Com oficinas e debates, a Semana Municipal do Hip Hop de Bauru chega à sua quinta edição com grandes shows e mostra audiovisual

2015 é o ano do Hip Hop e em Bauru, movimento se consagra como um dos maiores articuladores políticos, culturais e sociais da cidade. Entre os dias 6 e 15 de novembro, acontecerá mas uma edição da Semana Municipal do Hip Hop de Bauru.

Depois de mais de 20 anos de luta, em agosto inauguramos a Casa do Hip Hop de Bauru e para celebrar mais esta conquista, a V Semana Municipal traz shows de artistas regionais e de renome nacional como Rapadura MC, Inquérito, Thaíde e Emicida. No palco Interior tem voz, contaremos com a participação especial de Crônica Mendes e convidados. Em parceria com o SESC, haverá também o show inédito de Tásia Reis, na quarta-feira 11 de novembro, representando a força e o poder das mulheres na cultura Hip Hop.

Há dois anos, a Semana Municipal de Hip Hop de Bauru se tornou política pública por meio de mobilização social pela criação e aprovação da Lei 6258/2013. Dessa maneira, a Secretaria de Cultura se tornou uma parceira para a realização da III Semana Municipal do Hip Hop naquele ano e de lá para cá, a parceria e as atividades conjuntas só tem aumentado.

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Semana 2015 traz Inquérito, Thaíde, Crônica Mendes, Rapadura, Tássia Reis, DJ Erick Jay e Banks Back Spin

Formação, política e economia. Desde 2011, a Semana Municipal do Hip Hop de Bauru é organizada pelo Ponto de Cultura Acesso Hip Hop de maneira independente, horizontal e repleta de parcerias. Uma das atividades consagradas do festival é a realização do Combo 5 Elementos nas escolas municipais e estaduais da cidade durante a Semana do Hip Hop. O projeto leva conhecimento e mini-oficinas dos cinco elementos do Hip Hop (graffiti, breaking, DJ, Rap e conhecimento) para escolas municipais e estaduais, incluindo centros de reabilitação. O projeto  também conta com a participação da Frente Feminina de Hip Hop de Bauru que levanta questões de gênero para estudantes das escolas, chamando atenção para igualdade de gênero e para a violência doméstica como um problema social e coletivo.

Além disso, o festival também traz importantes debates sobre o movimento Hip Hop regional e sobre os movimentos negro e periférico. Em 2015, acontecerá a I Feira de Economia Solidária de Produtos do redeHip Hop  do Estado de São Paulo, durante os últimos dois dias da Semana. Ao longo do sábado, 14 de novembro, também acontecerá um debate sobre Economia Solidária com representantes da Rede Nacional das Casa da Cultura Hip Hop e Empreendimentos Solidários, professores universitários e pequenos empreendedores.

Neste ano, a Casa do Hip Hop de Bauru também tem uma novidade muito especial, ainda vinculada à economia solidária e à sustentabilidade do meio ambiente e dos modos de produção. No dia 07 de novembro acontecerá o lançamento da coleção oficial de roupas da instituição, na Estação ferroviária. Com estampas originais e desenvolvidas especialmente para o público bauruense, o desfile de moda “Favela Fashion Zic” privilegia os elementos da cultura e ícones de resistência.

Outro momento importante é a realização do II Fórum Municipal de Hip Hop de Bauru, que acontecerá no SESC, também no dia 7, para o levantamento de demandas, análises de conjuntura do movimento local e balanço de conquistas no último ano. Também serão exibidos documentários e filmes como Profissão MC, Dogtown e O Rap pelo Rap, nos bairros Mary Dota, Bauru 22 e na Casa do Hip Hop.

Programação. A Semana Municipal do Hip Hop de Bauru vai acontecer de 6 a 15 de novembro, com TODAS as atividades gratuitas na Estação Ferroviária, Casa do Hip Hop de Bauru, Sesc Bauru e parque Vitória Régia.

Dia 6/11 – Sexta-feira

Abertura da Exposição “Quem é quem?” do Coletivo Urbano de Arte- CURA de São Paulo.
Horário: 19h. 
Local: Estação Ferroviária de Bauru.

Cine Hip Hop
Filme: Os Reis de Dogtown (história do skate nos EUA)
Horário: 20h Local: Centro Unificado das Artes e do Esporte – Rua Maria José Silvério dos Santos com Avenida Lúcio Luciano, Bauru 22/ região do Jardim Redentor

Show Além da Rima e Banda.
Horário: 21h. 
Local: Estação Ferroviária de Bauru.

Dia 7/11 – Sábado

Encontro Estadual de Graffiti
Horário: 9h. Local: Viaduto Nuno de Assis

Cortejo Hip Hop
Horário: 10h. Local: Calçadão da Batista de Carvalho.

