Tarde de shows marca a abertura oficial da Semana do Hip Hop Bauru 2016

A programação continua na maior Semana do Hip Hop do país. O domingo foi marcado pelo empoderamento da mulher, ativismo e mais uma vez muito hip-hop.

Por Mariana de Moraes e Felipe de Sousa
Fotos: Guilherme Munhoz, Banca Moreira, Mari Soares, Cadu Oliveira

O segundo dia de atividades da Semana do Hip Hop Bauru foi um dos mais aguardados pelo público. A programação começou às 14h no Parque Vitória Régia, com Dj Ding no comando dos toca-discos com clássicos do rap nacional e internacional.

Diretamente de Belo Horizonte, Negra Lud e Neghaun, iniciaram as apresentações que foram marcadas principalmente pela mensagem de superação e resistência. Em entrevista, Neghaun conta que foi uma ótima experiência, “foi muito prazeroso, sair de Belo Horizonte e estar colando aqui em Bauru com vocês e sentir toda essa vibe, sentir que o hip hop permanece vivo e permanece.” Sobre o movimento Hip Hop, o mc minero fala que a sociedade já aceita e deve aceitar mais o movimento, ”O mais importante de tudo que nós, o nosso povo, tem que entender melhor o que a gente planta a varias décadas, a quase 5 décadas, nosso povo tem que entender mais, mas a sociedade está abraçando mais, a sociedade entende o que a gente falava a 20 anos atrás a época que eu comecei, eu acho que estamos no caminho e no progresso”.

Negra lud que também se apresentou afirma que foi uma linda experiência voltar a cantar em Bauru, “Eu acho muito bonito ver o hip hop acontecendendo e é um enorme prazer voltar, eu sinto que estou somando para o que acontece e com o real intuito que o evento tem. (…) O movimento está crescendo cada vez mais, eu acho que a gente ta se apresentando melhor e trazendo conteúdo para as pessoas entenderem o movimento, (…) as pessoas estão começando a receber melhor a proposta do Hip Hop. É interessante isso, as pessoas estão curiosas para saber qual é a desse movimento que está proliferando em todo país, eu diria em todo mundo, tá bonito demais e eu fico muito feliz com tudo isso”.

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As mulheres continuaram trazendo muito empoderamento e presença no evento. Odisseia das flores, o grupo paulistano formado por Jô, Chai e Letícia, chegou a Concha Acústica com rimas repletas de mensagem e força, levando as mulheres da platéia na mesma levada, e a se sentirem representadas.
Quem subiu logo em seguida, diretamente da Cidade Tiradentes, São Paulo, foi o grupo A’s Trinca. Com o trecho “Essa é pra aquele que se identifica, cidade tiradentes zona leste (a’s trinca), três minas no vocal e um Dj no vinil, representatividade das quebradas que emergiu..” da música “Se identifica”, elas mostraram que não estão no jogo pra brincar. Com Músicas sobre representatividade, e denuncia ao machismo, ainda mandaram a letra sobre sua recente presença na televisão, “o hip hop tem que estar em todo lugar!”

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Ao chegar da noite, a presença dos grupos de rap da cidade, Dilema e Origem Rap, empolgou e atraiu mais o público fã do rap do interior. O show contou com participação do Dentão Mc, também artista da cidade, e uma capela do som do grande Mestre Sabotage.

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O grupo RAP PLUS SIZE, formado por Sara Donato e Issa Paz, tomaram o palco e dominaram com rimas que desconstroem o padrão estético e denunciam o machismo, racismo, gordofobia, e buscam o empoderamento da mulher. As minas, que são amigas há tempos e se juntaram recentemente no palco, já estiveram presentes em outras edições da Semana do Hip Hop, mas como grupo esta foi a primeira vez, com músicas como “O pano rasga”, já conhecida do público, fez a galera presente cantar junto e animar ainda mais o role.

