Quem diz que mina não pode ser Sensei? Com a palavra, Drik Barbosa

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Texto: Thamires Motta
Fotos: Lucas Rodrigues Alves da Silva e Felipe Amaral

Drik Barbosa: em algum momento, você já ouviu falar esse nome. A MC começou nas rodas de freestyle da Batalha do Santa Cruz, em São Paulo, e logo começou a ser reconhecida pela voz inconfundível e pelo talento no free. Já teve participações nos discos de Marcello Gugu, DJ Caique, Novato e mais recentemente na faixa “Mandume”, de Emicida. Convidada pelo rapper para dividir o palco em Bauru, ela cantou o single e entoou vários refrões durante o show.

Arrepiando em “Mandume”, Drik leva feminismo e mais voz para as mulheres negras nos seus versos. Ela acredita que o próprio Rap já tinha dificuldades em alcançar visibilidade, mas que elas estão chegando cada vez mais longe, já que as portas foram abertas pelas mulheres que batiam de frente. “Quero que a gente possa falar do que a gente quer, não só falar de violência e preconceito, que é extremamente importante, mas que a gente passe nossa visão sobre amor, felicidade, sobre rolê. Que não fique só essa perspectiva do homem”, explica a rapper.

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Para ela, a maior importância da Semana do Hip Hop está em alcançar as pessoas e mostrar o poder da cultura. “É importante trocar uma ideia legal cara a cara com as pessoas, não ser só essa parada de internet”, conta. “Tem muita gente que fala que falta mais show aqui, principalmente de mina, mas é uma coisa que vai chegar”, acredita a MC.

Para o próximo ano, Drik Barbosa está envolvida em dois projetos, e planeja o lançamento de um EP. “Espero pode lançar uns singles antes, uns acústicos. Em 2016 a gente vai chegar bolada”, afirma. E nós esperaremos ansiosos.

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Freestyle, Luiz Gonzaga e encerramento a capela no meio do povo marcam o show frenético de Rapadura

IMG_0387Artista leva público ao delírio em sua apresentação marcada por originalidade e carisma na V Semana do Hip Hop de Bauru

Por Lucas Zanetti
Fotos: Lucas Rodrigues e Felipe Moreno

A diversidade de apresentações na abertura da V Semana Municipal do Hip Hop de Bauru foi consagrada pela apresentação do músico cearense Rapadura Xique-Chico. O carisma e a presença de palco do artista, em conjunto com a extrema valorização das raízes negra e indígena do povo brasileiro, sem dúvida vão ficar guardados por muito tempo na cabeça de quem esteve presente no parque Vitória Régia no último domingo, 8 de novembro.

Na levada rítmica da sanfona nordestina, ao som do mestre Luiz Gonzaga, a apresentação de Rapadura contou também com freestyle, idioma indígena e não foi finalizada no palco! Terminou lá em baixo, na catarse do público que cantava junto com ele a capela. No palco e fora dele, o artista deu uma verdadeira aula de humildade, originalidade e de cultura brasileira.

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Rapadura com meninas do Abayomi

“O maracatu e a cultura é o que vem naturalmente e a gente se identifica só de olhar no olho, de dar um abraço”

Antes de sua performance, o artista havia se apresentado com Abayomi, grupo bauruense de maracatu, que rendeu comoção de algumas integrantes do grupo. ”Meu olho encheu d’água porque eu vi as minas ali tocando e elas estavam chorando. Foi uma coisa muito bonita. O maracatu e a cultura é o que vem naturalmente e a gente se identifica só de olhar no olho, de dar um abraço”, diz Rapadura sobre o momento. Depois, retornou aos palcos novamente em parceria com o Inquérito.

Há três dias sem dormir direito, Rapadura fez muito barulho no Vitória Régia, levando o público ao delírio ao lado de seu DJ oficial, Rodrigo RM, que tem 13 anos de carreira e acumula 18 prêmios. Em 2008 RM ficou entre os 10 melhores DJs do mundo quando ganhou o prêmio ”DCM BRASIL”. Sua apresentação na abertura da Semana levou o povo ao delírio e foi digna de sua grandeza.

