Aprendizado e Dança: o fim de semana das Batalhas na semana do hip-hop


Os dias 12 e 13 ficaram marcados pelos workshops e as batalhas no Sesc e na Casa do Hip-hop

Por Gabriela Martínez e Felipe Sousa

O fim de semana do nono dia da programação da VI Semana Municipal do Hip Hop, abriu o espaço para a dança, Krump, All Style, Popping e Breaking foram muito bem representados no Sesc Bauru e na Casa do Hip Hop de Bauru.

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No sábado (12), o dia foi de muita dança e muito aprendizado, com Workshops de grandes nomes, como mister Jeff no Popping, Casper da Backspin Crew, Kustelinha da Bauru Breaks Crew e Evertinho da All Stepps no Breaking, e Jey Hatkilla no Krumping.

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As eliminatórias foram marcadas pela presença de grupos da região, Assis, Marilia, Botucatu, entre outras cidades, tiveram os seus artistas em batalhas no Sesc da cidade. Com o sorteio realizado, os adversários se enfrentavam na busca pelo prêmio da semana. Teve inicio as batalhas de all Style, julgadas pelo Mister Jeff, onde os dançarinos nessa batalha devem demonstrar o seu talento na sua dança de origem e também o seu improviso a cada música tocada pelos Djs BASIN, ao todo foram inscritos 16 participantes de diferentes estilos em busca de ser o melhor da semana do hip-hop.

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Ás 16 Horas, o All Style, abriu espaço ao Krumping, em uma batalha julgada por Hatkilla, os Krumpers, como são conhecidos os dançarinos de Krumping, se desafiaram  para ser o melhor, foram inscritos 16 participantes de diferentes cidades da região, foram escolhidos  4 semifinalistas e decidido no domingo na Casa do Hip Hop de Bauru.

O final da tarde no Sesc ficou marcado por um dos elementos principais da Cultura Hip Hop, o Breaking. Ao todo foram inscritos 12 crew’s de Breaking de diferentes cidades, as semifinais foram definidas para a final na Casa do Hip Hop de Bauru.

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Finais

No domingo a energia das batalhas continuava presente na Casa, ao som dos DJS  Basin e Borogui, o Breaking, o Krumping e o All Style  foram muito bem representados. As decisões começaram pelo estilo Krumping, o jurado Jey Hatkilla afirma que  as apresentações foram  de extrema qualidade. ”Foi insano hoje, foi porrada pura, a gente vê que tem muitos Bboys estudando e se adaptando ao estilo.”  A final  ficou entre 7k Buck e Insane Killer diretamente de Piracicaba, que se consagrou o vencedor do estilo e o melhor Krumper da VI Semana Municipal do Hip Hop.

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As Batalhas de All style, trouxeram ao salão da estação a mistura da dança com seus diferentes ritmos, desde o rap até o samba, o jurado dessa vez foi Mister Jeff de Mogi das Cruzes, considerado referência ao pessoal da nova escola da dança. “Eu achei muito importante primeiramente, eu agradeço a minha família, meus amigos e ao ciclo vicioso no qual dança me propôs, os grupos que eu passei Die hard crew, Discípulos do ritmo, e agora Action Family e o trabalho agora com o Tim Brasil, foi uma enorme satisfação, eu agradeço por da essa oportunidade, estar ontem vivenciando uma experiência através do workshop e fazendo parte do corpo de jurado nesse desafio a nesse nível, eu creio que é uma coisa que já acontece mas é pouco novo em termos de soar no ouvido das pessoas das batalhas de All Style.” A final entre Davi e Pitbull, foi o puro talento da dança e do Krump, o vencedor por decisão unanime foi o paulista Pitbull.