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Em uma passagem marcante, o grupo de rap Ordem Natural exibiu sua energia no palco, Os MC’s Gato Congelado e Luo cantaram suas músicas cheia de positivismo e empolgação.
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Próximo às 22h, a concha acústica do Parque Vitória Régia, se transformou ,na mais bela celebração cultural. O MC Rapadura com os sons do disco “Fita Embolada do Engenho” se apresentou e representou o norte e o nordeste do país, com influencia de Luiz Gonzaga, Dominguinhos e a mais pura literatura de cordel, o nordestino mostrou os seus sons mais conhecidos como ‘É doce mais não é mole”, “Moça Namoradeira”, “Norte Nordeste me Veste”, tornando a escadaria do parque um verdadeiro baile.

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A última atração da noite era umas das mais esperadas no cronograma da semana, Thaíde. O Mestre do Hip Hop chegou com seu clássico “Pra cima” numa versão Remix, na companhia do Mister Pumpa Killa e Mc Tifu. O artista com um repertório recheado de clássicos, mostrou todo o seu conhecimento e história no Hip Hop.

 

No decorrer do show, b-boys foram convidados trazendo à Semana do Hip Hop um sentimento da estação São Bento, onde o movimento surgiu e existe até hoje. Thaíde é considerando por sua história no cenário cultural e pelos seus discos considerados verdadeira obras de arte históricas, o MC encerrou o fim de semana de abertura da maior Semana do Hip Hop gratuita da América Latina.
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Mais informações sobre a semana do Hip Hop Bauru, acesse a página no Facebook, Semana do Hip Hop Bauru

Thaíde volta à Bauru pela terceira vez consecutiva para a Semana do Hip Hop

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Importante pilar do rap nacional, o rapper agitou o público e se emocionou com o crescimento da cultura Hip Hop na cidade de Bauru

Por Gabriela Martinez
Fotos: Felipe Moreno e Lucas Rodrigues

O primeiro domingo de atividades da V Semana do Hip Hop, que aconteceu no Parque Vitória Régia neste domingo (8), foi fechado com chave de ouro com o show do rapper paulistano Thaíde. Com a casa lotada, o rapper vibrou com a energia da galera que o esperava ansiosamente.

Pela terceira vez consecutiva na Semana do Hip Hop, Thaíde disse à nossa equipe que o movimento Hip Hop em Bauru está cada vez mais forte, parabenizou a equipe e comentou a crescente potência do movimento Hip Hop na cidade: “Chegar em 2015 e encontrar essa multidão de pessoas aplaudindo, segurando a onda de pé e cantando todas as músicas, isso a gente não pode deixar esfriar, tem que esquentar cada vez mais.” O rapper, que está na estrada desde os anos 80 e é considerado um dos mais importantes e influentes nomes da velha guarda no cenário do rap atual, conta que a primeira vez que veio à Bauru foi na década de 90 e que sempre foi muito bem recebido: “Em Bauru a gente sempre foi recebido com a cultura Hip Hop local, não é uma coisa copiada, é uma coisa de Bauru mesmo e isso é muito importante.”

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Quando questionado sobre a luta do movimento Hip Hop contra o racismo, Thaíde ressaltou que o racismo sempre foi tema de outros estilos musicais, mas que de uma maneira tão direta e agressiva, somente o Hip Hop abordou. “A música rap, sem dúvida nenhuma, é uma grande arma contra o racismo no Brasil e em qualquer outra parte do mundo”.

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Thaíde e Ding

Thaíde ainda presenteou o DJ residente, DJ Ding com um exemplar de seu próprio disco a ser lançado na semana que vem, por ocasião do aniversário de ambas ser bastante próximo, Ding faz aniversário dia 4 e Thaíde comemora o nascimento no dia 5 de novembro. Ano passado Ding o presenteou com um DVD do primeiro show de Thaíde em Bauru, em 1992. Em retorno, Thaíde o presenteou com um vinil com remixes da música “Pra cima”, sucesso em 2007.