A mistura do rap com o repente. Rapadura é um artista de vanguarda. Seu som mistura elementos do rap com o repente, o maracatu, o coco, o forró e o baião típicos da cultura nordestina. ”Estes dois movimentos estão concentrados dentro de mim, então eu só jogo para fora o que tem aqui dentro”, conta o artista.

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Para ele, os ritmos convergem em diversos aspectos, o que torna esta mistura bem natural. ”O discurso é o mesmo, é contra o preconceito, é contra o racismo é a favor de melhorias para o povo então tem tudo a ver o rap com o repente”, explica. Toda esta complexidade rendeu a ele o Prêmio Hutúz 2009 como melhor artista Norte/Nordeste.

Apesar das diferenças, o rapper vê muitas semelhanças entre a cultura nordestina e a do interior paulista. ”As pessoas do interior daqui são parecidas com o interior de lá no acolhimento, no sorriso, no abraço, no carinho. Hoje eu recebi muito calor humano. Eu vejo que o nordeste está aqui e aqui está no nordeste”, opina.

“A gente vive em um país que não tem como dizer que é branco. Nosso país é negro, é indígena. Só que a gente se vê pouco nas representações”

O povo brasileiro não é branco. Um dos principais elementos da apresentação de Rapadura foi a valorização do povo negro e indígena brasileiro, que estão marcadas em nossos traços físicos e culturais. ”A gente vive em um país que não tem como dizer que é branco. Nosso país é negro, é indígena. Só que a gente se vê pouco nas representações. Desde quando eu aprendi o que é Hip Hop eu aprendi que existe um compromisso social”, comenta.

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A transformação do Hip Hop. Rapadura acredita que o novo sempre é bem vindo, desde que contribua de maneira positiva para o movimento. Ele critica os artistas que se utilizam da cultura Hip Hop sem saber o seu real significado e importância. ”O movimento tá crescendo bastante, mas eu vejo um lado que tá crescendo sem o conhecimento do Hip Hop. A galera chega, mas não sabe como começou isso, da onde veio, quem foram os precursores. Quantas pessoas apanharam para você poder usar um boné na cabeça hoje, quantas pessoas apanharam para você poder subir no palco e poder ter liberdade de expressão”, critica.

Ele acredita que os antigos e os novos devem trabalhar em conjunto para o progresso positivo do movimento. ”Nós mais antigos também temos a responsabilidade de chegar na molecada e trocar uma ideia”, completa.

 

 

Pesando na ideia: AlemdaRima tocando em casa e tirando onda

alemdarimaAbertura cultural da V Semana do Hip Hop trouxe artistas de peso e pratas da casa

Por Lucas Mendes
Fotos: Lucas Rodrigues

De tudo um pouco e um pouco de tudo. Quem colou no Parque Vitória Régia nesse domingo pôde aproveitar boa parte do melhor do rap nacional. O rolê foi o terceiro dia de atividades da V Semana Municipal do Hip Hop, considerado a abertura cultural do evento. Com artistas da cidade e convidados de fora, as atrações se estenderam até o final da noite, com as pedradas de Rapadura, Inquérito e Thaíde.

No começo da tarde, quem tomou conta do palco foi muita mina zica com rimas pesadas contra o machismo e as opressões da mulher, seguidas logo depois pelo show do AlemdaRima, grupo formado por Henrique Thomas e Allisson Ferreira. A dupla é da Casa, e eles já desenvolvem um trabalho com o Hip Hop há muito tempo. No show, eles foram acompanhados pelo DJ Ding, deejay residente da Casa do Hip Hop de Bauru.

“Pra nós aqui é tocar em casa, mano, e tirar uma onda. Aqui é tocar à vontade, nem dá pra sentir a pressão de tocar no palco do Vitória, pra nós é bem tranquilo, já não é a primeira vez, então é gostoso porque é um lugar que marca a cidade, que o pessoal se encontra aqui, e pra gente é mó daora de fazer parte”. É o que diz Henrique, logo depois da apresentação no palco do Vitória Régia.

