Ano de luta, anos de Hip Hop

2016 foi ano de transformações, mudanças e crescimento da cultura. E a Casa do Hip-Hop respirou (e transpirou) cultura esse tempo todo.

Por Lucas Mendes e Felipe Sousa
Fotos do Acervo Casa do Hip Hop Bauru


O primeiro de muitos: esse é o sentimento que fica na cabeça sobre o ano de 2016. A Casa do Hip Hop de Bauru completou 1 ano de atividades, ocupando os espaços e mostrando a força e articulação que o interior possui pra impulsionar e fortalecer a cultura e a cena local. 
Vale lembrar que foi nesse último mês de setembro que comemoramos 1 ano de presença no prédio da Estação Ferroviária, lá no centrão da cidade. Com apoio da Secretaria de Cultura, a Casa do Hip Hop foi o primeiro coletivo a ocupar as salas da 1º andar da Estação – que tinha ficado abandonada por mais de 20 anos.

Quem entra lá hoje já nota rápido a transformação do lugar. Diversos grupos estão utilizando o espaço – tem aulas da Divisão de Ensino às Artes da Secretaria de Cultura, Academia Bauruense de Letras, teatro, dança.. fazendo dali uma importante incubadora e fomentadora de cultura e efervescência artística.

 

Pra comemorar esse aniversário de 1 ano, a Casa do Hip Hop realizou a festa com atrações conhecidas da cidade, da região e do cenário na nacional do Rap. Os grupos Ment Blindada, Renegados Mc’s, Betim Mc e Dentão da Rima representaram Bauru, enquanto o grupo Revolução LDE veio de Marília. Síntese e família Matrero colou pra fechar o evento. O Mc De São José dos Campos  conversou com a gente, relatando a importância de se ter um espaço como a Casa de Cultura Hip Hop e também mostrou seu ponto de vista sobre o cenário do Rap hoje. A entrevista exclusiva você confere aqui.

Renegados Mc’s foram uns dos grupos que representaram a Bauru
Síntese e Família Matrero foram umas das atrações no Aniversário da Casa Do Hip Hop

Eventos importantes realizados pelo Ponto de Cultura Acesso Hip Hop, como Rap Hour, Estação Hip Hop e o Projeto Ensaio marcaram presença, trazendo artistas locais em apresentações nos quatro cantos da cidade, ou na própria Estação Ferroviária – prédio que abriga a Casa H2, que atua como parceira na realização.Bairros como Núcleo Gasparini, Mary Dota, entre outros, receberam bem as atividades, que contam também com apoio da Secretaria Municipal de Cultura.

A Batalha da Panelinha foram uns dos eventos que se consagrou esse ano
A batalha acontece toda quarta-feira.

 

Atividades, rolês, encontros

Balada Samba Rock, foi um sucesso em seu primeiro ano de realização

Dentro do que é feito pela Casa H2 existem atividades de formação, discussão e também espaço pra rolês e eventos da cultura. Umas das atrações que mais o público curtiu nesse ano foi  a clássica Batalha da Panelinha, realizada toda quarta-feira com os mc’s da cidade e região. Também um sucesso de público é a Balada Samba Rock, que teve 3 edições.

Movimento social rico, orgânico e criativo, o Hip Hop sempre se reinventa e incorpora novas discussões através de suas expressões. Seja nas rimas, batidas, latas de spray ou passos do breaking, as lutas e enfrentamentos diários são politizados por meio do conhecimento.E nesse campo a Casa H2 marcou sua presença com a realização de debates, rodas de conversa e saraus sobre os diferentes temas de relevância na sociedade.

Nessa missão foi que recebemos o II Fórum Regional de Mulheres no Hip Hop, projeto de realização da Frente Nacional de Mulheres no Hip Hop, contemplado pelo Proac-SP. A Frente Feminina de Hip Hop de Bauru integra esse coletivo nacional e foi parceira local para a realização do evento.

Com uma programação voltada à visibilidade das artistas da região, os fóruns têm como principal objetivo criar um espaço de acolhimento através de apresentações artísticas, workshops, rodas de conversa e oficinas para as mulheres. Os Fóruns Regionais são encontros prévios para o Fórum Nacional de Mulheres no Hip Hop, que acontece anualmente em São Paulo, e este ano contou também com a presença das integrantes da Frente Feminina de Hip Hop de Bauru.

