Combo 5 Elementos do Hip Hop chega com tudo nas escolas Bauruenses

A VI Semana de Hip Hop de Bauru além de todas as atrações trouxe para a cidade também mais conhecimento sobre a cultura hip hop

Por Mariana Soares
Fotos Thaiane Cuba

Na tarde dessa sexta feira (10), rolou o último Combo 5 Elementos do Hip Hop na Escola Municipal Geraldo Arone trazendo muita música, break, grafite e conhecimento. A equipe chegou por volta das 15h da tarde e foi recebida com muita empolgação pelos alunos.

Alisson Ferreira Vieira é Mc e junto com o Vinícius Thomas são os responsáveis pelo Combo 5 Elementos do Hip Hop. O combo começou em 2012 junto com a Semana de Hip Hop de Bauru e tem por objetivo apresentar às crianças e adolescentes todos os elementos que compõe a cultura do Hip Hop, contando toda a sua história e relevância na sociedade. Além disso, busca também atrair um novo público para o movimento, afirma Alisson.

 

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Crianças na Sorri.

Passando por 9 escolas públicas e pelo Centro Especializado em Reabilitação SORRI, o Combo sempre traz muito encantamento e faz questão de deixar sua marca por onde passa com um grafite. A apresentação começa, inclusive, com a história desse elemento. A explicação vai desde o grafite em Nova Iorque dos anos 70, até a sua aceitação e evolução nos dias de hoje. “No grafite você pode desenhar de tudo que você quiser, só usar bastante a imaginação”, complementou B.boy Luiz Henrique Frabetti, mais conhecido como Major.

 

Bia Benedito e Vini Vira Lata em frente ao graffiti realizado na Escola Madureira
Bia Benedito e Vini Vira Lata em frente ao graffiti realizado na Escola Madureira
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B. boy Graxa e B.boy Will Canela com alunos da Escola Geraldo Arone

O segundo elemento apresentando para a molecada é o break, a dança que acabou com a briga no gueto. A explicação termina com uma demonstração do elemento com os B.boys Graxa, Major, Nego e Cidinho dançando e animando a criançada, que se encanta e se impressiona com cada movimento. Ainda no elemento break, alguns alunos são convidados a aprender a dança com o B.boy Graxa e a mostrarem todo o seu talento. A animação às vezes é tanta que até mesmo algumas professoras entram na dança.

 

Outro elemento apresentado é o conhecimento. O bate-papo sobre esse elemento rola junto com as meninas da Frente Feminina de Hip Hop que discutem questões sobre machismo e a importância da mulher na cena e nesse ano contou a presença da Sara Nonato e da Issa Paz do grupo Plus Size. Mandando um Free Style, Issa mostra para as crianças que menina pode cantar rap sim.

 

Relembrando todo seu passado, o Rap é o último elemento a ser apresentado para as crianças e adolescentes. Explicando a origem de seu nome, originário de uma sigla em inglês que significa Ritmo e poesia. “Mas no Brasil a gente fala que o rap é assim: ritmo, amor e poesia”, diz Alisson ao terminar a apresentação e mostrar para as crianças que rap é poesia sim.

 

Estilo e representatividade marcam a noite de sexta-feira da Semana do Hip Hop Bauru

Por Mariana de Moraes
Fotos: Bianca Moreira

 

Nesta sexta-feira (11) rolou na Casa do Hip Hop (Estação Ferroviária) o Favela Fashion Zick, um desfile organizado dentro da programação da Semana Municipal do Hip Hop de Bauru.
O evento se deu início às 20h e contou com a presença de integrantes do movimento que participam das atividades anuais da casa e desfilaram com as camisetas da Casa do Hip Hop, Ponto de Cultura Acesso Hip Hop, peças da loja ÔVizu e Silvia Bolsas.

“Nós queriamos fazer um evento que agregasse todo nosso estilo e a nossa cultura, com pessoas fora do padrão, pessoas altas, magras, baixas, gordas.. que são as pessoas que nos representam, que não são os manequins que estão nas grandes passarela.” Disse Yngrid Suellen, idealizadora do desfile.