A final do Breaking foi uma das mais aguardadas aos fãs da Cultura Hip Hop e da dança, em disputa as crew’s Killers  contra Irmãos Metralha. A final foi o mais puro breaking de qualidade, os integrantes de cada crew tomaram  o saguão da antiga estação ferroviária, lembrando muito os tempos da antiga Estação São Bento, marco inicial do Hip Hop no Brasil. O B-boy Kustelinha, juntamente com Bboy Casper da Backspin Crew tiveram  a difícil missão de decidir quem saiu como vencendor na VI Semana Municipal do Hip Hop. Kustelinha afirma que a competição foi de alto nível.” Na competição a energia estava muito boa, os Bboys da região estão representando muito bem o interior de São Paulo, a cena está crescendo muito, a nova geração está chegando com bastante informação, conseguindo desenvolver mais em relação aos movimentos, conhecimento que é o principal, eles estão pegando essas informações e está fluindo, está sendo uma coisa  bem legal na cena”.  A melhor crew da Semana do Hip Hop foi a Killers, os vencedores ganharam um premio em dinheiro e uma tatuagem, o vice-colocado também ganhou uma premiação em dinheiro.

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Tássia Reis leva o público ao delírio com carisma, breaking e muito Rapjazz

 

Tássia Reis
Tássia Reis

Pela primeira vez em Bauru, a rapper esbanjou talento com suas músicas e passos de dança

Por Thamires Motta
Fotos: Felipe Amaral, Lucas Rodrigues e Mariana Caires

A rapper Tássia Reis, que se iniciou no movimento Hip Hop por meio da dança, começou ensaiando alguns passos logo no início do show no último dia 11 de novembro. Com o Espaço de Convivência lotado no SESC, o público pôde curtir as faixas principais do EP “Tássia Reis”, que a cantora lançou no ano passado.

Misturando blues, soul, reggae e jazz, influências que recebeu desde criança, e inspirada por grandes nomes como Etta James, Sarah Vaughan, Nina Simone e Aretha Franklin, Tássia Reis consegue juntar com maestria o ritmo envolvente das suas inspirações com as rimas rápidas, certeiras, pesadas e politizadas, talento que desenvolve desde 2005.

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Numa releitura de Erykah Badu, a primeira música trouxe a voz de Tássia nos beats da cantora estadunidense, sem deixar absolutamente nada a desejar entre a musicalidade e a afinação das duas. Num show entusiasmado e animado, o público acompanhou a cantora nos refrões, admirados com a voz aveludada que Tássia intercala entre rimas, misturando saxofones e notas de piano em beats e scratches do DJ.

Sob o beat de Notorious B.I.G, a MC apresentou algumas músicas de fora do EP. Bauru teve a honra de escutar pela primeira vez em um show o recém-lançado “Ouça-me”, faixa da série “Make Noise”, em colaboração com o produtor Arthur Joly, que cria sintetizadores. Emocionada, Tássia mandou a letra que fala sobre empoderamento feminino, a luta contra o racismo e a vontade de ser escutada. Aproveitou o espaço para expressar a felicidade em ver as mulheres negras se fortalecendo dentro e fora do movimento Hip Hop, e convidou a também rapper Sara Donato a subir no palco e mandar uma letra. Inspirada pelo momento, Sara cantou “Peso na Mente”, em que critica o preconceito, o machismo e os padrões de beleza a que mulheres são submetidas.

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Tássia Reis e Sara Donato

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A euforia do público veio depois das faixas “Asas”, “No seu Radinho” e “Meu Rapjazz”. Tássia soltou um beat e começou canções fortemente inspiradas no soul de Tim Maia e Erykah Badu, ao que o público respondeu abrindo uma roda de break dance bem em frente ao palco. A plateia chegou ao delírio quando a B-girl Ana Gabriela Rodrigues chegou mandando seus movimentos, inspirando até a própria Tássia a descer e demonstrar toda sua habilidade na dança.

Num show inesquecível para a cidade de Bauru e para a Semana do Hip Hop, a rapper prometeu voltar em breve ao interior paulista, trazendo cada vez mais seu talento e todo o seu Rapjazz.

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Tássia Reis e Sara Donato debatem sobre produção independente e as mulheres no Hip Hop

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Numa discussão inspiradora, duas grandes referências femininas no cenário do Rap nacional falaram sobre dificuldades, conquistas, representatividade e machismo

Por Thamires Motta
Fotos: Mariana Caires e Letícia Abreu

Vindas do interior do Estado de São Paulo, respectivamente Jacareí e São Carlos, as rappers Tássia Reis e Sara Donato soltaram o verbo no debate sobre produção cultural independente e a presença feminina no Hip Hop, que aconteceu no SESC Bauru na última quarta, 11 de novembro.

