Ano de luta, anos de Hip Hop

2016 foi ano de transformações, mudanças e crescimento da cultura. E a Casa do Hip-Hop respirou (e transpirou) cultura esse tempo todo.

Por Lucas Mendes e Felipe Sousa
Fotos do Acervo Casa do Hip Hop Bauru


O primeiro de muitos: esse é o sentimento que fica na cabeça sobre o ano de 2016. A Casa do Hip Hop de Bauru completou 1 ano de atividades, ocupando os espaços e mostrando a força e articulação que o interior possui pra impulsionar e fortalecer a cultura e a cena local. 
Vale lembrar que foi nesse último mês de setembro que comemoramos 1 ano de presença no prédio da Estação Ferroviária, lá no centrão da cidade. Com apoio da Secretaria de Cultura, a Casa do Hip Hop foi o primeiro coletivo a ocupar as salas da 1º andar da Estação – que tinha ficado abandonada por mais de 20 anos.

Quem entra lá hoje já nota rápido a transformação do lugar. Diversos grupos estão utilizando o espaço – tem aulas da Divisão de Ensino às Artes da Secretaria de Cultura, Academia Bauruense de Letras, teatro, dança.. fazendo dali uma importante incubadora e fomentadora de cultura e efervescência artística.

 

Pra comemorar esse aniversário de 1 ano, a Casa do Hip Hop realizou a festa com atrações conhecidas da cidade, da região e do cenário na nacional do Rap. Os grupos Ment Blindada, Renegados Mc’s, Betim Mc e Dentão da Rima representaram Bauru, enquanto o grupo Revolução LDE veio de Marília. Síntese e família Matrero colou pra fechar o evento. O Mc De São José dos Campos  conversou com a gente, relatando a importância de se ter um espaço como a Casa de Cultura Hip Hop e também mostrou seu ponto de vista sobre o cenário do Rap hoje. A entrevista exclusiva você confere aqui.

Renegados Mc’s foram uns dos grupos que representaram a Bauru
Síntese e Família Matrero foram umas das atrações no Aniversário da Casa Do Hip Hop

Eventos importantes realizados pelo Ponto de Cultura Acesso Hip Hop, como Rap Hour, Estação Hip Hop e o Projeto Ensaio marcaram presença, trazendo artistas locais em apresentações nos quatro cantos da cidade, ou na própria Estação Ferroviária – prédio que abriga a Casa H2, que atua como parceira na realização.Bairros como Núcleo Gasparini, Mary Dota, entre outros, receberam bem as atividades, que contam também com apoio da Secretaria Municipal de Cultura.

A Batalha da Panelinha foram uns dos eventos que se consagrou esse ano
A batalha acontece toda quarta-feira.

 

Atividades, rolês, encontros

Balada Samba Rock, foi um sucesso em seu primeiro ano de realização

Dentro do que é feito pela Casa H2 existem atividades de formação, discussão e também espaço pra rolês e eventos da cultura. Umas das atrações que mais o público curtiu nesse ano foi  a clássica Batalha da Panelinha, realizada toda quarta-feira com os mc’s da cidade e região. Também um sucesso de público é a Balada Samba Rock, que teve 3 edições.

Movimento social rico, orgânico e criativo, o Hip Hop sempre se reinventa e incorpora novas discussões através de suas expressões. Seja nas rimas, batidas, latas de spray ou passos do breaking, as lutas e enfrentamentos diários são politizados por meio do conhecimento.E nesse campo a Casa H2 marcou sua presença com a realização de debates, rodas de conversa e saraus sobre os diferentes temas de relevância na sociedade.

Nessa missão foi que recebemos o II Fórum Regional de Mulheres no Hip Hop, projeto de realização da Frente Nacional de Mulheres no Hip Hop, contemplado pelo Proac-SP. A Frente Feminina de Hip Hop de Bauru integra esse coletivo nacional e foi parceira local para a realização do evento.

Com uma programação voltada à visibilidade das artistas da região, os fóruns têm como principal objetivo criar um espaço de acolhimento através de apresentações artísticas, workshops, rodas de conversa e oficinas para as mulheres. Os Fóruns Regionais são encontros prévios para o Fórum Nacional de Mulheres no Hip Hop, que acontece anualmente em São Paulo, e este ano contou também com a presença das integrantes da Frente Feminina de Hip Hop de Bauru.

Momentos envolvendo filmes e debates também marcaram presença por aqui nesse ano. O Cine Pixote proporcionou a exibição de filmes de conteúdo e fora do circuito comercial, sempre com uma temática política pra engatar um debate.

 

Em meio a todas as frentes de atuação da Casa do Hip Hop de Bauru também se destaca a presença do Cursinho Popular Pré-Vestibular “Acesso Hip Hop”, uma importante iniciativa de educação pra juventude que não tem como pagar aquele cursinho particular.Oferecendo aulas que trazem discussão política ao mesmo tempo em que prepara os manos e minas pro vestibular, o Cursinho busca  colocar cada vez mais gente da periferia nas universidades, ocupando um lugar que também é nosso por direito. Esse ano rolou uma Festa Julina pra auxiliar na manutenção do projeto educacional do Cursinho. Teve bingo, quadrilha, correio elegante e discotecagem.

Oficinas e aprendizado

Ao longo de todo ano também demos seguimento à disseminação da cultura Hip Hop através de seus elementos. As oficinas atraem um pessoal diverso e movimentam o espaço da Casa H2.Graffiti, Rap, DJ e Breaking oferecem essa vivência pra quem quiser conhecer mais da cultura. Elas são abertas e totalmente gratuitas. Também rola oficina de Freestep e Krump, além de Kickboxing, Dança do ventre, Kizomba, samba de gafieira, pandeiro e capoeira.

 

Dança do Ventre em Apresentação
A oficina de Capoeira em apresentação na Casa Do Hip Hop
As oficinas de KickBoxing são realizadas as quartas e sextas feiras

Aqui o destaque é para as oficinas profissionalizantes, oferecendo um meio de emancipação ou complemento de renda: unhas artísticas, design de sobrancelhas e maquiagem. Quem quiser saber mais ou participar é só chegar lá na Casa do Hip Hop e acompanhar os trabalhos.

No começo de dezembro também aconteceu uma oficina de escrita criativa, organizado pela Biblioteca Móvel Quinto Elemento, coletivo que compõe a Casa. A atividade contou com patrocínio do Programa de Estímulo à Cultura. O poeta Ni Brisant colou pra mediar a atividade, que buscou oferecer uma vivência e um despertar para a literatura e a poesia.