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O grupo já há cinco anos vem propagando seu trabalho com o Hip Hop bauruense, a partir da formação que essa cultura possibilita. A presença nas edições anteriores da Semana também foi fundamental, como destaca Allisson. “Pra nós é uma satisfação imensa. A gente participou já da segunda edição em diante, e pra nós é muito louco ver tudo isso acontecendo, ver todo mundo que trampou o ano inteiro e o tanto de público que a gente alcançou… e esse é só o terceiro dia da Semana”.

Nova e Velha Escola. Apesar de recente, o trabalho da dupla já causou muito barulho. Prova disso é a sua participação garantida nas edições da Semana, além de terem dado o “pontapé inicial” nesta quinta edição do evento, abrindo as atividades lá na Estação Ferroviária, na última sexta-feira.

“Isso tudo é da gente, mas é também porque já tinha gente mais velha aqui, uma velha escola em Bauru estruturada e aberta para o novo”, reconhece Henrique. “Então a gente chegou e eles falaram ‘vem, vamo fazer assim’, e não teve café-com-leite, a gente chegou já brincando sério”, completa.

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Além das rimas e do trabalho em cima do palco, os caras participam da própria organização dos eventos. Como relembra Henrique, “todas as Semanas a gente tava envolvido com a produção, não só com o palco. O palco na verdade é só o fim do negócio”, diz ele. “A gente tá participando, vai na reunião. Tem projeto que só a gente desenvolveu na Semana, a gente que faz. Pra nós a Semana foi quem amadureceu a gente, porque a gente não teve tempo de brincar, foi chegar e fazer de verdade”, emenda.

Hip Hop de casa nova. Com a recente inauguração da Casa da Cultura Hip Hop, em agosto, novas oportunidades surgiram pra população bauruense e para a transmissão do legado da cultura Hip Hop. “Abrange um novo pessoal né?”, diz Allisson. “Tem muita gente que tem preconceito com o Hip Hop, por ele ser da rua, mas é tão influente na cidade que não tem como a pessoa falar mais nada”, completa.

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Pra ele, a oportunidade de um local próprio vai desenvolver melhor a cultura. “Essas oficinas vão chamar mais um público pra esse local, e só tem a ganhar a Casa do Hip Hop de Bauru. Porque o que a gente quer é construir mais e mais e deixar o bagulho o maior possível”, finaliza ele.

“A Semana ainda vai mexer com muita gente, ainda vai ter muita emoção, muita coisa louca. Ainda tá no começo e já foram coisas maravilhosas. Tá muito legal e a gente espera que seja um sucesso, tem muita gente trampando empenhada em fazer com carinho, fazer bem feito, quem tá vindo agora, não vai deixar de vir no próximo, quem não veio vai ouvir falar e vai querer vir. Então só tende a alcançar mais, ainda tá no começo e já tá desse jeito”, prevê Henrique.

Num encontro precioso, Abayomi traz baque de peso de Pernambuco para Bauru

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Grupo Maracatu Abayomi se apresenta na Semana do Hip Hop com “batuque de peso pra defender a causa”

Por Lucas Mendes
Fotos: Felipe Amaral e Emanuella Quinalha

Convidados da vez para a abertura cultural da V Semana Municipal do Hip Hop, o grupo bauruense Maracatu Abayomi mostrou que tem tudo a ver com Hip Hop. Com um show de respeito, com batuques pesados e celebração da vida e da espiritualidade, o grupo ainda abriu o palco para o pernambucano ilustre Rapadura MC, que se apresentou logo depois deles.

Trazendo e resgatando essa manifestação da cultura nordestina, o maracatu “é uma manifestação de resistência”. É o que frisa Alberto Pereira, fundador e coordenador do grupo. “Já tem um tempo que ele foi criado em Pernambuco e tem essa relação de resistência – uma relação que é muito próxima do Hip Hop, a questão do negro, a questão da religiosidade africana, questões sociais estão sempre presentes sendo cantadas e contadas pelo Maracatu”, explica ele.