Para as duas MC’s, a história começou de forma parecida: foi a dança e os eventos de break que as atraíram para o coração do movimento Hip Hop. Conversando sobre o cenário independente e representatividade, elas explicaram suas visões sobre ser mulher no rap.

Debate no auditório
Debate no auditório

Tássia começou a ensaiar os primeiros passos com 14 anos, por influências familiares, já que seu pai, apaixonado por James Brown, tinha um grupo de dança. As rimas começaram em freestyles, aos 21 anos, quando subia aos palcos convidada por amigos e desenvolvia o free. “Quando conheci o Hip Hop, foi o momento em que eu pensei: aqui tem um monte de gente parecida comigo, que é de periferia, com a mesma cor que eu, o mesmo cabelo crespo.” conta. “Achei meu lugar e me senti inserida em alguma coisa pela primeira vez”. Para a MC, que nasceu no Vale do Paraíba, ser independente é fazer o que for preciso, já que “o machismo está aí, e o corre é o dobro para as mulheres”, explica.

“Eu acreditava tanto no meu sonho que fazia outras pessoas sonharem comigo”

Em 2013, depois de cerca de cinco anos escrevendo, surgiu a ideia de gravar um EP, e no ano seguinte ele já estava pronto: sete faixas com fortes influências do jazz, blues, soul e reggae, sem perder as rimas certeiras e melódicas. “Eu acreditava tanto no meu sonho que fazia outras pessoas sonharem comigo”, conta Tássia. “Se você luta por aquilo todos os dias, você é a presidente da parada”, defende ela. Ser independente é ao mesmo tempo uma delícia e uma dificuldade, já que a artista possui mais abertura para tomar decisões, mas ao mesmo tempo, a questão financeira é um entrave.

Para a são carlense Sara Donato, representando a Frente Nacional de Mulheres do Hip Hop, a primeira paixão também foi o break: acompanhando o irmão nos bailes, ela ficou admirada de ver algumas poucas mulheres ousando enfrentar b.boys nas batalhas de dança. Se dedicando à composição de letras, Sara juntou cinco amigas e iniciou seu primeiro grupo de rap, que durou pouco tempo. Sem desanimar, juntou-se ao irmão num grupo masculino e manteve-se durante quatro anos, para algum tempo depois iniciar uma carreira sozinha. “Eu queria que me ouvissem. E disso surgiu o Made In Roça”, explica ela.

Sara Donato
Sara Donato

A mixtape, que nasceu em 2013, foi um dos discos “que você não pode deixar de ouvir” segundo o Vai Ser Rimando, e passou a ter um grande alcance, levando a MC para o programa Encontro, na Rede Globo. “No começou, eu hesitei. Quando a gente vê coisas da nossa quebrada é sempre na página policial. Mas eu fui pra falar o que sempre falo, minha música”, conta Sara. Para ela, o que mais emociona é o apoio que recebeu da cena independente. “Eu acho que tive muita sorte, meus parceiros me ajudaram em tudo. No Made In Roça eu não usei um real, foram as pessoas que acreditam no meu trampo que me ajudaram”, diz.

Representatividade. Com maioria feminina e negra na plateia, as MC’s falaram sobre a representatividade das mulheres no rap e aproveitaram para desmistificar algumas ideias. “Precisamos destruir a ideia machista de que só brigamos entre nós. Para a cena existir, é preciso que todo mundo colabore”, explicou Tássia Reis, ao receber a pergunta se mulheres seriam mais organizadas na produção artística. A questão da representatividade, para ela, vai mais além: “Isso é um fato. Muitas mulheres se enxergam em mim. Hoje eu acredito que minhas letras são muito mais incisivas no recorte de gênero e racial”, argumenta ela.