II Fórum Municipal de Hip Hop de Bauru
Horário: 14h. Local: Sesc Bauru (Av. Aureliano Cárdia 6-71)

Desfile de moda urbana “Favela Fashion Zic”. Lançamento da coleção de moda Casa da Cultura Hip Hop de Bauru. DJ Moonhbeats
Horário: 20h. Local: Estação Ferroviária de Bauru 

Dia 8/11 – Domingo

Abertura Cultural da Semana do Hip Hop 2015

Shows com Inquérito, Rapadura, Thaide, Issa Paz e Brisa Flow
Horário: 14h. Local: Parque Vitória Régia

Dia 9/11 – Segunda-feira
Combo dos 5 Elementos
Horário: 9h. Local: Escola Estadual Morais Pacheco. (R. Primeiro de Maio, 16-10. Parque Boa Vista)

Combo dos 5 Elementos
Horário: 14h. Local: Escola Estadual Morais Pacheco. (R. Primeiro de Maio, 16-10 – Parque Boa Vista)

Oficina de Fanzine
Horário: 14h
Local: Casa do Hip Hop Bauru

Mesa redonda com o tema “Redução da maioridade penal e genocídio da população preta, pobre e periférica”
Horário: 20h. Local: Centro Cultural de Bauru

Dia 10/11 РTer̤a-feira
Combo dos 5 Elementos
Horário: 9h. Local: Sorri Bauru. (Avenida Nações Unidas, 53-40 – Geisel)

Combo dos 5 Elementos
Horário: 14h. Local: Sorri Bauru. (Avenida Nações Unidas, 53-40 – Geisel)

Oficina de Fotografia
Horário: 19h. Local: Casa do Hip Hop Bauru

Oficina de Capoeira Angola
Horário: 19h30. Local: Casa do Hip Hop Bauru

Oficina de MC com JotaF e RapNobre
Horário: 19h30. Local: Casa do Hip Hop Bauru

Cine Hip Hop
Documentário O Rap pelo Rap
Horário: 20h. Local: Casa do Hip Hop

Dia 11/11 – Quarta-feira
Combo dos 5 Elementos
Horário: 9h. Local: Escola Estadual Ver. Antônio Ferreira de Menezes. R. Cap. Mario Rossi, 9-37

Oficina de Graffiti
Horário: 9h. Local: Casa do Hip Hop Bauru

Combo dos 5 Elementos
Horário: 14h. Local: Escola Municipal

Oficina de Dj com DJ Ding
Horário: 14h. Local: Casa do Hip Hop Bauru

Bate Papo: Produção Independente e mulheres no Hip Hop com Tássia Reis e Frente Feminina de Hip Hop de Bauru
Horário: 19h. Local: Sesc Bauru

12115614_185735578430356_237330865507897265_nShow com Tássia Reis
Horário: 21h. Local: Sesc Bauru

Dia 12/11- Quinta-feira
Combo dos 5 Elementos
Horário: 9h. Local: Escola Profª Ada Cariani Avalone.  Av. Dr. Marcos de Paula Rafael, 1. Mary Dota.

Combo dos 5 Elementos
Horário: 14h. Local: CIPS Bauru. R. Inconfidência, 2-28 – Centro

Oficina de DJ com DJ Scratch
Horário: 14h. Local: Casa do Hip Hop Bauru

Oficina de Stencil
Horário: 14h. Local: Casa do Hip Hop Bauru

Celebração do Dia Mundial do Hip Hop. Apresentação dos 4 elementos que compõe a Cultura Hip Hop, Rap, Breaking, Graffiti, Dj + Batalha de Mcs.
Horário: 20h. Local: Casa do Hip Hop de Bauru

Dia 13/11 – Sexta-feira
Combo dos 5 Elementos
Horário: 9h. Local: Escola Municipal Geraldo Arone.  R. João Prudente Sobrinho – Nucleo Hab. Fortunato Rocha Lima, Bauru – SP

Oficina de Graffiti
Horário: 9h. Local: Casa do Hip Hop de Bauru

Combo dos 5 Elementos
Horário: 14h. Local: 13/11- 14h30 – Legião Mirim Endereço: Av. Dr Nuno Assis, 13-50

Sarau do Viaduto especial Semana do Hip Hop com Banks Back Spin
Horário: 20h. Local: Avenida Nações Unidas, embaixo do viaduto da Duque de Caxias

Dia 14/11 – Sábado

Cortejo Hip Hop
Horário: 10h. Local: Calçadão da Batista de Carvalho

Batalha de Breaking
Horário: 13h. Local: Casa do Hip Hop Bauru

I Feira de Economia Solidária de produtos do Hip Hop do Estado de São Paulo.
Horário: 14h-22h. Local: Parque Vitória Régia