Ni Brisant na oficina de Escrita Criativa, realizada com apoio da Biblioteca Quinto Elemento
A oficina de Escrita Criativa foi uns dos destaque do mês de dezembro

Semana do Hip Hop

Novembro foi o mês que a cidade mais uma vez respirou o hip hop e seus elementos. A sexta edição da  Semana Municiapl do Hip-hop foi realizada pela Secretaria Municipal de Cultura e o Ponto de Cultura  Acesso Hip Hop. A Casa do Hip Hop sediou grande parte da programação e o espaço recebeu shows de grupos da cidade e da região, como Marília, Barretos, São Paulo,  e até de outros estados, como Minas Gerais e Rio Grande do Sul, todos bem representados.

Maestro do Caos diretamente de Barretos, representando Barretos

A Estação também recebeu  as finais do breaking, Krump e All Style  e grandes representantes como Casper Back Spin, Mister Jeff, Hatkilla, tudo no comando dos toca disco com dj Basin e Niko.

Ainda rolou a Marcha do Orgulho Crespo, a segunda edição do “Favela fashion zick”, com estilo e representatividade em um desfile de moda, e o tradicional Sarau do Viaduto, realizado pela Biblioteca Móvel Quinto Elemento.Ao todo foram dez dias de programação da Semana do Hip Hop, considerado o maior evento público de Hip Hop da América Latina.

O Tradicional Sarau do viaduto foi realizada esse ano na casa do Hip Hop
Favela fashion zick, representativadade e moda na Semana do Hip Hop

Expectativas

Recentemente a Casa do Hip Hop foi contemplada pelo Programa de Ação Cultural (Proac), do governo estadual. O concurso contou com 127 projetos inscritos, e a Casa foi selecionada em 1º lugar. Os projetos concorreram a prêmios de R$ 40 mil cada e que serão executados a partir de 2017.Esse é um edital próprio para a cultura Hip Hop, e veio como um incentivo pra manter nossa cultura viva e atuante. A Casa vai poder formar e impulsionar a cena Hip Hop e a essência da cultura nos trabalhos de formação.A verba será destinada para a manutenção das atividades da Casa, como as oficinas, e servirá para remuneração de gestores e oficineiros, garantindo a continuidade e aprimoramento de todo o projeto.

 

Hip Hop não Para! Começou a VI Semana do Hip Hop de Bauru

A noite do primeiro dia de atividades foi marcada por intervenções, literatura Marginal, o público e, claro, muito Hip Hop.

Por Mariana de Moraes e Felipe de Sousa
Fotos: Bianca Moreira, Cadu Oliveira

 

No inicio da noite deste sábado iniciaram-se as atividades de abertura da Semana do Hip-Hop.

Marcada pela presença do público que interagiu a todo o momento, a noite começou com o lançamento do livro Hip Hop Cultura de Rua, escrito pelo MC Who Kasseone. No palco, o escritor mostrou um pouco da importância do movimento, com uma intervenção repleta de emoção e de palavras contagiantes. Em entrevista, o artista mostra a sua opinião sobre o evento. ”Em linhas gerais a cidade está de parabéns, aqui se faz o hip-hop de verdade, eu acho que o Brasil inteiro deve reconhecer o trabalho que vocês fazem aqui, é lindo tudo isso, eu sou apreciador desse trabalho, e grato pela oportunidade.”

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Logo em seguida, MC Tiely Queen assumiu o palco, com rimas pesadas e repletas de ativismo. Em uma passagem marcante, o MC, ator, e cineasta de São Paulo, também coordenador do Projeto HIP HOP MULHER, empolgou a todos na Estação.

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Uma das últimas atrações da noite, em sua quarta passagem pela Semana do Hip Hop, a Parada Poética com Renan Inquérito, animou a todos. Renan declamou suas poesias dos livros #PoucasPalavras e Poesia Pra Encher a Laje, lançado esse ano, e algumas improvisadas. O público não ficou de fora, no momento que o microfone ficou aberto, pessoas declamaram os seus versos, rimas, e poesias contagiando cada vez mais a todos. O MC e escritor, disse a importância da literatura marginal, “é importante porque é uma literatura que bate no peito e fala que é marginal(…) é outra conotação de marginal, que diz: eu sou marginal porque eu quero e tenho orgulho, sou marginal no que eu escrevo, marginal por não querer fazer parte desse sistema literário, faço questão de ser marginal. É um posicionamento político, acima de tudo, e não tem como negar que tem uma enorme relação com o Hip Hop.”

O MC ainda falou sobre a importância da politização do jovem que está inserido no movimento hip hop, dizendo que os jovens são a esperança para dar continuidade à luta que estamos buscando para erguer cada vez mais a bandeira do hip hop: “o jovem é o combustível de qualquer movimento, seja estudantil, social, racial, tá ligado, o jovem tem energia, tem o brilho no olho, ele tem a sede de mudança e não foi contaminado pelos tombos como nós já fomos. Ele não tá calejado, ainda! Ele é necessário para fazer a roda girar.”

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Sobre o evento e a sua evolução, Inquérito, que já participa desde 2014 disse: “Eu acho daora que todo ano tem gente nova, mas também tem o núcleo duro, que é a base mesmo que tá desde o primeiro. E eu acho isso necessário, essas pessoas, elas vão passando o bastão, mas é necessário que elas fiquem e abracem, recebam quem tá chegando, formem quem tá chegando. Para que esse que hoje é formado amanhã  vire um formador também. Então, não são escolas, são gerações. É de sangue pra sangue, geração. Escola é divisão.(…) Esse é um evento lindo, é um evento que não fica só restrito para a música, abrange várias esferas e devia ter um evento desse em cada cidade do Brasil, independente do partido que ganhar, tem que entender que isso é legítimo. É legítimo ter uma Semana do Hip Hop em uma cidade como Bauru, assim como é ter em outras cidades. O que não pode é ter semana do Hip Hop só quando um prefeito de esquerda ganhar. Isso faz da gente refém.”

O ápice da noite foi a tão esperada Batalha de MC’s, os rimadores se enfrentaram pela glória e pelo prêmio ao melhor da noite, um troféu e uma tatuagem. No confronto, cada MC tinha 40 segundo para improvisar, a final tão esperada entre Estrofe MC e Mael MC foi marcada pelo talento do mais puro improviso, a vitória ficou com Mael MC após um terceiro round.
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A semana do Hip Hop continua hoje (06) com apresentação de grupos Rap, no parque vitória Régia. Acompanhe a programação completa na pagina Semana Do Hip Hop Bauru.