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Ainda recente, o Maracatu bauruense existe há pouco mais de um ano. É o primeiro grupo de Maracatu de Baque Virado na cidade, e foi fundado em agosto de 2014, a partir de uma oficina de construção de alfaias (instrumento de percussão).

Palavra de origem africana, “Abayomi” significa “Encontro Precioso”

De origem Iorubá, Abay quer dizer “encontro” e Omi “precioso”. Segundo descrição do grupo, o nome representa “nascido para trazer felicidade – trazendo um reencontro com nossas raízes ancestrais.

A presença do grupo na Semana foi encarada pelos seus integrantes como uma grande “honra”. “Quando a galera chamou, a gente não pensou duas vezes em abraçar a ideia”, lembra Alberto. “É uma honra ser convidado e a Semana do Hip Hop é fantástica porque tem peso nacional, e aí essa galera que está aqui hoje pra assistir todas as apresentações de Hip Hop, também poder vivenciar o Maracatu e compreender, mesmo que minimamente dentro de uma apresentação, e ter despertada a curiosidade acerca do que é o Maracatu e seus significados, pra gente é essencial”.

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Religiosidade e política. O Maracatu é uma manifestação pernambucana, que tem origem na religiosidade de matriz africana. “A gente estuda e toca a nação do Maracatu Porto Rico, que é uma nação lá de Recife e que nos traz todo o fundamento e aprendizado. Então pra nós é uma honra trazer isso pra nossa cidade”, explica Isabela Santilli, integrante do grupo desde seu início.

“O Maracatu, assim como o Hip Hop e diversas outras manifestações, têm origem nas culturas de matriz africana, afro-brasileiras, então eu acho que a gente pode somar sempre essas manifestações, valorizando as suas origens e o povo negro”, visualiza Isabela.

Levando em conta como expressão de uma cultura de resistência, o Maracatu é também um ato político, ao lutar contra as formas de opressão e preconceito que atingem a cultura negra.

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“O preconceito deseja manifestar uma ideia de que existe gente superior e inferior, e aí a gente vem com nosso baque pra afirmar justamente o contrário, somos todos iguais mas somos tratados de maneira diferente, e o que a gente deseja é que todos sejam diferentes mas tratados de maneira igual, ou seja, com justiça. E a justiça não se faz tratando todo mundo igual, mas dando o que um necessita e exigindo dele conforme sua possibilidade”, contextualiza o fundador do grupo.

Dificuldades. “As dificuldades básicas são econômicas”, alega Alberto.  “Pra gente se manter o grupo se cotiza, faz festas, atua, faz oficina e a gente aprende junto, é um processo. Além disso a gente precisa dos financiamentos públicos, temos também a necessidade de “beber na fonte” – o Maracatu não é uma manifestação paulista, é uma manifestação pernambucana, então viajar pro Recife, conhecer as nações do Recife, viver isso é importante, porque não é simplesmente um baque, é uma batucada que tem um fundamento. A batalha é constante e como qualquer manifestação cultural ela tem essa dificuldade”, completa.

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Interessados em participar podem chegar num dos encontros do grupo, todo domingo, na Casa da Capoeira e na Praça Mestre Bimba. Das 16h às 18h é feita uma oficina aberta, e logo depois acontece o ensaio do grupo. “Quem desejar ingressar no grupo vai primeiro entrar nessa turma de iniciante, quando aprende o manejo de baquetas, acompanhar o baque, escolher um instrumento que lhe seja mais agradável”, explica Alberto.

“E o processo de aprendizado é contínuo, a gente tá aprendendo junto sempre, então a questão da humildade, da coletividade, da importância do trabalho coletivo, esse também é um fundamento que é colocado tanto no Maracatu como no Hip Hop, como na capoeira, como em qualquer manifestação da cultura popular”, finaliza.