Tássia Reis
Tássia Reis

Sara é ainda mais enfática: “Eu canto para as mulheres se sentirem representadas, mesmo. A ideia não é segregar, é fortalecer”, explica. A música “A Bela”, primeira composição da MC, critica os padrões de beleza e a futilidade, ideia que chegou ainda mais longe com a faixa “Peso na Mente”, que fala diretamente sobre o preconceito, com rimas cabulosas, como “minha meta não é ser aceita, não preciso me camuflar. Quem foi que disse que pra ser linda não pode engordar?”. A MC conta também que recebe muitos agradecimentos de mulheres nos shows, que ficam emocionadas ao escutar canções que falam sobre suas vidas. “As minas vem tendo mais visibilidade, e a ideia é essa”, diz.

O interior tem voz? Para Tássia, que nasceu em Jacareí e mudou-se recentemente para São Paulo, muitas vezes o interior paulista não possui estrutura para auxiliar os produtores de cultura, em especial do Hip Hop. “Somos muito desestimulados”, conta. “Informações de editais não chegam, as prefeituras não ajudam, parece que nem querem… mas a internet possibilita que você more no interior e realize coisas”, explica. Já Sara Donato ainda não se vê vivendo na grande metrópole. “Se você não se fortalece primeiramente na sua cidade, ir pra São Paulo é ser só mais uma”, acredita.
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Keytyane Medeiros, representante da Frente Feminina de Hip Hop de Bauru, acredita que o debate tem relevância no momento atual. “Vivemos um momento de grande número de produtores culturais, onde os meios de se obter financiamento para veículos de comunicação, peças de teatro e shows, não dependem mais exclusivamente de editais públicos ou privados, todos nós somos produtores de conteúdo e podemos vender esse serviço de maneira autonôma. Entender a participação das mulheres nesse processo é essencial para descontruir o machismo e o racismo no meio cultural também, nossa luta é diária”. 

O debate chegou ao fim com o sentimento de garantia de que as mulheres cada vez mais estarão tomando os espaços, fortalecendo a cena e cantando suas visões de mundo. “A caminhada pode ser difícil, mas a gente tá aí pra colocar uma bomba no sistema, não estamos sozinhas. É clack boom”, finaliza Tássia.

Notas e Relatos: Thigor MC lança seu primeiro DVD

O evento foi parte da programação da IV edição da Semana do Hip Hop em Bauru

Por Bibiana Garrido*

Se o trabalho de Thiago Luiz da Silva pudesse ser resumido em uma só palavra ela seria superação. Ou talvez amor. Talvez fé. Uma mistura de tudo isso resulta num show impactante por si só, e mais do que tudo, que envolve a plateia ali em pé, cantando junto a uma só voz. O rapper Thigor MC teve em sua infância uma trajetória comum a de tantos outros meninos do bairro Nova Esperança em Bauru. Drogas, morte, violência. E como ele chegou até aqui? Vamos deixar ele falar por si só, porque, como diz o famoso rap bauruense, o interior tem voz.

CasaH2Bauru: Quando foi que você percebeu que seu caminho era a música?

Foto: Bibiana Garrido
Foto: Bibiana Garrido

Thigor: Eu conheci a música com 12 anos de idade, na percussão da capoeira, na verdade. Acompanhava meu pai nesse trabalho e de ouvir bastante acabei tendo uma noção musical. Aprendi a tocar pandeiro também e, mais velho, participei de um grupo de samba, mas até então nunca cantava. Depois tive um envolvimento com drogas e acabei me afastando de tudo isso. Mas quando me recuperei senti a necessidade de passar isso paras as pessoas, transformei em música aquilo que eu vivi e comecei a cantar e a escrever, com uns 18, 19 anos.

CasaH2Bauru: Como foi esse começo da sua carreira?

Thigor: Quando eu comecei a escrever rap me juntei com o D’Bronx, que já tinha um grupo lá no bairro. Depois montamos o Guerreiros da Luz, que era um grupo gospel de rap, conseguimos lançar um CD e a coisa começou a andar, mas não durou muito tempo. Quando o grupo terminou, comecei com a minha carreira solo. Agora tô aí, o CD foi lançado em 2006, o Caminhando Na Fé, depois consegui lançar um EP, A Caminhada Continua… e hoje o DVD.