O primeiro domingo da Semana do Hip Hop encerrou-se com o show do grande Thaíde, mas recebeu também artistas consagrados do cenário atual, como o rapper cearense Rapadura Xique-Chico e o grupo Inquérito, além de artistas locais e uma linda apresentação de Maracatu.
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Semana do Hip Hop 2015: Edital de apresentações artísticas

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Semana do Hip Hop 2015 abre inscrições para apresentações remuneradas

Além das atrações de renome nacional confirmadas para este ano, como Thaíde, Rapadura, Tássia Reis e DJ Erick Jay, a Semana do Hip Hop de Bauru também prestigia os artistas locais para mostrar, mais uma vez, que o interior tem voz!

Assim como aconteceu em 2014, neste ano também haverá chamamento público, por meio de edital da Secretaria Municipal de Cultura para que artistas de Bauru, São Paulo e qualquer região do país possam fazer apresentações artísticas remuneradas durante o festival.

Para isso, os interessados devem se inscrever por meio de edital e apresentar os documentos na Secretaria de Cultura entre os dias 8 e 22 de outubro, das 8h às 12h e das 14h às 17h ou pelo site www.bauru.sp.gov.br.

Candidaturas. Poderão se apresentar grupos que apresentem propostas relacionadas ao rap, graffiti, breaking e DJ.  Com a apresentação de todos os documentos e a aprovação do edital por meio de conselho formado por 3 membros da sociedade civil, indicados pelo movimento Hip Hop da cidade, e 1 membro indicado pela Secretaria Municipal de Cultura. Em 2015, serão contemplados até 08 (oito) grupos de Rap; até 02 (dois) DJ’s; até 02 (dois) Grupos (Crews) de Breaking e até 07 (sete) Grafiteiros.

Cada grupo ou participante proponente deve apresentar documentações específicas para seu elemento, além de documentos gerais como RG, CPF e currículo. Por isso, fique atento às exigências do edital.

Semana do Hip Hop de Bauru. A Semana do Hip Hop de Bauru acontece desde 2011, de maneira independente, organizado por membros da sociedade civil bauruense. No entanto, desde 2013, o evento foi instituído como política pública cultural da cidade, por meio da Lei 6.358/2013, e portanto, o município destina verbas locais para a realização do evento.

O festival tem por objetivos promover o movimento Hip Hop por meio da cultura, da formação de público e por meio de debates sobre cultura periférica, cultura negra, feminismo e segurança pública, além de promover shows e oficinas na cidade.

Edital. Para ler e participar do edital, acesse o link e esteja atento a todos os pontos especificados pelo documento!

Links: Chamamento Público; Edital.

 

Entrevista Exclusiva com Thaíde na IV Semana do Hip Hop de Bauru

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Foto: Keytyane Medeiros

Entrevista por Keytyane Medeiros, para Semana do Hip Hop de Bauru 2014*

A Semana do Hip Hop em Bauru, realizada em parceria com a Prefeitura Municipal de Bauru e o Ponto de Cultura Acesso Hip Hop. Thaíde, um dos convidados pela organização, se apresentou no Sesc na última quarta-feira, 12 de novembro e falou com a nossa equipe sobre a história e o futuro do movimento Hip Hop.

Esse é o segundo ano que você vem à Bauru participar da Semana do Hip Hop. O que você conhece e pensa do cenário de 20 anos aqui na cidade?
Só o fato de existir Hip Hop aqui em Bauru há 20 anos, já mostra que muita coisa boa e importante existe por aqui. A gente às vezes não sabe o que tem aqui, não sabe direito o que acontece em Bauru, a quantidade talvez não seja favorável para 20 anos de história. E talvez, a gente não conheça exatamente o que está se passando porque não existe a atenção necessária pro Hip Hop de Bauru, entende? Então, se as pessoas derem espaço e atenção, eu acredito, sem dúvida nenhuma que o Hip Hop de Bauru vai ajudar a amenizar a questão da violência entre os jovens aqui nas comunidades, porque o Hip Hop nasceu pra isso.

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Foto: Felipe Moreno

Nos anos 90 você já falava em evolução no Hip Hop, lá em “Senhor Tempo Bom”, por exemplo. Hoje, vivemos um momento completamente diferente, o que você acha dessa evolução?