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A noite também contou com o mestre DJ Ding fazendo um som para animar o desfile e com um grande número de pessoas na plateia. Os modelos desfilaram, improvisaram e fizeram dança na passarela, todos cheios de charme e muito estilo.

Após o desfile rolou um super pocket show do David MC, Diogo gordão e dos grupos Raschimclam e Rimanos.
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E para finalizar a noite, rolou o Baile Flashback com os DJ’s Ding e Marcelão, com o melhor do rap e hip hop do passado. Foi uma noite de muita dança e agitação na Casa H2, a galera não parou um segundo.
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Tarde de shows marca a abertura oficial da Semana do Hip Hop Bauru 2016

A programação continua na maior Semana do Hip Hop do país. O domingo foi marcado pelo empoderamento da mulher, ativismo e mais uma vez muito hip-hop.

Por Mariana de Moraes e Felipe de Sousa
Fotos: Guilherme Munhoz, Banca Moreira, Mari Soares, Cadu Oliveira

O segundo dia de atividades da Semana do Hip Hop Bauru foi um dos mais aguardados pelo público. A programação começou às 14h no Parque Vitória Régia, com Dj Ding no comando dos toca-discos com clássicos do rap nacional e internacional.

Diretamente de Belo Horizonte, Negra Lud e Neghaun, iniciaram as apresentações que foram marcadas principalmente pela mensagem de superação e resistência. Em entrevista, Neghaun conta que foi uma ótima experiência, “foi muito prazeroso, sair de Belo Horizonte e estar colando aqui em Bauru com vocês e sentir toda essa vibe, sentir que o hip hop permanece vivo e permanece.” Sobre o movimento Hip Hop, o mc minero fala que a sociedade já aceita e deve aceitar mais o movimento, ”O mais importante de tudo que nós, o nosso povo, tem que entender melhor o que a gente planta a varias décadas, a quase 5 décadas, nosso povo tem que entender mais, mas a sociedade está abraçando mais, a sociedade entende o que a gente falava a 20 anos atrás a época que eu comecei, eu acho que estamos no caminho e no progresso”.

Negra lud que também se apresentou afirma que foi uma linda experiência voltar a cantar em Bauru, “Eu acho muito bonito ver o hip hop acontecendendo e é um enorme prazer voltar, eu sinto que estou somando para o que acontece e com o real intuito que o evento tem. (…) O movimento está crescendo cada vez mais, eu acho que a gente ta se apresentando melhor e trazendo conteúdo para as pessoas entenderem o movimento, (…) as pessoas estão começando a receber melhor a proposta do Hip Hop. É interessante isso, as pessoas estão curiosas para saber qual é a desse movimento que está proliferando em todo país, eu diria em todo mundo, tá bonito demais e eu fico muito feliz com tudo isso”.

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As mulheres continuaram trazendo muito empoderamento e presença no evento. Odisseia das flores, o grupo paulistano formado por Jô, Chai e Letícia, chegou a Concha Acústica com rimas repletas de mensagem e força, levando as mulheres da platéia na mesma levada, e a se sentirem representadas.
Quem subiu logo em seguida, diretamente da Cidade Tiradentes, São Paulo, foi o grupo A’s Trinca. Com o trecho “Essa é pra aquele que se identifica, cidade tiradentes zona leste (a’s trinca), três minas no vocal e um Dj no vinil, representatividade das quebradas que emergiu..” da música “Se identifica”, elas mostraram que não estão no jogo pra brincar. Com Músicas sobre representatividade, e denuncia ao machismo, ainda mandaram a letra sobre sua recente presença na televisão, “o hip hop tem que estar em todo lugar!”

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Ao chegar da noite, a presença dos grupos de rap da cidade, Dilema e Origem Rap, empolgou e atraiu mais o público fã do rap do interior. O show contou com participação do Dentão Mc, também artista da cidade, e uma capela do som do grande Mestre Sabotage.

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O grupo RAP PLUS SIZE, formado por Sara Donato e Issa Paz, tomaram o palco e dominaram com rimas que desconstroem o padrão estético e denunciam o machismo, racismo, gordofobia, e buscam o empoderamento da mulher. As minas, que são amigas há tempos e se juntaram recentemente no palco, já estiveram presentes em outras edições da Semana do Hip Hop, mas como grupo esta foi a primeira vez, com músicas como “O pano rasga”, já conhecida do público, fez a galera presente cantar junto e animar ainda mais o role.