Palco Interior tem voz
Shows com Crônica Mendes, CURA, Preta Rara e outros.
Horário: 17h
Local: Anfiteatro Vitória Régia

Dia 15/11 – Domingo

I Feira de Economia Solidária de produtos do Hip Hop do Estado de São Paulo.
Horário: 14h-22h. Local: Parque Vitória Régia

Encerramento da Semana Municipal do Hip Hop 2015
Shows com Emicida + Grupos de Bauru.
Horário: 14h. Local: Parque Vitória Régia

Realização.  A V Semana Municipal do Hip Hop de Bauru é realizada em parceria entre Ponto de Cultura Acesso Hip Hop, Casa do Hip Hop de Bauru, Secretaria Municipal de Cultura, patrocínio Loja Ophicina e promoção da TV TEM.

Entrevista Exclusiva com Thaíde na IV Semana do Hip Hop de Bauru

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Foto: Keytyane Medeiros

Entrevista por Keytyane Medeiros, para Semana do Hip Hop de Bauru 2014*

A Semana do Hip Hop em Bauru, realizada em parceria com a Prefeitura Municipal de Bauru e o Ponto de Cultura Acesso Hip Hop. Thaíde, um dos convidados pela organização, se apresentou no Sesc na última quarta-feira, 12 de novembro e falou com a nossa equipe sobre a história e o futuro do movimento Hip Hop.

Esse é o segundo ano que você vem à Bauru participar da Semana do Hip Hop. O que você conhece e pensa do cenário de 20 anos aqui na cidade?
Só o fato de existir Hip Hop aqui em Bauru há 20 anos, já mostra que muita coisa boa e importante existe por aqui. A gente às vezes não sabe o que tem aqui, não sabe direito o que acontece em Bauru, a quantidade talvez não seja favorável para 20 anos de história. E talvez, a gente não conheça exatamente o que está se passando porque não existe a atenção necessária pro Hip Hop de Bauru, entende? Então, se as pessoas derem espaço e atenção, eu acredito, sem dúvida nenhuma que o Hip Hop de Bauru vai ajudar a amenizar a questão da violência entre os jovens aqui nas comunidades, porque o Hip Hop nasceu pra isso.

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Foto: Felipe Moreno

Nos anos 90 você já falava em evolução no Hip Hop, lá em “Senhor Tempo Bom”, por exemplo. Hoje, vivemos um momento completamente diferente, o que você acha dessa evolução?

De qualquer maneira, a evolução aconteceu. Hoje a gente vê pessoas de nome [no Hip Hop] fazendo músicas com nomes da música popular brasileira, participando de filmes, projetos de cinema e TV, então a gente tem muita coisa boa acontecendo. As pessoas já conhecem o Hip Hop brasileiro. O que a gente não pode fazer é deixar essa evolução acabar com o que já aconteceu. Eu sinto falta disso. Muita gente conta a história de 90 pra cá, mas existe uma história antes, desde 83. O Hip Hop é uma raiz, não apenas um galho. E em Senhor Tempo Bom eu já falava isso, mas em Preste Atenção também, eu falava muito da evolução que o movimento teria, quem sabe, nos anos 2000. A gente não pode esquecer da nossa história. Hoje o rap ficou muito numa questão de falar o que as pessoas querem ouvir e não do que elas precisam ouvir, e eu sou uma época em que o rap falava o que o rap falava o que as pessoas precisavam ouvir.

O show com o Thaíde, aconteceu na noite de quinta-feira no SESC Bauru com a presença de três mil pessoas. Além de abraçar novas tendências e promessas da música nacional, o rapper ainda cantou “Respeito é pra quem?”, seu último single lançado em parceria com Mista Pumpkilla e Arnaldo Tifú, seus garotos apadrinhados do rap e do ragga.

Após agradecer o carinho do público no Sesc, o mestre de cerimônias destacou a importância da Semana do Hip Hop em Bauru, lembrando que aqui, segundo ele, “o Hip Hop é vivido e falado sempre com muito respeito e consideração”. O malandro do sorriso gostoso não resistiu e declarou, num apagar de luzes, “Bauru, pra vocês eu tiro meu chapéu”.

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Foto: Lucas Rodrigues da Silva

A Semana do Hip Hop é uma iniciativa do Ponto de Cultura Acesso Hip Hop e da Secretaria Municipal de Cultura.