DSC_0175Emocionados, o grupo Abayomi viu Rapadura Xique-Chico subir ao palco durante sua apresentação e cantar, dançar e reverenciar o grupo bauruense. Um grande ícone da cultura popular nordestina e da intersecção entre Hip Hop, Rapadura consagrou a apresentação do grupo com repente e sonoridade cearense e pernambucana nesse encontro precioso. “Abayomi“.


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“Em Bauru, me sinto em casa”, diz Renan do grupo Inquérito

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Pela terceira vez na cidade no intervalo de um ano, o Grupo Inquérito agita a abertura da V Semana do Hip-Hop

Por Fernando Martins
Fotos: Felipe Moreno e Lucas Rodrigues


Pela terceira vez na cidade no período de um ano, o Grupo Inquérito mostrou na noite deste domingo que Bauru é mesmo um segundo lar da banda, natural de Nova Odessa, próxima a Campinas.  Às quinze pras 21h, Renan, Pop Black e o Dj Duh subiram ao palco do Parque Vitória Régia pra fazer muito barulho e colocar o volumoso público
 em êxtase com a pulsante apresentação.

Com um estilo agressivo, o grupo soltou logo a primeira pedrada da noite com o som Póesia, composição batida pesada, misturando rock e poesia. Seguindo pela mesma estrada, a próxima parada ficou por conta de “Cidade sem Cor”, onde Renan critica a era digital, industrializada e individualista, de nosso mundo moderno. Na sequência, brincando com as palavras, como bom poeta, a canção Mister M, do penúltimo álbum “Mudança”, traz apenas palavras iniciadas com a letra M.

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Na primeira pausa do show, o vocalista e doutor em geografia abriu o baú da memória e trouxe uma curiosidade que aprofunda a proximidade da banda com a Cidade Sem Limites. Em tom de agradecimento, Renan lembrou da banda bauruense “Desacato Verbal”, que, em 1993, seis anos antes da criação do Inquérito, gravou o primeiro disco de rap fora da capital São Paulo. Ele lembrou ainda que o grupo contava inclusive com o DJ Ding, atual referência da discotecagem na região.

Pra não perder a pegada, o hit “Versos Vegetarianos”, produzido em parceria com Arnaldo Antunes, colocou a multidão pra cantar e acompanhar os versos que criticam a miséria, a educação e a mídia, entre outros assuntos. Logo depois, pra lembrar que Inquérito já é de casa, a música Carrossel enfatizou, não importando de onde vem e nem pra onde vai, a necessidade de manter as portas abertas pra poder voltar.

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O que certamente não podem voltar foram algumas lágrimas derramadas com a música “Meu Super Herói”, que aborda a transformação do herói, dos brinquedos infantis na saudade dos pais. Pra continuar no clima nostálgico, o sample de Cássia Eller em “Eu Só Peço a Deus” fala sobre guerras e desigualdades no país cordial, onde “quem não tem sangue de preto nas veias, deve ter nas mãos”.

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Luiza Romão

Em nova pausa para água e algumas palavras, Renan destacou a importância da participação igualitária da mulher no hip hop e na sociedade. A fala ganhou aplausos de Sara Donato, rapper são carlense, autora de letras que visam o empoderamento feminino: “É importante esse discurso posicionado até mesmo para incentivar outros caras a darem atenção e voz para as mulheres no movimento”. Mas nada mais representativo do que uma mulher subir ao palco naquele momento, quando a poetisa Luiza Romão assumiu a responsa e foi aclamada com fervor após recitar uma de suas fortes letras.

Outra participação especial ficou por conta de Rapadura, com a música Dívida Interna. O RAPentista cearense também foi uma das atrações deste domingo da V Semana do Hip Hop de Bauru e já havia levado o público a loucura com a mistura entre o rap e gêneros nordestinos, como o baião e o xaxado.