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Em uma passagem marcante, o grupo de rap Ordem Natural exibiu sua energia no palco, Os MC’s Gato Congelado e Luo cantaram suas músicas cheia de positivismo e empolgação.
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Próximo às 22h, a concha acústica do Parque Vitória Régia, se transformou ,na mais bela celebração cultural. O MC Rapadura com os sons do disco “Fita Embolada do Engenho” se apresentou e representou o norte e o nordeste do país, com influencia de Luiz Gonzaga, Dominguinhos e a mais pura literatura de cordel, o nordestino mostrou os seus sons mais conhecidos como ‘É doce mais não é mole”, “Moça Namoradeira”, “Norte Nordeste me Veste”, tornando a escadaria do parque um verdadeiro baile.

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A última atração da noite era umas das mais esperadas no cronograma da semana, Thaíde. O Mestre do Hip Hop chegou com seu clássico “Pra cima” numa versão Remix, na companhia do Mister Pumpa Killa e Mc Tifu. O artista com um repertório recheado de clássicos, mostrou todo o seu conhecimento e história no Hip Hop.

 

No decorrer do show, b-boys foram convidados trazendo à Semana do Hip Hop um sentimento da estação São Bento, onde o movimento surgiu e existe até hoje. Thaíde é considerando por sua história no cenário cultural e pelos seus discos considerados verdadeira obras de arte históricas, o MC encerrou o fim de semana de abertura da maior Semana do Hip Hop gratuita da América Latina.
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Mais informações sobre a semana do Hip Hop Bauru, acesse a página no Facebook, Semana do Hip Hop Bauru

Hip Hop não Para! Começou a VI Semana do Hip Hop de Bauru

A noite do primeiro dia de atividades foi marcada por intervenções, literatura Marginal, o público e, claro, muito Hip Hop.

Por Mariana de Moraes e Felipe de Sousa
Fotos: Bianca Moreira, Cadu Oliveira

 

No inicio da noite deste sábado iniciaram-se as atividades de abertura da Semana do Hip-Hop.

Marcada pela presença do público que interagiu a todo o momento, a noite começou com o lançamento do livro Hip Hop Cultura de Rua, escrito pelo MC Who Kasseone. No palco, o escritor mostrou um pouco da importância do movimento, com uma intervenção repleta de emoção e de palavras contagiantes. Em entrevista, o artista mostra a sua opinião sobre o evento. ”Em linhas gerais a cidade está de parabéns, aqui se faz o hip-hop de verdade, eu acho que o Brasil inteiro deve reconhecer o trabalho que vocês fazem aqui, é lindo tudo isso, eu sou apreciador desse trabalho, e grato pela oportunidade.”

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Logo em seguida, MC Tiely Queen assumiu o palco, com rimas pesadas e repletas de ativismo. Em uma passagem marcante, o MC, ator, e cineasta de São Paulo, também coordenador do Projeto HIP HOP MULHER, empolgou a todos na Estação.

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Uma das últimas atrações da noite, em sua quarta passagem pela Semana do Hip Hop, a Parada Poética com Renan Inquérito, animou a todos. Renan declamou suas poesias dos livros #PoucasPalavras e Poesia Pra Encher a Laje, lançado esse ano, e algumas improvisadas. O público não ficou de fora, no momento que o microfone ficou aberto, pessoas declamaram os seus versos, rimas, e poesias contagiando cada vez mais a todos. O MC e escritor, disse a importância da literatura marginal, “é importante porque é uma literatura que bate no peito e fala que é marginal(…) é outra conotação de marginal, que diz: eu sou marginal porque eu quero e tenho orgulho, sou marginal no que eu escrevo, marginal por não querer fazer parte desse sistema literário, faço questão de ser marginal. É um posicionamento político, acima de tudo, e não tem como negar que tem uma enorme relação com o Hip Hop.”