Foto: Bibiana Garrido
Foto: Bibiana Garrido

CasaH2Bauru: Olhando pra trás, qual você acha que foi o papel da música na sua vida até agora?

Thigor: A música me ajudou bastante em relação a fortalecer algumas ideias pra poder enfrentar as dificuldades que eu enfrentei durante todo esse tempo. Foi fundamental na minha formação social e ideológica. Hoje ela me ajuda a me manter nesse caminho que eu escolhi, e é uma responsabilidade muito grande que eu tenho com as pessoas que se inspiram no meu trabalho. É muito no sentido de me manter de pé. Faz uns dois anos que eu vivo só de música, larguei meu trabalho na metalúrgica e decidi me dedicar totalmente a isso. Deixei também a faculdade de música que eu tinha começado, ainda não consegui voltar, mas espero um dia concluir isso aí.

CasaH2Bauru: O que você espera com o lançamento do seu DVD aqui em Bauru? E como você vê a questão do Hip Hop se tornar cada vez mais difundido em outras camadas da sociedade, não só na periferia?

Foto: Bibiana Garrido
Foto: Bibiana Garrido

Thigor: Só de poder fazer esse show de no Sesc junto com as pessoas que acompanharam minha história desde o começo… é um momento marcante na minha vida. Para pessoa como a gente, que sempre vende CD no calçadão, poder estar onde estamos hoje é muito especial. Vou procurar dar o melhor para quem quiser ouvir e passar a mensagem contida em cada canção. E todo mundo pra mim é sempre bem-vindo, o meu trabalho é trazer a minha música e ela não tem preconceito ou descriminação nenhuma. Quanto mais gente puder conhecer, melhor.

 

*publicada originalmente em 9/11/14 no portal Participi

O hip hop em cores

Semana do hip hop abre com encontro de grafiteiros e pintura em painel no Sesc

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Por Paula Monezzi

A Semana do Hip Hop de Bauru teve início neste sábado com o Live Paint Graffiti, um encontro de grafiteiros que rendeu um painel dos artistas Sérgio Campos e Cláudio (Nego DM), dupla da Comics Crew, Robinho BlackStar, Everaldo Luiz(Evera) e L7M.

O encontro rolou no Sesc, das 13h às 18h e para quem passou por lá, a cara era de surpresa. Os tons de cinza do muro do Sesc foram substituídos pelo painel cheio de cores vibrantes e traços diferentes trazidos pelos artistas.

A CasaH2Bauru entrevistou Robinho BlackStar, um dos artistas do encontro e coordenador de arte do Ponto de Cultura Acesso Hip Hop.

CasaH2Bauru: Como você se iniciou na arte e no graffiti?

Robinho BlackStar: Eu sou formado em artes plásticas e designer e trabalho com o hip hop no Ponto de Cultura há uns oito anos já. Trabalho com todas as artes, fotos, imagens do Acesso Hip Hop e graças ao graffiti nós conquistamos muitas coisas.

CasaH2Bauru: Quando você desenha, você não traz um caderno com esboços, como é isso?

Robinho BlackStar: Eu procuro trabalhar com adaptação de ambiente. Como é um evento, eu procuro usar muitas cores, para chamar a atenção e, a partir da reação do público, eu desenvolvo a arte. Os desenhos já estão definidos na cabeça e eu só vou jogando na parede só. Eu acho que isso é um pouco de treino. Alguns preferem trazer cadernos. Eu desenho o dia todo, então eu já tenho tudo bem definido na cabeça. A arte já está dentro de mim.

CasaH2Bauru: Que outras áreas do hip hop você trabalha?

Robinho BlackStar: Fora o graffiti, eu sou especializado em estampas de camiseta. Desenhamos para marcas famosas, urbanas street. Então eu passo mesmo o dia desenhando. (risos)

CasaH2Bauru: O desenho é mesmo a sua área. Como você se descobriu nisso?