Retrospectiva 2015: produtividade, conhecimento e luta na Casa do Hip Hop de Bauru

Casa do Hip Hop de Bauru é inaugurada e já se consolida como importante ponto de articulação cultural, política e social da cidade

Por Keytyane Medeiros
Imagens: Conrado Dacax, Felipe Moreno, Felipe Amaral, Heitor Facini, Lucas Mendes, Lucas Rodrigues, Lucas Zanetti, Mariana Lacava, Rebeca Farinelli, Thaine Cuba

2015 foi o ano do Hip Hop. Com aparições de peso de rappers na TV e na grande mídia como Emicida, Criolo e Tássia Reis, o movimento atingiu ainda mais visibilidade e públicos diversificados. Músicos como Bárbara Sweet e Rico Dalasam ocuparam espaços em veículos de mídia mais à esquerda protagonizando entrevistas sobre temas que normalmente não são vinculados ao movimento Hip Hop, embora na prática sejam recorrentes na militância, como questões de identidade e opressão de gênero. O Hip Hop, como movimento social rico, orgânico e criativo está se reinventando e incorporando discussões atuais em suas rimas, batidas e jatos de spray, politizando e atualizando nossas lutas diárias em todos os seus elementos. Além disso, o ano foi voltado para a formação e consolidação de contatos em rede em Bauru e no país.

Casa do Hip Hop de Bauru. Este ano foi marcante para o movimento Hip Hop em todo o estado de São Paulo. Cidades do interior paulista como Mogi das Cruzes, Piracicaba, Araçatuba, Campinas e Nova Odessa organizaram festivais, workshops e saraus, absorvendo e proporcionando novos ares ao movimento regional. Em Bauru, a inauguração da Casa do Hip Hop consolidou a cidade como um dos principais pólos de articulação política, cultural e social do movimento no Estado e no país.

A negociação por um espaço próprio para realizar atividades, oficinas e shows já acontecia por membros do Ponto de Cultura Acesso Hip Hop e militantes do movimento de Bauru junto a Prefeitura e Secretaria Municipal de Cultura desde janeiro de 2014, no entanto, a Casa do Hip Hop só se tornou realidade entre os meses de maio e julho deste ano, depois de extensivos acordos com os órgãos municipais. Em maio, junto aos trabalhadores e reeducandos do Instituto Penal Agrícola (IPA) de Bauru, demos início à ocupação de metade do primeiro andar da antiga Estação Ferroviária, espaço abandonado por mais de 20 anos pelo poder público e privado, com longas promessas de revitalização e ocupação nunca efetivadas. A ocupação é simbólica, já que a partir da Estação Ferroviária a cidade passou a se desenvolver cultural, social e economicamente no século XIX (saiba mais sobre a Ferroviária aqui).

As salas estavam sujas, precárias de infra-estrutura básica como iluminação e água e repletas de móveis velhos e mofados. Apesar disso, recebemos apoio financeiro e político da Prefeitura Municipal para a ocupação do espaço e por quase três meses, militantes do movimento deram novos ares a Casa e a Estação Ferroviária também. Antes abandonada e solitária, a Estação Ferroviária viu as cores do Hip Hop revitalizarem o espaço com graffiti, rap nacional e breaking, além de debates e encontros. Para Edson Moraes Timbá, um dos coordenadores do projeto, a intenção era “trazer os jovens para dentro do espaço e assim, dar vida a Casa”, afirma. Em 15 e 16 de agosto, nosso novo lar foi inaugurado. A segunda casa de todo militante da cultura Hip Hop em Bauru estava de portas abertas com shows de artistas locais e convidados como Coruja BC1, Betin MC, Menti Blindada, DJ Kamarão, Lunna Rabetti, Sara Donato, Sharylaine DJ DanDan e grupo Inquérito fechando os dois dias de comemoração e de festa na rua, às porta da Casa do Hip Hop. A participação da Frente Nacional de Mulheres no Hip Hop teve papel decisivo na inauguração da Casa do Hip Hop de Bauru, contribuindo para a formação de um ambiente mais igualitário e politizado no que diz respeito às questões de gênero e à presença feminina nos palcos.

Oficinas e formação. Com a Casa inaugurada as atividades de formação, que já aconteciam em espaços descentralizados da cidade, se consolidaram. Timbá afirma ainda que “a Casa do Hip Hop é muito importante porque com ela podemos repassar o conhecimento no breaking, rap, graffiti, DJ, no quinto elemento (conhecimento sobre a cultura) e na educação, transformando vidas através da cultura Hip Hop, tirando jovens da rua e da vida ociosa”.

São mais de 10 oficinas, totalmente gratuitas, realizadas todos os dias da semana na Casa do Hip Hop por voluntários e militantes culturais da cidade, que viram no espaço uma oportunidade de expandir seus conhecimentos e atingir diversos públicos. Entre as atividades estão oficinas dos quatro elementos formadores do Hip Hop, isto é, Rap, DJ, Graffiti e Breaking, além de aulas de kick-boxing, audiovisual, fotografia digital, stencil, costumização de roupas, capoeira angola, samba rock, jazz e dança contemporânea, entre outros.

Uma das maiores preocupações da Casa do Hip Hop de Bauru sempre foi a formação crítica e política não só dos coordenadores, mas principalmente do público e dos militantes da cultura. Em setembro demos início ao Cine Pixote, um cine clube colaborativo organizado em parceria com a Frente Feminina de Hip Hop de Bauru e a Biblioteca Móvel – Quinto Elemento e ao Cursinho Comunitário Acesso Popular, curso pré-vestibular gratuito coordenado junto ao Instituto Acesso Popular. Além disso, a Frente Feminina de Hip Hop de Bauru também organiza um grupo de estudos focado no movimento feminista negro e periférico, a fim de instrumentalizar e empoderar mulheres com relação a seus direitos, protagonismo na cena e liberdade de expressão e fim das opressões e violências de gênero. A Frente também participou do Encontro Regional de Mulheres no Hip Hop, realizado em julho na cidade de São Carlos. Lá pautas como feminismo, identidade de gênero e participação feminina nos eventos de Hip Hop foram discutidas e articuladas para 2016.

Shows e atividades musicais. Se antes, sem espaço próprio diversas apresentações musicais ligadas ao Hip Hop já aconteciam na cidade, movimentando a cultura bauruense, com a inauguração da Casa, mais duas atividades chegaram para ampliar as possibilidades artísticas de rappers, beatmakers e DJs. Além dos tradicionais Rap Hour e Projeto Ensaio, que levam Rap ao Teatro Municipal e aos bairros comunitários, respectivamente, o Estação Hip Hop estreou como mais uma atração mensal, realizada na área de desembarque ao lado dos antigos trens da Estação, a cada três domingos por mês.

Os shows são ótimos espaços de encontro entre o público e os cantores, com infra-estrutura de som, iluminação e DJ, além de espaço para que b.boys e b.girls da cidade demonstrem seu talento. No entanto, o Hip Hop não deve viver só de shows. Uma das características que tornam o Hip Hip um movimento tão vívido e dinâmico é a realização de batalhas de MCs. Na década de 1970, com a criação das primeiras festas de rap nos bairros de Nova York, criadores do cultura como Afrika Bambaataa, Kool Herc, GrandMaster Flash e Cindy Campbell incentivavam batalhas de rimas, a fim de criar uma competição saudável que pudesse envolver jovens e afastá-los das drogas e da violência. Estas batalhas diminuíram o número de pessoas envolvidas em gangues e estimulava a criatividade para criar rimas, poemas e compor canções no tempo livre. Em Bauru não é diferente. A cidade necessitava de mais espaços de batalhas de rimas, já que as poucas que existiam foram desaparecendo com o tempo. Por isso, a Batalha da Panelinha passou a fazer parte das atividades musicais da Casa, todas as sextas-feiras, convidando rimadores locais e de cidades da região para batalhar com criatividade, desenvoltura e talento.