O MC ainda falou sobre a importância da politização do jovem que está inserido no movimento hip hop, dizendo que os jovens são a esperança para dar continuidade à luta que estamos buscando para erguer cada vez mais a bandeira do hip hop: “o jovem é o combustível de qualquer movimento, seja estudantil, social, racial, tá ligado, o jovem tem energia, tem o brilho no olho, ele tem a sede de mudança e não foi contaminado pelos tombos como nós já fomos. Ele não tá calejado, ainda! Ele é necessário para fazer a roda girar.”

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Sobre o evento e a sua evolução, Inquérito, que já participa desde 2014 disse: “Eu acho daora que todo ano tem gente nova, mas também tem o núcleo duro, que é a base mesmo que tá desde o primeiro. E eu acho isso necessário, essas pessoas, elas vão passando o bastão, mas é necessário que elas fiquem e abracem, recebam quem tá chegando, formem quem tá chegando. Para que esse que hoje é formado amanhã  vire um formador também. Então, não são escolas, são gerações. É de sangue pra sangue, geração. Escola é divisão.(…) Esse é um evento lindo, é um evento que não fica só restrito para a música, abrange várias esferas e devia ter um evento desse em cada cidade do Brasil, independente do partido que ganhar, tem que entender que isso é legítimo. É legítimo ter uma Semana do Hip Hop em uma cidade como Bauru, assim como é ter em outras cidades. O que não pode é ter semana do Hip Hop só quando um prefeito de esquerda ganhar. Isso faz da gente refém.”

O ápice da noite foi a tão esperada Batalha de MC’s, os rimadores se enfrentaram pela glória e pelo prêmio ao melhor da noite, um troféu e uma tatuagem. No confronto, cada MC tinha 40 segundo para improvisar, a final tão esperada entre Estrofe MC e Mael MC foi marcada pelo talento do mais puro improviso, a vitória ficou com Mael MC após um terceiro round.
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A semana do Hip Hop continua hoje (06) com apresentação de grupos Rap, no parque vitória Régia. Acompanhe a programação completa na pagina Semana Do Hip Hop Bauru.

O Hip Hop é universal. Neto do Síntese trocou uma ideia com a Casa do Hip Hop de Bauru

Entrevista por Felipe Sousa
Fotos Lucas Rodrigues, Acervo Casa do Hip Hop

Integrante e formador do grupo de rap Sí­ntese de SãoJosé dos Campos, Gestério Neto, bateu um papo com a Casa do Hip Hop de Bauru em sua breve e marcante passagem nossa comemoração de aniversário. Com frases marcantes carregadas de mensagens e cultura, Neto falou um pouco sobre o movimento cultural em si, um pouco de rap e as mensagens transmitidas em suas letras carregadas de conteúdos líricos e poéticos.

Abaixo você confere a entrevista na Integra.

 

Neto em entrevista exclusiva a Casa Do Hip Hop

Qual a importancia desse evento para o movimento hip-hop?
Neto: Ah, eu acho muito da hora mano, ter uma casa de hip-hop assim na cidade, é uma coisa que a gente quer ter lá em São José, interior, fora do eixo, sabe quanto é difícil  mostrar a cultura para a rapaziada, para as pessoas. Poucos conseguem se sustentar disso no decorrer da vida e  é  dahora ter um espaço onde as pessoas podem ver cultura acontecer, por quem realmente faz, os verdadeiros. Eu acho muito loco esse encontro e me sinto honrado de está aqui no primeiro ano, uma causa tãoo dahora como essa da nossa cultura tão linda, trabalha com nossa energia criativa, é algo muito necessário e sempre foi, expressar essa ansiedade que a gente tem, que o jovem tem, expressar esse poder e canalizar para algo bom.

Você sendo do interior paulista também, como você está vendo hoje a cena do rap?


Neto: Pode crer, to  vendo que a gente está no momento de se fortalecer, de ver que é nó por nós, que não tem que esperar ninguém, vir, oportunidade, esperar nada acontecer, faça você mesmo e com as ferramentas que a gente tem. Eu acredito que essa mentalidade tem ganhado força na medida em que pessoas como eu, como o Coruja daqui, os irmãs que cola pra São Paulo, cola para os outros estados, cola pra lá, leva o rap da onde eles são para cá como eles são isso daqui pro mundo, de Bauru para o mundo, de São José para o mundo. A gente é muito forte e o poder está em nós.