Momentos envolvendo filmes e debates também marcaram presença por aqui nesse ano. O Cine Pixote proporcionou a exibição de filmes de conteúdo e fora do circuito comercial, sempre com uma temática política pra engatar um debate.

 

Em meio a todas as frentes de atuação da Casa do Hip Hop de Bauru também se destaca a presença do Cursinho Popular Pré-Vestibular “Acesso Hip Hop”, uma importante iniciativa de educação pra juventude que não tem como pagar aquele cursinho particular.Oferecendo aulas que trazem discussão política ao mesmo tempo em que prepara os manos e minas pro vestibular, o Cursinho busca  colocar cada vez mais gente da periferia nas universidades, ocupando um lugar que também é nosso por direito. Esse ano rolou uma Festa Julina pra auxiliar na manutenção do projeto educacional do Cursinho. Teve bingo, quadrilha, correio elegante e discotecagem.

Oficinas e aprendizado

Ao longo de todo ano também demos seguimento à disseminação da cultura Hip Hop através de seus elementos. As oficinas atraem um pessoal diverso e movimentam o espaço da Casa H2.Graffiti, Rap, DJ e Breaking oferecem essa vivência pra quem quiser conhecer mais da cultura. Elas são abertas e totalmente gratuitas. Também rola oficina de Freestep e Krump, além de Kickboxing, Dança do ventre, Kizomba, samba de gafieira, pandeiro e capoeira.

 

Dança do Ventre em Apresentação
A oficina de Capoeira em apresentação na Casa Do Hip Hop
As oficinas de KickBoxing são realizadas as quartas e sextas feiras

Aqui o destaque é para as oficinas profissionalizantes, oferecendo um meio de emancipação ou complemento de renda: unhas artísticas, design de sobrancelhas e maquiagem. Quem quiser saber mais ou participar é só chegar lá na Casa do Hip Hop e acompanhar os trabalhos.

No começo de dezembro também aconteceu uma oficina de escrita criativa, organizado pela Biblioteca Móvel Quinto Elemento, coletivo que compõe a Casa. A atividade contou com patrocínio do Programa de Estímulo à Cultura. O poeta Ni Brisant colou pra mediar a atividade, que buscou oferecer uma vivência e um despertar para a literatura e a poesia.

Ni Brisant na oficina de Escrita Criativa, realizada com apoio da Biblioteca Quinto Elemento
A oficina de Escrita Criativa foi uns dos destaque do mês de dezembro

Semana do Hip Hop

Novembro foi o mês que a cidade mais uma vez respirou o hip hop e seus elementos. A sexta edição da  Semana Municiapl do Hip-hop foi realizada pela Secretaria Municipal de Cultura e o Ponto de Cultura  Acesso Hip Hop. A Casa do Hip Hop sediou grande parte da programação e o espaço recebeu shows de grupos da cidade e da região, como Marília, Barretos, São Paulo,  e até de outros estados, como Minas Gerais e Rio Grande do Sul, todos bem representados.

Maestro do Caos diretamente de Barretos, representando Barretos

A Estação também recebeu  as finais do breaking, Krump e All Style  e grandes representantes como Casper Back Spin, Mister Jeff, Hatkilla, tudo no comando dos toca disco com dj Basin e Niko.

Ainda rolou a Marcha do Orgulho Crespo, a segunda edição do “Favela fashion zick”, com estilo e representatividade em um desfile de moda, e o tradicional Sarau do Viaduto, realizado pela Biblioteca Móvel Quinto Elemento.Ao todo foram dez dias de programação da Semana do Hip Hop, considerado o maior evento público de Hip Hop da América Latina.

O Tradicional Sarau do viaduto foi realizada esse ano na casa do Hip Hop
Favela fashion zick, representativadade e moda na Semana do Hip Hop

Expectativas

Recentemente a Casa do Hip Hop foi contemplada pelo Programa de Ação Cultural (Proac), do governo estadual. O concurso contou com 127 projetos inscritos, e a Casa foi selecionada em 1º lugar. Os projetos concorreram a prêmios de R$ 40 mil cada e que serão executados a partir de 2017.Esse é um edital próprio para a cultura Hip Hop, e veio como um incentivo pra manter nossa cultura viva e atuante. A Casa vai poder formar e impulsionar a cena Hip Hop e a essência da cultura nos trabalhos de formação.A verba será destinada para a manutenção das atividades da Casa, como as oficinas, e servirá para remuneração de gestores e oficineiros, garantindo a continuidade e aprimoramento de todo o projeto.