O último convidado não poderia ser mais que especial: Coruja BC1, sob muitos aplausos, subiu ao palco e se uniu a Renan para cantar “Se Liga”. O bauruense se disse honrado pela participação e lembrou da importância da presença desses ícones do gênero na cidade: “Em uma cidade que vem se tornando referência no hip hop nacional, como Bauru, trazer um artista como o Renan ou o Thaíde, que são alicerces da nossa cultura, é muito importante pra educação da nova molecada que tá chegando agora”, afirma Coruja.

Atendendo a pedidos, Renan afirmou que não poderia mais uma vez ir embora daqui sem mandar uma música pedida, então “Som pra Ladrão”, do terceiro disco da banda, entusiasmou fãs mais antigos da banda. 

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Destaque especial da noite, o backing vocal Pop Black chamou a atenção com um solo mesclado de técnica e resistência antes de pedir ao público para cantarolar o início de um dos maiores sucessos da banda: a música “Sonhos”, que contém trechos do mais famoso discurso de Martin Luther King e versos do poeta Sergio Vaz.

Por fim, a música “Corpo e Alma”, que também nomeia o quarto e mais recente álbum do grupo, encerrou com chave de ouro mais uma participação do Inquérito em uma Semana de Hip Hop da cidade.

Após o show, Renan destacou a íntima ligação que vem sendo construída na parceria com a cidade: “Cara, acho que não é coincidência o Inquérito ter vindo aqui várias vezes. Eu acho que é uma questão de identificação, reflexo do nosso trabalho e da organização dessa Semana do Hip Hop. Bauru tá de parabéns, pois isso aqui é um espelho pra todo o Brasil e espero voltar sempre, pois me sinto muito em casa por aqui. Tamo junto, de corpo e alma!”.

 

A V Semana do Hip Hop já está chegando!

Com oficinas e debates, a Semana Municipal do Hip Hop de Bauru chega à sua quinta edição com grandes shows e mostra audiovisual

2015 é o ano do Hip Hop e em Bauru, movimento se consagra como um dos maiores articuladores políticos, culturais e sociais da cidade. Entre os dias 6 e 15 de novembro, acontecerá mas uma edição da Semana Municipal do Hip Hop de Bauru.

Depois de mais de 20 anos de luta, em agosto inauguramos a Casa do Hip Hop de Bauru e para celebrar mais esta conquista, a V Semana Municipal traz shows de artistas regionais e de renome nacional como Rapadura MC, Inquérito, Thaíde e Emicida. No palco Interior tem voz, contaremos com a participação especial de Crônica Mendes e convidados. Em parceria com o SESC, haverá também o show inédito de Tásia Reis, na quarta-feira 11 de novembro, representando a força e o poder das mulheres na cultura Hip Hop.

Há dois anos, a Semana Municipal de Hip Hop de Bauru se tornou política pública por meio de mobilização social pela criação e aprovação da Lei 6258/2013. Dessa maneira, a Secretaria de Cultura se tornou uma parceira para a realização da III Semana Municipal do Hip Hop naquele ano e de lá para cá, a parceria e as atividades conjuntas só tem aumentado.

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Semana 2015 traz Inquérito, Thaíde, Crônica Mendes, Rapadura, Tássia Reis, DJ Erick Jay e Banks Back Spin

Formação, política e economia. Desde 2011, a Semana Municipal do Hip Hop de Bauru é organizada pelo Ponto de Cultura Acesso Hip Hop de maneira independente, horizontal e repleta de parcerias. Uma das atividades consagradas do festival é a realização do Combo 5 Elementos nas escolas municipais e estaduais da cidade durante a Semana do Hip Hop. O projeto leva conhecimento e mini-oficinas dos cinco elementos do Hip Hop (graffiti, breaking, DJ, Rap e conhecimento) para escolas municipais e estaduais, incluindo centros de reabilitação. O projeto  também conta com a participação da Frente Feminina de Hip Hop de Bauru que levanta questões de gênero para estudantes das escolas, chamando atenção para igualdade de gênero e para a violência doméstica como um problema social e coletivo.