 

Ligado a tudo que vocÊ falou, você acredita que o hip-hop salva vidas?
Neto: demais mano! Salva mentes, direciona mentes, no meio disso, cêª ta transmitindo toda aquela energia fazendo parte de toda aquela expressão é algo que diverte, entretêm, que mexe com o corpo, alimenta a mente. Musica é algo tãoo espiritual sabe, eu acho que isso muda a vida das pessoas para sempre, mudou a minha, a dos b-boys, dos irmãoo que veio comigo aqui, mudou as dos grafiteiros , dos Djs, dos Mcs que ficaram lá¡ também sabe, das pessoas da cultura que tô trombando aqui tambémm, o hip-hop é universal.

Para fechar, como é  para você  estar no palco transmitindo uma mensagem?
Neto: Eu acho que é um momento sagrado sabe, ser portal, a arte é divina, expressa divindade e a gente ta ali sendo canal disso tudo, é  uma responsabilidade muito grande, um amor muito grande que a gente sente, se provocando  e provocando sentimento mais profundo, se sentindo, se apalpando e nesse se por pra fora, os irmão se vê na gente, eu acho que é algo transcendental.

A entrevista foi concedida no último dia da Comemoração de 1 ano da Casa do Hip Hop de Bauru, encerrada com um grande show do Síntese e Família Matrero.

Comemoração de aniversário da Casa do Hip Hop de Bauru

Um fim de semana para entrar para história! Festa de comemoração de um ano de vida da Casa do Hip Hop de Bauru esteve repleta de breaking, grafite, rap, discotecagens, e muita cultura.

Por Felipe Sousa
Fotos: Lucas Rodrigues, Cadu Oliveira, Bianca Moreira, Bibiana Garrido, Guilherme Munhoz, Lucas Mendes, Mari Soares, Thamires Motta, Thaiane Cuba

O evento teve início na noite de sexta-feira, dia 16, e já começou marcado pela presença e participação contagiante dos amantes da cultura durante as apresentações dos alunos de Free step, Krump, Samba Rock, Kizomba e Street Dance, oficinas ministradas semanalmente na Casa do Hip Hop de Bauru. A noite também contou com improviso de rimas de Mc’s locais que com os seus versos pesados e de mensagem, empolgaram e causaram reflexão em todos os presentes.

 

O Segundo dia começou com batalha de breaking, comandada pelo Dj major, tocando clássicos do hip-hop conhecidos do público e principalmente dos B-boys e B-girls da região em disputa. Foram duas modalidades, individual e all X all, onde os b.boys Tiziu e Evert se destacaram e se consagraram vencedores do dia. Ainda em tempo, Dj Major mandou alguns sons para dança livre, o que inundou o saguão da Estação Ferroviária de dançarinos mostrando o talento por pura diversão.
Mais tarde, as apresentações das alunas de dança do ventre, e Capoeira de Angola tomaram o saguão com exibições incríveis. O sábado, que era realmente pra ninguém ficar parado, encerrou com os dj’s Mohámed, Baya e Ding fazendo a festa nos toca-discos, com clássicos e atuais da música.

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Com uma programação toda dedicada ao rap, o domingo era talvez o dia mais aguardado. As atrações começaram às 15 horas com shows de artistas locais reconhecidos, grupo Renegado Mcs, Dilema Rap, MentBlindada, Dentão Da Rima, e Betin Mc. 
Cada show teve seu diferencial marcante, como o show do Renegados Mcs que levou vários outros mcs e amigos ao palco para cantar, e Betin mc que, ao lado de seu irmão Moonh Beats, apresentou músicas novas e convidou o Mc bauruense Thiago Negão, na participação da música “Enquanto uns riem outros choram”.

O intervalo dos shows eram muito bem aproveitados com a discotecagem do Dj Ding. Sabotage, SNJ, Karol de Souza, Marechal, Racionais Mcs e muitas outras consagradas do Rap Nacional manteve todos no clima do dia.