Rede Nacional das Casas do Hip Hop e Encontros Regionais. A Casa do Hip Hop de Bauru é uma entidade autônoma integrada a outros articuladores culturais e sociais no nosso movimento. Por isso desde 2013, a Casa, por meio do Ponto de Cultura Acesso Hip Hop, faz parte da Rede Nacional das Casas da Cultura Hip Hop e Empreendimentos Solidários, integrando, gerenciando e organizando os pilares do primeiro setorial de cultura do país. A Rede, composta atualmente por mais de 15 casas e empreendimentos solidários, tem como objetivo proporcionar o comércio justo e horizontal de produtos e serviços entre seus membros, fomentando uma economia própria, sem exploração do trabalho. Desta forma, cada Casa da cultura Hip Hop no país pode produzir camisetas, bonés, bottons, shows e eventos de qualidade e oferecê-los ao próprio público, de maneira direta, sem intermediários e assim, gerar emprego e renda para os ‘nossos’. (Saiba mais sobre Economia Solidária e Hip Hop aqui).

Rede Nacional das Casas no 4º Congresso da Unisol Brasil.
Rede Nacional das Casas no 4º Congresso da Unisol Brasil.

Por conta disso, a Casa compôs importantes espaços de debate sobre os rumos do movimento Hip Hop e a intersecção com a Economia Solidária ao longo do ano, especialmente nos meses de junho, agosto, outubro e novembro. Para Renato Magú, um dos coordenadores da Casa do Hip Hop de Bauru participar da Rede Nacional das Casas e de outros pontos de articulação cultural pelo país é muito importante e positivo, “porque assim conseguimos dividir nossas experiências de alguns avanços e retrocessos com outros companheiro/as e realizar essa troca com eles, sobre o que funciona ou não, tendo mais fruição, tanto receber essas pessoas na nossa cidade, quanto ser recebido em outros locais”, afirma. Com relação à Rede, Magú destaca que ela surgiu da necessidade de ter mais representatividade política entre os militantes da cultura,“quando a gente se organiza em rede, fica mais fácil obter alguns progressos, tanto na formação, quanto na questão de obtenção de recursos” e assim obter mais independência e autonomia. Além disso, a Casa também teve representantes em outros importantes encontros regionais do movimento.

Em 2015, participamos do Encontro Paulista de Hip Hop, realizado no Memorial da América Latina e do Festival Emergências no Rio de Janeiro. “Por exemplo no Encontro Paulista de Hip Hop, do jeito que tem sido feito pela assessoria estadual para a cultura Hip Hop, entendo como um encontro paulistano de Hip Hop e toda vez que a gente participa, vamos justamente para pautar que o Hip Hop não é feito só na capital, é feito no interior também e que merece respeito. Ainda que a assessoria não tenha essa visão hoje, trata-se de um órgão estadual, então ela tem por obrigação dar atenção para pólos fora da capital”, defende. No Nação Hip Hop, realizado no início de dezembro em São Bernardo do Campo, a participação da Casa de Bauru também foi significativa, a medida que levou produtos produzidos dentro da lógica da economia solidária para outros pontos do Estado durante o evento. “Foi muito importante para nós porque tem roupas e produtos nossos espalhados pelo país inteiro e tivemos a oportunidade de apresentar a Rede Nacional das Casas da Cultura Hip Hop para vários outros coletivos”. No Rio de Janeiro, puxamos a feira de Economia Solidária durante o Festival Emergência, inclusive contando com o apoio do Ministro da Cultura, Juca Ferreira, afirmando que este modelo de empreendimento é uma saída possível para a crise econômica que o país enfrenta nos últimos dois anos.

Semana do Hip Hop 2015. Há dois anos, por meio de mobilização social, a Semana Municipal do Hip Hop de Bauru se tornou uma política cultural da cidade, por meio da aprovação da lei 6358/2013, contando com o apoio da Prefeitura Municipal e da Secretaria Municipal de Cultura para a sua realização. Por meio da lei, a Semana tem se consolidado como o maior festival gratuito de Hip Hop do país, com apresentações musicais de relevância política e cultural como Crônica Mendes, Rapadura Xique-Chico, grupo Inquérito, Issa Paz, Sara Donato, Feniks, Tássia Reis, Lunna Rabetti, Negra Lud, Jota F, Além da Rima, Menti Blindada e Betin MC, estes últimos importantes expoentes regionais. De 6 a 15 de novembro foram nove dias de atividades, incluindo visitas em escolas e entidades sociais como a SORRI, CIPS e Legião Mirim para apresentação do Combo 5 Elementos, no qual os elementos da cultura Hip Hop e do feminismo são apresentados para crianças e jovens de maneira descontraída e envolvente.

Além dos shows e dos Combos, houve debates e mostra audiovisual com os filmes “O Rap pelo Rap”, “Reis de Dogtown – história do skate nos Estados Unidos” e “Profissão MC” em espaços abertos da cidade e workshops sobre o movimento, como “Nos tempos da São Bento”, com Marcelinho BackSpin, um dos fundadores da primeira crew de breaking do país. O debate sobre produção cultural e presença feminina no Hip Hop com Tássia Reis e Sara Donato realizado no Sesc em parceria com a Frente Feminina de Hip Hop de Bauru e a Frente Nacional de Mulheres no Hip Hop, que participou de todo o evento, também foi muito importante para a consolidação da discussão de gênero no movimento, enriquecendo a vivência dos militantes da cultura. Com um público de aproximadamente 30 mil pessoas no show de encerramento no Parque Vitória Régia, Emicida elogiou o movimento na cidade e reforçou a importância de eventos deste porte no interior do país.

Em entrevista exclusiva ao portal da Casa do Hip Hop de Bauru, o rapper reforçou que “o Hip Hop é o único movimento cultural brasileiro que se aprofundou a ponto de trazer elementos da nossa cultura brasileira antiga, é a rapaziada que samplea o samba, por exemplo, e ao mesmo tempo, o Hip Hop é uma coisa contemporânea”. Por isso, eventos como a Semana proporcionam momentos de encontro entre artistas e fãs, militantes e leigos da cultura. “Isso aqui faz as pessoas se encontrarem e essa relação é mais importante para o Hip Hop, porque o Hip Hop acontece na rua. Quando você consegue levantar um palco, uma luz legal, um som legal e uma rapaziada bacana se apresentando com coisa legal para falar, isso é uma vitória para o Hip Hop mundial, não só do Brasil”, afirma. “Acho que o que tá acontecendo aqui hoje é uma grande vitória para o Hip Hop mundial porque não é fácil fazer isso, em instância nenhuma, mover as coisas num país tão preconceituoso e racista”, aponta.