 

Aprendizado e Dança: o fim de semana das Batalhas na semana do hip-hop


Os dias 12 e 13 ficaram marcados pelos workshops e as batalhas no Sesc e na Casa do Hip-hop

Por Gabriela Martínez e Felipe Sousa

O fim de semana do nono dia da programação da VI Semana Municipal do Hip Hop, abriu o espaço para a dança, Krump, All Style, Popping e Breaking foram muito bem representados no Sesc Bauru e na Casa do Hip Hop de Bauru.

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No sábado (12), o dia foi de muita dança e muito aprendizado, com Workshops de grandes nomes, como mister Jeff no Popping, Casper da Backspin Crew, Kustelinha da Bauru Breaks Crew e Evertinho da All Stepps no Breaking, e Jey Hatkilla no Krumping.

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As eliminatórias foram marcadas pela presença de grupos da região, Assis, Marilia, Botucatu, entre outras cidades, tiveram os seus artistas em batalhas no Sesc da cidade. Com o sorteio realizado, os adversários se enfrentavam na busca pelo prêmio da semana. Teve inicio as batalhas de all Style, julgadas pelo Mister Jeff, onde os dançarinos nessa batalha devem demonstrar o seu talento na sua dança de origem e também o seu improviso a cada música tocada pelos Djs BASIN, ao todo foram inscritos 16 participantes de diferentes estilos em busca de ser o melhor da semana do hip-hop.

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Ás 16 Horas, o All Style, abriu espaço ao Krumping, em uma batalha julgada por Hatkilla, os Krumpers, como são conhecidos os dançarinos de Krumping, se desafiaram  para ser o melhor, foram inscritos 16 participantes de diferentes cidades da região, foram escolhidos  4 semifinalistas e decidido no domingo na Casa do Hip Hop de Bauru.

O final da tarde no Sesc ficou marcado por um dos elementos principais da Cultura Hip Hop, o Breaking. Ao todo foram inscritos 12 crew’s de Breaking de diferentes cidades, as semifinais foram definidas para a final na Casa do Hip Hop de Bauru.

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Finais

No domingo a energia das batalhas continuava presente na Casa, ao som dos DJS  Basin e Borogui, o Breaking, o Krumping e o All Style  foram muito bem representados. As decisões começaram pelo estilo Krumping, o jurado Jey Hatkilla afirma que  as apresentações foram  de extrema qualidade. ”Foi insano hoje, foi porrada pura, a gente vê que tem muitos Bboys estudando e se adaptando ao estilo.”  A final  ficou entre 7k Buck e Insane Killer diretamente de Piracicaba, que se consagrou o vencedor do estilo e o melhor Krumper da VI Semana Municipal do Hip Hop.

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As Batalhas de All style, trouxeram ao salão da estação a mistura da dança com seus diferentes ritmos, desde o rap até o samba, o jurado dessa vez foi Mister Jeff de Mogi das Cruzes, considerado referência ao pessoal da nova escola da dança. “Eu achei muito importante primeiramente, eu agradeço a minha família, meus amigos e ao ciclo vicioso no qual dança me propôs, os grupos que eu passei Die hard crew, Discípulos do ritmo, e agora Action Family e o trabalho agora com o Tim Brasil, foi uma enorme satisfação, eu agradeço por da essa oportunidade, estar ontem vivenciando uma experiência através do workshop e fazendo parte do corpo de jurado nesse desafio a nesse nível, eu creio que é uma coisa que já acontece mas é pouco novo em termos de soar no ouvido das pessoas das batalhas de All Style.” A final entre Davi e Pitbull, foi o puro talento da dança e do Krump, o vencedor por decisão unanime foi o paulista Pitbull.