De qualquer maneira, a evolução aconteceu. Hoje a gente vê pessoas de nome [no Hip Hop] fazendo músicas com nomes da música popular brasileira, participando de filmes, projetos de cinema e TV, então a gente tem muita coisa boa acontecendo. As pessoas já conhecem o Hip Hop brasileiro. O que a gente não pode fazer é deixar essa evolução acabar com o que já aconteceu. Eu sinto falta disso. Muita gente conta a história de 90 pra cá, mas existe uma história antes, desde 83. O Hip Hop é uma raiz, não apenas um galho. E em Senhor Tempo Bom eu já falava isso, mas em Preste Atenção também, eu falava muito da evolução que o movimento teria, quem sabe, nos anos 2000. A gente não pode esquecer da nossa história. Hoje o rap ficou muito numa questão de falar o que as pessoas querem ouvir e não do que elas precisam ouvir, e eu sou uma época em que o rap falava o que o rap falava o que as pessoas precisavam ouvir.

O show com o Thaíde, aconteceu na noite de quinta-feira no SESC Bauru com a presença de três mil pessoas. Além de abraçar novas tendências e promessas da música nacional, o rapper ainda cantou “Respeito é pra quem?”, seu último single lançado em parceria com Mista Pumpkilla e Arnaldo Tifú, seus garotos apadrinhados do rap e do ragga.

Após agradecer o carinho do público no Sesc, o mestre de cerimônias destacou a importância da Semana do Hip Hop em Bauru, lembrando que aqui, segundo ele, “o Hip Hop é vivido e falado sempre com muito respeito e consideração”. O malandro do sorriso gostoso não resistiu e declarou, num apagar de luzes, “Bauru, pra vocês eu tiro meu chapéu”.

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Foto: Lucas Rodrigues da Silva

A Semana do Hip Hop é uma iniciativa do Ponto de Cultura Acesso Hip Hop e da Secretaria Municipal de Cultura.

*publicada originalmente em 13/11/2014, via MadMimi

Entre shows, debates, filmes e atividades de formação, a III Semana do Hip Hop de Bauru ganha robustez e traz Thaíde, GOG e Projota

Com mobilização social, a Semana Municipal do Hip Hop de Bauru tornou-se política pública da cidade. Evento ganha robustez e traz nomes de peso à Bauru.

Por Keytyane Medeiros, para Casa do Hip Hop Bauru

Realizada entre os dias 9 e 17 de novembro, a III Semana Municipal do Hip Hop de Bauru entrou para o Calendário Oficial de atividades da cidade. Até então produzida de maneira independente, a Semana Municipal do Hip Hop se tornou política pública em maio de 2013 por meio de mobilização social pela aprovação da Lei 6258. Com isso, a Semana Municipal do Hip Hop passa a ter também apoio financeiro e de infra-estrutura garantidos pela Secretaria Municipal de Cultura da cidade.

Nesta edição, a Semana trouxe shows de grandes artistas do Hip Hop nacional para participações especiais em shows e oficinas. Com shows de Thaíde e GOG, precursores da primeira e segunda onda do movimento no Brasil, a Semana passa a ser focada em atividades de formação de público e prioriza o quinto elemento: o conhecimento sobre a cultura Hip Hop, sobre a luta dos movimentos negros no país e sobre a criminalização da pobreza.

O show de abertura ficou sob responsabilidade do rapper Thaíde, no Muamba Music. O rapper faz parte da primeira geração do Hip Hop no país, iniciando sua carreira nos anos 80. Ao lado do ex-parceiro DJ Hum participaram da primeira coletânea de rap nacional, Hip Hop Cultura de Rua. O cantor entoou seus maiores sucessos como “Senhor Tempo Bom”, “A noite” e “Apresento meu amigo” com a casa lotada.  Além de Thaíde, a noite de abertura também contou com a participação de rappers locais como Jota F, BetinMC, Abanka e Dois1Dois.

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Formação. Uma das atividades consolidadas com a parceria com a Secretaria Municipal de Cultura está o aumento do número de escolas atendidas pelo Combo 5 Elementos. O projeto levou conhecimento e mini-oficinas dos cinco elementos do Hip Hop (graffiti, breaking, DJ, Rap e conhecimento) para oito escolas municipais e estaduais. O projeto ainda contou com a participação da Frente Feminina de Hip Hop de Bauru que levou questões de gênero para estudantes das escolas, alertando para igualdade de gênero e violência doméstica como males a ser evitados por todos.