Robinho BlackStar: Eu desenho desde os 9 anos de idade. Eu fiz um curso lá no Centro Cultural, no Teatro Municipal e o professor, que também chamava Robinson – hoje ele é desenhista da Marvel – ele achou que eu tinha uma aptidão muito boa para desenhar Homem Aranha. Nessa época eu tinha 9 anos e eu fui para São Paulo concorrer a um prêmio de HQ e ganhei. Logo depois eu conheci um cara que foi muito importante na minha vida na parte do hip hop, que foi o Casca – hoje já falecido – e foi ele que deu o primeiro caderninho e disse “cara, você desenha bastante, porque você não faz um graffiti?”. E eu comecei a estudar, pesquisar. No começo a gente pagava para fazer o graffiti: tinha que comprar tinta, pedir pra pessoa deixar a gente fazer na parede. Aí eu conheci o Magú, conheci o pessoal; o Magú já é uma amizade de uns 10 anos…e estamos aqui hoje.

CasaH2Bauru: E o que você diria do cenário do hip hop de Bauru?

Robinho BlackStar: Hoje o cenário de hip hop daqui de Bauru é espetacular. Temos o nosso nível de aprendizagem e evolução compatível com o de uma capital. Não são todos os lugares que conseguem fazer uma Semana do Hip Hop, com a diversidade de eventos que estamos tendo aqui.E isso, perto do que era há 10 anos atrás, é extraordinário. Sem contar que hoje o movimento é bem mais aberto; antes era bem mais segregado.

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*publicado originalmente em 9/11/2014, para Portal Participi

IV Semana do Hip Hop Bauru – Primeiro dia de Oficinas e Shows no SESC Bauru

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Grafiteiros de Bauru colorem o SESC da cidade. Foto: Lucas Rodrigues

IV Semana do Hip Hop começa com muita formação e lançamento de DVD de Thigor MC no SESC Bauru

Por Keytyane Medeiros, para Semana do Hip Hop 2014

Sábado, 8 de novembro e o SESC Bauru é tomado por graffiteiros, beatmakers e dançarinos. A Semana do Hip Hop Bauru 2014 tem início com muita formação e arte! Logo pela manhã, Eveera, Sérgio Campos, L7M e Robinho começam a graffitar a área externa no Sesc Bauru em comemoração à mais uma edição da Semana. Com desenhos que lembram as quebradas de Bauru e uma homenagem a Thaíde, um dos precursores do Hip Hop nacional e um dos convidados do evento, os graffitis coloriam uma das áreas culturais mais importantes da cidade.

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Beatdance. Durante a tarde, aconteceu o encontro entre beatmakers e bboys do movimento Hip Hop na área de convivência do Sesc.  A união foi acompanhada com atenção pelas pessoas que estavam no espaço, que bateram palmas e comentavam sobre a dança “diferente” e “rápida”.

Dançarino na área de convivência do SESC. Foto: Lucas Rodrigues

Rafael MoonhBeat’s, um dos beatmakers convidados pela Semana para participar do evento, espera que o evento possa chamar a atenção para o trabalho dos beatmakers e DJs, “não muito lembrados, mas que sem os beats não ia ter música nem dança”, afirma. Para ele, “a importância da Semana do Hip Hop é passar conhecimento e resgatar jovens, mostrar para a molecada que o mundo não é só ostentação, por exemplo”. MoonhBeat’s ainda destaca que foi “resgatado” durante uma Semana do Hip Hop há alguns anos e que estar ontem no Sesc é algo muito significativo para ele e para o movimento.

Notas e Relatos de Thigor MC. Além de todas as atividades durante a manhã e a tarde, a abertura da Semana do Hip Hop contou com o show especial de lançamento do DVD do Thigor MC. O DVD “Notas e Relatos” é o primeiro a ser lançado entre os MCs e grupos de rap de Bauru e além das músicas, conta com clipes e o documentário “A praga do século”, realizado em parceria com Dom Black e Conrado Dacax. O filme fala sobre crack e como é o processo de reabilitação dos dependentes químicos a fim de sensibilizar o público acerca da doença.

