II Semana Municipal do Hip Hop: Shows, debates, cinema e formação

Semana Municipal do Hip Hop de Bauru chega à segunda edição com mais força e atividades de formação

*publicado em JCNet

As atividades da II Semana Municipal de Hip Hop, promovida pela Secretaria Municipal de Cultura em parceria com o “Ponto de Cultura Acesso Hip Hop” e a Somos1 Produções Coletivas, prosseguem neste feriado prolongado.

As atividades da Semana acontecem até domingo, 18 de novembro, com sarau, oficinas, shows e exibição de filme. O objetivo é apresentar a cultura Hip Hop sem discriminar as demais manifestações culturais, buscando o respeito pela diversidade cultural, além de dar oportunidade a jovens e adolescentes da periferia da cidade para apresentarem seus trabalhos em diferentes espaços.

Durante a Semana serão realizadas oficinas, debates, palestras saraus e shows, visando divulgar o Hip Hop como instrumento de integração social de crianças, jovens e adultos com a cultura popular periférica.

A Semana conta com apoio do Wise Madness, Unesp Fm, Enxame Coletivo, Fora do Eixo, e-colab e Jornal da Cidade. Abaixo a Programação completa do evento:

Programação

Shows 15/11

15h – Projeto Ensaio. Local: Bosque do Geisel (Bronx)

*Shows com Los Trinca (Marilia), Bandidos em Harmonia, Betim Mc,

Ment Blindada, Coruja BC1, Dom Black, Thigor Mc

17/11

13h РSegundo Sarau de arte urbana. Local: Pra̤a Rui Barbosa

*Exposições e recital de poesia, performances teatrais, Performance de malabares, Performance de dança, Performance de Djs.

* Pocket show com, Além da Rima, JF e RapNobre Mc, D’Bronx Mc, Thigor Mc e Fabrica da Rima

18/11

15h – Encerramento com apresentações artísticas, Rima de Roda e show com Rael da Rima. Local: Pq. Vitória Régia

* Apresentação de Djs e B.Boys, e exposição de poesias

* Pocket Show com, Ment Blindada, Coruja BC1, Além da Rima, Problema Crew (Marilia), May Mc (Júlio Mesquita), D’Bronx, RapNobre Mc.

*Show com Rael da Rima

Roda de Conversa

18/11

17h – Roda de conversa com Rael da Rima sobre Gestão de Carreira Independente, Local: Pq. Vitória Régia

Cinema

16/11

20h – Cinoia – Filme “Bixo de Sete Cabeças” + Bro Mc’s. Local: embaixo do Viaduto 13 de maio

17/11

19h30 – CINEXTINÇÃO Especial na Semana do Hip-Hop com exibição do filme “Wild Style” (“Estilo Selvagem!”), legendado, de 1983, primeiro longa metragem sobre o Hip-Hop. No Empório Contracultural Extinção, Rua Cussy Júnior, 8-17 (Centro), com 15 Lugares.

Graffiti

15/11

9h – Grafitagem. Local: Biblioteca Ramal do Núcleo Geisel, Rua Alziro Zarur, 5-8

Oficinas

16/11

14h às 18h – Oficina “Radio, a Linguagem como Ferramenta” com João Lima. Local Sede do Enxame Coletivo, Rua Agenor Meira 12-39 Centro.

16/11

19h30 – Oficina de Street Dance e bate papo sobre o Hip Hop  no Galpão Wise Madness, na Rua Braz Lemos de Almeida 2-45, Vila Aviação B

16/11

16h – Oficina de Beatmaker. Local: Ponto de Cultura Acesso Hip Hop na Rua Maria José, 5-66, Jd. Altinópolis

Breaking

15/11

15h – Apresentação e roda de Breaking, Local: “Projeto Ensaio” no Bosque do Geisel (Bronx)

17/11

13h РApresenta̤̣o do grupo Bauru Breakers Crew e roda de aberta no Sarau de Arte Urbana. Local: Pra̤a Rui Barbosa

 

*publicado originalmente em 15/11/2012

Ponto de Cultura e o Hip Hop em Bauru: uma parceira

Antiga sede do Ponto de Cultura Acesso Hip Hop em 2012
Antiga sede do Ponto de Cultura Acesso Hip Hop em 2012

Texto e fotos por Keytyane Medeiros para e-Colab*

Articulação, sócio-desenvolvimento cultural e descentralização. Estas são as palavras de ordem de qualquer Ponto de Cultura espalhado pelo país, no entanto, qual é a origem desse programa e como funciona? Fruto do desejo de descentralizar o fazer artístico no Brasil, os Pontos de Cultura não têm um modelo único ou programações pré-determinadas pelo Ministério da Cultura. Podem funcionar em qualquer lugar, desde que os coordenadores e responsáveis prestem contas ao governo do que estão fazendo com o dinheiro público para a melhoria da comunidade em que vivem. Nada mais razoável.

Renato Magu no Ponto de Cultura Acesso Hip Hop

Com pouco mais de um ano de existência, o Ponto de Cultura Acesso Hip Hop, está em intensa atividade. Coordenado por Renato Moreira, também conhecido como Magu, o ponto funciona como “aglutinador”, unindo jovens com vontade de fazer arte e profissionais com recursos para a produção e divulgação desse material. Magu nos conta que o Acesso está produzindo três documentários, além de ter lançado recentemente o primeiro CD do rapper Coruja BC1.