Com o chegar da noite o público aumentava para o grande show de encerramento, que ficou por conta do Síntese e Família Matrero.
Numa vibração intensa entre público e mcs do começo ao fim, o show teve músicas já conhecidas como “Se escute”, e “Autoafirmação”, e intervenções novas. Em certo momento Neto declarou “Hip Hop é os 4 elementos juntos, o que me fez fazer rap foi ver os elementos unidos desde pequeno” referindo-se aos elementos dj, breaking, rap e grafite, e então convocou uma roda de breaking da Família Matrero no palco, e levou a galera presente à loucura!
O grupo,de São José dos Campos, interior de São Paulo, ressaltou a importância do trabalho feito na Casa do Hip Hop de Bauru em uma cidade do interior, e fechou a noite com uma salva de palmas à Casa e desejando muitos anos de vida.
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Foram 3 dias de comemoração intensa, e muito trabalho em equipe. A Casa do Hip Hop de Bauru agradece a todos que participaram dessa construção e celebração, e seguimos firme no propósito. Viva a Casa do Hip Hop de Bauru!

Confira um pouco mais do evento e fique ligado em nossa página no Facebook Casa do Hip Hop de Bauru

Duas mulheres e uma só voz

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A participação do grupo Rimação na V Semana do Hip Hop mostrou que, assim como o interior, as minas também tem voz

Por: Gabriela Martinez

Fotos: Rebeca Farinelli

O último sábado da V Semana do Hip Hop aconteceu no Vitória Régia. Enquanto rolava a Primeira Feira de Economia Solidária do Hip Hop do Estado de São Paulo no gramado central, o Rap Nacional tomou conta do palco Interior Tem Voz.

Por ali já haviam passado Bruno Bl, Dois1dois e Negra Lud quando chegaram as minas do Rimação.

Com músicas que refletem a luta da mulher brasileira para conquistar seu espaço, o grupo Rimação mandou o recado e recebeu de volta fortes aplausos da galera que, aos poucos, lotava as arquibancadas.

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Marcia e Camila são de Mauá-SP, juntas vieram pela primeira vez para a Semana do Hip Hop, já Camila esteve na edição anterior do evento em Parceria com as MC’s Issa Paz e Sara Donato e comenta que é muito importante a união que um evento como esse promove entre cidades e até estados.

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O Rimação, que significa a junção das palavras “rima” e “ação”, existe nesta formação desde 2012, porém a caminhada das duas no movimento Hip Hop é bem mais antiga. Marcia e Camila são MC’s há aproximadamente dez anos e participaram de outros grupos antes de consolidarem o Rimação.

Com um videoclipe gravado, o grupo lança ainda este ano o primeiro CD com o nome “Maria da Penha”, título de uma das músicas que compõem o CD. Com 12 faixas, o CD vem como a realização de um sonho e o início de outro, pois as duas já estão pensando no próximo CD, “talvez intitulado Carolina Maria de Jesus”, como comenta Marcia.

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Quem diz que mina não pode ser Sensei? Com a palavra, Drik Barbosa

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Texto: Thamires Motta
Fotos: Lucas Rodrigues Alves da Silva e Felipe Amaral

Drik Barbosa: em algum momento, você já ouviu falar esse nome. A MC começou nas rodas de freestyle da Batalha do Santa Cruz, em São Paulo, e logo começou a ser reconhecida pela voz inconfundível e pelo talento no free. Já teve participações nos discos de Marcello Gugu, DJ Caique, Novato e mais recentemente na faixa “Mandume”, de Emicida. Convidada pelo rapper para dividir o palco em Bauru, ela cantou o single e entoou vários refrões durante o show.

Arrepiando em “Mandume”, Drik leva feminismo e mais voz para as mulheres negras nos seus versos. Ela acredita que o próprio Rap já tinha dificuldades em alcançar visibilidade, mas que elas estão chegando cada vez mais longe, já que as portas foram abertas pelas mulheres que batiam de frente. “Quero que a gente possa falar do que a gente quer, não só falar de violência e preconceito, que é extremamente importante, mas que a gente passe nossa visão sobre amor, felicidade, sobre rolê. Que não fique só essa perspectiva do homem”, explica a rapper.