A final do Breaking foi uma das mais aguardadas aos fãs da Cultura Hip Hop e da dança, em disputa as crew’s Killers  contra Irmãos Metralha. A final foi o mais puro breaking de qualidade, os integrantes de cada crew tomaram  o saguão da antiga estação ferroviária, lembrando muito os tempos da antiga Estação São Bento, marco inicial do Hip Hop no Brasil. O B-boy Kustelinha, juntamente com Bboy Casper da Backspin Crew tiveram  a difícil missão de decidir quem saiu como vencendor na VI Semana Municipal do Hip Hop. Kustelinha afirma que a competição foi de alto nível.” Na competição a energia estava muito boa, os Bboys da região estão representando muito bem o interior de São Paulo, a cena está crescendo muito, a nova geração está chegando com bastante informação, conseguindo desenvolver mais em relação aos movimentos, conhecimento que é o principal, eles estão pegando essas informações e está fluindo, está sendo uma coisa  bem legal na cena”.  A melhor crew da Semana do Hip Hop foi a Killers, os vencedores ganharam um premio em dinheiro e uma tatuagem, o vice-colocado também ganhou uma premiação em dinheiro.

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2ª Marcha do Orgulho Crespo De Bauru foi marcada por debates e empoderamento na Estação Ferroviária

Por Mariana de Moraes
Fotos: Mari Soares, Bianca Moreira

No último sábado (12), às 14h saiu da Praça Rui Barbosa a Marcha do Orgulho Crespo: 2º Encontro de Crespas e Cacheadas. A Marcha contou com a presença de mulheres lindas e empoderadas, de todas as idades e profissões. A já acontece em outras cidades e estados e tem como objetivo mostrar para as pessoas que o cabelo crespo é lindo e merece ser respeitado na sociedade.
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A Caminhada se estendeu até a Casa do Hip Hop (Estação Ferroviária), onde aconteceu uma roda de conversa em que foram debatidos temas como o Empoderamento Negro; A Mulher Negra no Brasil e Protagonismo Negro; também marcaram presença no evento as meninas do workshop Entre Dois Mundos, além de empresárias e influenciadores digitais da região.

O debate “Mulher Negra: Construindo Identidade da Cabeça aos Pés” foi ministrado por Patrícia Alves (Mestrado em Comunicação, Informação e Educação em Televisão Digital na UNESP Bauru), e Greice Luiz (Jornalista e Integrante do site QI Mídias) falou sobre “Empoderamento Afro” . Luana Protázio (estudante de Relações Públicas, administradora do site Elogie Uma Irmã Negra) ministrou o tema “Mulher Negra, Afetividade e Autoestima”. Todas abordaram a necessidade de elogiar, e apoiar outras mulheres negras em processo de transição capilar e aceitação de suas características, mas também da importância de empoderar os meninos na aceitação de suas características e identidade.

A conversa foi emocionante, a troca de experiências e as histórias contadas mostraram a importância da união entre os negros e fizeram com que saíssemos de lá com a alma lavada e com maior vontade de lutar por nosso lugar na sociedade.
Para Ivana, idealizadora local do evento, “”A marcha tem como importância passar a mensagem que padrões estão sendo quebrados, que a real importância e ser feliz  com o que cada um tem! O cabelo crespo já foi silenciado por tempo demais por uma padrão de beleza que não no cabe e nem nos interessa. Marchamos para que a sociedade aceite, engula que nossa raiz fala mais alto que qualquer padrão, e quanto mais cara feia fizer mais ele vai crescer” afirma sorrindo.

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O evento também contou com a participação do portal Alma Preta, e os convidados Juarez Xavier, jornalista e Coordenador Geral do Núcleo Negro da UNESP para Pesquisa e Extensão (NUPE), Julia Conceição, estudante de psicologia e co-fundadora do coletivo negro Kimpa da UNESP, e Roque Ferreira, jornalista e ex-vereador da cidade, com o debate “Democratização da Comunicação no Brasil”, abordando a importância que os meios de comunicação têm na representação da sociedade, e o papel da mídia no genocídio da população negra, pobre e periférica, ao justificar tais ações à sociedade. O evento também foi um primeiro momento para o Alma Preta lançar de maneira presencial sua campanha de assinaturas, estratégia encontrada para sustentar do ponto de vista financeiro a continuidade do trabalho.