*publicada originalmente em 13/11/2014, via MadMimi

“Eu tenho medo do descontrole do vício” – Entrevista com Dom Black

 

Dom Black. Foto: Guaíra Maia
Dom Black. Foto: Guaíra Maia

Por Keytyane Medeiros, para o blog e-Colab*

Toco a campainha da sede o Ponto de Cultura Acesso Hip Hop pela quarta vez em menos de duas semanas e imediatamente penso que o simpático Felipe Canela – que sempre me recebeu muito bem – já deve ter cansado da minha cara. É bem provável. Lá em cima, o rapper e também aspirante a documentarista, Dom Black me aguarda. Super prestativo e bem humorado, Dom Black me recebeu em nome da equipe do e-Colab para falar um pouco mais sobre o processo de produção do documentário realizado em parceria com Thigor MC, outro importante músico de Bauru. O filme intitulado “A Praga Do Século” funciona como uma extensão de uma canção homônima da dupla e assim como a música, fala sobre o crack, a depredação pessoal gerada pelo uso e, sobretudo, indica que os usuários podem se livrar da dependência química e retornar a uma vida saudável e próxima de seus familiares. Ouça “A Praga Do Século” aqui.

Qual o objetivo principal do documentário “A Praga Do Século”?
O objetivo é conscientizar a molecada a não se envolver com drogas, e também mostrar a realidade do usuário e da família dele. Todo mundo pensa “ah, ele é nóia” e eu penso que ele [o usuário] não é isso, e sim um cara doente que está passando por um momento difícil. O consumo de crack é um problema que a sociedade tem que se mobilizar para resolver.

E por que a opção de estender esse tema para um documentário, se vocês já haviam tratado do assunto na canção “A Praga Do Século”?
Nós achamos que seria pouco só cantar esses problemas da droga, porque algumas pessoas ouvem, acham legal, entendem, mas acabou por ali. Não fazem mais nada além de ouvir a música. Já vi muita gente fazendo rap, cantando os problemas e isso faz bem, mas podemos fazer alguma coisa a mais, podemos ir e mostrar como é realmente. Uma coisa é a pessoa ouvir, a outra é ela ver e entender o que está acontecendo a partir da voz de outros usuários que conhecem a droga, que fumam e que sabem como ela age.

Ao contrário de canções que em geral falam da maconha e das bebidas, por que você escolheu falar justamente do crack no seu projeto? 
Em primeiro lugar, porque eu tive problemas com parentes próximos que se tornaram usuários e então eu vi essas pessoas ficarem fora de si. Eu acho que todas as outras drogas, a bebida, a maconha, são a porta de entrada dos vícios e eu tenho medo do descontrole do vício. Não só do vício nas drogas, mas em qualquer coisa.

E na sua opinião, por que o consumo de crack têm crescido em Bauru e nas outras cidades do interior do Brasil? 
Crack é barato e vicia rápido. O traficante sabe que vai ter sempre aquele usuário que vai comprar a pedra uma vez e vai retornar atrás de outra. Entre as drogas, o crack é a única que te pega de uma vez só. Acho que só a heroína, que é injetável faz isso também.

Como a temática da droga e dos usuários está sendo tratada no documentário? 
As pessoas não tem dimensão da delicadeza do problema. Queremos mostrar as coisas do jeito são mesmo, desde o familiar que não sabe como lidar até o usuário que quer sair do vício, mas não sabe como fazer isso. Na maioria das vezes, o usuário quer sair, mas não sabe a quem recorrer, e também o usuário em recuperação que sabe que vai ter que lutar contra a dependência química a vida inteira, e outras situações. Não quero formar a opinião de ninguém, eu quero que as pessoas vejam e tirem suas próprias conclusões sobre o crack e sobre os usuários.

Como está sendo o processo de produção e quais as dificuldades de gravar “A praga do século”? 
Tá sendo difícil. Nem todo mundo quer falar abertamente sobre isso, alguns têm medo que patrão descubra que o individuo já foi usuário vai tratá-lo diferente, e coisas assim. Têm muita gente ajudando, mas é difícil por causa do dinheiro também, do deslocamento dos materiais até os locais de filmagem… É complicado, mas está sendo gratificante. A gente tá vendo a melhora de muitas pessoas e sabemos que quando o documentário sair vai abrir a mente de muita gente sobre o crack e sobre os usuários.

Com três meses de produção, Dom Black conta que “A Praga Do Século” ainda não tem data de lançamento definida, mas pela conversa que tive com esse experiente músico e artista bauruense, posso garantir: uma boa obra de denúncia social está por vir. Bauru, assim como o Brasil, precisa compreender que não dá mais para ignorar o efeito devastador do crack, e que ele deve ser tratado urgentemente como uma questão de saúde pública.

*publicado originalmente em 21/08/2012

FH2I volta onde tudo começou

Fórum de Hip Hop do Interior Paulista volta à Bauru depois de dez anos

Por Jaderson Souza, para o blog e-Colab*

Em 2002 era realizado na cidade de Bauru o 1° Fórum de Hip Hop do Interior Paulista (FH2I). Concebido para ser um espaço democrático de reflexão e debate de ideias, o Fórum serve também como um encontro entre ativistas e admiradores do Movimento. Dez anos e 17 edições depois, o evento volta à cidade acumulando os feitos alcançados por esta troca de experiências.