Em dezembro, a Casa também apoiou o movimento secundarista local contra a chamada “reoganização escolar” promovida pelo governo do Estado de São Paulo, sob gestão do governador Geraldo Alckmin. Oferecemos oficinas e realizamos o Combo 5 Elementos nos colégios Ferreira de Menezes e Stela Machado, localizados em regiões periféricas da cidade. Pontuamos a necessidade da educação e da cultura como ferramentas de luta e discussão política e parabenizando os estudantes pela luta e pela resistência diária contra a privatização dos direitos constitucionais básicos.

Perspectivas para o futuro. Com um ano repleto de conquistas e vitórias, a Casa do Hip Hop promete ainda mais integração em 2016. Timbá destaca que as oficinas profissionalizantes e atividades esportivas tiveram ótimos resultados neste ano, atraindo crianças, jovens e adultos para o espaço, instrumentalizando os participantes e distribuindo conhecimento. O desafio agora é fazer com que a Casa, que possui 7 salas e um auditório compartilhado com outras entidades culturais na Estação Ferroviária, estejam permanentemente ativas, gerando ainda mais conhecimento e proporcionando a ocupação do espaço público por meio da arte e da tecnologia. “Ano que vem teremos um telecentro e daremos ainda mais atenção para as atividades profissionalizantes. Também temos que pensar mais nos jovens que desejam seguir carreira artística e por meio da Casa, dar uma perspectiva melhor de vida para estes jovens”, afirma Timbá. Em 2016, as atividades da Casa do Hip Hop de Bauru vão enriquecer ainda mais o cenário político e cultural da cidade. Oficinas, shows e o cursinho pré-vestibular Acesso Hip Hop estarão a todo vapor, na antiga Estação Ferroviária de Bauru, onde tudo começou e agora, mais de um século depois, esta parte da cidade volta a ser revisitada, revitalizada e colorida pelas cores e batidas da cultura Hip Hop.

“Bandido bom é bandido recuperado”, diz Karluz Magum sobre a maioridade penal




Tema foi pauta de debate na V Semana do Hip Hop de Bauru no Centro Cultural

Por Ana Carolina Moraes
Fotos: Lucas Mendes

A segunda-feira, 9 de novembro, foi marcada com a mesa redonda sobre a redução da maioridade penal e o genocídio da população preta, pobre e periférica, no Centro Cultural de Bauru, contemplando o quinto elemento do Hip Hop na programação da Semana.

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Maioridade penal diz respeito a idade em que o indivíduo passa a responder criminalmente como adulto. A Proposta de Emenda Constitucional (PEC 171/93) conferiria, aos adolescentes de 16 anos, julgamento segundo o Código Penal para crimes hediondos – como latrocínio, homicídio qualificado, extorsão e estupro.

Mais do que dar visibilidade à polêmica redução, a mesa propôs ouvir seus protagonistas por meio do diálogo, espaço ainda pouco explorado pela sociedade devido a supressão dos meios de comunicação em relação ao tema.  Assim, necessidade de discussão se reflete nas estatísticas, visto que segundo o instituto Datafolha, 87% dos brasileiros são favoráveis à redução. Para Sara Donato, “Ser contra a maioridade penal é o mínimo, e; o que podemos fazer é tentar dialogar com o pessoal, com a molecada da quebrada e apresentar na prática o que é ser a favor da redução, é ir contra si próprios e isso porque eles não tem acesso a essa informação, esses argumentos, esse debate”. A PEC 171/93 foi aprovada pela Câmara dos Deputados em agosto e agora segue em votação no Senado.

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Considerando uma dimensão macro do assunto, o debate reuniu 20 pessoas para pontuar os interesses socioeconômicos e as consequências da medida. O rapper Henrique Thomas, do grupo Além da Rima, entende a medida como uma forma inerte de amenizar a criminalidade no país, porque “o crime é a opção da periferia”. Aliada ao fechamento das escolas públicas, a privatização dos presídios e a criminalização do aborto, a redução da maioridade penal soa como instrumento de desarticulação da sociedade preta, pobre e periférica. “Não é só a questão da maioridade penal, mas sim tudo que ela engloba. Os jovens – pretos, pobres, da periferia – precisam de oportunidade e o sistema nunca nos deu nada. Medidas como essas só contribuem para um extermínio da juventude”, aponta a jornalista livre Mariana Lacava.

O ponto de convergência da mesa redonda foram as opções de saída do crime, como apresentado pelo MC Karluz Magum.

“Bandido bom é bandido recuperado. Quando relançaram esse projeto, eu vi uma ação sombria para condenar a juventude a sofrer com sistema carcerário brasileiro, mas ao mesmo tempo, vi também uma forma de a gente tentar se unir para lutar contra essa forma de opressão”, comenta.

Com mais de duas horas de duração, a discussão evidenciou o Hip Hop como referência para os jovens, um meio de ofertar oportunidades e superar as negligências do Estado.

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Pesando na ideia: AlemdaRima tocando em casa e tirando onda

alemdarimaAbertura cultural da V Semana do Hip Hop trouxe artistas de peso e pratas da casa

Por Lucas Mendes
Fotos: Lucas Rodrigues

De tudo um pouco e um pouco de tudo. Quem colou no Parque Vitória Régia nesse domingo pôde aproveitar boa parte do melhor do rap nacional. O rolê foi o terceiro dia de atividades da V Semana Municipal do Hip Hop, considerado a abertura cultural do evento. Com artistas da cidade e convidados de fora, as atrações se estenderam até o final da noite, com as pedradas de Rapadura, Inquérito e Thaíde.

No começo da tarde, quem tomou conta do palco foi muita mina zica com rimas pesadas contra o machismo e as opressões da mulher, seguidas logo depois pelo show do AlemdaRima, grupo formado por Henrique Thomas e Allisson Ferreira. A dupla é da Casa, e eles já desenvolvem um trabalho com o Hip Hop há muito tempo. No show, eles foram acompanhados pelo DJ Ding, deejay residente da Casa do Hip Hop de Bauru.

“Pra nós aqui é tocar em casa, mano, e tirar uma onda. Aqui é tocar à vontade, nem dá pra sentir a pressão de tocar no palco do Vitória, pra nós é bem tranquilo, já não é a primeira vez, então é gostoso porque é um lugar que marca a cidade, que o pessoal se encontra aqui, e pra gente é mó daora de fazer parte”. É o que diz Henrique, logo depois da apresentação no palco do Vitória Régia.