Combo 5 Elementos do Hip Hop chega com tudo nas escolas Bauruenses

A VI Semana de Hip Hop de Bauru além de todas as atrações trouxe para a cidade também mais conhecimento sobre a cultura hip hop

Por Mariana Soares
Fotos Thaiane Cuba

Na tarde dessa sexta feira (10), rolou o último Combo 5 Elementos do Hip Hop na Escola Municipal Geraldo Arone trazendo muita música, break, grafite e conhecimento. A equipe chegou por volta das 15h da tarde e foi recebida com muita empolgação pelos alunos.

Alisson Ferreira Vieira é Mc e junto com o Vinícius Thomas são os responsáveis pelo Combo 5 Elementos do Hip Hop. O combo começou em 2012 junto com a Semana de Hip Hop de Bauru e tem por objetivo apresentar às crianças e adolescentes todos os elementos que compõe a cultura do Hip Hop, contando toda a sua história e relevância na sociedade. Além disso, busca também atrair um novo público para o movimento, afirma Alisson.

 

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Crianças na Sorri.

Passando por 9 escolas públicas e pelo Centro Especializado em Reabilitação SORRI, o Combo sempre traz muito encantamento e faz questão de deixar sua marca por onde passa com um grafite. A apresentação começa, inclusive, com a história desse elemento. A explicação vai desde o grafite em Nova Iorque dos anos 70, até a sua aceitação e evolução nos dias de hoje. “No grafite você pode desenhar de tudo que você quiser, só usar bastante a imaginação”, complementou B.boy Luiz Henrique Frabetti, mais conhecido como Major.

 

Bia Benedito e Vini Vira Lata em frente ao graffiti realizado na Escola Madureira
Bia Benedito e Vini Vira Lata em frente ao graffiti realizado na Escola Madureira
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B. boy Graxa e B.boy Will Canela com alunos da Escola Geraldo Arone

O segundo elemento apresentando para a molecada é o break, a dança que acabou com a briga no gueto. A explicação termina com uma demonstração do elemento com os B.boys Graxa, Major, Nego e Cidinho dançando e animando a criançada, que se encanta e se impressiona com cada movimento. Ainda no elemento break, alguns alunos são convidados a aprender a dança com o B.boy Graxa e a mostrarem todo o seu talento. A animação às vezes é tanta que até mesmo algumas professoras entram na dança.

 

Outro elemento apresentado é o conhecimento. O bate-papo sobre esse elemento rola junto com as meninas da Frente Feminina de Hip Hop que discutem questões sobre machismo e a importância da mulher na cena e nesse ano contou a presença da Sara Nonato e da Issa Paz do grupo Plus Size. Mandando um Free Style, Issa mostra para as crianças que menina pode cantar rap sim.

 

Relembrando todo seu passado, o Rap é o último elemento a ser apresentado para as crianças e adolescentes. Explicando a origem de seu nome, originário de uma sigla em inglês que significa Ritmo e poesia. “Mas no Brasil a gente fala que o rap é assim: ritmo, amor e poesia”, diz Alisson ao terminar a apresentação e mostrar para as crianças que rap é poesia sim.

 

Tarde de shows marca a abertura oficial da Semana do Hip Hop Bauru 2016

A programação continua na maior Semana do Hip Hop do país. O domingo foi marcado pelo empoderamento da mulher, ativismo e mais uma vez muito hip-hop.

Por Mariana de Moraes e Felipe de Sousa
Fotos: Guilherme Munhoz, Banca Moreira, Mari Soares, Cadu Oliveira

O segundo dia de atividades da Semana do Hip Hop Bauru foi um dos mais aguardados pelo público. A programação começou às 14h no Parque Vitória Régia, com Dj Ding no comando dos toca-discos com clássicos do rap nacional e internacional.

Diretamente de Belo Horizonte, Negra Lud e Neghaun, iniciaram as apresentações que foram marcadas principalmente pela mensagem de superação e resistência. Em entrevista, Neghaun conta que foi uma ótima experiência, “foi muito prazeroso, sair de Belo Horizonte e estar colando aqui em Bauru com vocês e sentir toda essa vibe, sentir que o hip hop permanece vivo e permanece.” Sobre o movimento Hip Hop, o mc minero fala que a sociedade já aceita e deve aceitar mais o movimento, ”O mais importante de tudo que nós, o nosso povo, tem que entender melhor o que a gente planta a varias décadas, a quase 5 décadas, nosso povo tem que entender mais, mas a sociedade está abraçando mais, a sociedade entende o que a gente falava a 20 anos atrás a época que eu comecei, eu acho que estamos no caminho e no progresso”.