A 18ª edição do Fórum rola neste final de semana. Amanhã serão realizadas mesas de discussão que começam a partir do meio-dia no Automóvel Clube. Entre os temas do debate estão a economia solidária e criativa, o planejamento e desenvolvimento de projetos culturais e a exposição de ações das cidades da região com o intuito de haver uma troca de ideias entre os participantes do FH2I.

Ainda no sábado, rola no Sesc Bauru a partir das 13 horas o Momento “Maninhos”, uma série de atividades que incluem gincanas, oficina de malabares e saraus. As atividades são voltadas para crianças de 5 a 12 anos e tem a intenção de atrair os pequenos para as manifestações culturais do Hip Hop. À noite acontece no Alecrim Bar o “Microfone Aberto”, atividade na qual qualquer pessoa pode subir no palco e mandar a sua rima.

Das 9 até as 12 horas de domingo estão previstas muitas atividades na Oficina Cultural Glauco Pinto de Moraes. Produção de Projetos, Redes Sociais e Mídias Espontâneas e Gestão de Carreira são os temas das três oficinas que serão realizadas no local. Uma quarta oficina, sobre criação de batidas de Hip Hop acontecerá no Ponto de Cultura Acesso Hip Hop que recebe também mais algumas atividades do Momento “Maninhos”: roda de conversa sobre hip hop e sexualidade e o encerramento das atividades com as impressões finais dos maninhos. Em seguida, por volta das 12h30, ocorre a Plenária Final.
Lurdes da Luz se apresenta no SESC Bauru pelo F2HI. Foto: Divulgação

O encerramento do Fórum de Hip Hop do Interior Paulista será no Sesc Bauru com o show da rapper Lurdez da Luz a partir das 16 horas. A cantora lançou em 2010 o seu primeiro trabalho solo – ela é integrante do grupo Mamelo Sound System – de forma independente. Lurdez tem colaborações com artistas como Naná Vasconcelos, Nação Zumbi, DJ Marky, Hurtmold, Mundo Livre S/A, entre outros. No cenário internacional, ela tem parcerias com Afrika Bambaataa, Wax Poetic e Rahzel, ex-integrante do The Roots. Todas as atividades do FH2I são gratuitas. Que o Hip hop se fortaleça mais depois dessa volta às terras bauruenses.

Programação

*publicada originalmente em 24/08/2012

II Semana Municipal do Hip Hop: Shows, debates, cinema e formação

Semana Municipal do Hip Hop de Bauru chega à segunda edição com mais força e atividades de formação

*publicado em JCNet

As atividades da II Semana Municipal de Hip Hop, promovida pela Secretaria Municipal de Cultura em parceria com o “Ponto de Cultura Acesso Hip Hop” e a Somos1 Produções Coletivas, prosseguem neste feriado prolongado.

As atividades da Semana acontecem até domingo, 18 de novembro, com sarau, oficinas, shows e exibição de filme. O objetivo é apresentar a cultura Hip Hop sem discriminar as demais manifestações culturais, buscando o respeito pela diversidade cultural, além de dar oportunidade a jovens e adolescentes da periferia da cidade para apresentarem seus trabalhos em diferentes espaços.

Durante a Semana serão realizadas oficinas, debates, palestras saraus e shows, visando divulgar o Hip Hop como instrumento de integração social de crianças, jovens e adultos com a cultura popular periférica.

A Semana conta com apoio do Wise Madness, Unesp Fm, Enxame Coletivo, Fora do Eixo, e-colab e Jornal da Cidade. Abaixo a Programação completa do evento:

Programação

Shows 15/11

15h – Projeto Ensaio. Local: Bosque do Geisel (Bronx)

*Shows com Los Trinca (Marilia), Bandidos em Harmonia, Betim Mc,

Ment Blindada, Coruja BC1, Dom Black, Thigor Mc

17/11

13h РSegundo Sarau de arte urbana. Local: Pra̤a Rui Barbosa

*Exposições e recital de poesia, performances teatrais, Performance de malabares, Performance de dança, Performance de Djs.

* Pocket show com, Além da Rima, JF e RapNobre Mc, D’Bronx Mc, Thigor Mc e Fabrica da Rima

18/11

15h – Encerramento com apresentações artísticas, Rima de Roda e show com Rael da Rima. Local: Pq. Vitória Régia

* Apresentação de Djs e B.Boys, e exposição de poesias

* Pocket Show com, Ment Blindada, Coruja BC1, Além da Rima, Problema Crew (Marilia), May Mc (Júlio Mesquita), D’Bronx, RapNobre Mc.