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Para ela, a maior importância da Semana do Hip Hop está em alcançar as pessoas e mostrar o poder da cultura. “É importante trocar uma ideia legal cara a cara com as pessoas, não ser só essa parada de internet”, conta. “Tem muita gente que fala que falta mais show aqui, principalmente de mina, mas é uma coisa que vai chegar”, acredita a MC.

Para o próximo ano, Drik Barbosa está envolvida em dois projetos, e planeja o lançamento de um EP. “Espero pode lançar uns singles antes, uns acústicos. Em 2016 a gente vai chegar bolada”, afirma. E nós esperaremos ansiosos.

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Combo 5 Elementos é atração do dia na SORRI

_MG_5062Crianças da instituição participam por mais um ano da atividade da Semana do Hip Hop

Por Heitor Facini e Lucas Zanetti
Fotos: Heitor Facini e Lucas Zanetti

Nesta terça-feira, 10 de novembro, como parte da programação da Semana do Hip Hop 2015, o Combo 5 elementos deu uma aula de cultura às crianças da SORRI. Durante o dia todo, cerca de 120 pessoas contribuíram para que a atividade fosse um sucesso.

A manhã começou com uma introdução a cultura Hip Hop falando um pouco sobre a importância breaking, rap, DJ, grafitti e principalmente passando muito conhecimento para a molecada. Depois que a mensagem foi transmitida, chegou a hora da diversão. As crianças botaram os quadris para se mexer ao som do  Magum, sempre com um sorriso no rosto. Além disso, sujaram as mãos e as roupas usando as latas de spray para grafitar e criar sua arte.

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Crianças na SORRI

Um dos que curtiram o dia na SORRI foi Davi, de 6 anos. A mãe dele, Silvana, também ficou muito contente com a atividade. “É uma oportunidade muito boa para estimular o desenvolvimento do Davi”, opina ela. Já Maria Margarida, mãe de Eduardo, de 8 anos, viu o seu filho arrasar no breaking. “É muito boa a atuação do Combo porque meu filho sai um pouco da rotina. Ele vem aqui e acaba aprendendo com a cultura Hip Hop. Muda um pouco do cotidiano dos acompanhamentos médicos, de psicólogos”.

O compartilhamento de experiências é mútuo. Da mesma forma que as crianças da SORRI aprenderam sobre a cultura Hip Hop, quem organizou também saiu transformado. “A energia, a sensibilidade e a verdade que eles passam no olhar é importante para a gente continuar lutando”, diz Magum de São Carlos, que orquestrou a festa. “Estar aqui na Sorri é renovador para nós do Hip Hop, faz continuar acreditando na transformação social”, completa.

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Os funcionários da SORRI também elogiaram o Combo. “O evento é um estímulo múltiplo, visual, auditivo, social”, observa Marcela Pinto , coordenadora sócio-cultural da instituição. Ela lembrou ainda da atividade realizada na Semana do Hip Hop de 2014, para mostrar o poder transformador da cultura. “No ano passado, por exemplo, algumas crianças autistas que não se abrem facilmente arriscaram alguns passos no breaking”.

Sorri. Há mais de três décadas, a Sorri realiza em Bauru um trabalho de inserção plena e imediata na comunidade. A instituição recebe pessoas de todas as idades em situação de risco ou vulnerabilidade social, com deficiências físicas, intelectuais, visuais e auditivas.

Os pais das crianças atendidas pela Sorri se sentem acolhidos. “O trabalho é maravilhoso, eles abraçam as crianças e ficam juntos até melhorar”, opina Maria Margarida, mãe de Eduardo.

Freestyle, Luiz Gonzaga e encerramento a capela no meio do povo marcam o show frenético de Rapadura

IMG_0387Artista leva público ao delírio em sua apresentação marcada por originalidade e carisma na V Semana do Hip Hop de Bauru

Por Lucas Zanetti
Fotos: Lucas Rodrigues e Felipe Moreno

A diversidade de apresentações na abertura da V Semana Municipal do Hip Hop de Bauru foi consagrada pela apresentação do músico cearense Rapadura Xique-Chico. O carisma e a presença de palco do artista, em conjunto com a extrema valorização das raízes negra e indígena do povo brasileiro, sem dúvida vão ficar guardados por muito tempo na cabeça de quem esteve presente no parque Vitória Régia no último domingo, 8 de novembro.