Além disso, o festival também traz importantes debates sobre o movimento Hip Hop regional e sobre os movimentos negro e periférico. Em 2015, acontecerá a I Feira de Economia Solidária de Produtos do redeHip Hop  do Estado de São Paulo, durante os últimos dois dias da Semana. Ao longo do sábado, 14 de novembro, também acontecerá um debate sobre Economia Solidária com representantes da Rede Nacional das Casa da Cultura Hip Hop e Empreendimentos Solidários, professores universitários e pequenos empreendedores.

Neste ano, a Casa do Hip Hop de Bauru também tem uma novidade muito especial, ainda vinculada à economia solidária e à sustentabilidade do meio ambiente e dos modos de produção. No dia 07 de novembro acontecerá o lançamento da coleção oficial de roupas da instituição, na Estação ferroviária. Com estampas originais e desenvolvidas especialmente para o público bauruense, o desfile de moda “Favela Fashion Zic” privilegia os elementos da cultura e ícones de resistência.

Outro momento importante é a realização do II Fórum Municipal de Hip Hop de Bauru, que acontecerá no SESC, também no dia 7, para o levantamento de demandas, análises de conjuntura do movimento local e balanço de conquistas no último ano. Também serão exibidos documentários e filmes como Profissão MC, Dogtown e O Rap pelo Rap, nos bairros Mary Dota, Bauru 22 e na Casa do Hip Hop.

Programação. A Semana Municipal do Hip Hop de Bauru vai acontecer de 6 a 15 de novembro, com TODAS as atividades gratuitas na Estação Ferroviária, Casa do Hip Hop de Bauru, Sesc Bauru e parque Vitória Régia.

Dia 6/11 – Sexta-feira

Abertura da Exposição “Quem é quem?” do Coletivo Urbano de Arte- CURA de São Paulo.
Horário: 19h. 
Local: Estação Ferroviária de Bauru.

Cine Hip Hop
Filme: Os Reis de Dogtown (história do skate nos EUA)
Horário: 20h Local: Centro Unificado das Artes e do Esporte – Rua Maria José Silvério dos Santos com Avenida Lúcio Luciano, Bauru 22/ região do Jardim Redentor

Show Além da Rima e Banda.
Horário: 21h. 
Local: Estação Ferroviária de Bauru.

Dia 7/11 – Sábado

Encontro Estadual de Graffiti
Horário: 9h. Local: Viaduto Nuno de Assis

Cortejo Hip Hop
Horário: 10h. Local: Calçadão da Batista de Carvalho.

II Fórum Municipal de Hip Hop de Bauru
Horário: 14h. Local: Sesc Bauru (Av. Aureliano Cárdia 6-71)

Desfile de moda urbana “Favela Fashion Zic”. Lançamento da coleção de moda Casa da Cultura Hip Hop de Bauru. DJ Moonhbeats
Horário: 20h. Local: Estação Ferroviária de Bauru 

Dia 8/11 – Domingo

Abertura Cultural da Semana do Hip Hop 2015

Shows com Inquérito, Rapadura, Thaide, Issa Paz e Brisa Flow
Horário: 14h. Local: Parque Vitória Régia

Dia 9/11 – Segunda-feira
Combo dos 5 Elementos
Horário: 9h. Local: Escola Estadual Morais Pacheco. (R. Primeiro de Maio, 16-10. Parque Boa Vista)

Combo dos 5 Elementos
Horário: 14h. Local: Escola Estadual Morais Pacheco. (R. Primeiro de Maio, 16-10 – Parque Boa Vista)

Oficina de Fanzine
Horário: 14h
Local: Casa do Hip Hop Bauru

Mesa redonda com o tema “Redução da maioridade penal e genocídio da população preta, pobre e periférica”
Horário: 20h. Local: Centro Cultural de Bauru

Dia 10/11 РTer̤a-feira
Combo dos 5 Elementos
Horário: 9h. Local: Sorri Bauru. (Avenida Nações Unidas, 53-40 – Geisel)

Combo dos 5 Elementos
Horário: 14h. Local: Sorri Bauru. (Avenida Nações Unidas, 53-40 – Geisel)