Negra lud que também se apresentou afirma que foi uma linda experiência voltar a cantar em Bauru, “Eu acho muito bonito ver o hip hop acontecendendo e é um enorme prazer voltar, eu sinto que estou somando para o que acontece e com o real intuito que o evento tem. (…) O movimento está crescendo cada vez mais, eu acho que a gente ta se apresentando melhor e trazendo conteúdo para as pessoas entenderem o movimento, (…) as pessoas estão começando a receber melhor a proposta do Hip Hop. É interessante isso, as pessoas estão curiosas para saber qual é a desse movimento que está proliferando em todo país, eu diria em todo mundo, tá bonito demais e eu fico muito feliz com tudo isso”.

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As mulheres continuaram trazendo muito empoderamento e presença no evento. Odisseia das flores, o grupo paulistano formado por Jô, Chai e Letícia, chegou a Concha Acústica com rimas repletas de mensagem e força, levando as mulheres da platéia na mesma levada, e a se sentirem representadas.
Quem subiu logo em seguida, diretamente da Cidade Tiradentes, São Paulo, foi o grupo A’s Trinca. Com o trecho “Essa é pra aquele que se identifica, cidade tiradentes zona leste (a’s trinca), três minas no vocal e um Dj no vinil, representatividade das quebradas que emergiu..” da música “Se identifica”, elas mostraram que não estão no jogo pra brincar. Com Músicas sobre representatividade, e denuncia ao machismo, ainda mandaram a letra sobre sua recente presença na televisão, “o hip hop tem que estar em todo lugar!”

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Ao chegar da noite, a presença dos grupos de rap da cidade, Dilema e Origem Rap, empolgou e atraiu mais o público fã do rap do interior. O show contou com participação do Dentão Mc, também artista da cidade, e uma capela do som do grande Mestre Sabotage.

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O grupo RAP PLUS SIZE, formado por Sara Donato e Issa Paz, tomaram o palco e dominaram com rimas que desconstroem o padrão estético e denunciam o machismo, racismo, gordofobia, e buscam o empoderamento da mulher. As minas, que são amigas há tempos e se juntaram recentemente no palco, já estiveram presentes em outras edições da Semana do Hip Hop, mas como grupo esta foi a primeira vez, com músicas como “O pano rasga”, já conhecida do público, fez a galera presente cantar junto e animar ainda mais o role.

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Em uma passagem marcante, o grupo de rap Ordem Natural exibiu sua energia no palco, Os MC’s Gato Congelado e Luo cantaram suas músicas cheia de positivismo e empolgação.
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Próximo às 22h, a concha acústica do Parque Vitória Régia, se transformou ,na mais bela celebração cultural. O MC Rapadura com os sons do disco “Fita Embolada do Engenho” se apresentou e representou o norte e o nordeste do país, com influencia de Luiz Gonzaga, Dominguinhos e a mais pura literatura de cordel, o nordestino mostrou os seus sons mais conhecidos como ‘É doce mais não é mole”, “Moça Namoradeira”, “Norte Nordeste me Veste”, tornando a escadaria do parque um verdadeiro baile.

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A última atração da noite era umas das mais esperadas no cronograma da semana, Thaíde. O Mestre do Hip Hop chegou com seu clássico “Pra cima” numa versão Remix, na companhia do Mister Pumpa Killa e Mc Tifu. O artista com um repertório recheado de clássicos, mostrou todo o seu conhecimento e história no Hip Hop.

 

No decorrer do show, b-boys foram convidados trazendo à Semana do Hip Hop um sentimento da estação São Bento, onde o movimento surgiu e existe até hoje. Thaíde é considerando por sua história no cenário cultural e pelos seus discos considerados verdadeira obras de arte históricas, o MC encerrou o fim de semana de abertura da maior Semana do Hip Hop gratuita da América Latina.
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Mais informações sobre a semana do Hip Hop Bauru, acesse a página no Facebook, Semana do Hip Hop Bauru

Hip Hop não Para! Começou a VI Semana do Hip Hop de Bauru

A noite do primeiro dia de atividades foi marcada por intervenções, literatura Marginal, o público e, claro, muito Hip Hop.