*Show com Rael da Rima

Roda de Conversa

18/11

17h – Roda de conversa com Rael da Rima sobre Gestão de Carreira Independente, Local: Pq. Vitória Régia

Cinema

16/11

20h – Cinoia – Filme “Bixo de Sete Cabeças” + Bro Mc’s. Local: embaixo do Viaduto 13 de maio

17/11

19h30 – CINEXTINÇÃO Especial na Semana do Hip-Hop com exibição do filme “Wild Style” (“Estilo Selvagem!”), legendado, de 1983, primeiro longa metragem sobre o Hip-Hop. No Empório Contracultural Extinção, Rua Cussy Júnior, 8-17 (Centro), com 15 Lugares.

Graffiti

15/11

9h – Grafitagem. Local: Biblioteca Ramal do Núcleo Geisel, Rua Alziro Zarur, 5-8

Oficinas

16/11

14h às 18h – Oficina “Radio, a Linguagem como Ferramenta” com João Lima. Local Sede do Enxame Coletivo, Rua Agenor Meira 12-39 Centro.

16/11

19h30 – Oficina de Street Dance e bate papo sobre o Hip Hop  no Galpão Wise Madness, na Rua Braz Lemos de Almeida 2-45, Vila Aviação B

16/11

16h – Oficina de Beatmaker. Local: Ponto de Cultura Acesso Hip Hop na Rua Maria José, 5-66, Jd. Altinópolis

Breaking

15/11

15h – Apresentação e roda de Breaking, Local: “Projeto Ensaio” no Bosque do Geisel (Bronx)

17/11

13h РApresenta̤̣o do grupo Bauru Breakers Crew e roda de aberta no Sarau de Arte Urbana. Local: Pra̤a Rui Barbosa

 

*publicado originalmente em 15/11/2012

I Semana do Hip Hop de Bauru: Hip-hop art

A partir de hoje, Bauru terá sua primeira Semana Municipal do Hip Hop com atividades em diversos bairros

por Bruna Dias, para JC Net*

Está oficialmente aberta a primeira Semana Municipal de Hip Hop de Bauru. Muitos acham que a arte do hip-hop engloba somente a música. Entretanto, esta modalidade cultural está ligada à vivência e à criatividade de cada um, seja com expressões corporais, grafites e outras manifestações regidas ao som característico, que surgiu nas periferias. Por isso, o organizador do evento, Renato Magu, 30 anos, acrescentou à programação palestras, oficinas, filmes e shows.

A ideia de fazer uma semana especial de Hip Hop em Bauru surgiu no início deste ano, quando o Instituto Acesso Popular, uma Organização Não-Governamental (ONG), tornou-se também um dos pontos de cultura da cidade.

Graffiti realizado por Eazy em comemoração à I Semana Municipal do Hip Hop

“Nós não queríamos somente oferecer oficinas e sim fomentar essas artes. Aqui, crianças, adolescentes e jovens aprendem a fazer grafite com material doado, temos um estúdio para eles aprenderem a fazer rap”, contou Magu, que também é coordenador do instituto, localizado no Jardim Altinópolis, em Bauru.

Como a ONG está localizada mais distante da periferia, o objetivo da entidade é aproximar os bairros mais carentes, que são ricos em arte e cultura. “A periferia tem muita cultura. O que queremos é agregar artistas de toda a cidade. Fizemos um evento com diversas atividades”.

Programação. A abertura da Semana Municipal de Hip-Hop de Bauru será hoje às 9h, no auditório da Secretaria Municipal de Cultura com as palestras de Jorge Soriano Moura, membro da Comissão de Direitos Humanos da Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil-Bauru (OAB-Bauru); Sílvio Durante, professor de história, e Renato Moreira, do Instituto Acesso Popular.

Amanhã, mesmo sendo feriado, as atividades continuam no Centro Comunitário do Jardim Ouro Verde desde às 9h com oficinas de break, com o b.boy Maior e oficina de stencil e graffite para crianças, com Sérgio Oliveira.

Os participantes também poderão conferir, no Cine Ouro Verde, o filme “Profissão MC”, que traz a história de um rapper da periferia que recebe duas propostas: uma para entrar no tráfico de drogas e outra para seguir apostando no rap.

O encerramento da Semana Municipal de Hip Hop de Bauru será no domingo a partir das 14h, no Parque Vitória Régia com shows de Contexto Oeste, Bandidos em Harmonia e Pelther LB com SNJ Somos Nós & Justiça.

Serviço. A Semana Municipal de Hip Hop de Bauru acontece de hoje ao dia 6, e é uma parceria com a Oficina Cultural “Glauco Pinto de Moraes” e Secretaria de Estado da Cultura, além do apoio da Secretaria Municipal de Cultura de Bauru.