A Frente Feminina ainda trouxe duas rappers para ocupar os palcos Interior Tem Voz com Sara Donato no dia 10 de novembro e Tábata Alves no palco de encerramento no dia 17. Além delas, a b.girl Aline Afrobreak ainda ministrou oficinas de breaking durante a Semana.

EMEF Lydia Alexandrina
EMEF Lydia Alexandrina
Henrique Tomas no Combo 5 Elementos
Henrique Tomas no Combo 5 Elementos
EMEF Guia Lopes
EMEF Guia Lopes

Cinema de crítica social. O Cine Hip Hop, realizado no Pontilhão da 13 de Maio, em parceria com a Casa Fora do Eixo de Bauru, trouxe produções audiovisuais bauruenses como o clipe com forte crítica social de Thigor MC e Dom Black, “A Praga do Século” e “Livre Escolha”, documentário de Thigor MC.

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Cine Hip Hop na Semana 2013

Ambas as produções levantam problemas relacionados ao crack, a chamada praga do século. Longe da droga há quase 10 anos, Thigor MC conta em seu documentário como se afastou do vício e como o rap, o Hip Hop e a religião tiveram participação fundamental nesse processo. As produções alertam para uma inversão na lógica do tratamento do crack. Comumente associado à segurança pública, o crack é e deve ser tratado, segundo os produtores, como um problema de saúde pública. Além disso, as produções criticam o descaso do poder público com os usuários, que por meio da higienização da cidade afasta os usuários da paisagem urbana sem resolver seus problemas de saúde ou propor tratamentos alternativos. Os vídeos foram produzidos por Rafael Pessoto, Conrado Dacax e D’Bronx MC.

Shows de encerramento. A Semana foi encerrada com a participação mais que especial de GOG, rapper de Brasília e o primeiro a possuir um selo de gravadora independente do país em 1996, “Só balanço”.

Com canções críticas e politicamente posicionadas como “Brasil com P”, GOG chama a atenção para a questão racial no Brasil. Segundo suas letras, os mortos pelo poder público no Brasil tem CEP e cor, sendo em sua maioria jovens negros de periferias, como o Mapa da Violência 2012 comprova. Em dezembro de 2007, GOG lançou o CD “Cartão Postal Bomba!” totalmente online, apresentando uma nova proposta de negociação, divulgação e distribuição de música independente no país, promovendo o debate sobre auto-gestão entre artistas nacionais. O rapper visionário abriu o show para uma das promessas nacionais do mundo do rap, o jovem Projota.

Projota no encerramento da III Semana Municipal do Hip Hop de Bauru. Foto: Luringa
Projota no encerramento da III Semana Municipal do Hip Hop de Bauru. Foto: Luringa

Projota ganhou destaque no cenário independente após vencer quatro vezes a batalha de mcs da Santa Cruz, em São Paulo. A partir daí, o jovem de 26 anos lançou as mixtapes “Carta aos meus” em 2009 e “Projeção” em 2010. O rapper encerrou a Semana do Hip Hop 2013 com canções de sucesso, alegrando a molecadinha que tem se aproximado ultimamente do movimento Hip Hop. Entre suas canções mais famosas está “Rezadeira”, muito aplaudida pelo público de aproximadamente 10 mil pessoas no Parque Vitória Régia.

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Encerramento da III Semana do Hip Hop Bauru no parque Vitória Régia. Foto: Ponto de Cultura Acesso Hip Hop

 

III Semana Municipal de Hip Hop de Bauru: evento entra no calendário oficial da cidade

Terceira edição conta com nomes como GOG, Thaíde, Sombra e Projota

por Revista Rap Nacional*

Já consagrada como um dos maiores eventos culturais de Bauru, a Semana Municipal de Hip Hop chega à sua terceira edição mais forte que nunca. De 9 a 17 de novembro, o festival vai ocupar diversas áreas da cidade com shows de rap, exposições de graffiti, batalhas de breaking, sessões de cinema, oficinas, debates e ações educacionais.