Por Mariana de Moraes e Felipe de Sousa
Fotos: Bianca Moreira, Cadu Oliveira

 

No inicio da noite deste sábado iniciaram-se as atividades de abertura da Semana do Hip-Hop.

Marcada pela presença do público que interagiu a todo o momento, a noite começou com o lançamento do livro Hip Hop Cultura de Rua, escrito pelo MC Who Kasseone. No palco, o escritor mostrou um pouco da importância do movimento, com uma intervenção repleta de emoção e de palavras contagiantes. Em entrevista, o artista mostra a sua opinião sobre o evento. ”Em linhas gerais a cidade está de parabéns, aqui se faz o hip-hop de verdade, eu acho que o Brasil inteiro deve reconhecer o trabalho que vocês fazem aqui, é lindo tudo isso, eu sou apreciador desse trabalho, e grato pela oportunidade.”

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Logo em seguida, MC Tiely Queen assumiu o palco, com rimas pesadas e repletas de ativismo. Em uma passagem marcante, o MC, ator, e cineasta de São Paulo, também coordenador do Projeto HIP HOP MULHER, empolgou a todos na Estação.

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Uma das últimas atrações da noite, em sua quarta passagem pela Semana do Hip Hop, a Parada Poética com Renan Inquérito, animou a todos. Renan declamou suas poesias dos livros #PoucasPalavras e Poesia Pra Encher a Laje, lançado esse ano, e algumas improvisadas. O público não ficou de fora, no momento que o microfone ficou aberto, pessoas declamaram os seus versos, rimas, e poesias contagiando cada vez mais a todos. O MC e escritor, disse a importância da literatura marginal, “é importante porque é uma literatura que bate no peito e fala que é marginal(…) é outra conotação de marginal, que diz: eu sou marginal porque eu quero e tenho orgulho, sou marginal no que eu escrevo, marginal por não querer fazer parte desse sistema literário, faço questão de ser marginal. É um posicionamento político, acima de tudo, e não tem como negar que tem uma enorme relação com o Hip Hop.”

O MC ainda falou sobre a importância da politização do jovem que está inserido no movimento hip hop, dizendo que os jovens são a esperança para dar continuidade à luta que estamos buscando para erguer cada vez mais a bandeira do hip hop: “o jovem é o combustível de qualquer movimento, seja estudantil, social, racial, tá ligado, o jovem tem energia, tem o brilho no olho, ele tem a sede de mudança e não foi contaminado pelos tombos como nós já fomos. Ele não tá calejado, ainda! Ele é necessário para fazer a roda girar.”

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Sobre o evento e a sua evolução, Inquérito, que já participa desde 2014 disse: “Eu acho daora que todo ano tem gente nova, mas também tem o núcleo duro, que é a base mesmo que tá desde o primeiro. E eu acho isso necessário, essas pessoas, elas vão passando o bastão, mas é necessário que elas fiquem e abracem, recebam quem tá chegando, formem quem tá chegando. Para que esse que hoje é formado amanhã  vire um formador também. Então, não são escolas, são gerações. É de sangue pra sangue, geração. Escola é divisão.(…) Esse é um evento lindo, é um evento que não fica só restrito para a música, abrange várias esferas e devia ter um evento desse em cada cidade do Brasil, independente do partido que ganhar, tem que entender que isso é legítimo. É legítimo ter uma Semana do Hip Hop em uma cidade como Bauru, assim como é ter em outras cidades. O que não pode é ter semana do Hip Hop só quando um prefeito de esquerda ganhar. Isso faz da gente refém.”

O ápice da noite foi a tão esperada Batalha de MC’s, os rimadores se enfrentaram pela glória e pelo prêmio ao melhor da noite, um troféu e uma tatuagem. No confronto, cada MC tinha 40 segundo para improvisar, a final tão esperada entre Estrofe MC e Mael MC foi marcada pelo talento do mais puro improviso, a vitória ficou com Mael MC após um terceiro round.
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A semana do Hip Hop continua hoje (06) com apresentação de grupos Rap, no parque vitória Régia. Acompanhe a programação completa na pagina Semana Do Hip Hop Bauru.