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O grupo já há cinco anos vem propagando seu trabalho com o Hip Hop bauruense, a partir da formação que essa cultura possibilita. A presença nas edições anteriores da Semana também foi fundamental, como destaca Allisson. “Pra nós é uma satisfação imensa. A gente participou já da segunda edição em diante, e pra nós é muito louco ver tudo isso acontecendo, ver todo mundo que trampou o ano inteiro e o tanto de público que a gente alcançou… e esse é só o terceiro dia da Semana”.

Nova e Velha Escola. Apesar de recente, o trabalho da dupla já causou muito barulho. Prova disso é a sua participação garantida nas edições da Semana, além de terem dado o “pontapé inicial” nesta quinta edição do evento, abrindo as atividades lá na Estação Ferroviária, na última sexta-feira.

“Isso tudo é da gente, mas é também porque já tinha gente mais velha aqui, uma velha escola em Bauru estruturada e aberta para o novo”, reconhece Henrique. “Então a gente chegou e eles falaram ‘vem, vamo fazer assim’, e não teve café-com-leite, a gente chegou já brincando sério”, completa.

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Além das rimas e do trabalho em cima do palco, os caras participam da própria organização dos eventos. Como relembra Henrique, “todas as Semanas a gente tava envolvido com a produção, não só com o palco. O palco na verdade é só o fim do negócio”, diz ele. “A gente tá participando, vai na reunião. Tem projeto que só a gente desenvolveu na Semana, a gente que faz. Pra nós a Semana foi quem amadureceu a gente, porque a gente não teve tempo de brincar, foi chegar e fazer de verdade”, emenda.

Hip Hop de casa nova. Com a recente inauguração da Casa da Cultura Hip Hop, em agosto, novas oportunidades surgiram pra população bauruense e para a transmissão do legado da cultura Hip Hop. “Abrange um novo pessoal né?”, diz Allisson. “Tem muita gente que tem preconceito com o Hip Hop, por ele ser da rua, mas é tão influente na cidade que não tem como a pessoa falar mais nada”, completa.

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Pra ele, a oportunidade de um local próprio vai desenvolver melhor a cultura. “Essas oficinas vão chamar mais um público pra esse local, e só tem a ganhar a Casa do Hip Hop de Bauru. Porque o que a gente quer é construir mais e mais e deixar o bagulho o maior possível”, finaliza ele.

“A Semana ainda vai mexer com muita gente, ainda vai ter muita emoção, muita coisa louca. Ainda tá no começo e já foram coisas maravilhosas. Tá muito legal e a gente espera que seja um sucesso, tem muita gente trampando empenhada em fazer com carinho, fazer bem feito, quem tá vindo agora, não vai deixar de vir no próximo, quem não veio vai ouvir falar e vai querer vir. Então só tende a alcançar mais, ainda tá no começo e já tá desse jeito”, prevê Henrique.

AlemdaRima, muito além do show


Por Mariana Lacava
Fotos: Lucas Rodrigues e Felipe Amaral

AlemdaRima, DJ Ding e DJ Shinpa abrem a V Semana do Hip Hop com muito rap nacional de qualidade, mostrando a forma que o interior paulista tem e o quão influente é a música que sai da nossa cidade.

DJ Ding, residente da Casa do Hip Hop de Bauru e um dos produtores culturais essenciais na cidade permanceu ao lado de DJ Shinpa, atual vice-campeão do DMC Brasil, um dos maiores campeonatos de DJ do mundo. Ambos prestigiaram a abertura da Semana do Hip Hop 2015 lá na Estação, tocando muitos clássicos e inovações autorais. 

O grupo AlemdaRima conta com os integrantes Henrique Thomas e Allisson Ferreira, que há cinco anos desenvolve trabalhos em Bauru por meio da cultura Hip Hop na cidade. Ainda muito jovens, acreditam que todo esse processo evolutivo no movimento social cultural se deu por conta da formação e da militância que as edições anteriores da Semana do Hip Hop proporcionaram através de oficinas, debates e worskshops.

Henrique e Alisson começaram no Hip Hop por causa do amor e da habilidade com a musicalidade negra e as rimas. Sobre a Semana do Hip Hop, Henrique destaca que o festival deve um papel crucial na sua formação. “A gente aprendeu a ser militante, aprendemos sobre o que é a cultura de verdade, em suas raízes. Acompanhamos as outras edições desde o começo, brigamos pra virar lei, aprendemos como fazer, estávamos todos juntos brigando por isso. Participamos da construção da Semana desde as primeiras, de forma mais completa e nisso fomos nos desenvolvendo também como artistas, como grupo. As semanas do Hip Hop de Bauru são, pra nós, um grande marco em nossa carreira e em nossas vidas”, afirma.

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Allisson. Além da Rima.

Allisson complementa dizendo que aprendeu a trabalhar em conjunto e que isso o ajudou muito crescimento do grupo e pessoal. “Na nossa carreira a maior influência da Semana é o aprendizado, a experiência com palco, com produção de show essas paradas, bastidores…”

Formação. A Semana do Hip Hop de Bauru é um projeto que vem crescendo muito conforme os anos e nesta quinta edição apresenta uma forte programação de formação e militância por meio da cultura Hip Hop. Sobre a distância da capital e como isso influenciaria a produção musical, Henrique acredita que as influencias são positivas. “Não que influencie muito o conteúdo, mas acho que a distância é outro universo né, o interior é outro universo perto das grandes capitais. Por mais que a gente seja parecido não é a mesma coisa, então acaba que a gente desenvolve uma outra forma de fazer a parada, uma forma que realmente aborde nosso público daqui, que é diferente do público de lá.”

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“Num evento como a Semana, a gente agrega pessoas que não conheciam o movimento com pessoas que já conhecem, as pessoas que gostam e tem interesse, sabe? A gente mostra pra elas que existem pessoas que trabalham e que lutam pra desenvolver a cena”, afirma Henrique. A cena local é muito importante para a formação não só de público, mas principalmente de militantes e de jovens críticos, artistas, produtores. “Nossa cidade tem Hip Hop de qualidade, tem graffiti, tem DJ, tem MC e tem b.boy pra caramba”, afirma.

Realização pessoal. O show do AlemdaRima foi muito esperado pelo público e pelos jovens do grupo, por conta de todo o envolvimento desde a construção das primeiras Semanas até se apresentar no palco, hoje, cinco anos depois. Allisson pontua ainda que essa edição, por ser a maior até hoje, proporcionou pra eles um grande aprendizado e evolução pessoal e profissional.  “Foi ‘sem palavras’ abrir o palco dessa semana, como o próprio nome do nosso novo disco diz, ‘Abrindo a trilha’, conseguimos chegar com músicas novas e foi muito emocionante ver as pessoas cantando nossa música, foi um bagulho emocionante, ver que o Hip Hop esta realmente chegando a diversos pontos da cidade e não só da nossa cidade…”, sonha.