O Centro Comunitário do Jardim Ouro Verde fica na quadra 1 da rua Gabriel Morales; o Cras do Jardim Ferraz na rua Bolívia, 6-63; o Cras Nova Bauru na rua Laurindo Palaro, 1-75 e a Oficina Cultural “Glauco Pinto de Moraes” na rua Amazonas, 1-41, Vla Coralina.

Programação
Terça-feira – 1/11

Abertura da Semana Municipal de Hip Hop com palestra sobre o Movimento Hip  Hop e a Questão Racial e de Direitos Humanos. Palestrantes: Jorge Soriano Moura (Comissão de Direitos Humanos da OAB), Sílvio Durante (Professor de história), Renato Moreira (Instituto Acesso Popular).

Local: Auditório da Secretaria Municipal de Cultura

Horário: a partir das 9hs.

Quarta-feira – 2/11

Oficina de break (com b.boy Maior)

Oficina de stencil e graffiti para crianças (com Sérgio Oliveira)

Cine Ouro Verde – Filme “Profissão MC”

Apresentações de rap com Dom Black e convidados

Local: Centro Comunitário do Jardim Ouro Verde

Horário: a partir das 9h

Quinta-feira – 3/11

Exibição do filme “Profissão MC”

Apresentação da oficina de grafiti e break.

Local: CRAS Jardim Ferraz

Horário: 14h

Sexta-feira – 4/11

Exibição de documentário “Nos Tempos da São Bento”

Apresentação/oficina de Graffiti e Break e Rap

Local: Cras Nova Bauru

Horário: 14h

Sábado – 5/11

Oficinas de rap e break

Exibição de documentário “Nos Tempos da São Bento”

Bate papo sobre a atual conjuntura do movimento cultural Hip Hop.

Com Renato Moreira – Instituto Acesso Popular.

Local: Oficina Cultural “Glauco Pinto de Moraes”

Horário: 14h
Noite: Vozes da Periferia com Dom Black (Bauru) + Slim Rimografia (SP) + discotecagem João Lima

23h30 – R$ 7 (lista amiga) – R$ 12

Domingo – 6/11

Encerramento da Semana Municipal de Hip-Hop com shows de rap, apresentações de break, grafiti e DJs.

Local: Parque Vitória Régia

Horário: 14h

Shows de: Contexto Oeste, Bandidos em Harmonia, Pelther LB (Jaú) + SNJ Somos Nós & Justiça

* publicado originalmente em 01/11/2011

Triunfo no Ponto

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Gilberto Yoshinaga no lançamento da biografia de Nelson Triunfo em Bauru
Texto: Keytyane Medeiros

Imagens: Keytyane Medeiros e Felipe Amaral, para blog e-Colab*

Dia das mães, dia de Rap no Ponto. Coração aperta e se divide. A vontade de voltar para a minha quebrada, pro colo da mãe é grande, mas a vontade de ficar, fortalecer as atividades do Ponto de Cultura Acesso Hip Hop e conhecer o autor da biografia de Nelson Triunfo também é.Por fim, escolhi ficar em Bauru e comparecer à Cussy Jr, 13-55, local que está sendo ressignificado a cada dia, a cada atividade e já tem se tornado o ponto de encontro de vários grupos e movimentos orgânicos da cidade, relacionados ao Hip Hop, à cultura negra e à discussão política entre os jovens.

Major, da Bauru Breakers Crew

Ontem, 11 de maio, foi o dia do lançamento do livro biografia “Nelson Triunfo: Do Sertão ao Hip Hop” de Gilberto Yoshinaga aqui em Bauru. Gilberto é jornalista, formado pela Unesp e passou 5 anos pesquisando e acompanhando Nelson Triunfo em viagens e eventos de hip hop, ou não, como ele mesmo pontua.

“Desde 97, época em que eu morei e estudei aqui em Bauru, eu já vinha acumulando várias informações sobre Hip Hop e queria usar esse material, mas eu achava muito amplo um livro sobre Hip Hop, eu queria um enfoque mais específico. Por incrível que pareça, eu sonhei que escrevia a biografia do Nelsão e pensei ‘Que ideia legal! Como ninguém pensou nisso antes¿’ Como a história dele conta automaticamente a história da Soul Music e do Hip Hop no Brasil veio a calhar, porque eu já tinha 15 anos de material [guardado sobre o tema]”, afirma Gilberto.

Nelson Triunfo começou sua carreira como dançarino em 1977 em São Paulo, em plena ditadura militar. Conhecido como “Pai do Hip Hop” no Brasil, foi um dos pioneiros no uso dos estilos, danças, batidas e músicas existentes no movimento como ferramenta de educação em projetos sociais. Além disso, Nelsão também é poeta, músico e ator.