Na levada rítmica da sanfona nordestina, ao som do mestre Luiz Gonzaga, a apresentação de Rapadura contou também com freestyle, idioma indígena e não foi finalizada no palco! Terminou lá em baixo, na catarse do público que cantava junto com ele a capela. No palco e fora dele, o artista deu uma verdadeira aula de humildade, originalidade e de cultura brasileira.

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Rapadura com meninas do Abayomi

“O maracatu e a cultura é o que vem naturalmente e a gente se identifica só de olhar no olho, de dar um abraço”

Antes de sua performance, o artista havia se apresentado com Abayomi, grupo bauruense de maracatu, que rendeu comoção de algumas integrantes do grupo. ”Meu olho encheu d’água porque eu vi as minas ali tocando e elas estavam chorando. Foi uma coisa muito bonita. O maracatu e a cultura é o que vem naturalmente e a gente se identifica só de olhar no olho, de dar um abraço”, diz Rapadura sobre o momento. Depois, retornou aos palcos novamente em parceria com o Inquérito.

Há três dias sem dormir direito, Rapadura fez muito barulho no Vitória Régia, levando o público ao delírio ao lado de seu DJ oficial, Rodrigo RM, que tem 13 anos de carreira e acumula 18 prêmios. Em 2008 RM ficou entre os 10 melhores DJs do mundo quando ganhou o prêmio ”DCM BRASIL”. Sua apresentação na abertura da Semana levou o povo ao delírio e foi digna de sua grandeza.

A mistura do rap com o repente. Rapadura é um artista de vanguarda. Seu som mistura elementos do rap com o repente, o maracatu, o coco, o forró e o baião típicos da cultura nordestina. ”Estes dois movimentos estão concentrados dentro de mim, então eu só jogo para fora o que tem aqui dentro”, conta o artista.

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Para ele, os ritmos convergem em diversos aspectos, o que torna esta mistura bem natural. ”O discurso é o mesmo, é contra o preconceito, é contra o racismo é a favor de melhorias para o povo então tem tudo a ver o rap com o repente”, explica. Toda esta complexidade rendeu a ele o Prêmio Hutúz 2009 como melhor artista Norte/Nordeste.

Apesar das diferenças, o rapper vê muitas semelhanças entre a cultura nordestina e a do interior paulista. ”As pessoas do interior daqui são parecidas com o interior de lá no acolhimento, no sorriso, no abraço, no carinho. Hoje eu recebi muito calor humano. Eu vejo que o nordeste está aqui e aqui está no nordeste”, opina.

“A gente vive em um país que não tem como dizer que é branco. Nosso país é negro, é indígena. Só que a gente se vê pouco nas representações”

O povo brasileiro não é branco. Um dos principais elementos da apresentação de Rapadura foi a valorização do povo negro e indígena brasileiro, que estão marcadas em nossos traços físicos e culturais. ”A gente vive em um país que não tem como dizer que é branco. Nosso país é negro, é indígena. Só que a gente se vê pouco nas representações. Desde quando eu aprendi o que é Hip Hop eu aprendi que existe um compromisso social”, comenta.

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A transformação do Hip Hop. Rapadura acredita que o novo sempre é bem vindo, desde que contribua de maneira positiva para o movimento. Ele critica os artistas que se utilizam da cultura Hip Hop sem saber o seu real significado e importância. ”O movimento tá crescendo bastante, mas eu vejo um lado que tá crescendo sem o conhecimento do Hip Hop. A galera chega, mas não sabe como começou isso, da onde veio, quem foram os precursores. Quantas pessoas apanharam para você poder usar um boné na cabeça hoje, quantas pessoas apanharam para você poder subir no palco e poder ter liberdade de expressão”, critica.

Ele acredita que os antigos e os novos devem trabalhar em conjunto para o progresso positivo do movimento. ”Nós mais antigos também temos a responsabilidade de chegar na molecada e trocar uma ideia”, completa.