Vinão, convidado pelo Além da Rima
Vinão, convidado pelo Além da Rima

Hoje a missão foi “dar o primeiro toque na bola em final de copa do mundo”, segundo Henrique. “A questão de ter o maior ou menor palco, ou maior público, não é importante pra nós, não tem isso. A gente quer ajudar a construir e desenvolver a cena do nosso jeito, mas o nosso foco é o nosso pessoal, nosso público que é a nossa família. Foi muito emocionante e muito gratificante toda essa energia e movimento bonito que rolou hoje aqui… Nossa, é uma honra tremenda pra nós”.

Esse primeiro dia da V Semana do Hip Hop foi mesmo recheada de muito rap nacional com as apresentações dos grupos Renegados Mc’s e AlemdaRima, levando a galera ao máximo da emoção com muita música e energia do bem. A exposição de Graffiti “Quem é quem” também trouxe muita cultura aos nossos olhos, reunindo 10 artistas locais e regionais.

Renegados MCs
Renegados MCs

A batalha de MC levou ainda mais emoção para o público, fechando as atividades do primeiro dia da Semana do Hip Hop Bauru 2015.

E não para por aí! Hoje ainda tem Encontro de Graffiti no Viaduto da Nações Unidas,  Cortejo Hip Hop,  II Fórum Nacional de Hip Hop de Bauru e o Desfile de moda urbana “Favela Fashion Zic”.

Confira a programação completa no nosso site >> http://bit.ly/1MafXg3

Semana do Hip Hop 2015: Edital de apresentações artísticas

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Semana do Hip Hop 2015 abre inscrições para apresentações remuneradas

Além das atrações de renome nacional confirmadas para este ano, como Thaíde, Rapadura, Tássia Reis e DJ Erick Jay, a Semana do Hip Hop de Bauru também prestigia os artistas locais para mostrar, mais uma vez, que o interior tem voz!

Assim como aconteceu em 2014, neste ano também haverá chamamento público, por meio de edital da Secretaria Municipal de Cultura para que artistas de Bauru, São Paulo e qualquer região do país possam fazer apresentações artísticas remuneradas durante o festival.

Para isso, os interessados devem se inscrever por meio de edital e apresentar os documentos na Secretaria de Cultura entre os dias 8 e 22 de outubro, das 8h às 12h e das 14h às 17h ou pelo site www.bauru.sp.gov.br.

Candidaturas. Poderão se apresentar grupos que apresentem propostas relacionadas ao rap, graffiti, breaking e DJ.  Com a apresentação de todos os documentos e a aprovação do edital por meio de conselho formado por 3 membros da sociedade civil, indicados pelo movimento Hip Hop da cidade, e 1 membro indicado pela Secretaria Municipal de Cultura. Em 2015, serão contemplados até 08 (oito) grupos de Rap; até 02 (dois) DJ’s; até 02 (dois) Grupos (Crews) de Breaking e até 07 (sete) Grafiteiros.

Cada grupo ou participante proponente deve apresentar documentações específicas para seu elemento, além de documentos gerais como RG, CPF e currículo. Por isso, fique atento às exigências do edital.

Semana do Hip Hop de Bauru. A Semana do Hip Hop de Bauru acontece desde 2011, de maneira independente, organizado por membros da sociedade civil bauruense. No entanto, desde 2013, o evento foi instituído como política pública cultural da cidade, por meio da Lei 6.358/2013, e portanto, o município destina verbas locais para a realização do evento.

O festival tem por objetivos promover o movimento Hip Hop por meio da cultura, da formação de público e por meio de debates sobre cultura periférica, cultura negra, feminismo e segurança pública, além de promover shows e oficinas na cidade.

Edital. Para ler e participar do edital, acesse o link e esteja atento a todos os pontos especificados pelo documento!

Links: Chamamento Público; Edital.

 

Combo 5 Elementos

 

Combo 5 Elementos na Escola Ada Cariane. Foto: Keytyane Medeiros
Combo 5 Elementos na Escola Ada Cariane. Foto: Keytyane Medeiros

Ao explicar cada um dos cinco elementos, isto é, o DJ, graffiti, rap, breaking e o conhecimento sobre a cultura negra e o feminismo, o Combo 5 Elementos proporciona momentos de aprendizado e diversão para jovens e crianças.

O Combo 5 Elementos é um projeto da Casa do Hip Hop de Bauru e do Ponto de Cultura Acesso Hip Hop, realizado em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura da cidade. Realizado desde 2013, o projeto leva conhecimento, mini-oficinas e porcket shows para escolas municipais e estaduais da cidade.

“Inicialmente pensamos em levar shows para as escolas, mas decidimos ampliar e dar mais atenção à formação e conhecimento durante a Semana do Hip Hop de 2013”, afirma Henrique Thomas, de 19 anos, do grupo Além da Rima e um dos organizadores do projeto.

Combo 5 Elementos na SORRI em 2014.
Combo 5 Elementos na SORRI em 2014.

Juventude. Organizado por jovens militantes da cultura Hip Hop da cidade, que tem entre 16 e 20 anos, o Combo apresenta os cinco elementos da Cultura à crianças e adolescentes, contando um pouco da história do movimento, relacionando à cultura negra, desconstruindo estereótipos de gênero e levando um pouco de bom humor e felicidade às crianças das periferias da cidade. Em 2014, apenas durante a Semana do Hip Hop, o Combo 5 Elementos visitou aproximadamente 10 instituições, incluindo centros de reabilitação de saúde como a SORRI.

A proximidade de idade entre os oficineiros e o público alvo torna as apresentações do Combo 5 Elementos um espaço de diálogo entre a cultura Hip Hop e os adolescentes da cidade, indicando que sempre há alternativas positivas para sair ou permanecer na periferia sem cair em caminhos obscuros. A confiança e a troca de saberes entre público e oficineiros é intensa e sempre gera novos sorrisos e convites de participação.

Escola Ada Cariani. Foto: Keytyane Medeiros
Escola Ada Cariani. Foto: Keytyane Medeiros

Escolas. “Em dois anos de projeto, muita coisa mudou. Sempre fomos muito bem recebidos, mas às vezes nem as escolas nem sabiam direito como ia funcionar. Hoje, como o projeto cresceu, as escolas nos procuram para fazer atividades lá, escolas de outros lugares, todo mundo nos recebe de outra maneira agora”, conta Henrique.

O espaço foi conquistado com muito trabalho e muito amor. Para Henrique, “é uma honra pra gente chegar e olhar no olho brilhando de uma criança, eles realmente se prendendo, esperando que a gente faça um super espetáculo pra eles, como nunca viram antes. É um negócio que tem muito mais valor que grandes públicos, grandes shows. A gente cria uma conexão muito legal e verdadeira com eles, com certeza fica gravado na memória”.