Foto: Felipe Moreno
Foto: Felipe Moreno

O show estava lotado e era possível ver muitas famílias, crianças e grupos de amigos aproveitando o clima do evento. Thigor MC ainda destaca que, apesar da apresentação no Sesc ter participações especiais como do rapper D’Bronx, o DVD apresenta apenas composições próprias, gravadas em estúdio, “minha vida está ali”, afirma. Para ele, “lançar esse DVD aqui no Sesc é algo muito especial” e é algo que vai marcar a vida dele. Entre os presentes, estava o filho do cantor, que com apenas 4 anos, já cantava todas as músicas do pai.

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Foto: Felipe Moreno

Entrevista Exclusiva com Thaíde na IV Semana do Hip Hop de Bauru

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Foto: Keytyane Medeiros

Entrevista por Keytyane Medeiros, para Semana do Hip Hop de Bauru 2014*

A Semana do Hip Hop em Bauru, realizada em parceria com a Prefeitura Municipal de Bauru e o Ponto de Cultura Acesso Hip Hop. Thaíde, um dos convidados pela organização, se apresentou no Sesc na última quarta-feira, 12 de novembro e falou com a nossa equipe sobre a história e o futuro do movimento Hip Hop.

Esse é o segundo ano que você vem à Bauru participar da Semana do Hip Hop. O que você conhece e pensa do cenário de 20 anos aqui na cidade?
Só o fato de existir Hip Hop aqui em Bauru há 20 anos, já mostra que muita coisa boa e importante existe por aqui. A gente às vezes não sabe o que tem aqui, não sabe direito o que acontece em Bauru, a quantidade talvez não seja favorável para 20 anos de história. E talvez, a gente não conheça exatamente o que está se passando porque não existe a atenção necessária pro Hip Hop de Bauru, entende? Então, se as pessoas derem espaço e atenção, eu acredito, sem dúvida nenhuma que o Hip Hop de Bauru vai ajudar a amenizar a questão da violência entre os jovens aqui nas comunidades, porque o Hip Hop nasceu pra isso.

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Foto: Felipe Moreno

Nos anos 90 você já falava em evolução no Hip Hop, lá em “Senhor Tempo Bom”, por exemplo. Hoje, vivemos um momento completamente diferente, o que você acha dessa evolução?

De qualquer maneira, a evolução aconteceu. Hoje a gente vê pessoas de nome [no Hip Hop] fazendo músicas com nomes da música popular brasileira, participando de filmes, projetos de cinema e TV, então a gente tem muita coisa boa acontecendo. As pessoas já conhecem o Hip Hop brasileiro. O que a gente não pode fazer é deixar essa evolução acabar com o que já aconteceu. Eu sinto falta disso. Muita gente conta a história de 90 pra cá, mas existe uma história antes, desde 83. O Hip Hop é uma raiz, não apenas um galho. E em Senhor Tempo Bom eu já falava isso, mas em Preste Atenção também, eu falava muito da evolução que o movimento teria, quem sabe, nos anos 2000. A gente não pode esquecer da nossa história. Hoje o rap ficou muito numa questão de falar o que as pessoas querem ouvir e não do que elas precisam ouvir, e eu sou uma época em que o rap falava o que o rap falava o que as pessoas precisavam ouvir.

O show com o Thaíde, aconteceu na noite de quinta-feira no SESC Bauru com a presença de três mil pessoas. Além de abraçar novas tendências e promessas da música nacional, o rapper ainda cantou “Respeito é pra quem?”, seu último single lançado em parceria com Mista Pumpkilla e Arnaldo Tifú, seus garotos apadrinhados do rap e do ragga.

Após agradecer o carinho do público no Sesc, o mestre de cerimônias destacou a importância da Semana do Hip Hop em Bauru, lembrando que aqui, segundo ele, “o Hip Hop é vivido e falado sempre com muito respeito e consideração”. O malandro do sorriso gostoso não resistiu e declarou, num apagar de luzes, “Bauru, pra vocês eu tiro meu chapéu”.

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Foto: Lucas Rodrigues da Silva

A Semana do Hip Hop é uma iniciativa do Ponto de Cultura Acesso Hip Hop e da Secretaria Municipal de Cultura.

*publicada originalmente em 13/11/2014, via MadMimi