O autor ainda confessa “eu achei que o Nelson tinha uma representatividade mediana dentro do movimento no Brasil, mas quando fui ver, percebi que era gigante a importância dele, muito maior do que eu esperava.”. Yoshinaga também fez questão de que o livro fosse lançado de maneira independente, por meio de sua editora Shuriken Produções (produtora do Zap-san e Mr. Giba, expoentes do rap sorocabano), para que pudesse valorizar o trabalho do autor e do biografado, sem falar do problema das editoras atravessadoras dentro da indústria cultural no país.

Sobre o desentendimento recente entre Zap-san e Projota, Gilberto lamenta porque, “pra quem não acompanha o movimento Hip Hop fica essa imagem da violência, da agressividade, da coisa negativa e não é nada disso que o Hip Hop prega. A mídia não noticia quando um show dos Racionais salva uma vida, mas quando tem uma briga entre um rapper desconhecido e um mediano, alardeia”.

Rapper D’Bronx também se apresentou no Ponto de Cultura Acesso Hip Hop

Gilberto Yoshinaga ainda falou sobre a conduta Hip Hop, que, segundo ele, deve ir além da música e dos beats e se transfere também para a humildade no trato com as pessoas e no “Bom dia” que devemos desejar ao porteiro, ao vendedor de rua, ao rapaz da padaria. Logo após contar alguns causos sobre o livro, Gilberto sorteou um exemplar com base em algumas perguntas e o ganhador foi o rapper Jota F.

Além do lançamento do livro, houve apresentações de dança com o Bauru Breakers Crew, shows do Dom Black e do D’Bronx, dos iniciantes do Impacto ZL e a presença da Biblioteca Móvel – Quinto Elemento, das meninas da Frente Feminina de Hip Hop. E a promessa do Renato Magu, um dos organizadores do Ponto de Cultura é trazer o próprio Nelson Triunfo no próximo semestre. Vamos esperar!

*publicado originalmente em 12/05/2014

Ponto de Cultura e o Hip Hop em Bauru: uma parceira

Antiga sede do Ponto de Cultura Acesso Hip Hop em 2012
Antiga sede do Ponto de Cultura Acesso Hip Hop em 2012

Texto e fotos por Keytyane Medeiros para e-Colab*

Articulação, sócio-desenvolvimento cultural e descentralização. Estas são as palavras de ordem de qualquer Ponto de Cultura espalhado pelo país, no entanto, qual é a origem desse programa e como funciona? Fruto do desejo de descentralizar o fazer artístico no Brasil, os Pontos de Cultura não têm um modelo único ou programações pré-determinadas pelo Ministério da Cultura. Podem funcionar em qualquer lugar, desde que os coordenadores e responsáveis prestem contas ao governo do que estão fazendo com o dinheiro público para a melhoria da comunidade em que vivem. Nada mais razoável.

Renato Magu no Ponto de Cultura Acesso Hip Hop

Com pouco mais de um ano de existência, o Ponto de Cultura Acesso Hip Hop, está em intensa atividade. Coordenado por Renato Moreira, também conhecido como Magu, o ponto funciona como “aglutinador”, unindo jovens com vontade de fazer arte e profissionais com recursos para a produção e divulgação desse material. Magu nos conta que o Acesso está produzindo três documentários, além de ter lançado recentemente o primeiro CD do rapper Coruja BC1.

Além de produzir clipes, documentários e discos, o Ponto de Cultura também realiza atividades nas comunidades carentes de Bauru, como é o caso do Projeto Ensaio. Nele, alguns integrantes do Acesso vão até o bosque do bairro Presidente Geisel dar oportunidade para que jovens possam expressar sua arte com o material de estúdio do Ponto. Magu destaca que “não somos organizadores de eventos, somos organizadores de vida”, e apesar do Projeto ocorrer a cada 15 dias, não se trata de uma oficina destinada ao ensino de técnicas de rap ou grafitti, e sim de um momento para dar oportunidade de trabalho aos militantes do movimento Hip Hop na cidade.

Entre os trabalhos desenvolvidos pelo Ponto de Cultura está o documentário e o clipe da música “A Praga do Século” do rapper Dom Black, a gravação do CD do grupo Além da Rima, um documentário sobre o assentamento de terra e os 15 anos de atuação do MST, o Projeto Doação Simultânea também em parceria com a organização e outros projetos socioculturais.

O Ponto de Cultura Acesso Hip Hop está localizado na Rua Maria José, junto ao Instituto Acesso Popular, na região central de Bauru. É só chegar e conversar, Magu, CorujaBC1 e seus amigos o receberão de braços abertos.

* publicado originalmente em 14/08/2012