Combo 5 Elementos. Foto: Keytyane Medeiros
Combo 5 Elementos. Foto: Keytyane Medeiros

A coordenadora de apoio da Escola Ada Cariani, no Mary Dota, Marlene Oliveira de Preto acredita que a iniciativa é algo muito importante para as escolas porque o Hip Hop faz parte da cultura dos alunos. A professora também declarou que “o Hip Hop é uma cultura que mexe com muitos elementos e linguagens diferentes. É um movimento muito forte e organizado de resistência, de denúncia e identificação do povo pobre e negro. Vocês tem muito mais condição de apresentar esses elementos para os alunos do que a escola, que é mais conteudista”, afirma.

Foto: Allison Ferreira
Combo no Pousada Cultural. Foto: Allison Ferreira

Futuro. Henrique acredita que sempre é possível melhorar o projeto, “queremos que o projeto fique cada dia mais didático e mais envolvente para o nosso público”. Henrique conta que entre os planos para 2015 e 2016, está tornar o Combo 5 Elementos um projeto permanente e itinerante, que passe com mais frequência nas escolas de Bauru, na mesma intensidade que acontece durante a Semana do Hip Hop. “A partir de agora, queremos que haja também uma contra-mão no sentido de levar os alunos pra conhecer a Casa, criar um projeto de visitação onde eles possam ocupar nosso espaço, justamente para fazer esse intercâmbio de experiências”, afirma.

 

III Semana Municipal de Hip Hop de Bauru: evento entra no calendário oficial da cidade

Terceira edição conta com nomes como GOG, Thaíde, Sombra e Projota

por Revista Rap Nacional*

Já consagrada como um dos maiores eventos culturais de Bauru, a Semana Municipal de Hip Hop chega à sua terceira edição mais forte que nunca. De 9 a 17 de novembro, o festival vai ocupar diversas áreas da cidade com shows de rap, exposições de graffiti, batalhas de breaking, sessões de cinema, oficinas, debates e ações educacionais.

É a primeira vez em que a Semana acontece como parte integrante do Calendário Oficial de Eventos da cidade, instituída pela Lei 6358, de 24 de maio de 2013. O reconhecimento do poder público trouxe novas dimensões ao festival, que este ano conta com quatro nomes de peso do rap nacional em sua programação. Thaíde, GOG, Sombra e Projota são shows confirmados, respectivamente, para os dias 9, 10, 16 e 17.

A agenda de shows inclui também artistas e grupos que fazem sucesso no cenário local do movimento. A escalação de bauruenses para a Semana conta com AlemDaRima, DJ Ding, D’Bronx, JotaF, BetinMC, Abanka, Dois1Dois, Thigor MC, Ment Blindada, Bandidos em Harmonia, Tiago Vurto, D’Quebra, Dom Black, RapNobre MC e Coruja BC1, menino prodígio que vem conquistando reconhecimento no circuito nacional desde o ano passado.

 

Palco “Interior tem voz”. Buscando valorizar a rica produção do Hip Hop além dos holofotes das grandes cidades, o festival realiza no feriado do dia 15 uma sequência de shows trazidos de diferentes cidades do interior paulista. Ao longo de toda a tarde, a praça pública do Parque Santa Edwiges recebe apresentações de Veneno H2 (Franca), Ramonstro (Barretos), Lheo Zotto (Ribeirão Preto), Sintonia Sonora (Barra Bonita), Daniel Garnet e Pqnoh (Piracicaba), Revolução LDE (Marília) e Prodígios (Jaú).

Lugar de mulher é no palco. Tendo entre seus organizadores a Frente Feminina de Hip Hop da cidade, a Semana não poderia deixar de ter atrações que representassem a força das mulheres no movimento. Duas MCs têm presença confirmada no evento: a são-carlense Sara Donato, que canta no Sambódromo no dia 10, e a paulistana Tábata Alves, escalada para o encerramento no Parque Vitória Régia, no dia 17. Além delas, a b.girl Aline Afrobreak vem da capital para ministrar uma oficina de breaking para meninas no dia 14, no Centro Cultural.

Hip Hop no currículo. Consciente do papel do Hip Hop como ferramenta de formação, a Semana tem como uma das suas principais características a realização de atividades educativas e conscientizadoras. Serão oficinas, debates e outras ações, com o objetivo de incentivar a reflexão e circular informação entre o público do evento.

Seis dos nove dias de festival contam com oficinas, dedicadas a oferecer informações básicas a quem gostaria de atuar em diversas vertentes do movimento. Haverá aulas gratuitas sobre produção de vídeos, graffiti, breaking e criação de beats. Já os debates e as rodas de bate-papo abordarão temas que vão da discriminação de camadas sociais desfavorecidas à presença da mulher no Hip Hop.

Henrique Tomas no Combo 5 Elementos

Além disso, a terceira edição da Semana tem como novidade a realização dos chamados “Combos dos Cinco Elementos” em escolas públicas de Bauru, levando bate-papos e apresentações aos alunos. Ao todo, oito escolas receberão os Combos, que acontecem nos dias 11, 12, 13 e 14.

 

Construção colaborativa. A 3ª Semana Municipal de Hip Hop é uma realização do Ponto de Cultura Acesso Hip Hop e da Prefeitura Municipal, em parceria com Frente Feminina de Hip Hop de Bauru, CurtaBauru, Casa Fora do Eixo Bauru, Wise Madness, Frente de Hip Hop do Interior Paulista, Rede Nacional das Casas de Hip Hop, Bauru Breakers Crew, Oficina Cultural Glauco Pinto de Moraes e Secretaria de Estado da Cultura. A iniciativa conta com o apoio de Caritas Diocesana, Conselho Regional de Psicologia, Rádio Unesp FM e Madiba Shop e Projeto Colorindo o Interior.

 

Flyer da III Semana Municipal de Hip Hop de Bauru
Flyer da III Semana Municipal de Hip Hop de Bauru

 

*publicado originalmente em 7/11/2013

I Semana Municipal do Hip Hop

Em 2011, acontecia a I Semana Municipal do Hip Hop de Bauru.

Produzida em parceria com o Instituto Acesso Popular, Secretaria Estadual da Cultura e Secretaria Municipal de Cultura de Bauru, a Semana aconteceu entre 1 e 6 de novembro, realizou cine-debates, promoveu oficinas dos 4 elementos e debates sobre a cultura Hip Hop e o racismo.

Programação

CARTAZ SEMANA HIP HOP - Cópia (2)
Atrações principais da I Semana do Hip Hop de Bauru em 2011

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

semana_municipal_de_hip_hop_informativo02 - Cópia (6)
Flyer de divulgação da I Semana do Hip Hop de Bauru de 2011