É a primeira vez em que a Semana acontece como parte integrante do Calendário Oficial de Eventos da cidade, instituída pela Lei 6358, de 24 de maio de 2013. O reconhecimento do poder público trouxe novas dimensões ao festival, que este ano conta com quatro nomes de peso do rap nacional em sua programação. Thaíde, GOG, Sombra e Projota são shows confirmados, respectivamente, para os dias 9, 10, 16 e 17.

A agenda de shows inclui também artistas e grupos que fazem sucesso no cenário local do movimento. A escalação de bauruenses para a Semana conta com AlemDaRima, DJ Ding, D’Bronx, JotaF, BetinMC, Abanka, Dois1Dois, Thigor MC, Ment Blindada, Bandidos em Harmonia, Tiago Vurto, D’Quebra, Dom Black, RapNobre MC e Coruja BC1, menino prodígio que vem conquistando reconhecimento no circuito nacional desde o ano passado.

 

Palco “Interior tem voz”. Buscando valorizar a rica produção do Hip Hop além dos holofotes das grandes cidades, o festival realiza no feriado do dia 15 uma sequência de shows trazidos de diferentes cidades do interior paulista. Ao longo de toda a tarde, a praça pública do Parque Santa Edwiges recebe apresentações de Veneno H2 (Franca), Ramonstro (Barretos), Lheo Zotto (Ribeirão Preto), Sintonia Sonora (Barra Bonita), Daniel Garnet e Pqnoh (Piracicaba), Revolução LDE (Marília) e Prodígios (Jaú).

Lugar de mulher é no palco. Tendo entre seus organizadores a Frente Feminina de Hip Hop da cidade, a Semana não poderia deixar de ter atrações que representassem a força das mulheres no movimento. Duas MCs têm presença confirmada no evento: a são-carlense Sara Donato, que canta no Sambódromo no dia 10, e a paulistana Tábata Alves, escalada para o encerramento no Parque Vitória Régia, no dia 17. Além delas, a b.girl Aline Afrobreak vem da capital para ministrar uma oficina de breaking para meninas no dia 14, no Centro Cultural.

Hip Hop no currículo. Consciente do papel do Hip Hop como ferramenta de formação, a Semana tem como uma das suas principais características a realização de atividades educativas e conscientizadoras. Serão oficinas, debates e outras ações, com o objetivo de incentivar a reflexão e circular informação entre o público do evento.

Seis dos nove dias de festival contam com oficinas, dedicadas a oferecer informações básicas a quem gostaria de atuar em diversas vertentes do movimento. Haverá aulas gratuitas sobre produção de vídeos, graffiti, breaking e criação de beats. Já os debates e as rodas de bate-papo abordarão temas que vão da discriminação de camadas sociais desfavorecidas à presença da mulher no Hip Hop.

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Além disso, a terceira edição da Semana tem como novidade a realização dos chamados “Combos dos Cinco Elementos” em escolas públicas de Bauru, levando bate-papos e apresentações aos alunos. Ao todo, oito escolas receberão os Combos, que acontecem nos dias 11, 12, 13 e 14.

 

Construção colaborativa. A 3ª Semana Municipal de Hip Hop é uma realização do Ponto de Cultura Acesso Hip Hop e da Prefeitura Municipal, em parceria com Frente Feminina de Hip Hop de Bauru, CurtaBauru, Casa Fora do Eixo Bauru, Wise Madness, Frente de Hip Hop do Interior Paulista, Rede Nacional das Casas de Hip Hop, Bauru Breakers Crew, Oficina Cultural Glauco Pinto de Moraes e Secretaria de Estado da Cultura. A iniciativa conta com o apoio de Caritas Diocesana, Conselho Regional de Psicologia, Rádio Unesp FM e Madiba Shop e Projeto Colorindo o Interior.

 

Flyer da III Semana Municipal de Hip Hop de Bauru
Flyer da III Semana Municipal de Hip Hop de Bauru

 

*publicado originalmente em 7/11/2013