Além de produzir clipes, documentários e discos, o Ponto de Cultura também realiza atividades nas comunidades carentes de Bauru, como é o caso do Projeto Ensaio. Nele, alguns integrantes do Acesso vão até o bosque do bairro Presidente Geisel dar oportunidade para que jovens possam expressar sua arte com o material de estúdio do Ponto. Magu destaca que “não somos organizadores de eventos, somos organizadores de vida”, e apesar do Projeto ocorrer a cada 15 dias, não se trata de uma oficina destinada ao ensino de técnicas de rap ou grafitti, e sim de um momento para dar oportunidade de trabalho aos militantes do movimento Hip Hop na cidade.

Entre os trabalhos desenvolvidos pelo Ponto de Cultura está o documentário e o clipe da música “A Praga do Século” do rapper Dom Black, a gravação do CD do grupo Além da Rima, um documentário sobre o assentamento de terra e os 15 anos de atuação do MST, o Projeto Doação Simultânea também em parceria com a organização e outros projetos socioculturais.

O Ponto de Cultura Acesso Hip Hop está localizado na Rua Maria José, junto ao Instituto Acesso Popular, na região central de Bauru. É só chegar e conversar, Magu, CorujaBC1 e seus amigos o receberão de braços abertos.

* publicado originalmente em 14/08/2012

Ernesto Hip-Hop: 2ª Semana Municipal do Hip Hop

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II Semana Municipal do Hip-hop invade o Geisel no feriado

Texto e Fotos: Higor Boconcelo para o blog e-Colab*

1“Em pleno feriado, meio dia, o cara me passa com essa música no último?”, reclama Gu, quando, como de costume, um carro qualquer corta a Alziro Zarur com o som “estourando”. Não que ele tivesse muita coisa contra Demi Lovato, mas aquele definitivamente não era dia para a música pop no Geisel, já que a II Semana Municipal de Hip-Hop tomava o bairro como palco para as atividades de seu quarto dia de programação.

Du é um dos grafiteiros escalados para exercer sua arte no muro da biblioteca ramal do bairro. Já estava fazendo seu trabalho havia quase meia hora quando o carro passou, o distraindo. Enquanto isso, o outro artista responsável pela grafitagem continuava a manejar a tinta spray.

Paulistano, Sergio Oliveira atua na arte há mais de sete anos. Ambos experientes, porém jovens, estavam trabalhando em uma nova “cara” para a biblioteca, atividade que fazia parte da programação do evento.

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Graffiti de Sérgio Oliveira

E ainda bem que o fazia. A obra não estava nem metade pronta e já arrancava elogios dos moradores que cruzavam por lá. “Isso nem parecia uma biblioteca! Olha como uma pinturinha já muda tudo”, comentou uma senhora do outro lado da rua. Não houve sequer uma criança que passasse em frente ao ramal sem voltar sua atenção para os jovens que grafitavam. Poucas horas depois, as palavras Biblioteca Ramal já ganhavam seus retoques finais pelos sprays de Sergio, e a obra de Du também estava quase pronta.

Mas se essa rapidez podia ser aplicada ao grafite dos garotos, certamente não era o caso para o que logo ia começar a rolar a poucos metros dali, no Bosque da Comunidade do Geisel. Lá, “o baguio ia estourar a tarde inteira”. Com o grafite já finalizado, ambos foram convidados pela organização à pintar um largo muro do bosque. Se estivessem pensando que seu trabalho estava chegando ao fim, certamente estariam se enganando.

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A selva tomada

Um palco, duas caixas de som e uma lona por cima formavam uma espécie de tenda, onde iriam subir vários MC’s durante a tarde. O Projeto Ensaio no Bosque estava marcado para começar às 15h, e se dependesse de público, poderia começar até antes.

Em meio às árvores do local havia todo o tipo de morador para prestigiar o evento. Crianças, famílias com seus cães, jovens e a dupla de grafiteiros, que já reiniciava sua arte nos muros da selva urbana.

O primeiro a mandar as rimas e as batidas foi o MC Vurto, abrindo a tarde de apresentações. A quadra de basquete onde o palco estava montado logo começou a ser preenchida de gente, vinda ora do próprio bosque (diga-se de passagem, grande), ora das próprias ruas do bairro.

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Em cima de um tapete quadriculado, os adeptos do breaking não paravam de rodar. Meia dúzia jogavam basquete na outra metade livre da quadra. As cabeças reagindo de maneira positiva às rimas que se propagavam.

Era assim com cada MC que subia naquele palco para executar suas próprias rimas. O rap independente mostrava naquela tarde a sua força – a maioria do público conhecia as letras compostas pelos artistas que, há alguns minutos atrás, também estavam curtindo outro MC rimar.

Seguiu rimando o MC Thigor, dando lugar depois para Betim. Após, foi a vez do RapNobre emendar rimas que protestavam contra a futilidade presente nas músicas comerciais e nos costumes da sociedade em geral.

Já conhecido do público, Coruja BC1 subiu ao palco junto do parceiro Dom Black e da dupla Além da Rima, em duas apresentações que mexeram com a galera presente. Ao fim da tarde, subia ao palco mais uma vez para rimar suas composições.

Mais de nove atrações mandaram suas rimas, beats e pensamentos para o público presente no bosque. Os rappers saldaram seus parceiros que vieram os assistir de vários bairros de Bauru, como também de outras cidades. A família do rap comemorou estar reunida novamente, e além disso, a realização da Semana pela prefeitura. Abrir espaço para uma festa de rap independente mostra que os artistas não estão trabalhando em vão, e mesmo que o preconceito ainda exista, os MCs continuam fazendo sua voz subir mais alto que ele. Tão alto que até Geisel deve ter ouvido.

* publicado originalmente em 19/11/2012