Oficina de Fotografia
Horário: 19h. Local: Casa do Hip Hop Bauru

Oficina de Capoeira Angola
Horário: 19h30. Local: Casa do Hip Hop Bauru

Oficina de MC com JotaF e RapNobre
Horário: 19h30. Local: Casa do Hip Hop Bauru

Cine Hip Hop
Documentário O Rap pelo Rap
Horário: 20h. Local: Casa do Hip Hop

Dia 11/11 – Quarta-feira
Combo dos 5 Elementos
Horário: 9h. Local: Escola Estadual Ver. Antônio Ferreira de Menezes. R. Cap. Mario Rossi, 9-37

Oficina de Graffiti
Horário: 9h. Local: Casa do Hip Hop Bauru

Combo dos 5 Elementos
Horário: 14h. Local: Escola Municipal

Oficina de Dj com DJ Ding
Horário: 14h. Local: Casa do Hip Hop Bauru

Bate Papo: Produção Independente e mulheres no Hip Hop com Tássia Reis e Frente Feminina de Hip Hop de Bauru
Horário: 19h. Local: Sesc Bauru

12115614_185735578430356_237330865507897265_nShow com Tássia Reis
Horário: 21h. Local: Sesc Bauru

Dia 12/11- Quinta-feira
Combo dos 5 Elementos
Horário: 9h. Local: Escola Profª Ada Cariani Avalone.  Av. Dr. Marcos de Paula Rafael, 1. Mary Dota.

Combo dos 5 Elementos
Horário: 14h. Local: CIPS Bauru. R. Inconfidência, 2-28 – Centro

Oficina de DJ com DJ Scratch
Horário: 14h. Local: Casa do Hip Hop Bauru

Oficina de Stencil
Horário: 14h. Local: Casa do Hip Hop Bauru

Celebração do Dia Mundial do Hip Hop. Apresentação dos 4 elementos que compõe a Cultura Hip Hop, Rap, Breaking, Graffiti, Dj + Batalha de Mcs.
Horário: 20h. Local: Casa do Hip Hop de Bauru

Dia 13/11 – Sexta-feira
Combo dos 5 Elementos
Horário: 9h. Local: Escola Municipal Geraldo Arone.  R. João Prudente Sobrinho – Nucleo Hab. Fortunato Rocha Lima, Bauru – SP

Oficina de Graffiti
Horário: 9h. Local: Casa do Hip Hop de Bauru

Combo dos 5 Elementos
Horário: 14h. Local: 13/11- 14h30 – Legião Mirim Endereço: Av. Dr Nuno Assis, 13-50

Sarau do Viaduto especial Semana do Hip Hop com Banks Back Spin
Horário: 20h. Local: Avenida Nações Unidas, embaixo do viaduto da Duque de Caxias

Dia 14/11 – Sábado

Cortejo Hip Hop
Horário: 10h. Local: Calçadão da Batista de Carvalho

Batalha de Breaking
Horário: 13h. Local: Casa do Hip Hop Bauru

I Feira de Economia Solidária de produtos do Hip Hop do Estado de São Paulo.
Horário: 14h-22h. Local: Parque Vitória Régia

Palco Interior tem voz
Shows com Crônica Mendes, CURA, Preta Rara e outros.
Horário: 17h
Local: Anfiteatro Vitória Régia

Dia 15/11 – Domingo

I Feira de Economia Solidária de produtos do Hip Hop do Estado de São Paulo.
Horário: 14h-22h. Local: Parque Vitória Régia

Encerramento da Semana Municipal do Hip Hop 2015
Shows com Emicida + Grupos de Bauru.
Horário: 14h. Local: Parque Vitória Régia

Realização.  A V Semana Municipal do Hip Hop de Bauru é realizada em parceria entre Ponto de Cultura Acesso Hip Hop, Casa do Hip Hop de Bauru, Secretaria Municipal de Cultura, patrocínio Loja Ophicina e promoção da TV TEM.